Nascimento da Rosa
1 - O Nascimento da Rosa
Foi uma correria aquele dia.
Na vila onde moravam, todos já sabiam que a menina estava grávida e havia sido abandonada pelo filho do fazendeiro.
Esse rapaz foi mandado estudar bem longe. Talvez fosse até lá pelo estrangeiro...
O fazendeiro não queria que aquela notícia chegasse aos ouvidos do filho. Pois, aquele povo era muito fofoqueiro. Ele sonhava para o filho um futuro brilhante, e isso não incluía uma menina caipira grávida.
O rapaz, 'o cravo' dessa história queria somente diversão, nem ligava se magoasse um coração inocente. Mas talvez se soubesse da gravidez da menina poderia ser diferente.
Foi embora... E não sabia que além de um coração despedaçado ele deixava algo mais...
*
*
A menina começou a passar mal antes do dia previsto, e a parteira foi mandada buscar, mas ela não foi encontrada.
A cidade ficava longe, como iam fazer com aquela menina que gritava tanto?
Não havia outro jeito.
Eles iam ter que fazer o parto ali mesmo.
Juntou no quarto: avó, mãe, tia e prima.
- Como era mesmo que parteira falava? - alguém perguntou.
- Traz água quente!
- Uma lanterna.
- Uma tesoura bem limpinha.
- Muitos panos.
- Todos os homens para fora do quarto! Mas rezando para que Deus ilumine.
Depois disto uma olhou para a cara da outra e perguntaram:
- E agora?
Ninguém sabia mais o que fazer.
- O melhor é esperar, uma hora vai ter que nascer. – A tia falou.
A prima voltou no quarto e disse:
- Os panos estão aqui, a água coloquei para ferver, e a tesoura eu passei um álcool, mas agora tem um probleminha... A lanterna... Ela está sem pilhas.
- Traz velas então criatura! – falou a tia nervosa.
Então alguém gritou lá de fora.
- Seu João é 'bão' em ajudar a parir as vacas e as porcas da vizinhança.
- Vá correndo buscá-lo. - ordenou a 'vó'.
A menina quando escutou isso, ficou mais desesperada, não queria abrir as pernas para um homem e muito menos para seu João.
Juntou os lençóis no corpo. Encontrou um xale jogado na cama e sem que as mulheres percebessem saiu escondida pelos fundos e entrou mato adentro.
E foi para longe, bem perto da cachoeira.
E ali chorou e contorceu de dor junto da natureza.
Mas quando uma dor forte a cometeu.
O bebê chorando nasceu.
Ali deitada no chão à menina não sabia o que fazer.
Ficou somente quieta olhando a água a escorrer...
Descia das pedras bem do alto e um grande lago se formava, depois começava a descer...
Com o reflexo do sol vindo da queda d'água um pequeno arco-íris se despontava. Lindo de se vê.
E ela ali... Pensando no que fazer...
Poderia colocar aquela criança que berrava e deixar a água levar.
Ou mesmo deixar na mata, em algum lugar...
Mas não teria coragem.
A criança, ela pegou no colo e na água a lavou, ficou fazendo carinho na cabecinha dela até que se acalmou.
Sem saber o que fazer, ela a abraçou...
Colocou o peito na boca dela... Que lindo e emocionante... Ela mamou...
E então a natureza se encarregou.
E deitada no chão ela amamentou.
Ela olhou para o lado e viu uma linda rosa que no meio das pedras ali desabrochou...
E sozinha ali no meio da natureza pensou ao dia em que engravidou.
Depois de muitas horas ela resolveu voltar.
Pegou o xale... Percebendo o erro que cometeu, era um cachecol azul, que com ele, ela o enrolou.
Estava cansada e com sede, com a criança nos braços uma hora andou.
No caminho de casa uma caixa ela encontrou. Parecida até uma caixa de sapato, porém maior. Então ali a criança colocou.
E foi assim que na à casa dos pais ela chegou.
Eles já não sabiam mais o que fazer, todos a procuravam e muito preocupados, pois começava a anoitecer.
Mas ela chegou de mansinho sorrindo e feliz.
E disse que sua filha era o milagre de Deus, pois no momento do seu nascimento a vida dela renasceu.
A alegria se espalhou e a festa foi geral.
Então começaram a falar nomes de santas, sugerindo para dar a linda menina.
Outros falavam para colocar o nome da avó, ou da bisavó.
Então ela disse que o nome já estava escolhido.
Era Rosa e já era definitivo.
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