Volume 2 - Capítulo 2.1
- Como já antecipava, Jane não aceitou o divórcio.
- Mas como? Ela tem que aceitar.
- Eu sei. Mas ela não aceitou. Se recusa a aceitar.
- E qual o argumento dela?
- Ah, você sabe... É apenas birra da Jane. Acho que ela pensa que se aceitar estará dando a vitória a mim, e ela certamente não deseja isso.
- Hum... A vitória seria dos dois e não só sua pelo que vejo. A relação já está no buraco há muito tempo...
- Eu que o diga.
Ewalyn, ainda deitada na cama, levantou sua metade de cima para dialogar melhor.
- Mas você vai fazer o que, Henry?
- Eu não sei... Eu não sei o que fazer.
- O que seu advogado falou?
- Ainda não falei com ele.
- Embora um casamento precise da vontade dos dois, o divórcio só precisa de um, Henry. Se você se divorciar, os dois serão divorciados. Acho que nesse tipo de caso só depende de você, não?
De pé, ao lado da cama, enquanto vestia a camisa, suspirei profundamente.
- Eu acho que não... Tem todo aquele lance de advogados... De se juntar para ver como ficam as separações de bens, e tem que ter assinaturas das duas partes... – Levei as mãos sobre o rosto brevemente – e eu sei que ela não vai assinar nenhum contrato que não a deixe claramente numa vantagem financeira inquestionável.
- Bem... Você deve falar com seu advogado. Ficar do jeito que está que não dá né... Essa é o que? A terceira noite seguida que você dorme aqui em casa.
Eu estava na casa de Ewalyn, em Glen Meadow. Era uma casa pequena, mais comprida do que longa. Mas tinha uma aura pacata e aconchegante.
Creio que não é preciso dizer o óbvio, mas sim: depois daquele dia na estação de ônibus abandonada nós havíamos começado um caso.
Ao invés de sucumbir aos maus hábitos da bebida para complementar meu suicídio delongado já iniciado pelo vício do fumo, era melhor ter outra desculpa mais saudável para não voltar para casa.
Diferente do que dita o padrão natural de boas maneiras, não escondi de Jane. Ela precisava saber. Se tem algo que é covarde é esconder esse tipo de coisa da própria mulher.
Não deu certo e ponto final. Jane terá que aceitar isso.
E claro, tem também o lance com Ewalyn. Eu gosto de Ewalyn. Ter Ewalyn presente em minha vida me trouxe novas perspectivas. Antes eu era apenas um fantasma. Um fantasma magoado que vagava procurando a vingança contra seres malignos, numa vã tentativa de compensar a minha falha em proteger Betty anos atrás.
Um fantasma do passado.
Cada vez mais apegado a ele, cada vez mais preso. Incapaz de deixar o mesmo.
Pior que um vício.
E agora passei para um vício diferente: Ewalyn. Não consigo viver longe de Ewalyn.
No trabalho. Na folga. Mesmo nas raras ocasiões em que estou em minha própria casa. Não consigo me colocar totalmente longe.
E por conta disso tenho algo para chamar de lar, algo como "voltar para casa", que me espera após findo um longo dia de trabalho.
Mesmo que não seja exatamente a minha própria casa.
Mas isso vai mudar. Estou trabalhando para que mude.
- E se isso não puder ser resolvido de forma simples? – Soltei um grunhido – Que saco. Por que Jane tem que ser assim?
- Se você não conseguir... – Ewalyn se espreguiçou – Você não conseguiu, ué. Pelo menos tentou... O que é um casamento aliás? Apenas um pedaço de papel?
- Você é diferente de todas as mulheres que já conheci.
- Aww.
Me aproximei dela e a beijei.
- Boa sorte. – Ewalyn disse – A propósito, você não me disse porque está indo mais cedo hoje...
- A Sarah disse que tinha um delator. Está querendo negociar um regime semi-aberto. Patrick Gray. Conhece?
- Hm. Acho que não...
- Você ia gostar. Porque não vem junto ouvir a história do desgraçado?
- Mmmmm...
Contorcendo-se entre o travesseiro, Ewalyn fez uma manhosa careta de que não.
- Você que sabe... Se quiser continuar se contorcendo no seu conforto e se tornando uma com o travesseiro...
- Mas está tão frio aí fora...
- Novamente, você que sabe... Mas seria bom que você fosse... Sabe... Ter uma segunda opinião no interrogatório.
- Mmmm...
Ewalyn ronronou, ronronou mas acabou cedendo. Eu tive que acabar esperando um pouco mais até ela levantar de fato e se arrumar, o que fez atrasar todo o processo cerca de trinta minutos.
Mas que se dane. Quem vai esperar é um presidiário, mesmo.
Ao sair da pequena casa de Ewalyn naquela ruela calma de Glen Meadow, entramos no Utopia preto, a viatura do departamento com a qual eu estava andando ultimamente, e partimos para o destino.
Creio que esqueci de me apresentar: eu sou o tenente Henry Dotson, do departamento de casos especiais (DCAE) de Sproustown. Às vezes sou chamado de Dotson, às vezes de tenente Dotson e as vezes só tenente. Mas Ewalyn me chama de Henry.
Ewalyn trabalha no DCAE também. É a mais nova membra do departamento, trabalhando também na parte de investigação. A rigor é minha subordinada, mas... É complicado. Atualmente eu diria que ela é mais minha parceira. Ela substitui o cargo do detetive Joey Meyers, que costumava ser meu braço direito.
Joey por sua vez substitui o Cuco; o detetive que se aposentou.
Estávamos nos primeiros dias de fevereiro, dias calmos após uma grande onda de crimes de natureza paranormal que tinham ocorrido em curtíssimo intervalo de tempo nos últimos dias.
Entramos no carro, eu no banco do motorista e Ewalyn no do lado, e eu liguei o motor.
- Sobre o que se trata isso, afinal? – Perguntou ela.
- Diz que é sobre Jeffrey Sprohic... O envolvimento do zumbi com a máfia. O ruim é que vai ter um advogado junto, e ele vai estar mais interessado no acordo da delação premiada. Já prevejo que vai ficar interrompendo o tempo todo e tentando forçar a fechar o acordo antes... Advogados para Jane... Advogados para Gray... – Busquei minha carteira de cigarros no porta-volumes da porta.
- Odeio advogados. – Completei, à medida que abria a caixa. Ewalyn tomou a carteira de minha mão.
- Você disse que ia diminuir. – Ela disse.
- Qual é? Eu estou sem fumar desde que acordei!
- Está progredindo! Pode ficar mais um pouco sem eles.
Ewalyn abriu a caixa dos Dech Techs e tomou um para si, acendendo-o logo em seguida com o meu isqueiro.
- Obrigado pelo suporte moral, sabe... Como é mais fácil parar com você fumando logo ao meu lado.
Ewalyn deu de ombros.
- Ué. O garanhão já não aguentou muito pior no treinamento beta?
Tive que rir.
Dei a partida.
- Quem é esse Patrick Gray para acordar na segunda-feira tão cedo? – Perguntou Ewalyn
- Ele foi um falsificador de identidades que usava documentos e cartões roubados e adulterados e quando a coisa apertava ele se escondia atrás das suas trocas de pele. É um homem-lagarto. No dia que ele foi preso acharam na conta secreta dele na Suíça uma soma de 40 milhões, que depois verificaram ser dinheiro roubado. Mas isso foi só o que foi encontrado. Nada garante que não tenha mais contas e mais dinheiro espalhado por aí.
- Uau. Parece o tipo bastante confiável para um depoimento.
- Não é?
- Onde ele mora?
- Atualmente está em Dunat Town...
- Lá longe?
- É, mas eu falei para o advogado dele trazê-lo para a central. – Fiz uma curva quase que brusca e peguei a principal para o centro.
Depois de alguns minutos estávamos no local de trabalho, conforme de costume. Exceto que uma hora mais cedo.
- Veja o lado bom – Disse à Ewalyn enquanto ambos subíamos o bloco do meio em direção à sala de interrogatório do DCAE – pelo menos não teremos que nos locomover para o trabalho, já que já estaremos por aqui.
- Espero que dê para sair mais cedo, já que chegarei uma hora antes. Se meu chefe deixar... – Ewalyn me lançou um olhar maroto.
- Se não acontecer nada de ruim hoje...
A sala de interrogatório é raramente visitada, mas ela existe sim. E fica também no bloco do meio.
Após a sala de Sarah há um corredor escuro e estreito que desemboca em uma rampa onde há enormes janelas cobrindo a lateral esquerda quase toda, e no fim desse corredor tem a sala de treinamento de tiros, onde Joey passa a maior parte do tempo.
E mais no finalzinho, quase que a última sala que se vê, é a sala de reuniões, que passa uma impressão de ser a última sala do corredor.
Mas se você caminhar até perto da sala de reuniões, perceberá que há um desdobramento da parede, uma espécie de "puxadinho" que foi construído posteriormente, onde tem mais um mini-corredor com mais uma pequena porta de ferro, e essa que é a sala de interrogatório.
Foi ali que dirigimos os depoimentos de Solis, de Pierre e de Bad Boy.
E era ali que o advogado – Bryan Williams – junto com o falastrão Patrick Gray estavam nos aguardando.
Com Ewalyn ao meu lado, dei duas batidas na porta e entrei.
Ao entrar na sala via-se os dois sujeitos e dava para adivinhar qual era qual. Um deles estava vestido de forma social, com as mãos apoiadas sobre a mesa, com as mangas arregaçadas. Era baixo, de cabelo liso e preto e com uma cara de que não existia, essas que você esqueceria depois de olhar para o lado.
Já o outro marcava muito mais presença: era ruivo, com cabelos curtos e cortados de modo que ficavam ligeiramente arrepiados na cabeça, era quase jovem: no sentido que provavelmente era mais velho que aparentava ser, e tomava uma postura folgada e debochada, com a cadeira arrastada mais para trás de modo que podia esticar seu corpo espaçosamente.
Ao adentrarmos no recinto, o ruivo foi o primeiro a falar, em tom bem-humorado:
- Finalmente! Ele chegou!
- Patrick Gray, eu presumo? – Dirigi-me a ele. Olhando para o colega de semblante invisível ao seu lado, estendi a mão e emendei: - E você deve ser o advogado: Bryan Williams.
Ele confirmou com um gesto de cabeça.
- Estava começando a ficar entediado a sós com o meu advogado aqui! – Disse Gray em tom jocoso, no que o mesmo lançou-lhe um olhar pouco amistoso.
- Não ligue – Disse Gray a mim – Estávamos conversando sobre como eu deveria falar o mínimo possível, o sr. sabe... Esse lance de advogado e tal. Mas eu estou aqui para falar não é mesmo? Eu adoro falar!
Apenas observava a feição dos dois antes de puxarmos as cadeiras de ferro – eu e Ewalyn – e sentarmos à frente da dupla. A mesa era de ferro, longa, com diversas cadeirinhas de ferro tanto de um lado quanto do outro. Atrás de nós tinha um grande paredão com um vidro preto – que só era preto deste lado. Dava para ver o que acontecia para quem estivesse de fora. Adicionalmente a sala possuía câmeras e aparelho de entrada de som, de modo que podia ser observado em totalidade pela sala de comunicações do quarto andar.
Lógico: nem todos que entravam ali sabiam disso.
Sentamos ambos cada um em uma cadeira. Estávamos uniformizados, então Gray se deu o trabalho de ler nossas identificações:
- Detetive Lowe e tenente Dotson, hein? Prazer. – Estendeu a mão de maneira provocativa para Ewalyn, que não havia o cumprimentado.
Já dava para saber o tipo de gente que teríamos que aguentar pelo resto do processo. Eu estava acostumado. Esses paranormais acham que estão acima de tudo. O poder sobe à cabeça. Em geral eu detesto esse tipo de comportamento espandongado que me lembra o Chapman, mas quando é na sala de interrogatório eu tento me controlar e não dar bola. Até mesmo porque é como ele mesmo disse: é bom que fale o máximo possível. E se eu o deixar à vontade e ser ele mesmo, ele vai ter mais chances de falar o máximo possível.
Ewalyn relutantemente fez o aperto de mão.
Pigarrei e então sem pestanejar comecei:
- Estamos aqui para negociar uma delação. Se vocês aceitarem os termos, tenho já a minha subordinada para conduzir o depoimento. Mas creio que vocês não vão querer abrir o bico sem termos negociado como fica a questão dos benefícios primeiro, então vamos poupar tempo e andar logo com isso.
- Direto ao ponto. É assim que eu gosto! – Disse Gray enquanto se ajeitava ainda mais do que estava em sua cadeira com um sorriso ajanotado.
- Em primeiro lugar, gostaria de saber do que exatamente você tem informação. Por que crê que pode nos ajudar em alguma coisa?
- Eu fiquei sabendo que vocês estão analisando o caso do torneio de Uahmyr. Pelo que parece tem mais de um interessado aqui na cidade de vocês, e vocês policiais sabem que isso significa: guerra civil! Não me surpreende que esteja havendo um monte de casos envolvendo os ditos seres paranormais nos últimos tempos. Eu hein? Eu é que não queria morar aqui.
Cruzei meus braços.
- O que acontece, senhor "tenente Dotson"... – Gray continuou - É que estes interessados estão todos envolvidos com o tráfico de drogas, o mesmo tráfico de Deluxes que assola esta cidade. Estes que estão atrás do convite para o torneio.
- Já sabíamos de tudo isso, entretanto...
- Eu sei! Eu sei... Estou sabendo que vocês até já identificaram qual dos inscritos que está com o convite no momento: o Wilkinson, da ala nordeste...
- Se você tivesse vindo há umas três semanas atrás, mais ou menos...
- Ora, não me culpe seu policial... Com que grau de atualização acha que me informo estando preso? Poderia ajudar muito mais a polícia estando solto, ora essa... Existe algo que vocês não sabem que eu sei, apesar de tudo:
Levantei uma sobrancelha em leve manifestação de curiosidade.
- Verde está metido com o Partido Social Progressista.
Era uma premonição um tanto forte.
Não era trabalho de médium. Não se faria aquela previsão como aquela e se daria queixa à polícia senão se soubesse de alguma coisa que desse base à acusação.
Não significava que Gray sabia de alguma coisa, entretanto. Poderia ou estar inventando alguma coisa para obter condicional, ou inventando alguma coisa por outro interesse que não a condicional, ou achando que sabia alguma coisa de verdade, mas na realidade a informação a qual recebera era equivocada.
Muito me surpreendeu o quanto aquela frase conectava com o que Sarah tinha me dito no outro dia, entretanto.
- Por favor, elabore.
Nesse ponto o rato (o advogado Williams) teve que interromper:
- Para obter maiores informações, tenente Dotson. Devo observar que é preciso...
- Ok... Ok... – Fiz um gesto repetitivo com a mão. Vamos acertar sobre a condicional. Antes só deixe-me saber o seguinte: suponha que isso seja verdade... Você pode nos dar alguma informação que nos permita chegar à Verde?
- Certamente, seu policial. É essa a ideia.
Aquelas palavras eram agradáveis aos ouvidos. Descobrir sobre a prática podre de envolvimento dos traficantes de Deluxes com a política era um enorme avanço na operação Cata-Luxo. Principalmente porque investigar políticos conhecidos é muito mais fácil do que tentar seguir pistas apagadas de seres paranormais que sabem enganar até a própria sombra.
Estávamos numa situação que sabíamos até os nomes dos grandes mestres por trás das ondas de crimes da cidade, mas não sabíamos como chegar até eles. Qualquer ocasião que pudesse nos levar a um deles, ou pelo menos de algum subordinado que pudesse nos levar a eles seria uma grande chance para a captura dos mesmos.
- Ok, sr. Gray. Me dou por convencido. Se pretende realmente revelar algo sobre Verde e seus planos, sua contribuição será bem-vinda. Tenho que afirmar, entretanto: todo o acordo depende de se você realmente vai nos ajudar a encontrar a pista do desgraçado. Se você estiver mentindo, ou se a informação não for boa o suficiente... Encerramos o acordo.
- Por suposto.
"Ahem" – Pigarreou o rato, emendando – Penso que esta é a oportunidade para deixar claro, tenente Dotson: o acordo será de total isenção de cumprimento de pena em regime fechado, passando para o regime aberto.
Com uma carranca de má vontade, virei meu rosto a ele:
- Creio que ainda não combinamos esta parte, sr. Williams. Penso que seria melhor averiguar até onde vai o grau de complexidade das informações da delação para que possamos...
- Com todo o respeito – (respeito que interrompe a pessoa, pelo visto: pois foi isso que ele fez) – o acordo deve ser feito antes da delação.
Ewalyn pronunciou-se pela primeira vez:
- Bem... Poderíamos fazer um acordo variando entre o grau de resultado. Desde redução de pena em regime fechado até a total transferência para regime aberto.
- Está fora de cogitação! Meu cliente demanda o regime aberto. Caso contrário não haverá delação.
Olhei para a cara do Gray. Ele apenas estava impassível portando um microssorriso quase que imperceptível no rosto debochado.
Bufei.
- O que você acha? – Perguntei à Ewalyn. Ela deu de ombros... E então fez sinal para sairmos da sala.
- Com licença. – Disse, à medida que ambos levantávamos.
O sujeito não era nem de longe um prisioneiro bem-comportado, confiável ou boa pinta. E o advogado era ainda mais sujo. Devo dizer que durante a conversa particular com Ewalyn eu bati o pé, querendo pelo menos algum grau de restrição as atividades de Gray. Nem que fosse mandá-lo para cumprir pena aberta em Arena, mas desde que não na Terra. Discuti um tempão com ela, que certamente concordava em fazer mais propostas, pois no entender dela um mero falsificador de identidades não se equiparava ao tamanho dos peixes com os quais estávamos acostumados a lidar.
"Mesmo que após em condicional ele resolva fazer alguma besteira pelo menos evitamos o male maior" foi o argumento.
No final ficou decidido que caso não houvesse acordo, ambos deveríamos sucumbir à proposta original: a pena aberta de Gray apenas com tornozeleira de identificação.
Após entrado num acordo, voltamos à sala e tentamos de tudo para negociar, mas o desgraçado do advogado não cedeu à pressão. Parecia que Gray sabia que realmente precisávamos de seus esforços.
A delação estaria condicionada ao regime aberto da nossa parte, e da parte de Gray, ele teria que falar apenas verdades e as verdades deveriam ajudar os esforços da investigação a capturar pelo menos algum ser sobrenatural relacionado ao grupo criminoso liderado por Verde ou pelo Wilkinson.
- Então antes de tudo, gostaria que fosse redigido o documento oficial do acordo, para que assinássemos e pudéssemos prosseguir – Disse no seu tom formal e nauseante o advogado Williams.
Não havia outra saída senão cumprir a medida: chamei pelo ramal a Rita do suporte e então tivemos que esperá-la fazer a papelada toda.
Devo admitir que estou mesmo evoluindo: durante a espera fumei apenas dois cigarros. Chamei Ewalyn para a cafeteria e ficamos conversando lá fora enquanto fumávamos um ou outro ou tomávamos xícaras de café e comíamos empadas.
Eu teria chamado pelo menos Bryan Williams para tomar um café se fosse uma pessoa normal para a qual eu devia algum agrado social de natureza civilizada, mas... Ele era um advogado.
Não... Preferi dizer a ele que a documentação sairia "num instante" e deixá-lo esperando.
- Você gosta mesmo de advogados hein? – Ewalyn fumava um de meus dech techs de cereja. Ela me permitira acompanhá-la durante aquela pausa.
- Gosto mais de Yetis que de advogados. - Bufei. – Falando neles ainda não sei o que vou fazer sobre o 'meu' advogado. Desde que falei com Jane ela tem estado quieta demais em casa. Age estranho... Ela tem saído bastante durante as tardes, também.
- Bem... Desculpe a sinceridade exacerbada, mas... Isso importa? Agora está para acabar, não? Simplesmente converse com o advogado o que está entalado em sua garganta. Diga que ela não aceita e que você terá que dar continuidade ao processo mesmo sem acordo. Simples assim. É desagradável, mas deve ser feito.
Ewalyn falava tudo aquilo com uma tranquilidade comparável à Joey Meyers. Será que ela tinha tido uma experiência parecida ao se divorciar de Sean? Será que só para mim que era difícil?
Mas ela tinha razão... Uma hora eu teria que enfrentar o problema. E eu já tinha pago adiantado e dado início ao processo.
A hora era agora.
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