Capítulo Único
— Eu não preciso da sua ajuda, Potter!
A ruivinha era bem pequena para tanto rancor, que demonstrava em seu olhar. Ela ajeitou a saia, pegando os materiais, tinham dado de encontrão, enquanto ele fugia de Filch.
— Li... — James começou, esquecendo completamente de que estava fugindo.
— Corre, viado! — Sirius surgiu no corredor, puxando-o pelo braço — Enlouqueceu? Corre!
Sem opções, James soltou uma gargalhada, indo atrás do melhor amigo.
— Idiota! — gritou Lily, irritada, interpretando que a gargalhada era para ela.
Help, I need somebody
Help, not just anybody
Help, you know I need someone, help!
— Eu não preciso da sua ajuda, Potter!
James revirou os olhos, sorrindo, divertido.
— Evans, você querendo ou não, precisa de mim — ele disse, calmamente — O trabalho é em dupla. Em dupla.
— Quer saber? Eu faço o trabalho sozinha! — Lily declarou, desesperada — Eu entendo de poções! Eu faço sozinha, e coloco os nossos nomes.
Em qualquer outra situação, com toda a certeza, James aceitaria, vitorioso. Contudo, ele sentia uma grande necessidade de estar perto dela, que ele não podia explicar.
— Que absurdo! — ele provocou — Lily Evans quebrando as regras?
Isso fez com que ela corasse. Se era de raiva ou vergonha, ele não sabia.
A questão era clara: ela estava em um impasse. Se seguia as regras, tendo de suportá-lo, ou se quebrava as regras, mantendo-o afastado.
Por fim, ela soltou a pena em cima do pergaminho, levantando-se, furiosa.
— Vamos estabelecer umas regras, Potter — ela disse — Eu dito o que vamos escrever, e você escreve. Sem comentários idiotas, sem brincadeirinhas estúpidas... Entendido?
James bateu continência, fazendo-a bufar, exasperada.
When I was younger, so much younger than today
I never needed anybody's help in any way
— Eu não estou encontrando! — Lily reclamava a Mary, revirando a sua mochila, que estava jogada em cima de uma das mesas do salão comunal.
— Procurando por isso? — James apareceu, segurando um livro de transfiguração.
O rosto de Lily ficou vermelho, ela levantou-se rapidamente, indo até ele.
— Você roubou? — ela reclamou.
Quando tentou alcançar, ele levantou mais o braço, fazendo com que ela pulasse para tentar alcançar, o que divertiu bastante a Sirius.
— Tecnicamente, seria furtar, já que você não viu — ele corrigiu, fingindo estar decepcionado com o seu erro de linguagem — Porém, não. Eu não roubei. Você deixou cair, a mochila estava aberta do lado.
Lily parou de pular, lançando-lhe o seu olhar mais frustrado, enquanto cruzava os braços.
— De nada! — James estendeu-lhe o livro, abaixando o braço.
Ela pegou rapidamente o livro, afastando-se, sem agradecer.
— Mal agradecida, Evans! — gritou Sirius, indo para perto do amigo.
— Eu não preciso da sua ajuda, Potter! — ela virou-se, jogando o livro dentro da mochila, e enfiando o braço no espaço da alça, apressadamente.
— Obrigada, James! — disse Mary, gentil, antes de ser arrastada pela fúria ruiva.
But now these days are gone, I'm not so self assured
Now I find I've changed my mind and opened up the doors
— O que você está fazendo aqui, Potter?
Lily não estava em seus melhores dias. Geralmente, James faria uma piada com o seu nariz excessivamente vermelho, se ele não estivesse achando extremamente fofo a forma como seu cabelo estava bagunçado, pelo tempo deitado na maca da enfermaria.
— Trouxe os pergaminhos de hoje — ele respondeu, pacifista — Eu sei que você não gosta de perder a matéria.
— Eu pedi a Remus para trazer — ela disse, sem preocupar-se em ser grosseira.
Com ele, ela não costumava preocupar-se.
James tinha pedido a Remus para ir em seu lugar, queria uma desculpa para ver se a ruiva estava bem. Mas, é claro, ele jamais lhe diria isso. Já soava muito perseguidor nos tempos vagos para ter mais esse episódio em seu currículo.
— Ele tinha que fazer um lance, eu vim trazer no lugar dele — ele mentiu, deixando os pergaminhos em cima da mesa de cabeceira.
— Potter — chamou Lily, olhando para os pergaminhos — Essa não é a letra do Remus.
— Eu tenho que ir, até logo, Evans! — ele afastou-se, a passos largos.
— Você copiou a matéria? — ela gritou — Eu não preciso...
— De nada! — ele gritou de volta.
Help me if you can, I'm feeling down
And I do appreciate you being round
Help me, get my feet back on the ground
Won't you please, please help me?
— Ai, gente! Então... O meu nome é Lily Evans. Eu amo odiar o Prongs.
Um travesseiro acertou a Sirius em seu rosto, derrubando a peruca laranja, que ele usava.
— Ela não o chama de Prongs, seu burro! — gritou Remus, enquanto Peter caía da cama de tanto gargalhar.
— As minhas melhores frases são "é Evans, Potter!" — continuou Sirius, tentando ajeitar a peruca de volta na cabeça — E "não preciso da sua ajuda, Potter!".
Até James teve que gargalhar com essa.
— Essa daí já virou clássica! — ele admitiu, ainda rindo.
— Chega a entediar. Eu deveria sugerir a Evans para criar novos bordões — disse Sirius, pensativo.
— Quais flores você gostaria no seu túmulo? — perguntou Remus, pensativo.
Sirius olhou-o de cara feia, enquanto James e Peter riam, tentando imaginar a situação.
And now my life has changed in oh so many ways
My independence seems to vanish in the haze
— Droga! — James ouviu Lily reclamar.
Ele fingia pegar alguns livros, só para ficar por perto da mesa da biblioteca, onde a ruiva estava. Olhando de soslaio, ele percebeu que ela mexia a ponta da pena dentro do tinteiro, procurando por tinta.
Sem dizer uma palavra, ele foi até a mochila, pegando um tinteiro, e colocou em cima da mesa dela. Ele afastou-se, assim que ela levantou o olhar, continuando com a sua falsa tarefa de procurar livros.
Esperava pelo "eu não preciso da sua ajuda, Potter", mas esta frase nunca foi proferida. Olhando de soslaio, percebeu que Lily destampava o tinteiro, com um sorriso discreto no rosto.
But every now and then I feel so insecure
I know that I just need you like I've never done before
A primeira fase era o "eu não preciso da sua ajuda, Potter".
A segunda fase foi quando Lily começou a aceitar a sua ajuda, mas sem dizer uma palavra.
Para James, o seu sorriso discreto já iluminava o seu dia, mas aquilo não parecia o suficiente para Lily.
— Potter!
Ele subia as escadas, estava atrasado para a aula de transfiguração, e McGonagall o mataria.
— Potter! — Lily corria atrás dele, voltando a gritar.
Os olhares dirigidos a eles revelavam estranheza. Não era raro Evans correr atrás de Potter, mas ela não expressava raiva em seu olhar, e o garoto não lhe dava ouvidos, o que tornava a cena bem rara.
— Agora não, Lily! — ele gritou, em resposta.
Assim que virou o corredor, a garota alcançou-o, puxando o seu braço, para fazê-lo parar.
— Potter! — ela reclamou.
— O que eu fiz não será comparado ao que a professora fará, se nós... — James começou, falando rapidamente.
— Obrigada! — Lily gritou, interrompendo-o.
— O quê? — ele franziu o cenho.
— Obrigada por me ajudar, quando o tinteiro acabou. Obrigada por me ajudar a recolher os livros, quando demos de encontrão, no primeiro ano. Obrigada por ter me ajudado com a matéria atrasada, quando eu fiquei de cama. Obrigada por... — ela começou, sem parecer precisar recolher fôlego.
— Calma! Calma! Calma! — ele empurrou-a levemente para a parede, tonto com tantas palavras ditas — Ei!
— Você tem me ajudado, e eu nunca te dei um agradecimento sequer. Isso estava me corroendo por dentro — Lily voltou a dizer, depois de respirar fundo.
— Você não precisava disso — ele sorriu levemente.
Sem saber o que dizer, Lily voltou a andar.
— Vamos nos atrasar para a aula! — ela disse, depois de limpar a garganta sonoramente.
Não importava quantas broncas recebesse da McGonagall, nada se compararia àquele momento.
Help me if you can, I'm feeling down
And I do appreciate you being round
Ele preferia não ter passado para uma quarta fase. Parar no agradecimento estava perfeito, pois ele sentia que todas as suas estruturas eram destruídas, ao vê-la sofrer.
James costumava odiar o verde, por ser a cor da Slytherin, mas ele mudou de ideia, quando conheceu Lily. O que ele mais gostava de olhar eram aqueles olhos, eles pareciam ser únicos. Em tom de verde, brilho, formato... Em cada pequeno detalhe. Era o que fazia Lily Evans ser o seu lírio.
— Me ajude, por favor! — ela implorava.
Aquela não era a sua Lily, ele odiava a forma como tiraram a sua Lily de si.
— Não chore, por favor! — James sentou-se ao seu lado, abraçando-a.
O pedaço de pergaminho ao seu lado mostrava que havia tido um ataque de Death Eaters em Little Hangleton. Uma lanchonete foi explodida pelo impacto de diversos feitiços. E seus pais estavam lá.
Help me, get my feet back on the ground
Won't you please, please help me?
— Eu preciso da sua ajuda, Potter!
James subiu as escadas, imediatamente, onde Lily tentava dar banho em um pequeno e hiperativo Harry.
— A-ha! Parece que o jogo virou, não é mesmo? — ele pegou o filho no colo, rindo para o sorriso sem dentes do bebê.
— "A-ha" é o nome de uma banda! — retrucou Lily, cruzando os braços, frustrada — Dê banho ao Harry, já que ele te prefere!
Pai e filho apenas riram dos ciúmes da matriarca.
— Pediu a minha ajuda, não que eu fizesse tudo! — ele gritou, assim que ela saiu.
— Me ajuda muito fazendo isso, tenho outras coisas a fazer — Lily retrucou.
— Uma criança já escutando isso da mãe, que absurdo... — brincou James — Vamos, Harry...
When I was younger, so much younger than today
I never needed anybody's help in any way
— Eu preciso da sua ajuda, Evans! E eu sempre quis dizer isso!
Lily revirou os olhos para a brincadeira.
— Não rola mais! Devia ter testado essa quando não estávamos casados ainda! — ela retrucou.
— Oh! Droga! — ele resmungou.
But now these days are gone, I'm not so self assured
Now I find I've changed my mind and opened up the doors
Lily estava apoiada no berço de Harry, chorando desesperadamente.
— Eu preciso da sua ajuda, James! — ela sussurrava para si mesma.
A porta abriu-se bruscamente, e ela só pôde pensar em quantas vezes ouviria "eu preciso da sua ajuda" vindo de seu filho, sendo que nunca poderia ajudá-lo.
Mesmo assim, ela não hesitou em morrer em seu lugar.
A ajuda que teve foi o tempo que conseguiu para alcançar o andar de cima, e deixar seu filho são e salvo.
E ela não podia pedir por mais.
Help me if you can, I'm feeling down
And I do appreciate you being round
Help me, get my feet back on the ground
Won't you please, please help me?
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