Reporte de sessão X - Parte I - Ursos e o novo mestre
Nove dias se passaram desde a difícil batalha nos esgotos de Thanagard. Aron passou a maior parte deste tempo de cama, tendo sido seriamente infectado pela temida Febre do Esgoto, contraída após sofrer uma mordida de rato.
Zanshow não perdeu nenhuma oportunidade de dizer que era culpa do meio-elfo ter abandonado o grupo.
Najla parecia mais selvagem, e quase não dormia mais no albergue, desaparecendo de tempos em tempos.
Earwen também quase não era visto. A não ser que seguissem a música das tavernas, dessa forma era fácil encontrá-lo.
De fato, apenas Bolton, Zanshow e Kuoth seguiram os conselhos de Sir Gylas e realmente ajudaram a vigiar os esgotos e investigar a cidade atrás de pistas e rumores sobre o que poderia acontecer.
Nesse meio tempo, também procuraram Kizoku para devolver-lhe o mapa dos esgotos. Acabaram entregando para um serviçal já que o homem estava ocupado e Bolton e Kuoth não queriam que Zanshow fizesse outra cena. O qareen manteve a cópia que havia feito, afinal, não se sabia quando poderiam precisar de novo.
Os três procuraram Lady Denea Erix para contar sobre o perigo existente nos esgotos e foram recebidos rapidamente na mansão dela.
— Já estou ciente dos acontecimentos. O sacerdote Miglo faz parte do Conselho de Thanagard e me contou tudo. — Ela se levantou, sorrindo. — Muito obrigada, de verdade.
Ela os recompensou com vários tibares de ouro e eles saíram sorrindo.
Foi na manhã do nono dia após a Batalha do Túnel de Megalokk que Bolton adentrou o Albergue de Greward e chamou o jovem Aron Catmoon para uma conversa.
Apenas Kuoth estava lá e, percebendo que chegava a hora de um novo discurso do Bolton, desejou ter ido beber com o Earwen.
— Aron, você sabe que o grupo não está muito feliz por você tê-los abandonado para ir atrás de um filhote de crocodilo, não é?
E isso era verdade. Ninguém havia conversado direito com o meio-elfo desde então, exceto por Najla, que tinha um certo sentimento maternal com o garoto.
Ele cruzou os braços, emburrado, e virou a cara.
— Eu sonhei esta noite. Thyatis, o Deus da Ressurreição e da Profecia, veio a mim. Sabe o que ele disse?
Kuoth revirou os olhos. Conseguia sentir o gosto da cerveja.
— Não... — Aron olhou para o halfling.
Ao fundo, ouviram o qareen sair do albergue. Bolton pigarreou e continuou.
— Ele disse que sua recuperação é devida a graça dele. E que ele está lhe dando uma segunda chance. Sendo assim, me senti responsável por você, e quero te ajudar. — Ele abriu um grande sorriso. — Quer se tornar meu escudeiro? Aprender a seguir o caminho dos Cavaleiros e a ter mais lealdade para com seus companheiros?
— Ah... sim.
— Ótimo!!
O halfling pulou da cama, correu até suas coisas, pegou um livro grosso e jogou no colo do jovem. Era um livro sobre cavalaria.
— Estude.
Se virou e saiu feliz, assoviando. Aron abriu a boca, olhou para o livro e depois para o halfling. Balançou a cabeça, lamentando a resposta que dera.
***
Bolton deixou o albergue em direção à loja do anão Rewillinn, um bom armeiro que encontrara na cidade.
No meio do caminho, enquanto avançava nas movimentadas vias do Distrito Oeste de Thanagard, ele avistou Najla conversando com um halfling, que lembrava muito um dos tipos selvagens que serviam ao xamã de Megalokk.
Os dois entraram em um beco e, ao passar por ele, Bolton não os viu mais. Franziu o cenho, estranhando a situação, mas lembrou onde estava indo e sorriu de novo, deixando o "assunto Najla" de lado.
Chegando ao armeiro, propôs ao velho anão que reforjasse a lança de adamante, uma arma que o acompanhava desde que era cavaleiro na sua terra natal, em uma espada curta.
O anão concordou, desde que o halfling pagasse "prestações" assim que arranjasse dinheiro, sob pena de ter seu artefato vendido a terceiros caso ficasse mais de um mês sem aparecer na loja.
Com o acordo feito, Bolton acabara de criar uma dívida de mil e duzentos tibares de ouro, dos quais só tinha oitenta naquele momento.
Antes de partir, entretanto, Bolton se virou para o anão.
— Não há nada que eu possa fazer para abater o valor da dívida mais rapidamente?
Com um sorriso, como se já esperasse por aquilo, Rewellinn respondeu:
— Há sim. Você pode aproveitar os rumores sobre os ataques de ursos e lobos da neve nas montanhas ao norte e ir lá investigar. Se for verdade, te dou 50 tibares de ouro a cada pele de lobo e 100 a cada pele de urso.
— Isso facilita as coisas. — O pequeno esfregou as mãos. — Obrigado.
***
Nos subterrâneos, na câmara que se tornara templo secreto do Deus dos Monstros, Najla atendera ao chamado de seu novo mestre, Rarder, que se queixava de um estranho ferimento que adquiriu durante a batalha de nove dias atrás. A ferida aberta apresentava um couro vermelho por dentro, que brilhava e pulsava como um coração.
O xamã, incomodado, começou a mexer novamente na ferida, e dessa vez, o estranho "couro" que havia lá dentro caiu, revelando-se um objeto ovalado do tamanho de um punho. O objeto continuava a brilhar e pulsar, e expelia um líquido vermelho parecido sangue.
Rarder finalmente conseguiu fechar o ferimento com sua magia, e guardou o objeto em uma bolsa de couro.
— Vou precisar que você investigue isso para mim. — Ele encarou Najla.
A medusa, que viu tudo aquilo com nojo, olhou para o mestre e concordou, depois se virou para voltar a superfície.
***
No Albergue de Greward, Aron ainda se recuperava de sua recente doença, e principalmente, lutava contra o enorme livro de Bolton.
O grupo todo estava lá naquele momento. Kuoth tinha rodado a cidade fugindo do discurso do halfling, e nessas andanças ele soubera a respeito de Mira e Meia-noite.
Eles estavam de volta a Thanagard, e se estavam ali, com certeza passariam no albergue para ver o grupo, com isso tentou encontrar todo mundo, e apesar de certa dificuldade, conseguiu.
O qareen estava certo, depois de meia hora de espera os dois entraram no albergue. A alegria foi imensa e todos saíram juntos para beber.
— Pra onde vocês foram? — Najla perguntou, curiosa.
— A verdade é que estamos aqui perto da cidade.
— Quê? — Bolton e Zanshow se juntaram a medusa no coro.
— Estou estudando com um mestre incrível! Se chama Sayekk, ele sabe muito sobre magia arcana.
Ouvindo aquilo, Meia-noite ficou meio irritado e resmungou algumas coisas que ninguém entendeu.
— Será que eu poderia ir com vocês? — Kuoth perguntou. — Pra conhecê-lo.
— Claro! Vamos voltar amanhã. Todos vocês podem vir!
— Bem, não vejo problema com isso. — Bolton deu de ombros.
— Zanshow ter que vigiar os esgotos. — O orc cruzou os braços.
— Parede, pode dar uma trégua de vez em quando. — Earwen deu tapinhas no orc.
— Earwen cego. — O orc revirou os olhos, com pena do humano burro. — É Zanshow aqui. E Zanshow ocupado amanhã pra ir com amigos.... Vai sentir saudades.
— Ooooooo grandão.
Todo o grupo se levantou e envolveu o samurai em abraços.
— Aaaaahhh... grupo atacando Zanshow! — disse, já completamente cercado.
Todos continuaram rindo e se divertindo pelo resto do dia.
***
Partiram na manhã seguinte, sem Zanshow e Eastar. O orc tinha dado o motivo e ninguém foi capaz de convencê-lo a ir. Já o jovem ladino apenas se esqueceu do compromisso de tão bêbado que estava e acordou tarde demais.
Aron ainda sentia dores de cabeça, mas decidiu acompanhá-los mesmo assim. Para encurtar o trajeto, pularam o muro do cemitério e seguiram para o norte, com a maga lefou indicando o caminho.
Caminhavam há algumas horas quando ouviram barulhos vindo das árvores e quatro ursos negros apareceram.
— Aahh... Aron? — Bolton sacou sua espada e Meirelles rosnou.
— Acho que não posso fazer nada dessa vez não... esses caras estão putos com a gente.
— Por quê?
— Gostaria de saber...
Os animais urraram e avançaram sobre os aventureiros.
Bolton gritou e pulou para a frente com sua loba, tentando proteger os amigos, mas chamou a atenção, sendo o foco dos ataques. Palavras arcanas foram ditas, Najla rezou, Aron sacou seu arco.
Todos agiram rapidamente, mas o halfling foi brutalmente atacado e caiu no chão, sangrando.
Um dos ursos correu para o meio-elfo, mas tropeçou em uma pedra e o tempo em que caiu no chão foi o suficiente para o jovem matá-lo com uma flecha entre os olhos. No entanto os outros não tropeçaram, e Aron sentiu o peso de uma pata enorme no seu braço, jogando-o para longe.
Kuoth voava sobre seus amigos, recitando palavras arcanas e atingindo os animais com seus cones de metal flamejantes que ele vivia chamando de misseis mágicos, assim como Mira e Meia-noite.
A lefou não foi atacada pelos ursos, eles pareciam evitá-la e se focavam nos outros, que foram brutalmente feridos.
Najla, no entanto, apesar das garras e mordias dos animais, parecia não senti-los. O que deixou Kuoth e Aron muito curiosos.
Ao fim conseguiram derrotar os animais, e a medusa correu até Bolton para curá-lo. Meirelles, que sangrava e tinha a boca também cheia de sangue, apesar de não ser dela, lambeu o halfling e balançou o rabo.
Olhando em volta o pequeno sorriu.
— Bem, isso vai ajudar bastante a quitar a dívida.
— Dívida? — A clériga levantou uma sobrancelha.
— Éééé... fiz um acordo com um armeiro. — Coçou a nuca, sorrindo.
— Najla. — Kuoth se aproximou, mudando a atenção da companheira.
— O quê?
— Como você pode estar tão bem?
— Você também está bem.
— Eu estava voando...
— Isso é estranho mesmo. — Aron cruzou os braços.
— Queridos, lamento dizer, mas a magia do Kuoth não é nada comparada a dos deuses.
Aron se convenceu facilmente com o argumento, mas Kuoth continuou intrigado, e passou a observar a medusa.
Por fim, conseguiram esconder as carcaças dos ursos e combinaram de pegar na volta, para levar para a cidade.
Depois, o grupo andou por mais duas horas. Passaram pelo antigo templo em ruinas onde Bolton, Najla e Aron resgataram o bebê de Iville e Reyny.
Após muito caminhar pelas frias montanhas do norte de Teldiskan, o grupo finalmente chegou a uma caverna. Era iluminada por dentro, Mira os conduziu até seu mestre.
Chegaram a uma sala cheia de pergaminhos e livros. No centro dela, sentado no chão, estava um lefou alto e magro, coberto de carapaça rubra como se fosse uma armadura. Estava sentado em posição de lótus, os olhos vendados.
Ele tirou a venda.
— Esse é meu novo mestre, Sayekk — disse Mira
O grupo se assustou com a aparência do lefou, ele se levantou e sorriu.
— Olá.
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Então é isso, pessoal! Espero que tenham gostado do capítulo!
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