Capítulo 39
-Você está louco, Kurt! -falo desesperada tentando me desvencilhar. -Me solte!
Kurt me empurra, caio na cama, ele fica por cima de mim e põe as mãos no meu pescoço. Seu olhar demonstra pura fúria.
-Escutei a sua conversa com a Renna, Katherine! - ele aperta fortemente meu pescoço. -Diga, você está grávida dele, não é?!
Sinto-me sufocada, o ar não está passando pela minha garganta e o desespero domina o meu corpo. Se eu contar a verdade, Kurt vai me matar... e se eu não contar, ele vai me matar do mesmo jeito. Opto pela primeira opção.
-Tá bom... Eu estou... grávida do... do Tyler...
-Traidora! Você é uma traidora, Katherine! Eu quero...
-Me mate! Me... me mate, Kurt! Assim... eu não serei mor... morta pelo meu pai...
Kurt permanece com as mãos no meu pescoço e me encara furiosamente. Ele vai me matar, ele vai me matar. Minha barriga faz um pequeno movimento.
Me ajude, mamãe!
Me surpreendo quando ele saí de cima de mim. Recupero todo o ar que perdi durante esses longos segundos, passo a mão pelo meu pescoço e, em seguida, pelo meu cabelo.
-Eu... eu te amava, Katherine. -Kurt diz com a voz embargada. Ele está sentado na ponta da cama e sua cabeça está levantada. -Como você pôde fazer isso comigo, com nossa espécie?
-E-eu estava louca... me deixei levar pelos sentimentos e me entreguei àquele... desgraçado.
-E você não pensou nas consequências... -ele me olha e diz secamente. -Você se tornou um deles.
-Não, não, Kurt... -enxugo minhas lágrimas que nem eu sabia que surgiram e me aproximo dele. -Eu continuo sendo uma vampira...
-Mas por quanto tempo, Katherine?! -ele se levanta. -Esse... esse híbrido vai te transformar... vai mudar o seu corpo, a sua mente...
-Não, não, não... -nego com a cabeça e ponho a mão na minha barriga.
-Isso se vocês estiverem vivos, não é?
-O quê? -desesperada, me levanto abruptamente. -Não, Kurt! Você não pode contar!
-Eu não vou precisar contar nada. Vai estar óbvio, daqui há poucos meses, sua barriga estará enorme! O que será que Paul Jacks fará com você quando descobrir que além de estar grávida de um mortal, você foi rejeitada por ele?
-VOCÊ ACHA QUE EU NÃO PENSO NISSO? ACHA QUE EU NÃO TENHO MEDO DE MORRER NAS MÃOS DO MEU PAI? -lágrimas rolam novamente pelo meu rosto. -Kurt, a vida do meu filho é mais importante do que tudo! Eu não quero morrer porque senão ele morrerá também. Não importa se é um híbrido, um vampiro ou um mortal... -acaricio minha barriga e finalizo. -É o meu filho... e eu faria tudo por ele.
Enxugo rapidamente minhas lágrimas e volto a encarar Kurt. Seus olhos estão escuros e os músculos do seu maxilar se movem.
-Você faria qualquer coisa para salvar esse híbrido? -ele pergunta.
-Sim, qualquer coisa.
-Até ficar com a pessoa que você traiu?
Recuo um passo e digo sem entender nada.
-Você... você ainda quer que me case com...
-Comigo. -ele fica bem próximo de mim e continua. -Eu vou assumir a paternidade do híbrido, contaremos ao seu pai que vamos ter um filho, nos casaremos o mais rápido possível e criaremos o híbrido como se fosse um vampiro.
Estou completamente chocada. Kurt quer assumir a paternidade do meu filho. Entretanto toda perigosa oferta tem um preço e Kurt deve ter o seu.
-Você... você seria capaz de fazer isso?
-Tudo por você, minha bela Katherine. -ele fala suavemente e põe uma mecha do meu cabelo atrás da orelha.
-Qual é o seu preço?
Ele me surpreende novamente ao pôr a mão no meu pescoço, o aperta e me levanta com uma mão. Assim como eu fiz com Tyler Smith.
-O meu preço... é o seu amor. -ele fala entredentes e eu balanço meus pés procurando contato com o chão. -Me ame eternamente e intensamente! Mas isso não é tudo... você fará tudo o que eu mandar e ficará definitivamente longe daquele maldito mortal. Não olhe para ele, não fale com ele e nem ouse pensar nele. Se eu souber de algum problema que vocês dois estejam envolvidos... -ele aperta fortemente o meu pescoço. -Eu contarei toda a verdade para o seu pai e a sua família inteira te exterminará como um inseto... e eu vou colaborar com isso.
Kurt me solta novamente e eu caio na cama. Recupero o ar mais uma vez e me mexo por cima do colchão. Kurt mexe no próprio cabelo, me olha e fala novamente com uma voz suave.
-Estamos entendidos, querida?
Isso é loucura. Isso é uma chantagem. Mas uma chantagem que salvará minha vida.
-Sim...
-Ótimo. -ele sorri e se senta ao meu lado. -Vamos para a parte um do nosso plano.
-Que parte um?
Kurt pula em minha direção e me beija ferozmente. Sua língua entra e sai furiosamente da minha boca. Entrando no plano dele, entrelaço minhas pernas em sua cintura e me mexo com se eu quisesse mais. Mas eu não quero.
Eu também beijo ferozmente seus lábios, mas, comparado ao beijo dele, o meu é mais "delicado". Coloco meus dedos em seu cabelo e Kurt apóia a cabeça em meu ombro, recuperando o fôlego. Ficamos alguns segundos assim, com as respirações ofegantes até que eu pergunto.
-Gostou, meu amor?
-Sim... foram segundos mais longos e prazerosos da minha vida... -ele me olha e limpa uma gota de suor que escorria pela minha testa. -Continue assim, Katherine, você irá longe.
Ele se levanta, oferece a mão para me levantar, faço isso e enquanto arrumo minha roupa, pergunto.
-Quando será a parte dois?
-Não seja apressada, meu amor. -ele me dá um rápido selinho e pega minha mão. -Será em breve. Venha... vamos esperar o seu pai para contar que nós estamos esperando um bebê.
***
Eu e Kurt estamos sentados no sofá esperando meu pai voltar. Ele me oferece uma taça de sangue, eu bebo rapidamente e Kurt indaga.
-Você se lembra do que combinamos, querida?
-Claro, meu bem, contaremos a notícia juntos... mas será que meu pai vai gostar da notícia?
-Ele vai amar! Com certeza Paul vai adorar ser avô de um vampiro.
Engulo seco e observo o sorriso falso de Kurt. Agora é assim que será meu noivado com ele... falso. Dois atores enganando a platéia. Olho para o meu anel de noivado e suspiro. A porta se abre e meu pai aparece com três garrafas cheias. Hora do show.
-Papai... -chamo ele e eu e Kurt nos levantamos do sofá.
-Sim, Katherine? -ele pergunta e vem em nossa direção. Kurt põe a mão no meu ombro.
-Kurt e eu queremos lhe dar uma notícia.
-Que notícia?
Escuto Kurt suspirar e ele responde.
-Eu e a Katherine... -nos olhamos e sorrimos brevemente. -Estamos grávidos. Nós vamos ter um filho.
Por alguns segundos, a tensão se instala na sala de estar. O olhar do meu pai é indecifrável, será que ele gostou dessa notícia ou odiou? Será que ele vai me abraçar ou vai dar um forte tapa no meu rosto?
-Que notícia maravilhosa! -ele exclama e nós três sorrimos. -Foi completamente fora de hora, mas é uma ótima notícia! -ele me abraça fortemente e beija meus cabelos. -Minha bela Katherine terá um bebê! -ele me solta e olha para Kurt. -Parabéns para você também, Kurt. Ser pai é uma coisa maravilhosa.
-Obrigado, Paul, tenho certeza de que esse filho será um presente para as famílias Jacks e Garden. -ele sorri para mim e eu retribuo o gesto.
-Agora temos que organizar rápido os preparativos do casamento.
-E não será nada agradável eu me casar com uma barriga enorme. -eu comento.
-Você está certa, minha filha. -meu pai segura minha mão e vamos até o sofá. -Nossas famílias são grandes e, com certeza, alguns parentes vão comentar se você se casar faltando dias para dar à luz.
-E a gravidez de uma vampira é bem rápida. -Kurt comenta. -São dois ou três meses, no máximo.
-Sim, sim... -ele fala enquanto mexe nos cabelos como um sinal de nervosismo. -Que bela hora você foi engravidar, não é, minha filha?
-Você mudou de ideia em relação ao seu neto? -pergunto com uma voz triste.
-Claro que não, minha filha. Só que vocês poderiam ter esperado até a noite de núpcias.
-Sabemos disso, foi uma notícia inesperada, Paul, mas esse bebê foi feito com muito amor... -Kurt fala e pega a minha mão. -E vamos criá-lo com muito amor também.
-Tenho certeza disso. -meu pai suspira. -Sabe o que essa gravidez significa?
-Hum... Que nós teremos que adiantar o casamento? -pergunto.
-Não só isso. -ele olha para mim e Kurt. -Teremos que sair daqui o mais rápido possível.
Me levanto abruptamente quando ouço meu pai falar isso. Sair de São Francisco assim? Após um tempo ficando aqui, me acostumei com o lugar e fiz uma grande amizade com Renna e Logan.
-Está tudo bem, Katherine? -meu pai pergunta.
-Sim, mas é que... -digo receosa enquanto dou passos calculados com as mãos na cintura. -Nós temos que sair daqui?
-Sim, meu amor. -Kurt se levanta. -O clima daqui é muito quente para nosso bebê.
-Mas para aonde nós vamos? Teremos que ir nesse momento?
-Podemos ir para Nova Orleans, já que vocês querem que o casamento ocorra lá. Não precisamos ir agora, mas quando mais cedo, melhor.
-Você tem razão, Paul, o que você acha, Katherine?
-Eu não sei, não sei...
-O que há com você, minha filha? -meu pai se levanta e vem lentamente em minha direção. -Tem alguma coisa que te prende aqui?
-Não, claro que não. Eu só... só fiquei surpresa com essa ideia.
-Mas você concorda com isso, meu amor? Concorda que teremos que nos mudar em breve para Nova Orleans?
Meu pai e Kurt estão olhando. Estou me sentindo pressionada, sinto vontade de chorar, mas as lágrimas não saem. Respiro profundamente e respondo.
-Sim, eu concordo. Concordo que teremos que ir para Nova Orleans... o mais rápido possível.
***
Gente, que treta que a Kate foi se meter, hein? Gostaram do plano do Kurt? Ele foi muito malvado ou muito 'bonzinho'? Será que esse plano vai ajudar ou prejudicar a Kate? Dêem suas opiniões e obrigada por lerem esse capítulo.
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