Nunca desista


Gabriel desviou seus pensamentos da causa que havia levado Dean a desaparecer, quando percebeu o movimento de Sam a sua frente. O rapaz moveu o braço que descansava sobre o peito do irmão para entregar a caixa com o pergaminho para o arcanjo.

  -Filho da puta - ele exclamou quando a dor explodiu no membro e ele caiu inutilmente de volta no peito de Dean. Com a adrenalina se esvaindo de seu corpo, assim como a letargia ele podia sentir a dor pulsante em seu braço e costelas quebradas.

  -Talvez eu possa consertar... - começou Gabriel mas Sam o interrompeu.

  -Não, você está fraco. Guarde suas forças para Amara.

  -Muito nobre de sua parte Winchester - disse uma voz divertida do outro lado da sala. Ambos olharam para lá e viram Amara, ela se mantinha em pé um pouco vacilante - Mas apesar de não estar em minha melhor forma, não vou me deixar vencer por uma criatura inferior.

  -Oh, assim você vai ferir meus sentimentos, titia

  -Vou ferir muito mais que seus sentimentos, sobrinho - Ela fez um movimento com ambas as mãos e um raio explodiu uma parte teto da Cabana  e atingindo o arcanjo que foi lançado longe e caiu de costas no chão. Sam se abaixou cobrindo o corpo do irmão com o seu para evitar que ele fosse atingido pelos estilhaços. Um pedaço de viga atingiu sua cabeça e ele caiu inconsciente.

  As pernas de Amara bambearam um pouco com a perda da energia que precisou usar no golpe, mas ela conseguiu se manter em pé.

-Acho que descobri de quem Luci herdou o senso de humor - comentou Gabriel com um gemido. Ele tentou se levantar mas todo o seu corpo protestou contra a idéia e ele caiu de volta no chão.

  Amara se aproximou aproximou dele em passos lentos, em seguida se abaixou ao lado dele.

  -Eu não entendo você - disse ela - Você poderia viver. Arcanjos não são minhas criaturas favoritas mas sempre tolerei vocês. E então vocês me trairam. Ajudaram a me prender. E tudo por "eles" - ela apontou para Sam quando disse essa palavra com nojo.

-Eles - disse Gabriel, contendo um gemido  de dor - São a melhor criação de meu pai. Melhor que nós que somos seus filhos e com certeza muito melhor que sua irmã.

  -Não me compare a esses vermes - Amara gritou, ela segurou o rosto de Gabriel com força e aproximou do seu, ela soprou e uma fumaça densa escapou de seus lábios e entrou Pelo nariz e pela boca dele. A fumaça seguiu seu caminho dando-lhe a sensação de que suas vias aéreas e pulmões estavam em chamas. Ele não conseguia respirar. Asfixia, de todos as maneiras que ele imaginou morrer um dia, essa nunca foi uma delas.

Sam abriu os olhos, tudo era confuso. Ele estava deitado com o rosto encostado no chão de madeira , sua cabeça doia como o inferno, ele tentou levar a mão a cabeça mas a dor explodiu em seu braço fazendo-o desistir da idéia. Havia algo debaixo dele, algo que parecia um corpo... Então tudo voltou, imagens de Dean cravando a espada no próprio corpo fizeram sua cabeça doer ainda mais e as lágrimas voltaram a cair.

  -O quão patético você é? - ele ouviu a voz de Amara e virou-se na direção de sua voz. Ela estava em pé olhando para Gabriel que estava deitado de costas no chão olhando para ela e fazendo sons de asfixia. - Está mesmo disposto a morrer por uma espécie, cuja maioria sequer reconhece sua existência? E mesmo aqueles que reconhecem não ergueriam um dedo contra mim para ajudá-lo?

  Sam viu o olhar de desespero de Gabriel se transformar em fúria, era a mesma fúria que estivera no olhar do arcanjo anos atrás quando Dean havia lhe perguntado se ele era capacho de Miguel ou de Lúcifer.

  -Ss... Sim - ele respondeu sem fôlego, sabia que não devia tentar falar mas, decidiu que se aquele fosse o seu fim não ia ser como um covarde e sim como protetor dos humanos que era o que ele havia sido criado para ser. -P...por e...les.

Sam sabia que tinha que fazer alguma coisa para ajudar Gabriel, sua única chance era o pergaminho que estava a alguns centímetros de sua mão direita. Ele esticou o braço bom para alcançar a caixa ignorando a dor que disparou em suas costelas com o movimento. Ainda segurando o objeto ele apoiou a mão no chão e levantou seu tronco do chão, com muito esforço conseguiu voltar a posição em que estivera antes de desmaiar.

O corpo de Dean havia rolado de suas pernas quando ele caiu e agora se encontrava de bruços no chão. A visão causou náuseas a Sam mas ele conseguiu controlar. Gabriel estava certo, a única coisa que eles podiam fazer no momento era destruir Amara

Por um momento cogitou usar a arma, ele mesmo. Dean o havia alertado que o poder de uma Mão de deus em mãos humanas era altamente destrutivo. Podia destruir uma cidade inteira e o faria explodir em partículas subatomicas. Mas afinal, o que ele tinha a perder? Toda sua família estava morta, assim como a maioria dos seus amigos

Não faria diferença ele morresse, ele abriu a caixa e se preparou. "Se você fizer isso eu juro que vou chutar sua bunda pela eternidade". Disse uma voz em sua cabeça. Era o que Dean diria, mas ele não estava lá agora, então porque deveria se importar? "Porque você não é um suicida, cadela".

  -Idiota - sussurrou Sam. Ele sabia que essas palavras haviam sido imaginadas, mas fosse como fosse elas lhe deram força para desistir de desistir.

Amara ouviu um gemido de dor e virou-se para encarar Sam, o rapaz estava uma bagunça, provavelmente voltaria a entrar em colapso em breve. ainda assim havia uma coisa no olhar dele que a inquietou. Era uma fúria tão grande que era quase como se chamas estivessem saindo de seus olhos. Disfarçando o desconforto que sentia ela sorriu e se aproximou dele. Atrás dela Gabriel ainda lutava para respirar.

  Ela viu a caixa na mão do Caçador no momento em que ele chamou pelo aracanjo. Antes que pudesse atirar para ele no entanto, Amara pegou sua mão e torceu seu pulso fazendo-o soltar o objeto.

  -Você me substima se acha que pode me derrotar com um truque assim tão óbvio - disse ela abrindo a caixa - o que? - exclamou surpresa ao ver que a caixa estava vazia.

  -Parece que é você quem me substimou - disse Sam. Ele usou suas pernas para desequilibra-lá. Ela não caiu mas a distração foi o suficiente.

   -Gabriel, agora é pra valer - ele gritou quando lançou o pergaminho rolando pelo piso de madeira. Amara fez um movimento para fazer o objeto vir para ela mas foi mais rápido, apesar de seus poderes estarem quase esgotados ele conseguiu trazer o pergaminho para si. O segurou com força e se concentrou no poder do objeto.

  O pergaminho começou a brilhar, o arcanjo sentiu sua respiração normalizar e sua força retornar, ele se levantou. A luz agora irradiava também de seu corpo. Na parede da cabana atrás dele se projetava a sombra de suas magnificas asas.

  Sam percebeu que isso seria diferente de quando Gabriel usara a arma contra Lúcifer provavelmente porque ele não queria machucar o irmão como queria machucar Amara.

  -Feche os olhos - Gabriel gritou para ele. O rapaz obedeceu. Ele se abaixou contra o corpo do irmão. Seu estômago revirou ao contato com a pele gelada de Dean mas ele não se levantou. No instante seguinte a luz tomou conta de todo o lugar, como Sam previra era muito mais intensa que antes.

  Depois de alguns segundos a luz começou a se esvair. Quando ela se apagou totalmente Sam abriu os olhos.

  A primeira coisa que ele notou foi Gabriel caído a alguns metros de distância seu tronco encostado contra a parede, ele parecia pior que antes. Havia um olhar de horror em seu rosto. O rapaz não entendeu o motivo até ouvir uma risada fraca e desdenhosa. Ele se virou e viu Amara, ela estava de joelhos, seu rosto era pálido mas fora isso parecia bem.

  -O que? - perguntou Sam surpreso.

Amara riu mais enquanto se levantava com dificuldade. Quase caiu de volta para o chão quando conseguiu, mas sua determinação a manteve em pé.

  -Acharam mesmo que poderiam me vencer com isso? - sua voz era fraca mas ela mantinha a mesma arrogância de sempre - Meus poderes se igualam aos de meu irmão. - ela caminhou até Gabriel, e sorriu para ele - Nenhum humano, arcanjo ou o que seja pode me deter. Com ou sem mão de Deus. - dizendo isso ela se abaixou ao lado do arcanjo que não se moveu, muito fraco para fazê-lo. Ela apertou suas mãos em volta de seu pescoço. Ela ainda era forte fisicamente embora seus poderes tivesse enfraquecidos. Gabriel sentiu seu suprimento de ar ser cortado novamente. - Acho que isso é um adeus sobrinho.

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