Onze
Olá, alecrins. Desculpem a demora, eu queria muito ter terminado o capítulo até ontem, mas precisei de mais um tempo para colocar as ideias no lugar. Votem e comentem, e façam essa escritora, que está reiniciando na plataforma, feliz.
Caíque, ainda quase colado a Alexia, observava-a com curiosidade e nostalgia. Ao encarar os olhos verdes que brilhavam em um misto de dúvida e irritação, amaldiçoou-se por sua covardia. Percebeu que ela não havia mudado quase nada na aparência, exceto por uma ou outra linha de expressão que começava a aparecer em sua testa e perto dos olhos. Mas havia algo diferente, alguma coisa que a fazia parecer ainda mais atraente que outrora. Continuaria sua observação se não fosse interrompido pela morena, que com pouca delicadeza soltou-se e se afastou, deixando-o aturdido.
— Alexia, quanto tempo. — Falou ao vê-la já muito próxima ao carro, prestes a escapar-lhe.
— Um ano e dois meses, Caíque. — Ela disse ainda tentando processar aquela informação. Ele havia voltado. Estavam em frente à padaria, onde havia acabado de beijar Miguel, e agora tinha que lidar com aqueles olhos castanhos escrutinadores e com uma sensação que lhe parecia estranha.
— Você contou. — Ele murmurou para si, satisfeito por ver que ela se recordava do tempo com alguma exatidão.
— Não se vanglorie. Sou boa com datas. — A morena parecia irritada e apressada para sair dali o mais rápido possível, e ele entendeu que deveria se esforçar um pouco mais para ter a atenção dela.
— Tudo bem. — Caíque respondeu dando de ombros. — Eu vi seu carro aqui e fiquei esperando para te ver. — Confessou, mostrando que o esbarrão não havia sido uma coincidência.
— E resolveu que seria romântico esbarrar em mim? — Perguntou Alexia, incrédula.
— Não, só esbarramos porque você não estava prestando atenção no caminho, e eu estava olhando para baixo. — Respondeu com um sorriso de canto, um sorriso que ainda parecia a afetar, e isso a irritou ainda mais.
— Uau! Sou a culpada de todos os problemas do mundo. — Resmungou se virando para entrar no carro, sem paciência ou força para continuar aquela conversa.
— Alexia! — Ele praticamente gritou antes que ela entrasse finalmente no veículo, então recebeu sua atenção. — Eu voltei para a cidade e queria muito conversar com você. Sei que devo uma explicação, precisamos conversar.
— Caíque, a gente precisou conversar ano passado, e não fizemos isso. Não tem sentido fazer isso agora. — Ponderou a morena, atordoada e confusa sobre tantas coisas, que se sentia levemente febril.
— Nós precisamos, Alexia, devemos isso a nós. — Ela conhecia a história de André e Alessandra, sabia que a irmã havia fugido, e que depois eles se resolveram, mas sentia que esse enredo não se repetiria em sua vida. Porém, algo dentro de si, clamava para que conversassem, precisava jogar umas quantas verdades na cara dele para que finalmente pudesse viver em paz.
— Onde e quando? — Disse por fim, indisposta a delongar o encontro.
— Amanhã, um jantar no Le Blanc? — Disse apontando para o restaurante do outro lado da rua.
— Nem pensar. Para eu ficar sozinha ali de novo? Sem chance. — Respondeu enfática.
— Eu não vou faltar dessa vez, Alexia, mas se quiser, pode escolher outro lugar e horário. — Ela pensou em algum lugar neutro o suficiente, e que não desse a impressão de um encontro romântico.
— Tem uma lanchonete perto da praça, me encontra lá amanhã, ao meio-dia. — O moreno acenou em concordância, e ela não esperou sua despedida. Apenas entrou no carro e deu partida, sem perceber que deixava para trás mais de um par de olhos curiosos.
Ela passou o dia distraída, entre relembrar o beijo com Miguel e o encontro com Caíque. Péssimo momento para entrar em um triângulo amoroso. Péssimo momento para entrar em qualquer tipo de relacionamento romântico, raciocinou. Mais de uma vez digitou algo errado enquanto trabalhava, e suas pernas estavam inquietas, como se possuíssem vida própria. Precisava conversar com Alice, desabafar, dizer o que sentira, colocar a própria cabeça no lugar. Depois procuraria Alessandra para ser aconselhada, era sempre essa a ordem de confissão. Mandou uma mensagem para a mais velha avisando que passaria na casa da irmã do meio depois do trabalho, recebendo um "ok" em resposta.
Tocou na porta mais de uma vez, impaciente por encontrar a irmã e poder contar sobre os acontecimentos daquela manhã. Não conseguia compreender os próprios sentimentos, sua confusão, suas atitudes. Tinha claro que Caíque pertencia ao passado, então por que sentira a pele arrepiar ao tê-lo tão próximo a si outra vez? E por que não se jogava simplesmente em uma relação com Miguel, que evidentemente era o melhor partido e também mexia consigo, embora de uma maneira totalmente distinta?
— Ale? — Alice perguntou, ao abrir a porta e ver a expressão ansiosa da irmã.
— Preciso te contar o que aconteceu hoje. — Respondeu a caçula, sem esperar outro convite da irmã, adentrando no ambiente sem ressalvas.
— Pelo visto foi algo sério. — Constatou a outra, indo até o sofá e se sentando, levantando as pernas para as colocar sobre um puff estrategicamente colocado à sua frente. Alexia a seguiu e sentou-se ao seu lado, segurando as próprias mãos, geladas.
— Beijei o Miguel e o Caíque reapareceu. — Disse de uma vez, e recebeu um olhar surpreso em resposta. Alice abriu a boca mais de uma vez, tentando processar o que havia ouvido, sem emitir som algum. A caçula a encarava ansiosa por sua reação.
— Você o quê? — Perguntou para ter certeza que ouvira bem.
— Eu beijei o Miguel. Nos beijamos. — Corrigiu-se. — Foi uma coisa muito louca, a gente estava conversando sobre um nome para a padaria, começamos a nos encarar, e quando dei por mim, já estávamos nos beijando. — Confessou, com o olhar perdido a relembrar o ocorrido. Não deveria ser realmente uma surpresa, Alice já havia percebido que, principalmente pela parte de Miguel, sentimentos que iam além da amizade começavam a aparecer. Mas pelo olhar confuso da caçula, soube que ela não havia realmente percebido ao que levava a aproximação entre eles.
— E você nunca reparou que ele gosta de você? Você não gosta dele? — Perguntou Alice, mudando a posição das pernas para se sentir mais cômoda.
— Eu nunca havia parado para pensar nisso, eu só ia lá e gostava de estar na companhia dele e de Lira, não parei para pensar realmente no que estávamos entrando. — Pausou por um momento e continuou. — Ele disse que acha que está apaixonado. Eu falei que não tenho tempo ou paciência para achismos, e depois saí de lá. — Alice teve outra surpresa. A irmã não havia aceitado a declaração? Ela, a romântica, que sempre interpretava qualquer ação como uma demonstração de amor, havia rejeitado alguém que dizia estar apaixonado por ela?
— Você foi embora? Só saiu? — Suas palavras estavam carregadas de incredulidade.
— Sim, eu me cansei de achismos. — Antes que a irmã pudesse interferir, ela prosseguiu. — Quando eu saí, dei de cara com Caíque, ele viu meu carro e ficou esperando. O que não tem sentido, porque o carro poderia estar com a Sam, né? — Sua pergunta fora retórica, sem tempo para réplicas. — Então, foi muito estranho, ele ainda tem aquele sorriso malditamente lindo, e continua charmoso. Ele me pediu para conversar e esclarecer o que havia ocorrido entre a gente.
— Aquele cretino! — Disse Alice irritada, imaginando a ousadia do ex da irmã. Só não estava preparada para o que a irmã diria em seguida.
— Eu marquei para amanhã na lanchonete perto da praça. — Concluiu a caçula, mas a do meio custou a acreditar no que ouvia.
— Você não fez isso, Ale, diz que não fez isso. — Implorou Alice, tentando entender o que se passava na cabeça da irmã.
— A gente precisa realmente esclarecer o que aconteceu, Alice, colocar um ponto final. Não tem nada demais, é só uma conversa. — Reclamou a mais nova.
— Claro, você acabou de dizer que ele ainda te afeta e vocês vão só conversar, né? Parabéns, Alexia, você é ótima com relacionamentos, vai lá "só conversar" com seu ex que estraçalhou seu coração ao te enviar uma nota de término. — Com os hormônios alterados pela gravidez, a do meio das Ribeiro tinha dificuldades em manter para si o que pensava. Ela, que nunca havia sofrido por amor, e que o único namorado era o atual marido, não conseguia entender as atitudes da caçula, que parecia ignorar alguém que a queria e ir atrás de uma pessoa que tanto lhe machucara.
— Não precisa falar desse jeito. — Resmungou a mais nova. — Eu não vou voltar com o Caíque. E sim, sou madura o suficiente para ter uma conversa sem sentimentalismo, mas para você, senhorita perfeição que nunca errou, é difícil entender como me sinto. Nunca ficou confusa, nunca sentiu o que é um coração partido. — Suas palavras mostravam que estava ofendida com o julgamento da irmã.
— Como você se sente? — Bradou Alice. Nesse momento, Pedro, que estava na cozinha, ouviu as vozes um pouco alteradas das duas irmãs e resolveu ficar na porta da sala, pronto para intervir caso fosse necessário. Elas sempre discutiam, mas algo na expressão delas delatava que essa briga estava por começar. — Porque sempre é como você se sente, né? Você disse quem nem parou para pensar no que estava acontecendo entre você e Miguel, e adivinhe, tem uma criança nessa história. Já pensou em como os outros se sentem? Se Miguel te viu falando com o Caíque, combinando para sair, como ele se sentiu?
— O que aconteceu com o Miguel não tem nada a ver com o Caíque. Isso só diz respeito a mim e a ele. Além disso, eu não estou namorando o Miguel, não tem sentido dizer isso. Foi só um beijo e eu deixei claro que nossa vida está complicada demais para entrar em algo incerto. — Estava chateada, cansada, confusa, e sua voz se alterava sem que quisesse. — E você só sabe julgar, Alice, sempre está julgando as atitudes dos outros, como se só você acertasse na vida. Por isso a San não quis falar nada do que estava acontecendo com o André, porque sabia como você se comportaria, a juíza de todos. — Despejou, e ao ver a dor nos olhos da irmã, arrependeu-se instantaneamente. Ela voltaria atrás, se não fosse interrompida pela do meio.
— Claro, eu sou a juíza, nunca te ajudei quando precisou, nunca deixei meus gostos de lado para fazer os seus, nunca fiquei calada mesmo querendo dizer algo, só porque via que você estava feliz. — Disse Alice com ironia.
— Alice, me desculpa. — Pediu a mais nova, querendo apagar tudo o que dissera anteriormente, lembrando-se das vezes em que a irmã estava ao seu lado, mesmo sem concordar com o que fazia.
— Não, Alexia, você disse o que pensava, agora deixa eu dizer o que eu penso. — Pontuou a do meio, e Pedro, que assistia a tudo com apreensão, ponderou se não seria melhor cortá-la antes que dissesse suas próximas palavras. — Você é mimada e egoísta. Está acostumada a ter o que quer, e nunca pensa nas consequências do que faz. Vive intrometendo na vida de todo mundo, mas não pode receber uma crítica que acha que foi injustiçada. — Alexia a encarava perplexa, sem reação ao ouvir o que a irmã dizia com tamanha claridade. — Mas a culpa é nossa, que sempre tentamos te poupar, porque era a mais frágil, a que mais precisava de atenção. O palco sempre foi seu, mas pelo visto ainda se sente a pessoa mais incompreendida do mundo.
— Céu? — Pedro perguntou em dúvida, aparecendo no campo de visão das duas, que trocavam faíscas pelos olhares. Alice se virou para o marido, percebendo que havia se passado em expressar seus sentimentos.
— É bom saber que é isso que pensa de mim, Alice. — Sussurrou a caçula, levantando-se em seguida. — Eu vou pra casa. — Seus olhos estavam banhados em lágrimas, mas a do meio não conseguia proferir alguma palavra que a fizesse ficar. Estavam ambas magoadas demais, devido a coisas que iam além do momento vivido.
Alessandra estava assistindo um filme com o marido quando ouviu o celular tocando, e assim que viu o nome da irmã do meio no visor, soltou-se de André para atender.
— Lice?
— San. — A voz chorosa de Alice colocou a irmã em estado de alerta. — Eu briguei com a Alexia. Ela está indo para casa chorando. Quando ela chegar, me avisa, eu preciso pedir desculpas.
— Espera Lice, deixa eu falar com a Alexia antes, depois você vem. — Ponderou a mais velha, ouvindo o barulho do carro chegando. — Ela chegou, depois nós conversamos.
— Tudo bem. — Respondeu a do meio.
— San, eu sou mimada e egoísta? — Foi a primeira frase de Alexia ao entrar em casa, chorando, segurando os saltos na mão. — Eu só penso em mim?
André viu que não era um bom momento para ficar na sala, e saiu para o quarto, sem nem mesmo falar com a cunhada.
— O que aconteceu, Ale? — Perguntou a mais velha, mostrando o lugar vago ao seu lado.
— A Alice disse que eu só penso em mim, que sou mimada e egoísta porque sempre tive tudo o que quero. Você acha isso, San? — Alessandra observou a irmã sem saber o que dizer. Era um assunto delicado. Enquanto ela quase não teve atenção em sua infância, e passou por seus problemas, sozinha, Alice teve que deixar suas preferências mais de uma vez por causa da frágil saúde da irmã, por medo de a perder. Cada uma sofreu de uma forma, Alessandra por não ter afeto, Alice por ter de deixar seus gostos de lado, e Alexia com a doença.
— Alice está grávida de trigêmeos, Alexia, então ela acaba se extrapolando quando se irrita. — Justificou a mais velha.
— Então eu realmente sou egoísta? — Perguntou a caçula.
— Não sei o contexto, Ale. Você é muito bondosa, tem um coração gigante, mas sim, às vezes esquece de pensar nas consequências de suas ações para outras pessoas. — Ponderou Alessandra.
Então Alexia contou tudo o que havia passado durante a manhã e como acabou brigando com a irmã do meio, e como se sentia mal pelo que havia acontecido.
— Eu não queria ter dito aquelas coisas para ela. No final, ela está certa, acabo agindo por impulso e magoando quem amo. — Disse ela colocando sua cabeça no ombro da irmã mais velha, que a amparou em silêncio.
— Vocês duas são intensas demais, por isso brigam tanto. — Riu a mais velha, acariciando o cabelo da caçula. — Você se lembra quando foi você que me consolou? Quando o André ficou longe?
— Lembro, foi ótimo me sentir um pouco adulta. — Disse Alexia com um fraco sorriso. — Na maioria das vezes são vocês duas que precisam me socorrer. Por que sou assim, San?
— Somos todas diferentes, Ale. E não há nada de mal nisso. Somos imperfeitas, é normal, e por isso nossas decisões nem sempre são as melhores. Eu quase perdi o amor da minha vida por medo, a Alice também teve sua cota de egoísmo no relacionamento com o Pedro. Mas sempre estamos uma pela outra, né? — Alessandra concluiu, e a caçula assentiu, pensando que pela segunda vez havia brigado com a irmã do meio por Caíque, mesmo que não no mesmo contexto. Isso só mostrava que ele realmente não valia a pena, por mais charmoso que fosse.
Menos de um minuto depois, Alice irrompia pela porta, sem bater, com os olhos inchados, e ao ver as irmãs abraçadas, seu coração se tranquilizou um pouco. Havia sido injusta. E precisava ver a irmã para saber que estava bem.
Alexia levantou os olhos ao ouvir os passos apressados da irmã, e soube que não conseguiriam dormir sem se resolverem.
— Me desculpa! — Disseram em uníssono.
Eita! Alice e Alexia brigando! Quem está certa, quem está errada? Ou as duas estão certas e erradas? Caíque já chegou querendo consertar as coisas, será que isso vai dar certo?
Eu queria muito trazer a continuação da noite nesse capítulo, mas acabou se estendendo muito e terei que deixar para o próximo. Mais emoções no próximo capítulo, reconciliações e tretas...hahaha
E a história está apenas começando...kk
Muito obrigada a todas que estão me apoiando esses dias, vocês são incríveis. Aos poucos vou arrumar cada livro.
Beijos e até segunda!
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