Capítulo Onze: Este é Sobre Dor
Seu corpo já havia se acostumado com a água gelada naquele fim de tarde. Era três dias de detenção e Tony estava no segundo, não havia muito o que fazer, ele basicamente passava o dia no laboratório tentando inventar algo novo, comia o dia todo e escutava músicas.
O treinador Coulson provavelmente iria querer matar ele por ter pego três dias de detenção e ter perdido treinos, ainda mais com o jogo de abertura da temporada tão próximo.
Agora enquanto mergulhava, Tony pensava em músicas que ele queria que Peter conhecesse, músicas que dissessem algo sobre ele, ou seus sentimentos. O que ele precisava criar não estava no laboratório, estava na poesia criada e cantada por outras pessoas.
Eram três dias longe de Peter, ele estava com saudades.
Tony queria se declarar para o outro, mas não tinha coragem. Ele tinha medo de dizer algo errado. O que era bizarro, já que Tony Stark sempre sabia o que dizer. Ele sempre tinha uma resposta para tudo, mas não sabia como traduzir seu amor para palavras que o outro entendesse.
Ele se lembrou da cena na cozinha, do quase beijo. Peter se esquivou do momento. Aquilo significava algo, não?
Mas mesmo assim, Tony não tirava da cabeça o beijo que Peter dera em sua bochecha. Se aquele gesto já que causava um entorpecimento profundo, imagina se o lábios de Peter tocassem os seus? Ah, ele teria uma amostra do céu o tocando.
Era tão linda a forma como Peter sorria, aqueles lábios sorrindo. Ou como era lindo o biquinho que Peter fazia ao sugar o milkshake do copo. Também era linda a forma como Peter mordia o picolé de uva e seus lábios ficavam vermelhos ao invés de rosados. Eram tão convidativo.
Se Peter o aceitasse, ele não saberia bem o que fazer. Como cuidar de algo tão precioso como era o garoto? Um coração tão puro e delicado.
Se pudesse, Tony protegeria Peter de todas as coisas ruins do mundo, e ele tentaria o máximo.
O moreno emergiu da água e passou a mão pelos cabelos, os colocando para trás. Ele avistou Jarvis caminhando até a borda da piscina.
-Me desculpe interromper seu momento de lazer, Sr.Stark, mas há uma ligação para você. -falou Jarvis. -É de um garoto chamado Peter Parker, ele diz estudar com você. Devo dispensá-lo como os outros?
Tony pulou para fora da piscina e balançou o calção para tirar o excesso de água. Jarvis estendeu a toalha para ele.
-Não, Jarvis. Esse você não precisa dispensar. Aliás, nunca o dispense. -respondeu Tony enquanto se secava.
-Entendido, senhor. -disse Jarvis. -Nesse caso ele espera o senhor na linha.
Tony correu pela área da piscina até entrar na mansão. Ele caminhou até a cozinha e atendeu o telefone.
-Alô, Peter?
Ouve um momento de silêncio do outro lado.
"-Oi, Tony." -respondeu o castanho.
-Aconteceu alguma coisa? -indagou Tony com o semblante preocupado. -Você nunca me ligou.
Peter suspirou.
"-Não se preocupe, não aconteceu nada. É que eu preciso falar com você."
Tony notou que a voz de Peter estava estranha, não continha a leveza usual.
-Beleza, pode falar, eu não tô ocupado.
"-Tem que ser pessoalmente. Não é algo para se conversar no telefone."
O moreno franziu o cenho.
-Tem certeza que não aconteceu nada? Você parece estranho. -perguntou Tony.
"-Não se preocupa tá? Mas precisamos conversar, é importante para mim." -falou Peter suspirando mais uma vez.
-Tá bom. Não demoro, já apareço aí.
"-Okay, até."
Antes que Tony pudesse falar mais alguma coisa, Peter desligou. Seu coração se apertou. Ele sabia que tinha algo de errado. Será que havia feito alguma coisa? Será que foi a tentativa de beijo?
Tony subiu correndo para o quarto para tomar banho e se vestir.
Não importa qual fosse a merda que ele havia feito, teria que concertar.
*~*
Já eram sete da noite, o ar estava gélido para uma noite de início de primavera.
Peter estava sentado nos degraus da varanda em frente a casa e ele podia sentir o cheiro do jantar que May preparava na cozinha. Apesar do cheiro ser inebriante, ele não conseguia pensar em comer, não conseguiria por nada na boca naquele momento.
Estava preocupado, tinha receio das palavras que Tony iria dizer. E se ele não quisesse falar? Peter conseguiria seguir em frente sem saber a verdade. Parecia ser algo importante no passado do amigo, se eles eram assim tão íntimos, Peter precisava saber. Ele queria que tudo fosse claros entre eles.
Ao mesmo tempo a intimidade entre eles era algo forte. Peter tinha muito medo do que sentia por Tony, aquele torpor era nova para ele. Era uma sensação tão quente e fria ao mesmo tempo. Era doce com um gosto elétrico. Suas veias eram tomadas por aquela sensação borbulhante.
Era assustador, mas ao mesmo tempo tão bom.
O Opala de Tony estacionou em frente a casa. O coração de Peter acelerou.
Ele se levantou e caminhou lentamente até o carro e entrou no veículo se sentando no banco passageiro.
-E aí Bela Adormecida. Estava com saudades de mim? -falou Tony sorrindo. -Quer dar uma volta?
-Não. -respondeu Peter, sério. -Vamos ficar aqui mesmo.
Tony endureceu o semblante.
-O que aconteceu? Sobre o que quer conversar?
Peter não olhava para o moreno até então, mas tomou coragem e encarou Tony, o olhando nos olhos.
-O que aconteceu com a Hope Van Dyne? -ele perguntou de supetão.
Tony não esboçou nenhuma expressão, olhou para fora e coçou a nuca. Ele foi pego de surpresa. O receio estava em seus gestos, desconforto puro.
-Como você sabe da Hope? -o moreno sussurrou. Se a rua não estivesse vazia e o silêncio não reinasse dentro do veículo, teria sido impossível de ouvir sua voz.
-Não importa como eu sei. -falou Peter. -Mas, eu quero saber o que aconteceu. Quero ouvir de você a história toda.
Tony começou a bater os dedos no volante de maneira nervosa. Estava pensando. Ele nunca havia contado aquilo em voz alta, nem mesmo para os psicólogos da reabilitação. Aquilo era uma ferida só dele, estava aberta, e assim como outras coisas em sua mente, era um vespeiro que ele tinha medo de mexer. Mas era Peter, ele podia falar, porque seria ouvido.
-Há um tempo atrás, eu era uma pessoa muito diferente do que sou hoje. -Ele começou a falar, mas encarava o nada através do para-brisa, parecia se lembrar de épocas anteriores. -Eu era um covarde que tentava a todo custo fugir dessa realidade. Eu bebia pra caralho, cheirava, usava uma porrada de coisa sempre que tinha a oportunidade. Eu era um merda que via graça em correr perigo fazendo as coisas mais idiotas possíveis. Eu provocava brigas desnecessárias em festas, participava de corridas de rua e transava com pessoas que eu nunca vi na vida. Eu queria morrer a todo instante, mas não tinha coragem de fazer isso, não tinha coragem de tirar a minha própria vida. Então se eu morresse por outra circunstância não teria problema.
Peter queria esticar a mão para tocá-lo, mas temia, era visível ser um momento muito sensível para o amigo, ele não queria desencadear nada que o tirasse do raciocínio, ele ainda queria ouvir a história toda.
-Okay...O que isso tem haver com a Hope? -perguntou Peter com a voz calma e baixa.
Tony colocou a mão no braço de Peter e apertou levemente.
-Deixa eu te contar tudo. -ele disse olhando Peter nos olhos. -Aí você tira suas conclusões. - Peter anuiu. -Bem, a Hope era nova na escola e ficamos de fazer um trabalho juntos. Ela era... Complicada. Tinha problema com os pais e carregava os próprios fantasmas. Quero dizer, ela era incrível e tão problemática quanto eu, ela só não parecia mostrar tanto, se guardava e sufocava todo o sofrimento. O pai dela a tratava muito mal e a mãe tinha abandonado ela. Hope não tinha ninguém. Nós ficamos amigos e eu comecei a gostar dela e acho que ela de mim também, mas nada nunca foi dito e eu também nunca tive certeza.
-Vocês namoravam ou algo assim? -indagou Peter confuso.
Tony suspirou pesadamente.
-Eu não sei dizer o que a gente era. Tudo era tão complicado, era mais sobre dor do que qualquer outra coisa. A gente saía e Hope conheceu os mesmo escapes que eu usava na época, só que ela se jogou de cabeça, usava todo tipo de merda que você possa imaginar. Eu tenho culpa, porque sinto que fui eu que apresentei isso a ela. Quer dizer, eu nunca ofereci, mas também nunca falei que ela não deveria usar. Eu tava muito chapado o tempo todo para se importar com qualquer coisa. Houve um momento que ela ficou descontrolada e nós brigamos, porque eu finalmente me toquei de que ela tava indo longe demais e tentei avisar, mas era tarde eu imagino. Ela falou que me odiava por tentar tirar isso dela e eu falei a coisa que mais me arrependo até hoje.
Tony ficou em silêncio, ele estava de cabeça baixa olhando o próprio colo, suas mãos apertavam o volante com força até os dedos esbranquiçarem.
-Tony? -chamou Peter. Seus olhos estavam lacrimejando, ele não entendia bem o porquê. -O que você disse para ela?
O rapaz olhou Peter, com os olhos igualmente molhados, mas havia tanto rancor de si mesmo ali.
-Eu falei que ela deveria morrer. -ele respondeu com a voz em um tom único e seco.
Peter engoliu seco.
-Por que? -Sua garganta falhou.
Tony balançou a cabeça tentando não se lembrar, mas a memória já estava ali, o perturbando.
-Porque eu achava que seria melhor se ela fosse do que vê-la se destruir daquele jeito, mas eu percebi que ela só era um reflexo de mim. Eu estava fazendo o mesmo.
-E por que você sumiu depois que ela morreu? -perguntou Peter.
-Quem te contou sobre tudo isso? -Tony replicou.
-Não importa. Me fala. Por que você sumiu?
-Eu fui para um centro de reabilitação. Fiquei lá por alguns meses e passei um mês em Nova Iorque com Happy, mas convenci ele a me deixar voltar pra cá. Eu voltei bem melhor do que antes, ainda tinha algumas recaídas, aliás, ainda tenho, mas, nada muito sério. Eu sei que tudo vai dar certo, porque eu acredito nisso.
Peter jamais poderia julgar Tony pelo seu passado, ele havia ficado tão assustado com a forma que Michelle contou a história. Ele simplesmente não conseguia ligar aquele Tony com este que estava em sua frente. Nem mesmo conseguia ligar o Tony que conheceu com esse que ele tinha agora.
-Você realmente se sente melhor? -perguntou Peter.
Tony balançou a cabeça com um sorriso triste.
-Banner me ajudou bastante, ele me colocou no time e isso fez com que minha cabeça fosse preenchida por algo, eu realmente gosto de jogar sabe, me faz bem. Eu tenho uma oficina em casa e gosto de inventar coisas, assim como meu pai, isso me ajuda. E também tenho você...
Peter estendeu a mão para Tony e o rapaz a segurou apertando gentilmente.
-Sempre que quiser conversar, eu estarei aqui okay? Sempre. Me desculpa fazer você vir aqui falar sobre isso, eu só fiquei preocupado com a história toda. -Peter suspirou e olhou Tony nos olhos. -E saiba que nada disso é sua culpa, ela não morreu por sua causa. A Hope só fez uma escolha errada, assim como você também fez. Ninguém pode te julgar por isso. Quando você superar tudo isso, nada e nem ninguém vai poder te atingir.
-Obrigado, Peter. Você é incrível. -falou Tony em tom carinhoso. -Será que eu mereço sua amizade?
-Hmmmm. Acho que não. -brincou Peter.
-Aí está ele de volta. -falou Tony, rindo.
Peter apertou a mão do rapaz e lhe lançou um olhar cúmplice.
-Fica para o jantar? -ele perguntou sorrindo.
-Você quer que eu fique? -indagou Tony. -May não vai se importar?
-Quero, e não, May não vai se importar, aliás, acho que ela vai adorar.
-Então vamos, acho que estou sentindo o cheiro da comida daqui do carro.-falou Tony se animando.
Eles seguiram para dentro da casa e foram direto para a cozinha.
May usava uma calça jeans cintura alta e blusa de alça, Peter sempre achou que a tia parecia se vestir como uma modelo dos anos setenta. May já tinha quarenta anos, mas era mulher mais linda que Peter conhecia.
Claro, que por estar na cozinha, May também usava um avental e o cabelo amarrado em um coque, era seu penteado de chef, dizia ela.
May notou os dois a vendo e sorriu.
-Olá, Anthony, vai ficar para o jantar? -ela perguntou se aproximando e dando um abraço em Tony.
-Se a senhora não se importar. -respondeu o moreno.
-Vou me importar se você me chamar de senhora de novo. -disse May fingindo cara feia.
-É, ela detesta ser chamada de senhora. -falou Peter. -Uma vez houve uma enorme discussão com um caixa de mercado porque ele a chamou de senhora, então se você não quiser morrer, não faça isso.
-Tudo bem, foi mal. -Tony respondeu rindo.
-Okay, crianças. -disse May batendo palmas. -Agora me façam um favor e coloquem a mesa.
Os garotos assentiram e iniciaram a tarefa. Ambos se olhavam e sorriam o tempo todo. Peter já estava com a bochecha doendo, mas não conseguia evitar, só estava feliz.
May colocou a comida sobre a mesa enquanto cantarolava um cantiga em italiano. Quando ela fazia isso era porque uma das receitas de família havia sido executada. E naquela noite o prato era macarrão com almôndegas. O favorito de Peter.
Logo todos estavam na mesa se servindo.
-Coma bastante, Tony. -disse May colocando muito macarrão no prato do rapaz. -Você está bem magrinho.
O moreno riu.
-Peter também está.
-Ah, mas Peter é magro de ruim, porque ele come sem parar. -brincou May.
-Hey, eu estou em fase de crescimento! -Peter se defendeu.
O barulhos de prato e garfos eram ouvidos na mesa.
-Hmmm senhora Parker. Isso tá uma delícia! -falou Tony com as bochechas inchadas de comida.
Peter riu com a cena, Tony parecia aqueles esquilos que escondem comida nas bochechas.
Ah como Tony era lindo, ele pensou. Tão espontâneo, como se nada importasse para ele, mas agora, de um modo saudável e não destrutivo. Ele era tão natural e fazia as coisas serem mais leves.
-O que eu falei sobre me chamar de Senhora? -disse May lhe lançando um olhar exageradamente reprovador.
Tony ergueu as mãos mostrando rendição.
-Depois do jantar, acho que vou obrigar Tony assistir o episódio quatro de Star Wars. -disse Peter adicionando mais queijo em seu prato.
May grunhiu de boca cheia.
-Boa sorte, Tony. E prepare-se para dormir. Eu mesmo não vejo graças nesses filmes. -disse ela.
-Eu não sei o que vou achar -falou Tony. -Peter fala sobre isso o tempo todo. Não sei se faz meu estilo.
-Não quero saber, você vai assistir, ou nossa amizade acaba aqui. -ameaçou Peter.
Tony fingiu rolar os olhos.
-Beleza, vamos assistir Star Wars. Mas... Só se me prometer que vai na festa da Pepper no fim de semana que vem. -disse o moreno.
Peter não sabia de nada daquilo. Na verdade ele não tinha conhecimento nenhum sobre festas, a não ser de crianças, ele adorava os doces, mas havia anos que não ia em uma. E Peter podia imaginar que em festas adolescentes não haviam a participação de uma mesa com bolo e doces, deveria ter algo diferente.
-Festa da Pepper? -ele indagou indiferente. -Mas não obrigado, eu passo.
-Happy falou que eu só posso ir se você for. -respondeu Tony com um olhar divertido.
Os ombros de Peter despencaram e ele bufou.
-Você nunca se importa com o que o Happy fala.
-Ele vai. -disse May após usar o guardanapo. -Peter vai.
-O que? Eu vou? -perguntou Peter confuso. -Quer dizer, não, eu não vou.
-Sim, o senhor vai sair. -ela rebateu. -Ah Peter, você precisa viver. Chega de ficar em casa vendo sua juventude passar. Saia com seus amigos e se divirta.
Tony segurava um riso e também estava adorando a situação toda. May Parker era muito divertida.
-É, Peter, se divirta! -Tony se intrometeu.
Peter apontou dedo para ele e estreitou os olhos.
-Fica quieto. Você só tá colocando lenha da fogueira.
Tony riu.
-É sério, Peter. Eu quero que você vá comigo. Vai ser legal! Prometo que te trago de volta se você não gostar.
May se levantou da mesa e colocou as mãos na cintura enquanto olhava para Peter.
-Se você não disse sim agora, eu vou subir, abrir o armário e pegar o álbum que tem fotos de quando você era criança e vou fazer questão de mostrar todas as fotos para seu amigos. -ela apontou para Tony. -Inclusive aquela em que você está nu e todo sujo de glacê do bolo do seu aniversário de sete anos.
Ela falava sério, Peter pensou. Então ele suspirou, largou o garfo e bateu as mãos contra o tampo da mesa.
-Tá! Eu vou!
-Yes! -Tony disse fazendo uma dancinha da vitória. -Mas, acho que agora quero ver as suas fotos de criança mesmo assim. Imagina só? Vai ser hilário!!! Eu terei munição para zoar com a sua cara o resto da vida.
May se animou.
-Viu? Isso com certeza é melhor que Star Wars? Tony sabe o que fala. -ela falou convencida.
-Nem pense nisso. -falou Peter.
Ele seria capaz de subir correndo para pegar o álbum de fotos antes da tia só para poder jogá-lo pela janela. Imagina a vergonha que seria Tony vendo todas as fotos dele? Ah não.
-Então você vai mesmo na festa? -perguntou Tony.
-Vou, Tony, não se preocupe. -respondeu Peter suspirando.
-Olha lá hein. Não pode mais mudar de ideia. -brincou o moreno.
-Eu juro que vou te matar! -falou Peter entredentes.
Após acabar o jantar, Tony se ofereceu para lavar a louça, mas Peter recusou. Primeiro que Tony nunca devia ter lavado um copo na vida. Segundo porque ele era visita.
Depois eles se juntaram na sala e Peter colocou o VHS do Episódio Quatro: Uma Nova Esperança.
Tony comentava o filme esporadicamente e fazia piada sobre o cabelo da princesa Leia. Segundo ele o cabelo dela parecia duas rosquinhas e o vestido dela era de freira. No entanto Tony se encantou pelo Chewbacca e C3PO.
Após algum tempo de filme, Peter cochilou no sofá, Tony estava ao seu lado. Quando acordou, o moreno também cochilava, mas com a cabeça apoiada em seu ombro.
Peter teve vontade de beijar o topo da cabeça de Tony. Não sabia bem o porquê. Seu coração o orientava a fazer aquilo.
Tony era precioso demais. Bom demais para ele.
Peter desejou que o moreno nunca fosse embora, nunca saísse dali ou de sua vida.
Aquele sentimento bom e assustador voltara. Era possível se acostumar com aquilo?
Ele já sabia que estava apaixonado, mas o que se podia fazer em relação a isso?
Tony era seu melhor amigo e provavelmente só o enxergava assim. Além do mais, o rapaz era complicado, muito complicado. Ele era uma pessoa muito boa, mas assim como Happy havia dito, Tony era muito volátil. Isso era um problema.
Ele nunca diria para Tony que o amava. Peter guardaria esse sentimento dentro de uma caixinha até ele deixasse de existir. Só restaria o amor de um amigo e não de um amante.
Peter não podia deixar esse sentimento morar dentro de si, era muito perigoso. Ele já havia passado por tantas coisas. E se ganhasse algo novo e o perdesse também?
Tony era precioso demais, e ele não queria o machucar, nem se machucar.
Um sentimento corrosivo preencheu o interior de Peter.
E se ele não conseguisse se livrar disso? E se a paixão crescesse como uma bola de neve?
Então aí ele teria que matar esse amor, mesmo que fosse de uma maneira dolorosa.
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