Reporte de sessão XV - Parte I - A sina do ladino
O grupo decidiu enfrentar a batalha que viria pela frente, de forma alguma deixariam o malho para trás depois de tudo o que passaram.
Seguiram para o salão estreito dos ossos para enfrentarem o que quer que aparecesse.
— Acho que teremos que andar por cima de cadáveres — disse Bolton vendo o que, de fato, os esperava.
Uma horda de zumbis saindo da terra e esqueletos saídos das paredes avançou na direção deles.
— Desde que vocês os derrubem antes, porque eles não parecem muito a fim de nos deixar passar. — Kuoth cruzou os braços.
— Como assim "vocês"? E você? — Aron perguntou.
— Eu? Meu trabalho por enquanto é isso, peixinho.
Com alguns movimentos e palavras, o qareen tocou as armas dos membros do grupo e elas começaram a emitir um pequeno zumbido.
— Agora vão! — disse, apontando para a frente.
— Quem esse moleque pensa que é? — Najla resmungou baixinho, enquanto avançava.
Zanshow, ficou muito feliz com a ordem. Gritou ao levantar a katana e correu como uma criança atrás de uma carroça de doces. Bolton, vendo aquilo, riu e se firmou em Meirelles para investir com tudo.
— Ótimo, tinham que ser esqueletos. — Earwen balançou a cabeça enquanto começava a mirar nos zumbis, esqueletos não se importariam com flechas passando entre suas costelas.
A batalha seguiu em uma carnificina liderada por Zanshow, que decapitava zumbi atrás de zumbi, desmontava esqueleto atrás de esqueleto, e assim, aos poucos, o grupo conseguia abrir caminho.
Mais à frente, um esqueleto gigante avançou com tudo para cima de Bolton, mas sua tentativa foi frustrada pelos reflexos de Meirelles. A loba saltou de lado fazendo a criatura passar direto e se desequilibrar com o golpe no vazio, o choque com o chão fez o lugar tremer.
Earwen decidiu aproveitar o momento e avançou escondido, tentando se aproximar, mas, antes que chegasse perto o bastante, o monstro já tinha terminado de ser abatido por Bolton e Zanshow.
Da escuridão, então, vieram duas múmias, e o ladino, em um de seus acessos de genialidade, avançou para cima delas. Acabou sendo visto e atacado, mas não podia deixar de testar sua teoria, sendo assim ainda tentou puxar as bandagens do oponente.
O ataque da múmia o acertou em cheio. A mão que o tocou parecia drená-lo, um golpe pesado e amaldiçoado. Earwen ofegou enquanto sentia a vida se esvair, tudo se apagou e ele nem viu quando tocou o chão.
***
O restante do grupo batalhava, Zanshow e Bolton enfrentavam as múmias.
O ladino pisocu algumas vezes, sem entender o que havia acontecido, olhou para o lado e viu as duas criaturas que lutavam contra seus companheiros, elas também o perceberam e fizeram menção de se voltar contra ele.
— Aaaaahhh... — Ele se afastou rapidamente, tomando uma distância segura para voltar a usar seu arco, mas ainda se sentia fraco e cansado.
Conseguiram finalizar todos os adversários e seguiram até o salão, passando por uma porta com sarcófagos ao lado. Do outro lado dessa porta havia uma pequena sala com seis estátuas e, mais à frente, uma porta selada tinha inscrições na língua anã, que Najla traduziu:
— Se quiser passar em segurança, use a arma do zombador.
— Tentem o Troll — disse Kuoth, cruzando os braços e se apoiando na parede.
— Por que o troll? Não faz sentido. — Earwen sentou no chão.
— É, deveríamos ver o sátiro. — Bolton pôs a mão no queixo.
— Zanshow ver sátiro.
O orc foi até a estátua da direita mais próxima da porta e puxou o bastão que o sátiro segurava, a arma se mexeu e... encheu o samurai de dardos.
Ele se virou devagar para o grupo, que olhavam assustados com o barulho.
— Zanshow não gostar de sátiros — disse com raiva, enquanto os outros riam.
— Andem logo e olhem o troll.
— Por que a porcaria do troll? — Najla perguntou.
— Sou um gênio, ou meio-gênio, é só o que posso dizer.
— Menino vermelho irritante. — Zanshow resmungou enquanto tirava os pequenos dardos dos ombros e do peito.
— Eu olho a estátua. — Aron se prontificou.
Seguiu até a figura que segurava um arco em uma mão e, com a outra, parecia tentar alcançar uma das flechas na aljava, Aron prestou atenção e puxou a flecha que o troll supostamente pegaria. Nesse momento, com um breve ruído, a estátua se moveu e mostrou um corredor muito estreito.
Não sabiam se a porta havia sido destrancada, mas preferiram, primeiro, seguir pelo corredor em fila até saírem em um pequeno aposento cheio de caixotes e com tapeçarias penduradas.
Bolton subiu em cima de sua loba passou a averiguar as peças. Começou a tirar as tapeçarias, ajeitando-as em Meirelles, que não parecia se importar muito, talvez isso não fosse nem de longe como carregar uma louca psicopata inconsciente como Enora... quem sabe?
Kuoth começou a procurar por auras mágicas no aposento, quando Aron foi até a parede da direita e deslocou os caixotes, revelando uma outra porta, dessa vez com selos mágicos. O qareen, que havia acabado de descobrir de onde vinha a maior aura no aposento, olhou para a porta e gritou ao ver os selos:
— ISSO VAI EXPLODIIIIIIIIIIIR!!! PAREDE, PEGA AQUELA CAIXA E CORRE!
De alguma forma, o orc entendeu o recado e abraçou o caixote enquanto saia correndo. Em seguida, todos saíram desesperados do aposento, voltando para o corredor das estátuas.
Lá, Earwen analisou o caixote e o abriu. Dentro o caixote havia um malho com o cabo desmontado, estava delicadamente posto em cima de um fundo acolchoado. Algum tempo depois, ainda não tinham ouvido nenhum barulho.
— Ei, baixinho... — disse o ladino, sentado em um canto.
— Não sou baixinho! Sou um halfling bem alto. — Bolton respondeu.
— Não você, o Kuoth.
— Ah sim, claro, eu sabia disso.
— O que é? — O qareen falou sem tirar os olhos do malho, pensando no que poderia ter ficado para trás.
— Ainda não ouvi nada explodir.
— Deve ter mascado...
— O QUÊ??? — Veio a resposta de todos.
Kuoth apenas deu de ombros e continuou:
— Se acham que não vai explodir, o que acham de irem lá buscar mais caixas, hein? Sei que vai ter algo interessante, tenho certeza. — deu um sorrisinho falso, na tentativa de ser gentil.
Zanshow não pareceu entender isso e se levantou.
— Eu buscar caixotes com Earwen.
— Parede... você tem realmente que aprender a não me amar demais, falo sério. Tenho muitas mulheres como testemunhas, costumo fazê-las sofrer, coitadinhas.
Zanshow começava a ficar confuso, quando o feiticeiro interrompeu:
— Não dê atenção a isso, Zanshow, apenas leve esse humano. As auras mágicas estavam em alguma caixa no meio da parede do fundo e da esquerda.
Resmungando e cansado, Earwen seguiu com o orc. Eles tiraram oito caixotes do aposento, e Zanshow, de repente, começou a olhar para os selos, ficou ali parado, olhando. Earwen viu isso e chamou por ele:
— Parede? Parede??... Pessoal, acho que os selos eram de paralisia viu... perdemos um orc... — disse, triste, depois ergueu as sobrancelhas e balançou a cabeça. — Não acredito que disse isso em tom de lamento.
— Zanshow não estar paralisado, apenas olhando os selos... vamos embora.
O samurai se arrependeu de dizer aquilo, viu a curiosidade brilhar nos olhos de Earwen. O ladino parecia querer entender o porquê do orc admirar os selos. Se aproximou deles e, com um sorriso no rosto, percebeu que ele conseguiria desativá-los. Tirou-os da parede com cuidado, enquanto Zanshow saía da sala. Quando o último selo foi removido ele se virou para o companheiro, que estava na entrada do aposento.
— Resolvido... sem explosões por aqui, hoje.
Assim que disse isso viu uma expressão assustada no rosto do samurai. Ele nunca tinha visto aquilo antes e se encheu de medo, ia perguntar o que foi, quando sentiu uma sombra sobre si.
De repente, sentiu como se algo o cortasse por dentro, sentiu um pavor enorme, não sentiu dor, mas sim cansaço. Sua visão ficou embaçada, ele tentou erguer o braço para Zanshow, que tirava a katana da bainha, mas não conseguiu. Não conseguiu falar nada, estava cansado demais e, antes que entendesse o porquê, pôde ouvir o som de seu corpo caindo no chão antes do completo vazio.
***
Zanshow viu Earwen cair no chão, e pensava se ia ajudá-lo ou se corria, quando o espectro do anão paladino gritou:
— Malditos! Eu disse para irem embora! Eu avisei! Mas vocês não me obedeceram, e agora todos morrerão!
O orc decidiu pela segunda opção e, depois de desviar de um golpe do anão, correu para onde o resto do grupo estava.
Chegou na sala e se pôs do lado da passagem, esperando pelo fantasma para surpreendê-lo, mas este saiu da parede atrás do samurai e o atingiu com o machado.
O resto do grupo, assustado, pegou suas armas. Aron ficou apavorado e fugiu do lugar, indo para a entrada do salão dos ossos.
Zanshow urrou e atacou.
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Então é isso, pessoal! Espero que tenham gostado do capítulo!
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