Reporte de sessão XIV - Parte II - À Batalha!
Depois do descanso os aventureiros resolveram explorar a passagem natural da caverna e voltaram para a ponte.
Aron não falava nada, completamente cabisbaixo enquanto se culpava pela morte de Croc. Finalmente a haviam tirado do esgoto, finalmente ele tinha uma missão com ela... e agora, a deixara morrer.
Ninguém falou nada com o meio-elfo, já que também o culpavam por tê-los abandonado durante a luta com a Magia-Viva.
Assim, seguiram em silencio pela esquerda e adentraram um túnel que os levou até um lugar onde havia cogumelos luminosos de tempos em tempos, seguindo por mais um tempo, se depararam com vários cogumelos humanoides, que Aron reconheceu como Cogumelos-anões.
Explicou, de má vontade, o que sabia sobre eles para os outros e decidiram tentar dialogar com as criaturas. Um dos homens cogumelo se aproximou e todos sentiram uma voz tocar-lhes a mente.
— Quem são vocês? Não queremos intrusos aqui, podem acabar pisando nos nossos cogumelos.
O grupo percebeu que o lugar parecia uma enorme fazenda com plantações de cogumelos até onde a vista alcançava.
— Não viemos trazer problemas, mas sim buscar auxilio — disse Bolton. — Viemos aqui atrás de um malho que pode ajudar muitas pessoas, e queríamos saber se vocês sabem algo a respeito.
— Não, não temos nada desse tipo, nem sei como conseguiram chegar aqui com todos aqueles orcs.
— Orcs não ser mais problema. — Zanshow disse, estufando o peito.
— Vocês acabaram com eles? Bem, isso é uma boa notícia.
— Vocês tem uma coroa por aqui? — Kuoth interrompeu.
— Coroa? Nosso xamã tem uma coroa, mas não creio que ele a entregará.
— Será que poderíamos falar com ele? É importante.
— Tudo bem, vou chamá-lo, mas tentem ficar quietos, não devem pisar nos cogumelos.
O cogumelo-anão partiu atrás de seu líder e o grupo esperou. Algum tempo depois, o xamã apareceu. Ele tinha uma coroa de bronze em sua cabeça de cogumelo e parecia meio curioso.
— Soube que espantaram os orcs. Muito bem, em que posso ajudá-los?
— Precisamos da sua coroa, meu senhor. — Najla tentou ser delicada.
O xamã olhou desconfiado para a mulher encapuzada, e então se virou para o resto do grupo e perguntou.
— O que vocês dariam em troca?
— Eu tenho algo que pode lhe interessar. — Kuoth tirou cinco pergaminhos do bolso e entregou para o líder.
— Hum... interessante... aceito ficar com esses quatro, mas, ainda assim, só emprestarei a coroa. Quero-a de volta assim que resolverem o assunto que tem com ela.
— Tudo bem.
— Muito obrigado, senhor, que a nobreza de Thiatys os acompanhe! — Bolton bradou antes de se virar e seguir com o grupo de volta para o salão das estátuas.
No caminho, Bolton e Kuoth começaram a discutir a respeito das coroas e a disposição delas, decidiram que coroariam Heredrimmm (Khalmyr) com a de ouro, Tenebra com a de prata, e Thanatorimm com a de bronze. Ao menos parecia ser a ordem mais lógica.
Já no salão, de frente para as estátuas, eles entregaram as coroas para que Zanshow as colocasse em seus lugares, era mais fácil do que tentar escalá-las.
Assim que as coroas terminaram de ser colocadas, o grupo sentiu o chão tremer. De repente, a estátua de Heredrimm começou a se mover, indo encostar-se na parede e, embaixo de onde ela estava, o grupo viu um alçapão.
Tudo era escuro lá embaixo, um odor terrível subia de lá, um cheiro de morte junto a outro que não reconheceram.
O grupo se reuniu em volta do buraco e tomaram um susto quando viram um pequeno ponto brilhante passar por suas cabeças e cair lá embaixo, mostrando corpos de anões decompostos.
Todos olharam na direção de onde o ponto brilhante tinha vindo e viram Kuoth já com outra moeda iluminada na mão, se preparando para jogar em outra área lá embaixo.
— O que foi? Eu não ia entrar aí no escuro.
Uma risada escapuliu de todos ali, e tiveram que concordar.
Depois de deixar o local todo iluminado e não encontrando problemas, os aventureiros desceram, deixando Najla e Meirelles em cima apenas por precaução, pois não estavam a fim de ficar presos naquele buraco.
Lá embaixo, viram duas portas, uma delas de ferro, trancada e de aparência robusta. O cheiro que não reconheciam vinha dela então preferiram seguir pela outra porta que, por sua vez, estava completamente acabada e caiu só de Zanshow tocá-la.
Seguiram por um corredor até sair em um salão extenso. As laterais tinham ladeiras e acima perceberam com certo receio que as paredes eram feitas de ossos, aparentemente ossos humanos. Além disso, vários esqueletos inteiros preenchiam alcovas em sua extensão. No chão havia alguns buracos, o que fazia parecer que aquele lugar era um cemitério subterrâneo.
Mais à frente, um pequeno monte se erguia, e uma sombra negra pairava sobre ele. Ao se aproximarem, viram que se tratava de um fantasma. Um anão paladino com o símbolo de uma balança no peito.
— Não sei o que querem aqui, mas peço para que vão embora. Não há nada aqui para vocês.
— Bem, nós cremos que há algo. Não vá me dizer que você não guarda nada aqui. — Kuoth cruzou os braços.
— Se guardo algo ou não, isso não lhes interessa. Esses salões são sagrados e amaldiçoados, meu dever é protegê-los e, para proteger vocês, eu repito: Vão embora!
— Mas senhor, não podemos — disse Bolton. — Viemos em busca de um malho que pode salvar muitas pessoas. Precisamos de ajuda.
— Não há ajuda aqui.
— Fomos enviados por servos de Khalmyr, o mesmo deus que você serve.
— Quem lhes disse que achariam algo aqui é louco. Vão embora, não há nada aqui para vocês. Não continuarei com essa conversa, mas lhes aviso: se derem mais um passo aqui, não poderei garantir a segurança de vocês. — Depois disso, o espectro desapareceu sem deixar vestígios.
Neste momento, esqueletos começaram a se mexer nas paredes, Zanshow viu aquilo e ficou furioso, saiu andando de volta pelo lugar de onde vieram. Todos começaram a acompanhá-lo com o olhar, e Earwen também fez isso até que, ao ser ultrapassado, sentiu o aperto da capa na garganta e se viu sendo arrastado pelo orc.
— Zanshow cansou, Zanshow indo embora. E ladrão inútil vem junto.
— Bem... não me vejo... com muitas escolhas. — O pobre ladino tentava dizer enquanto engasgava.
Os pés do jovem criavam sulcos no chão de terra enquanto era arrastado. Ao olhar para o resto do grupo, apenas deu de ombros com um sorriso e então acenou um adeus.
Vendo aquela cena e sem saber o que fazer, Aron, Bolton, e Kuoth apenas seguiram os dois.
Durante o caminho de volta, o halfling e o qareen tentaram convencer o orc, que parecia resoluto em sua decisão, enquanto Earwen e Aron apenas agradeciam por estarem se distanciando dos mortos vivos.
Chegando próximo ao buraco, eles pararam.
— Meirelles, desce! — Bolton chamou e a loba desceu para se sentar ao seu lado no mesmo instante. — Zanshow, viemos até aqui, olhe por tudo o que passamos, nunca desistimos antes, por que fazer isso agora?
— Zanshow não saber, apenas não ter sensação boa.
— Sei como se sente, meu amigo, eu também não me sinto bem com isso, mas precisamos fazê-lo!
Najla desceu e se postou ao lado de Earwen e pediu para que ele explicasse o que havia acontecido. Depois de ficar por dentro do assunto, ela continuou ouvindo Bolton.
— Meus amigos, podemos estar com medo, podemos não saber o que virá pela frente.
— Na verdade a gente sabe, esqueletos e fantasmas. — O ladino cruzou os braços.
— Não foi isso que eu quis dizer, Earwen.... Ora essa! Vamos lá! Já enfrentamos tantas batalhas que pareciam perdidas! Lembram-se de Enora? Lembram-se dos halflings? E o que dizer daquele mantor?
— Eu lembro muito bem dos halflings. — Najla disse, cruzando os braços, suas cobras chiavam embaixo do capuz.
— Najla, já pedimos perdão, pensávamos que estava além de qualquer ajuda. Nos perdoe... O que quero dizer é que sempre saímos vivos! Sempre voltamos vitoriosos.
Kuoth começou a tossir, apesar de parecer muito que ele dizia algo como "fugir" e "derrotados". Bolton ignorou e continuou:
— Por que não voltaríamos dessa vez? Tenham confiança em si mesmos e nos deuses! Nossa causa é justa! Então, quem vem comigo?
Bolton olhou para Aron.
— Eu perdi uma amiga vindo até aqui. Não quero voltar de mãos vazias. — Após deixar rolar uma lágrima, deu um pequeno sorriso e concordou.
Ao lado dele, Earwen cruzou os braços olhando para baixo, então gargalhou e olhou nos olhos do halfling sorrindo e concordando. Por que diabos estava fazendo aquilo? Ainda não entendia como fora parar naquela situação, mas não podia parar agora, algo dizia para seguir com aquela loucura.
Kuoth fez um gesto como se estivesse arregaçando as mangas e também concordou com um sorriso no rosto. Najla virou de lado com os braços cruzados, emburrada, mas ainda assim dando um pequeno aceno com a cabeça.
Por último, Zanshow encarou Bolton, até que o orc suspirou e então abriu um sorriso selvagem para o pequeno.
— Bolton certo. Zanshow esmaga!!
Todos começaram a rir, e então Bolton tirou sua espada da bainha, ficou de pé em cima de Meirelles, e estendeu a espada.
— Então, meus amigos: À batalha!!!
O resto do grupo levantou suas armas, entre espadas, arcos e mãos nuas, com um só coro:
— À batalha!!!
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Então é isso, pessoal! Espero que tenham gostado do capítulo!
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