Chasing Cars
Autora: Quem vê Grey's deve estar chorando com esse título, foi proposital.
*
Narradora:
Firkus ignorou McCook. O loiro continuou jogado no chão chorando aos prantos. O moreno passou pela porta e com o coração apertado deu a partida no carro.
"Ele me ama" pensou Firkus. Ele desviou de uma senhora e bateu o carro no muro de uma mansão. Seu corpo ficou paralisado perante a dor. Os vidros quebrados perfuraram sua pele deixando cortes profundos na mesma. Brian entrou em pânico, tentou chamar ajuda, mas as palavras não saíram, seu corpo desistiu de lutar, seus olhos se fecharam com as batidas lentas do seu coração.
-Ai meu Deus.
A idosa se desesperou e chamou o resgate. Enquanto isso McCook levou o cigarro aos seus lábios e o acendeu, a sensação o deixou confortável, ele jogou o seu prazeroso vício no lixo ao se lembrar de Miguel.
-Não sou igual a ele. -Disse com nojo.
Ele se sentou no sofá e começou a pensar no que faria para reconquistar seu amado. Pensar o deixou faminto, ele se dirigiu a cozinha e tentou preparar algo, mas se queimou e depois de xingar, raciocinou e fez os primeiros socorros, a ferida voltou a latejar.
-Que merda!
Ele entrou no carro e passou pelo acidente. O loiro ficou horrorizado ao ver a mansão sem muro e até pensou em tirar uma foto e mandar para seu ex. O riso se transformou em lágrimas, ele caminhou até o hospital e esperou por atendimento.
-ALGUM DOADOR DE SANGUE O+?
McCook:
Ergui a mão, a enfermeira me puxou pelo braço.
-Está acompanhando alguém?
-Não. Eu me queimei. -Ri de leve, ela riu comigo. -Não é urgente, posso doar agora.
-Ótimo.
Sentei em um salinha de paredes brancas com equipamentos azuis. Mais 3 pessoas estavam doando.
-A quanto tempo não come?
-Mais de um dia.
-Quando sair daqui, trate de comer, ok?
Assenti. Ela me preparou, aguardei a coleta.
-Um jovem bateu no muro de uma mansão. -Disse uma ruiva.
Meu coração se apertou, não entendi.
-E a família? -Replicou o barbudo ao meu lado.
Outra enfermeira chegou, ela começou a retirar meu sangue.
-Segundo os médicos ninguém atendeu, eles até tentaram o namorado.
-Ele foi identificado?
-Sim.
Cansei de escutar a conversa, peguei meu celular. DEZ CHAMADAS PERDIDAS DE UM NÚMERO DESCONHECIDO. Deve ser o filho da puta do Miguel.
-A coleta já está acabando. -Informou a enfermeira saindo da sala.
-Qual o nome do acidentado?
-Pare de ser curioso. -Replicou a loira.
-Brian Michael... Não lembro.
Desviei meu olhar do celular, encarei a ruiva, fiquei tonto, não é a ausência de comida.
-Você está pálido, quer que eu chame...
-Firkus. -A interrompi.
-O quê?
-O sobrenome é Firkus.
A enfermeira retirou as agulhas um a um. Os 3 me seguiram.
-Você o conhece?
-Eu sou o namorado dele.
-Eles te ligaram! -Relembrou a loira.
-Eu estava longe do meu celular.
Sentei em uma cadeira, minha tontura aumentou. O barbudo conversou com a enfermeira. Minha visão ficou turva, as mulheres falaram sem eu escutar, senti o enjôo aumentar. Ele está aqui por minha causa. Uma médica se aproximou, minha audição foi voltando aos poucos.
-...Fraturas expostas, enfim, ele está sendo operado, não sabemos a duração da cirurgia, não precisa esperar aqui, nós retornaremos se preciso.
-Eu prefiro ficar.
Ela assentiu, os três sentaram ao meu lado e a médica saiu. Lorena (ruiva) me comprou comida, começamos a conversar.
-Eu não o trai.
-Parece mentira. - Disse Carlos (barbudo).
Bárbara (loira) bateu em seu marido.
-Eu acredito em você Brian.
-Obrigado.
Meu nervosismo não passou, ele só aumentou com o passar das horas, fingi estar bem. Bárbara e Carlos foram embora, restando apenas eu e Lorena.
-Pode chorar.
Eu me permiti demonstrar fraqueza.
-Foi minha culpa, ele saiu da minha casa e...
-Foi, você é um idiota e ele não te merece.
Comecei a rir e logo voltei a chorar.
-Você o ama?
Assenti enxugando as lágrimas.
-Então demonstre e não desista. Ele precisará de um tempo, dê espaço e depois se aproxime.
Eu sorri.
-Obrigado pelo conselho.
Ela me abraçou.
-Gosto de ser útil.
A médica se aproximou, meu coração saiu pela boca.
-Tudo está correndo como planejado, a cirurgia acabará em torno de duas horas.
Ela se afastou, respirei aliviado.
-Quer companhia?
Assenti.
-O que veio fazer?
-No hospital? -Disse ela.
Assenti.
-Ultrassom pra ver meu bebê.
Ela encarou a barriga e deixou as lágrimas rolarem.
-Ele morreu.
Fiquei boquiaberto.
-Não tive tempo de conhecê-lo. -Suas lágrimas caíam de seus olhos. -Se fosse menino se chamaria Juliano e se fosse menina... -Ela suspirou- Maiara.
-Gostei dos nomes.
Ela sorriu enquanto enxugava as lágrimas. Seu sorriso se desfez quando viu uma maca sendo levada para dentro.
-É ele.
-Quem?
-O estuprador.
Ela abaixou a cabeça e encarou seu tênis.
-Eu fiz tratamento para engravidar, eu e o meu marido sempre quisemos um filho de sangue. Nós adotamos um menino. -Ela segurou as lágrimas, eu a abracei- Depois do tratamento, sai na rua e um louco abusou de mim.
Eu a segurei mais forte e permiti que ela chorasse. Mudamos de assunto, contamos piadas e rimos muito. A médica novamente caminhou até mim.
-Ele está bem, mas ficará na cadeira de rodas.
Eu não liguei pra segunda parte, apenas sorri.
-Posso vê-lo?
Ela assentiu.
-Vamos Lorena.
-Prefiro ficar aqui.
Ela encarou o estuprador saindo da UTI. Eu suspirei.
-Obrigado. Tudo vai dar certo.
Ela sorriu. Segui a médica e me deparei com ele deitado com a perna levantada. Entrei e sentei na poltrona ao seu lado, toquei sua mão.
-Oi Brian, eu sinto muito.
Chorei ao vê-lo naquele estado, tudo por minha culpa.
-Eu te amo e juro que não te trai, eu já quis. -Eu ri- Mas você é tão maravilhoso; eu preferi não fazer essa burrada.
Adormeci na poltrona, acordei com um toque no ombro, reconheci a mão e me assustei.
-Miguel. -Abri os olhos e me deparei com aquele idiota.
-Vá embora enquanto há tempo. Não quero que vocês fiquem juntos, ele é meu, entendeu?
-Vá pro inferno.
Chutei entre suas pernas. Ele se afastou e tentou me agredir. A enfermeira entrou para checar Brian.
-Eu voltarei. -Disse o ruivo se afastando.
O idiota finalmente saiu.
-B_Brian.
Sorri e o abracei.
-Doí.
-Desculpa.
Eu ri fazendo o sorrir.
-O que aconteceu?
Eu contei tudo que sabia.
-Por que acha que foi sua culpa?
-Você viu seu...
-Eu lembro, só não lembrava do acidente. -Ele se moveu na cama- Por que minha perna não meche?
Senti desespero em sua voz.
-Também não sei. Só sei que vai usar cadeira de rodas por tempo indefinido.
-E as minhas performances?
-Você consegue com ou sem cadeira. -Sorri- Estou feliz que esteja vivo, não sei o que seria da minha vida sem você.
Ele sorriu.
-Ainda estou chateado, mas estou feliz que esteja aqui.
Eu sorri e segurei sua mão.
-Eu te amo. -Disse ele.
-Te amo Trixie Mattel.
-Eu estou exausto, posso dormir?
Assenti.
-Vou dormir aqui, tudo bem?
-Sim.
Eu o observei cair no sono. Como alguém consegue ser tão lindo? Não consegui dormir.
Firkus:
-Vai negar? -Me arrepiei com essa voz, Miguel está no quarto.
-Vou! Eu nunca quis e nunca vou querer algo com você.
Abri os olhos e fiquei desesperado. Meu padrasto segurando McCook na parede pelo pescoço e o loiro se debatendo. Não consegui falar, o pânico me bloqueou.
-Não procure ele, estou sendo claro? -Disse Brian.
-Seu atrevido. -Meu padastro bateu no rosto do loiro- Você gostou da nossa noite.
-EU NÃO LEMBRO, TENHO CERTEZA QUE VOCÊ ARMOU PRA MIM.
Olhei estático, ele estava dizendo a verdade.
-Por que voltou? -Disse o loiro.
-Você sabe o porquê.
-S_Solta ele. -Consegui dizer.
Miguel me encarou e soltou meu namorado.
-Olá Trixie.
-Vai embora Miguel, ninguém te quer.
-Ele me quer.
-Vá se fuder. -Retrucou o loiro.
Miguel saiu do quarto rindo. McCook segurou seu pescoço.
-Ele te machucou?
-Não.
-Tira a mão.
-Não...
-Brian!
O loiro deixou exposto o pescoço roxo. Fiquei boquiaberto.
-Ele não pode te machucar!
-Tá tudo bem.
-Não está. Eu sei que você não me traiu, seus olhos não mentem.
Ele sorriu.
-Eu também não.
Seu celular tocou, ele atendeu e começou a fazer caretas.
-Ok Brenda, eu estou indo.
Ele guardou o aparelho e me encarou.
-Tenho que me apresentar, ganho um beijo?
Assenti, ele se aproximou e nós nos beijamos.
-Cuidado com o Miguel. -Eu o alertei.
-Você principalmente.
-Tem segurança aqui.
-Na boate também.
Ele saiu do quarto e me mandou um beijo. Uma enfermeira negra entrou no quarto.
-Vou retirar a faixa dos seus braços, talvez doa um pouco.
-Ok.
Ela começou a desenrolar, a faixa do braço direito ficou grudada. Me controlei para não gritar, doeu muito, mas ela finalmente tirou. Encarei as feridas vermelhas, suspirei.
-Vou dar ponto, ok?
Assenti. Ela realizou seu trabalho e saiu do quarto, fiquei encarando o teto, ouvi passos e encarei a porta.
-O que você quer Miguel?
Ele fechou a porta, engoli a seco. O ruivo tirou uma faca do bolso e voltou a me encarar.
-Ele não me ouviu, mas você vai me ouvir. Se afasta dele! Ou ele morre.
-Você é um covarde. Eu vou te denunciar.
-Você esquece que sou perigoso, para de bater de frente comigo.
Ele enfiou a faca na minha perna, fingi sentir dor, mas não sinto meu membro, obrigado acidente.
-Eu tenho controle sobre sua mãe.
Tentei não demonstrar medo.
-Você não se perguntou por que ela não veio? Porque eu quis assim. E quando eu quero... -Ele riu- Você sabe o que acontece.
-Você vai se dar mal, saía o mais rápido possível.
-Por que me afronta? É por causa do seu namorado?
Senti seus olhos queimarem de ódio, desviei o olhar e levei uma tapa na cara. Encarei minha perna, a mesma sangra muito.
-Eu fiz uma pergunta.
-Eu te odeio com todas as minhas forças.
Dessa vez ele esfaqueou meu braço, esse eu senti e logo em seguida as lágrimas desceram. O sangue começou a sair do meu corpo, minha visão foi ficando turva.
-Você é só meu, ouviu?
Meu corpo foi desligando, até eu desmaiar.
McCook:
Me desmontei e corri para o shopping. Comprei o batom favorito dele; um rosa claro. Dirigi até o hospital, abri a porta sorrindo. 3 seguranças estavam dentro do quarto, meus olhos percorreram o espaço e não o encontraram. Deixei a sacola cair, meu corpo voltou a tremer. Encarei o piso coberto de sangue e deixei as lágrimas caírem. Me acalmei, peguei a sacola e pedi informações para os seguranças.
-Um homem o levou. Ele se chama Carlos Firkus.
-Não o conheço. Certeza que não foi Miguel? Ele atormenta o Brian.
-Vamos checar as filmagens, nos acompanhe.
Eu os segui, chegamos a uma sala repleta de monitores. Assistimos a fita logo após a minha saída. Nada, comecei a perder as esperanças, até que Miguel entrou. Prefiro não descrever as imagens. Brian desmaiou e Miguel retirou os aparelhos ligados a ele.
-Mas que porra é essa. -Consegui dizer e fui respondido por risadas.
O ruivo colocou Firkus na cadeira de rodas e saiu do hospital, sem mais nem menos.
-Vamos acionar a polícia.
Meu coração acelerou. Ele é pior do que eu imaginava, AQUELA PUTA. Suspirei e sentei no banco mais próximo. Flashback:
-Brian Firkus, eu quero fuder com você.
Ele gritou e nós rimos.
-Estou falando sério. Eu gosto de você e pela segunda vez na vida, eu quero um relacionamento sério.
Ele ficou boquiaberto.
-Brian, para com isso.
-Eu estou falando sério.
Ele não me respondeu. Eu o beijei e ele felizmente correspondeu.
Normal:
Meu corpo quase entrou em pânico. Me estressar não vai ajudar, preciso me acalmar. Respirei fundo diversas vezes. Uma policial se aproximou e eu prestei depoimento.
-Esse hospital está cheio de crimes. Primeiro uma mulher mata um homem e depois um sequestro.
-Mulher mata um homem?
Temi pela resposta.
-Uma ruiva matou um estuprador.
Abaixei a cabeça, Lorena.
Firkus:
Acordei com a cabeça latejando e com novos curativos em minha pele. Olhei ao meu redor, paredes verde musgo, entrei em pânico. Olhei para as minhas mãos; presas na cama.
-Você não se lembra?
Miguel surgiu das sombras.
-Eu infelizmente lembro.
A primeira casa onde morei me traz péssimas lembranças.
-Não se preocupe, eu trouxe uma enfermeira.
A mulher que me atendeu anteriormente foi jogada no quarto, vi o pavor em seus olhos.
-Vou te contar um segredo.
Meu corpo voltou a tremer. Isso realmente está acontecendo.
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