Capítulo 9

Saio do refeitório correndo e, no corredor, uso supervelocidade para ir ao banheiro. Chegando lá, entro na primeira cabine que eu vejo e ponho tudo para fora.

Como eu já tinha previsto, estou vomitando sangue. É uma mistura de tons de vermelho impressionante, porém um tanto quanto... nojenta.

Longos segundos depois, paro de vomitar. Parece que tem ácido no meu estômago. O vaso sanitário está completamente sujo de sangue, dou descarga e ele volta a ficar branco novamente.

Me levanto e limpo minha boca. Percebo minhas mãos estão um pouco sujas. Maldita batata frita, penso. Saio da cabine e vejo se alguém está no banheiro, por sorte, estou sozinha.

Lavo minhas mãos com a água morna da torneira e molho o meu rosto. Eu adoraria ver meu reflexo no espelho, mas vampiros não possuem reflexo nem nos espelhos, vidros, metais e poças d'água, então espero que minha aparência esteja ótima.

Seco minhas mãos com alguns papéis e saio do banheiro. Tento não pensar no que acabou de acontecer. Vou falar para Renna que estou ótima, que passei mal porque comi alguma coisa estragada, penso. Essa é uma ótima resposta.

-Kate! -Renna aparece e vem em minha direção. -Está tudo bem? Você saiu correndo do refeitório, pensei que tivesse acontecido alguma coisa com você...

-Estou ótima, Renna. -dou um sorriso fraco. -Acho que comi alguma coisa estragada... -ponho a mão na minha barriga.

-Eu não deveria ter te forçado a comer aquela batata... Me desculpe.

-Está tudo bem. -falo e ponho minha mão no ombro de Renna. -Não se preocupe.

-Me desculpe mesmo, Kate. -ela me abraça e fico sem reação. -Você é a única amiga que eu tenho aqui... Eu me preocupo com você.

-Idem. -sussurro.

Passo minhas mãos pelas costas de Renna e as acaricio. Lentamente, meu estômago volta ao normal e sinto um enorme alívio. É... Parece que abraçar um mortal pode ajudar um vampiro.

***

À noite, estou no quarto e em frente ao meu guarda-roupa. Pego alguns cabides com vestidos e os coloco na cama.

Eu tenho vários vestidos, mas a maioria deles são, digamos, extravagantes para um baile em um colégio.

Separo dois vestidos, olho fixamente para eles e ponho meus dedos no queixo, como sinal de dúvida. O primeiro vestido é longo, roxo, de alças finas e com alguns discretos cristais. O segundo vestido fica na altura dos joelhos, é azul-escuro, possui alças um pouco grossas e caídas e a saia tem um certo volume.

Oh céus... O que está havendo comigo?, penso. Nunca fui de me preocupar muito com roupas, mas gosto de estar bem-vestida e meus parentes sempre falaram que sou bonita naturalmente e que não preciso de muitas coisas para ficar ainda mais bela. Agora estou aqui, sozinha em um quarto e em dúvida entre dois vestidos para ir ao baile com um mortal. Isso sempre foi improvável para as mulheres da família Jacks.

Ouço batidas na porta. Meu pai. Eu até poderia esconder rapidamente os vestidos, mas estou tão intrigada que falo, sem sair do lugar.

-Entre.

Escuto meu pai abrir a porta e entrar lentamente no quarto, mas não me viro. Continuo concentrada nos dois vestidos.

-O que está fazendo, Katherine? -meu pai pergunta com um tom sério.

Me viro e percebo que ele está próximo à mim. As mãos dele estão nos bolsos dianteiros da calça escura e ele me encara friamente.

-Eu... Eu estou olhando alguns vestidos de festa.

-Para aquele maldito baile, não é?

-Sim... Eu pensei que o senhor tinha aceitado isso...

-Eu nunca vou aceitar isso, Katherine, você é minha filha, eu não te criei para se misturar com os mortais e agora, além de entrar em um colégio, você vai à um baile com um dos nossos inimigos.

-Nossos? -indago. -Papai, o Tyler não é meu inimigo, ele pode o seu, mas não é o meu... Ele é diferente.

-Você é tão ingênua... -ele se aproxima de mim. -Você sabe o que vai acontecer se você... se apaixonar por esse mortal.

-Eu sei... -engulo em seco. -Além de trair nossa espécie, não serei considerada sua filha.

-Exatamente, se preocupe com esses vestidos depois, nós vamos caçar agora, quero você pronta em cinco minutos.

Antes que eu pudesse falar alguma coisa, meu pai se afasta e sai do quarto.

Eu até poderia chorar, mas... Pra quê? Essas "discussões" com meu pai estão se tornando frequentes, as palavras deles são duras, mas se toda vez eu chorasse depois de uma discussão com ele... toda a água do meu corpo sumiria.

Pego os cabides com os vestidos e coloco todos dentro do guarda-roupa. Pego minha jaqueta de couro e fecho a porta do guarda-roupa. Após vestir a jaqueta, vou até à cômoda e pego minha adaga. Estou pronta para caçar.

***

Estou na floresta, encostada em uma árvore e à espera da minha vítima. Meu pai está a vários metros de mim. Não nos falamos quando chegamos na floresta... Assim é melhor.

Alguns minutos depois, escuto um barulho. Fico bastante atenta e olho para os lados. Ao longe, vejo uma silhueta andando pela trilha. Uma silhueta feminina. Coloco minha adaga na cintura e vou em direção à mulher.

-Olá? -pergunto, com uma voz inocente. Automaticamente a mulher pára de andar. -Tem alguém aí?

-Sim... -ela responde. Sua voz é suave, parece de uma mulher de 30 anos. -Está perdida?

-Eu não sei... Acho que sim.

Me aproximo da mulher, apesar de estar escuro, consigo ver seu rosto. Possui traços suaves, angelicais, seu cabelo é longo e cacheado e ela é, mais ou menos, da minha altura.

-Se você quiser, eu posso ajudá-la a voltar para casa.

-Eu ficaria grata. -dou um leve sorriso.

Começamos a andar lentamente, olho para ela diversas vezes e espero o momento certo para atacar. Tirando o barulho dos grilos e o piar de uma coruja, a floresta está silenciosa.

-Está perdida há quanto tempo? -ela pergunta.

-Acho que... Faz meia hora.

-Como se perdeu?

-Essa floresta tem muitas trilhas, eu devo ter pegado uma trilha errada.

-Verdade... E está escuro, então é fácil se perder.

-Pois é...

O silêncio volta a reinar. Quando estamos perto de um pequeno barranco, eu, automaticamente, empurro a mulher, que rola e bate a cabeça em uma grande rocha.

Fico com a respiração ofegante, pego minha adaga e desço o barranco lentamente. Ao chegar perto do cadáver, percebo que a mulher está com os olhos abertos, mas não está respirando. Uma grande quantidade de sangue escorre pela sua testa.

Me abaixo e cravo a adaga em seu peito. Sugo lentamente o sangue de seu pescoço. É tão bom. Sei que é errado, mas se eu não matar alguém... Morrerei.

Quando estou prestes à terminar de sugar o sangue, escuto a voz do meu pai.
-Deixe um pouco para mim, Katherine.

Levanto a cabeça e me afasto um pouco do cadáver. Meu pai se abaixa, quebra o pescoço da mulher e suga o resto de sangue que sobrou.

Em seguida, meu pai carrega o corpo da mulher até um pequeno lago que fica perto da floresta. Durante o caminho, ponho as mãos no bolso da calça e espero meu pai falar alguma coisa. Já que isso não aconteceu, eu mesma falo.

-Fiz um bom trabalho, não é papai?

-Você não fez mais do que a sua obrigação, Katherine.

Engulo seco e não falo mais nada. Chegamos perto de lago, meu pai se aproxima e jogo o corpo da mulher na água.

Sinto um pouco de frio, já que um leve vento arrepia o meu corpo. Meu pai volta e fala para mim.

-Isso foi um bom trabalho... Vamos embora.

***

Oi gente, tudo bem com vocês? O capítulo de hoje não foi repleto de emoções, mas dá pra perceber que o Paul não quer fazer as pazes com a Kate não. O próximo capítulo vai ser muito legal, o que vocês acham que vai acontecer hein? Dêem suas opiniões e obrigada por lerem esse capítulo.

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