Dezoito

Eu sei que tinha prometido o C.A.L. para quinta, mas não consegui reunir os personagens para a entrevista, e o Miguel foi muito evasivo...hehe

Eu queria muito escrever esse capítulo, embora corra o risco de ser linchada em algum momento dele...hehe... Espero que gostem do final. Deixem a estrelinha?

— Lice, vou pegar seu carro emprestado, ok? — Alexia falou, entrando na cozinha, onde a irmã estava sentada à mesa, corrigindo algumas atividades dos alunos.

— Claro, Ale. — A do meio levantou os olhos para a irmã, a fim de indicar onde estava a chave do carro, e ficou embasbacada ao ver o modo como a outra estava arrumada. — Uau! Você está... — Depois de uma pausa dramática, completou. — Perfeita. Uau! — A caçula riu, feliz com o elogio.

— Não acha que está demais? — Disse, sinalizando para si, e o vestido azul royal justo que ia até os joelhos, com pequenas pedrinhas a adornar o busto.

— Ale, você sempre está demais. — Respondeu a outra, e não era uma crítica. — E é um encontro, não é? — Perguntou, com um sorriso malicioso.

— É, pelo visto, sim. — Soltou o ar, e seu sorriso denotava sua expectativa. Os olhos verdes estavam realçados pela sombra em tons de azuis, bem delineados e os cílios marcados pelo rímel. O batom em um tom de vinho, deixava-a com um ar mais maduro. — Eu ainda não acredito que estou fazendo isso.

— Eu acredito. — Brincou Alice, feliz ao ver a empolgação da caçula. Conhecendo bem a irmã, sabia que ninguém a entenderia melhor que Miguel. — Marcaram cedo? — Olhou para o relógio, onde marcava dez minutos antes das seis da tarde.

— Quando se tem crianças envolvidas, não se pode marcar nada para muito tarde. — Refletiu com um sorriso. — Lira já está na casa da San, desde manhã. E depois vamos buscá-la, por isso não podia ser tarde. E também não podia ser cedo porque ele estava ocupado com a padaria. — Ela pareceu pensar por alguns instantes, e logo se sentou, de frente para a irmã, levemente aflita. — Lice, o que estou fazendo?

— Indo para um encontro onde será pedida em namoro e aceitará? — Disse a outra, como se tratasse de algo óbvio, com um sorriso divertido.

— Sim, estou fazendo isso. Mas, logo agora? — Suspirou. — Digo, encontrei um apartamento essa semana, vou me mudar semana que vem, ele tem a padaria, a Lira, eu estou trabalhando, você está grávida, o Akili acabou de chegar, a Clarinha também vem. Nossas vidas estão uma bagunça, e ainda vamos começar com isso? As chances de acabarmos com tudo é tão grande que me dá medo. — Confessou, pensando se estava realmente tomando a melhor decisão.

— Ale, Ale. — Chamou a mais velha, para que ela a encarasse. — Metade das coisas que citou não te envolvem diretamente. Eu estou grávida de trigêmeos, o Pedro cuida de mim. Akili chegou, ele tem a San e o André. O pai dos meninos vai vir, junto com a Clarinha, mas os gêmeos estão aqui. É o pai e a irmã deles. — Alexia sentiu que a irmã estava certa. — Se tirarmos toda essa pressão de cima, a história se simplifica. Você está se mudando, ele pode te ajudar. Ele tem uma padaria, que por sinal está crescendo, e uma filha que já te ama. Isso já é bem mais do que a maioria dos casais tem quando começam um relacionamento. — Concluiu Alice, brincando com a caneta em sua mão.

— Não acha uma má ideia? — Insistiu Alexia.

— Acho uma má ideia você perder seu tempo comigo em vez de ir logo até esse encontro. — Provocou a mais baixa. — Ale, eu seria a primeira a dizer caso pensasse que isso não daria certo entre vocês, sabe disso. — A caçula riu, sabendo da veracidade das palavras da outra. — Mas é evidente que o Miguel está totalmente apaixonado por você, e que você também gosta dele. A química entre vocês é incontestável, e isso porque eu só vi vocês juntos um par de vezes. Então para de procurar pelo em ovo, e vai lá. Mude logo esse seu status de relacionamento. — Alice colocou as mãos sobre as da irmã, que estavam gelados e deu um sorriso encorajador. — Vai lá e arrasa com o coração dele. — Alexia riu e sentiu que uma parte do peso que estava sobre si era liberado.

— Eu te amo, Lice. Somos duas cabeças duras que amamos nos provocar, mas sei que posso contar com você em qualquer ocasião. — Ela se levantou e deu a volta, abraçando a irmã com carinho, e beijando o topo de sua cabeça.

— Você e seus abraços. — Brincou Alice. — Eu te amo, Ale, mas não acredito que ainda está aqui. — A caçula sorriu e depois de pegar a chave do carro, e segurar os saltos na mão para calçar no local, saiu da casa.

Miguel, ao fechar a padaria, viu que Josélia continuava ao lado de fora, parecendo preocupada.

— Ei, você ainda está aqui? — Ele perguntou, com a voz branda, assim que saiu do estabelecimento e fechou a porta.

— Meu filho acabou de me ligar falando que furou o pneu da moto e parou na oficina. Não estou conseguindo moto-táxi para me levar. — Ela contou e observou melhor o chefe. — Está bonito, vai encontrar a namorada? — Para aquela mulher, ele e Alexia já namoravam há tempos, embora o moçambicano insistisse em dizer que não eram namorados, não ainda.

— Espero que hoje ela se torne minha namorada. — Ele brincou, e a senhora riu. Miguel estava com calças de lavagem escura, com uma camisa em estilo social, azul clara, e um blazer preto por cima. — Quer carona? Eu te levo em casa, Josélia, está escurecendo, se soubesse já tinha te levado. — Ele sugeriu, sabendo que não poderia deixá-la ali.

— Não quero te causar problemas, vai chegar atrasado. — Ela falou, não querendo incomodar, embora preocupada, sabendo que sua vizinhança não era segura e seria perigoso chegar muito tarde em casa.

— Eu mando uma mensagem avisando a Lexi, ela vai entender. — Respondeu, já tirando o celular do bolso para digitar. — Não posso te deixar aqui, eu te levo, não é nada de mais.

— Bem, se você diz, então vamos. Vou te dever essa. — Respondeu a senhora, pensando em como a garota que seria namorada de Miguel era sortuda por ter alguém como ele. Preocupado e humano.

Assim que chegou no local marcado, um bistrô indicado por André, ela tirou o celular da bolsa de mão e viu a mensagem de Miguel.

"Lexi, a Josélia não tinha quem a levasse para casa, eu só vou deixá-la e já te encontro. Desculpa. :/".

A morena sorriu ao ver a consideração dele em avisá-la, e logo foi até um lugar de pouco movimento, no canto, ouvindo a música ambiente tocar músicas antigas. Sentou-se e sentiu que as mãos estavam suadas. Era ansiedade. Sabia que aquela noite definiria tudo, e isso a deixava apreensiva. Chegar antes dele no local também não facilitava para que se sentisse mais tranquila. Não lhe trazia boas recordações, mesmo que soubesse que Miguel era diferente de Caíque e não lhe enviaria uma carta de término. Até porque ainda nem eram realmente namorados.

Estava de TPM, recordou-se com desgosto. E nessa época, suas emoções ficavam à flor da pele. Tudo era intenso demais, e não queria sentir tanto. Não era seguro sentir tanto. Recriminou-se pelos pensamentos confusos que poderiam colocar tudo a perder, e pediu uma taça de vinho ao garçom que se aproximou. Ali teria condições de pagar caso seu acompanhante não viesse. Mas ele viria, sabia que viria.

Ao deixar a funcionária em sua casa, Miguel lembrou-se que havia esquecido de algo. As flores. Provavelmente chegariam amassadas, mas sabia o quanto sua Lexi gostava delas, e queria que esse momento fosse de fato importante e inesquecível. Assim que a senhora lhe agradeceu, aproveitou para perguntar:

— Josélia, você sabe onde posso encontrar flores para comprar por aqui? Não quero ir ao shopping, é longe do bistrô e vou me atrasar ainda mais. — Justificou e a mulher sorriu.

— A Alexia é sortuda de ter você, Miguel. É um bom homem. — Admitiu a senhora. — Tem uma velha floricultura na rua detrás. Eles devem estar fechando agora, mas se bater na porta do lado e falar que eu te mandei ir ali, eles te atendem. — A mulher concluiu. — Só toma cuidado, aqui não é um bairro muito seguro, tem muito assalto. — Precaveu ela.

— Vou tomar cuidado. — Ele disse. — E obrigado pela sugestão. — Assim que viu que a funcionária já estava dentro da pequena casa, ele deu partida na moto e foi até o lugar indicado.

Estava anoitecendo, e os tons de laranja davam lugar aos tons de azuis e roxo da noite. Ao ver as casas decaídas, lembrou-se do antigo bairro em que viveu os primeiros anos no Brasil, dos locais perigosos em que morou, e dos riscos que correu. Gradualmente melhorava sua situação, e na sua atual casa sentia mais segurança, principalmente por causa da sua pequena, seu tesouro.

Chegou ao local indicado, e como predito, o estabelecimento estava fechado. Bateu na porta ao lado, mais de uma vez, sem resultados. Suspirou pesadamente e decidiu que não poderia ter tudo. Olhou para o relógio e viu que estava muito atrasado, era melhor ir encontrar sua Lexi, as flores seriam providenciadas em outro momento.

Quando levantou seu olhar, viu três homens, ou melhor, jovens, aproximando-se, seus moletons com capuz escondendo parte das faces, e ele soube que não tinham boas intenções. Tentou caminhar com fingida tranquilidade até a moto, já tinha visto aquela cena mais de uma vez para saber que estava em perigo. Antes que alcançasse a moto, foi parado por uma mão que o puxava, e soube que não tinha sido uma boa ideia procurar flores àquela hora.

Alexia olhou novamente para o celular, impaciente, e enviou outra mensagem. Era a quarta.

"Miguel, você vai vir? Olha, eu estava com fome e já comi, se quiser, a gente marca outra hora. Estou com dor de cabeça, quero ir embora".

Estava decepcionada, tinha de admitir. Com Miguel, consigo. Estava chateada por perceber o quanto se importava com aquelas convenções, e que tinha medo de ser deixada outra vez. Sabia que não teria como o moçambicano fugir e desaparecer, afinal sua filha estava na casa da irmã dela, então, eles se encontrariam. Mas seu interior parecia aflito, tinha vontade de chorar, e não conseguia explicar seu sentimentalismo naquele momento. Uma hora de atraso não era comum, mas ele tinha uma boa razão. Ele deveria ter, ainda mais depois de ter avisado que se atrasaria por levar a funcionária até sua casa. Miguel não era Caíque. Miguel não era Caíque, repetiu para si, mais de uma vez.

Vencida pelo cansaço e insegurança, resolveu que já havia esperado o suficiente, sem respostas. Preocupou-se ao pensar nos motivos que tinham o levado a faltar no primeiro encontro oficial deles. Pensaria nisso quando chegasse em casa. Já estava prestes a dar sete da noite, e a escuridão do céu mostrava que já havia passado tempo demais ali. Pagou sua conta e foi até o carro. Havia bebido pouco, não estava afetada pelo álcool, mas seu interior parecia tomado de uma angústia incomum.

Miguel estava em apuros. Sem moto ou celular, e com um corte perto da boca, o moçambicano só conseguia pensar em como aquela noite que deveria ser perfeita, estava se tornando um pesadelo. Deveria ir à delegacia, sabia disso, fazer o boletim de ocorrências, mas a única coisa que queria naquele momento era encontrar sua Lexi, precisava vê-la. Deveria agradecer por ainda estar vivo, depois de ser assaltado, e sabia que isso só se devia ao fato de não ter reagido, embora fosse maior e mais forte que os três que lhe atacaram. Estavam armados, sabia disso, e as vozes que lhe gritavam para entregar o celular e a chave da moto demonstrava que eram jovens demais para se importarem com as consequências de suas ações.

Saiu do bairro, com a roupa amassada, e tentando conter o sangue da boca com a manga do blazer. Tentou pedir moto-táxi, mas nas condições em que se encontrava, foi ignorado por todos que passaram pela avenida. Andou de modo mais enérgico e rápido, orando para ainda encontrar Alexia no local marcado. Sabia que ela detestava ser deixada para trás, e que poderia ter perdido sua oportunidade de se declarar, mas tinha de tentar encontrá-la ainda aquela noite.

O bistrô não era tão longe do bairro em que fora assaltado, assim, em minutos, divisou o lugar, correndo até lá, torcendo para encontrar a morena, sua Lexi. Viu o carro de Alice e pensou que estava salvo, até que percebeu Alexia indo até o veículo, disposta a ir embora. Correu com ainda mais pressa, entendendo que era tarde demais ao ver o carro começar a se mover. Na frente do bistrô, colocou as mãos sobre os joelhos, cansado e frustrado, pensando que sua noite estava perdida.

Alexia entrou no carro, e por alguns segundos colocou a cabeça sobre o volante, deixando lágrimas amargas correrem por seu rosto. Mais uma vez chorava por um encontro fracassado, e nem sabia se podia culpar Miguel por isso. Limpou a face, suspirou pesadamente, e decidiu que deixaria para liberar suas frustrações quando estivesse com uma das irmãs. Não passaria por tudo sozinha, outra vez. Ligou o carro e acelerou, saindo do estacionamento. Olhou pelo retrovisor para não bater no carro detrás, e nesse momento pôde ver algo que fez seu coração parar.

Miguel estava lá, parecia agachado, e ofegante. Fez a volta com o carro, de modo quase imprudente, parando do outro lado da rua. Saiu do veículo, apressada, e ao atravessar a rua, quase foi atropelada, ouvindo xingamentos do motorista, sem se importar o mínimo. Sabia que algo estava errado no momento que o viu pelo retrovisor, e assim que se aproximou, viu o corte em sua boca e sua roupa amassada.

— Mugui? — Ela perguntou, colocando sua mão sobre o ombro dele, que continuava agachado, consumindo-se em culpa. Miguel sentiu que tudo voltava ao seu lugar ao sentir a mão dela sobre si, e surpreendeu-se ao descobrir que ela não havia ido embora.

— Lexi. — Ele respondeu, levantando-se, e encontrando os olhos verdes lacrimejantes e preocupados. Não pôde pensar em outra reação que não fosse abraçá-la. — Lexi. — Repetiu, sentindo o corpo dela encaixando no seu à perfeição, como se apenas aquele abraço fosse capaz de reparar qualquer dano. — Eu achei que tinha ido embora. — Confessou, afastando-se o mínimo para poder encará-la.

— Mugui, o que aconteceu? — Ela perguntou, colocando o dedo indicador sobre a ferida na boca dele, já seca. Os olhos conversavam-se, recusando-se a se afastarem outra vez, e a ligação que tinham parecia não ser rompida tão facilmente. Antes que pensasse responder, quais ímãs que se atraem, as bocam se encontraram, e com as mãos, ele trouxe Alexia para mais perto de si, como se fosse possível unirem-se em um só. Ela também não parecia disposta a soltá-lo, como se só aquela ação pudesse afastar seus pensamentos tortuosos. — Teve gosto de sangue. — A morena murmurou, e o moçambicano riu.

— Eu fui assaltado, Lexi. Depois de deixar a Josélia na casa dela, fui buscar flores para você. Eu sei que você gosta disso, e tinha esquecido. Só que a floricultura estava fechada, e a única coisa que encontrei foram três assaltantes que levaram minha moto e meu celular. — Os olhos da morena se abriram, como grandes pratos, e sua expressão tornou-se de puro terror.

— Você o quê? Eu não acredito, Mugui. Por que fez isso? Por que foi atrás de flores para mim? — Outra vez lágrimas inundavam seu rosto, enquanto Miguel tentava secá-las com as mãos. — Mugui, a gente tem que ir à delegacia prestar queixa. — Ela não esperou resposta e o abraçou, feliz por pelo menos estar vivo. — Você podia ter morrido, Miguel. — Ralhou, e ele sorriu, sabendo que mesmo estando irritada pela situação, Alexia admitia, sem pensar, o quanto se importava com ele. — Eu não sei o que faria se você tivesse morrido.

— Ei, eu estou vivo. E vou recuperar a moto e o celular com o tempo. Essa não é a primeira vez que isso acontece, vou passar por isso. — Ele respondeu, beijando a testa dela com ternura, voltando a encarar aqueles olhos verdes revoltos que tanto mexiam consigo.

— Isso é injusto, é cruel. Ninguém deveria passar por isso. — Alexia disse, a voz demonstrando sua revolta. — Eu sabia que tinha um motivo de não vir. Só não pensei que era isso. — Levou as mãos até o rosto dele, como se quisesse certificar que ele ainda estava ali, que estava bem, que era real.

— A vida não é muito justa, Lexi. Mas eu agradeço por estar vivo e por estar com você. Acho que não preciso implorar, né? — Brincou, e as lágrimas davam lugar a um sorriso emocionado que iluminava todo seu rosto.

Eles não pareciam se importar com os olhares curiosos que recebiam. Em suas mentes apaixonadas, existiam apenas os dois naquela calçada, envoltos em um mundo totalmente deles.

— Eu aceito. — Ela respondeu, enlaçando o pescoço dele com as mãos.

— Como sabe que eu ia perguntar? — Provocou Miguel, esquecendo-se do cansaço que sentia, e da dor nos lábios.

— Não ia? — Revidou a morena. — Nesse caso, Miguel Alfredo Mahene, aceita ser meu namorado? — Ela perguntou solenemente, provocando uma gargalhada no Moçambicano.

— Você não existe, Lexi. E sim, eu ia perguntar. Mas já que fez a pergunta, eu aceito. — Por alguns instantes, apenas alguns instantes, toda a maldade e injustiça não existia, e podiam ser felizes juntos, sem se importarem com toda a sujeira ao redor. — Então somos namorados, e todas aquelas regras infundadas podem ser quebradas?

— Elas tinham fundamento. Eram para proteger nossos corações. — Disse Alexia, ainda absorta nos olhos castanhos que pareciam envolvê-la. — Não deu certo, mas tinha um propósito nobre. — Completou sorrindo.

Miguel parou de sorrir por alguns segundos, apenas contemplando a beleza de sua namorada. Namorada, aquilo soava tão bem aos seus ouvidos, que fazia todo o resto parecer pequeno. Ele a amava, refletiu. Era amor, e não estava disposto a perder mais tempo de sua vida tentando afogar aquele sentimento tão nobre.

— Eu sou completamente louco por você, Alexia Ribeiro. Eu te amo. — Ela se assustou ao ouvir aquelas palavras e se soltou do abraço, perdida. — Lexi, me desculpa, eu não queria te assustar, mas isso é tão claro para mim, que não consegui me conter.

— Eu só... uau! — Respondeu ela, sem saber o que dizer, e deixou ser levada novamente ao encontro de Miguel, aninhando-se a ele. — Eu nem sei o que dizer. E olha que eu sempre sei o que dizer. — Confessou.

— Tudo bem, não precisa dizer nada, só fica aqui comigo. — Ele respondeu, depositando beijos no topo da cabeça dela, que estava encostada em seu ombro. Sentiu seu estômago roncar, e Alexia riu.

— Mugui, acho que é bom comprar algo para você comer, e depois vamos à delegacia para dar queixa. — Ela ordenou, afastando-se e ditando o que fariam.

— Não tem nada de romântico em ir à delegacia. — Ele brincou.

— Não importa, super valorizam essas convenções sociais consideradas românticas. O importante é estar com quem é importante para nós, não importa como e onde. E por favor, nunca mais invente de se colocar em risco para me trazer flores. Está proibido. — Ralhou.

— Tudo bem, você que manda, Lexi. Sem flores. — Ambos sabiam que enfrentariam muitas dificuldades no caminho, mas cada uma delas seria superada se estivessem juntos. Ele aproximou-se para a beijar outra vez, e foi impedido.

— Você nem desinfetou o corte, Mugui, eu nem me dei conta disso. — Alexia disse preocupada. — Isso pode infeccionar, voltou a sangrar depois do beijo. — Concluiu.

— Lexi, sangrou muito pouco. — Ele tentou persuadi-la.

— Comprar comida, alguma coisa para desinfetar a ferida, e ir à delegacia. Depois vamos buscar a Lira. — Pontuou, e viu o sorriso de canto de Miguel, que estava se divertindo com sua lista mental. — Para de me encarar assim, Mugui. Só estou cuidando para não ficar com infecção e morrer. — Ele gargalhou ao ouvir a última frase.

— Minha Lexi hiperbólica. — Provocou, depositando um selinho nos lábios da morena, recebendo um olhar irritado em resposta. — Você está linda, e nem pude falar isso antes. Eu te amo.

— Para de falar isso, você me deixa sem graça. — Reclamou, passando por ele e entrando novamente no bistrô, disposta a pedir algo para levarem. Miguel sorriu e entrou atrás dela, sem se importar com os olhares curiosos que lhes eram dispensados.

Enquanto esperava o pedido, em silêncio, Alexia entendeu o quanto a vida passava e mudava depressa. Por suas convenções, quase perdia Miguel, e não saberia como lidar com algo assim. Ele a amava, e isso era algo que precisava pensar a respeito. Amor era grande demais e não podia ser lidado com banalidade. Tinha certeza sobre seu amor por Lira, mas, e por Miguel, já era amor?

Que capítulo, meus amigos, que capítulo! Foi muito difícil falar do assalto, mas isso é algo corriqueiro em muitos lugares, e um instante pode mudar a vida de alguém. Imagina se o Miguel tivesse reagido? O que poderia acontecer? Por causa das circunstâncias, muitos vivem em constante perigo, e isso é terrível. Não descrevi a cena em detalhes, porque a obra é leve e não quero entrar em cenas muito fortes.

Sobre eles juntos, finalmente!!!! Ok, eu não queria para agora, nem dessa forma, mas eles queriam, então, fazer o quê? Deixar eles ficarem juntos, né? Nada saiu como o planejado por eles, nem por mim, mas acho que no fim eles entenderam que a vida é curta demais para se impedir de vivê-la. Miguel ama a Lexi!!!! Rápido ele, ein? 

Digam o que acharam do capítulo, e se preparem que segunda tem mais emoção. Já que esses dois vivem na base da emoção. E sobre os shipps, temos algumas opções:

1. MuXi

2. MigLexia

3. MiLexi

4. MiLex

E aí? Qual o preferido de vocês? 

Alguma pergunta que queiram fazer para o Miguel, o Pedro ou o André? Podem fazer suas perguntas aqui que vou encaminhá-las a eles, e no máximo até amanhã à noite, trago o C.A.L. 

Até amanhã!

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