Capítulo Nove: Queimada Pode Ser Perigoso

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Cada vez menos Tony sentia vontade de fumar cigarro ou usar qualquer entorpecente que era de seu uso habitual. A maconha ainda era necessária, ela o relaxava e colocava seus pensamentos no lugar. Mas ele sentia menos ânsia por outras coisas, isso era bom.

Antes de dormir, Tony sentava-se na janela de seu quarto e acendia o baseado e deixava a fumaça ser levada pelo vento.

Sua mente ficava calma e ele podia refletir sobre as coisas.

Em geral sua cabeça pensava demais e ele odiava como as coisas do passado atingiam seus pensamentos. E essas coisas eram sempre incomodas, elas ficavam o cutucando e se retorcendo em seu âmago.

Depois do dia em que fora no cemitério com Peter, ele tinha uma dor a menos em seu peito.

Tony sentia como se algo estivesse inacabado até então. Era como se ele não deixasse Howard partir. Ele tinha essa mania de se apegar a coisas do passado, e infelizmente a maioria eram coisas ruins.

Ele estava pronto para mudar, queria ser uma pessoa melhor, porque de fato ele estava começando a se sentir alguém melhor.

Ele estava aceitando as coisas que não podia mudar, e estava mudando as coisas que não podia aceitar.

Se sentia bem consigo mesmo, e Peter era tão bom para ele.

Ah Peter.

Tony nunca havia tido ninguém em sua vida como Peter. O garoto o ouvia de verdade e sempre sabia o que dizer.

Era engraçado como Peter flutuava entre a maturidade e ingenuidade. Ele era puro, espontâneo.

Tony amava quando Peter se irritava com ele, porque era engraçado. Ele gostava quando estacionava o carro em frente a casa de Peter e o outro estava esperando por ele.

Será que ele tinha esse mesmo apreço que Tony tinha?

Era um sentimento bom, que aquecia, o fazia sorrir, lhe causava uma ansiedade boa.

A primeira coisa que Tony fazia quando acordava era pensar "Tenho que buscar Peter."

E a última coisa era "O que será que Peter está fazendo? "

"Será que Peter pensa em mim o tanto que penso nele?"

"Queria que Peter estivesse aqui."

Peter.

Peter.

Peter...

Depois do dia do cemitério, Tony começou a avaliar o que ele sentia quando estava com o garoto. Peter era seu amigo, mas não era o mesmo sentimento que ele tinha por Thor, era diferente. Era algo novo. Era estranho, mas era bom.

O abraço que o castanho lhe dera foi o que fez com que todo aquele turbilhão de dor se apaziguasse.

Era tão amargo o gosto que ele sentiu quando se deu conta de que estava em frente ao lugar em seu pai jazia morto. Era a visão que faltava para que fosse colocado um ponto final. A ferida estava aberta há muito tempo, e tinha sido cauterizada.

Tony pensou que ia desabar de tanta dor que sentiu quando viu o nome de seu pai naquela lápide e a frase de sempre o velho dizia.

Até então, parecia que quando Tony estava em casa, o pai podia aparecer a qualquer momento, como se tivesse partido para uma viagem longa e estivesse voltando. Havia expectativa.

Mas ver a lápide com o "Aqui jáz Howard Stark" era o que ele precisava para que o coração se acalmasse e a verdade fosse aceita.

A ficha caiu depois de muito tempo, foi um choque. Mas a mão de Peter sobre a sua, o corpo dele contra o seu, aquele abraço apertado com um perfume tão aconchegante... Tudo aquilo lhe dizia que estava seguro.

Mais uma vez, como Peter era especial.

O brilho no olhar, o sorriso tímido, os lábios...

Tony tragou o cigarro de maconha e deixou a fumaça quente aquecer seu pulmão e a soltou. A fumaça era quente, mas não era aconchegante como o abraço dele.

Ele sorriu.

Estava apaixonado?

Achava que sim.

Não, tinha certeza.

Porque aquilo era diferente. Não era uma paixonite como o que tinha sentido por Pepper Potts ou por Hope Van Dyne. Aquilo era maior.

Então era isso.

Tony Stark sentia alguma coisa nova e precisava fazer algo sobre.

*~*

Suas mãos estavam molhadas quando o telefone tocou, Peter as secou rapidamente na toalha que ficava pendurada no banheiro.

-Peter! É para você, é o Happy! -May gritou do andar de baixo.

-Eu vou atender no meu quarto! Obrigado May! -respondeu o garoto.

Peter saiu correndo quase escorregando por estar de meias, ele sempre fazia isso, precisava parar ou qualquer dia ele teria o temido destino de dar com a cara no chão.

O castanho pegou seu telefone em formato de hambúrguer que ficava sobre a cabeceira da cama e atendeu.

-Alô? Happy?

"-Olá garoto. -Happy respondeu. -Como vai?"

-Estou bem, obrigado por perguntar. -disse Peter.

"-Sempre tão educado. -falou Happy. -Baner me mandou seu boletim, falei para ele que gostaria de acompanhar suas notas para ver seu rendimento, espero que não se importe."

Peter se recostou na cabeceira da cama e prendeu o telefone no ombro com a cabeça. Ele pegou um quadrinho que havia pego emprestado com Tony e começou a folhear aleatoriamente as páginas.

-Ah não, sem problemas. Imagino que você queira saber se não está gastando o dinheiro da companhia Stark a toa. -Peter riu.

"-Não é por esse motivo. Mas agora que você deu a ideia. -brincou Happy. -Eu na verdade pedi o boletim para ver se você está conseguindo acompanhar o ritmo de ensino da escola Romanoff, e pelo que vejo está tudo indo muito bem, suas notas são ótimas."

-Eu tenho me esforçado bastante. -comentou ele. -Às vezes é um pouco puxado, mas eu dou conta.

"-É bom saber disso. E pelo que vejo Tony melhorou bastante suas notas também, ele sempre está na corda bamba, mas nesse primeiro bimestre as notas dele melhoraram consideravelmente. Aposto que você tem influência nisso."

Peter sorriu ao lembrar que de fato ele e Tony haviam feito alguns trabalhos juntos e tinham recebido boas notas. Apesar do outro ser espaçoso e muitas vezes irresponsável, Tony fazia mesmo o trabalho e sempre tinha coisas a acrescentar. Às vezes eles discutiam por divergências criativas, mas sempre entravam em um consenso.

-Acredite em mim, o crédito é todo dele, a única coisa que faço e tentar manter o Tony em foco. Ele tende a se dispersar facilmente. -disse Peter.

"-Eu sei exatamente como Tony é. Eu sou responsável por ele desde que Howard faleceu. Tentei trazer ele para Nova Iorque, mas ele não quis e eu respeitei, acho que ele queria ficar em casa perto das coisas do pai e da mãe. Além disso, Jarvis é ótimo, eu confio nele. Ele trabalha para a família Stark há anos, sei que Tony está em boas mãos."

-Jarvis é a babá do Tony? -indagou Peter rindo. Ele não via a hora de tirar uma com a cara de Tony sobre ele ter uma babá.

"-Não é bem uma babá. -comentou Happy. -Jarvis é o mordomo. Ele cuida para que a equipe de serviços faça seu trabalho e mantenha a casa em ordem, para que tudo esteja em seu devido lugar. E claro, ele cuida das necessidades de Tony da melhor maneira que pode, mas sabemos como o garoto Stark é incontrolável."

-Sei bem como Tony é, mas eu já acostumei. -falou Peter dando de ombros, como se Happy pudesse ver seu gesto. -Aprendi a gostar de Tony. Na verdade eu acho ele incrível. Nunca tive um amigo assim. Às vezes eu não sei como agir ou se devo agir e esse lado maluco e inconsequente de Tony muitas vezes é o empurrão que eu preciso para seguir com algumas coisas.

"-Entendi. Então vocês estão bem amigos agora não é? Tony sempre fala muito de você quando ligo para ele."

O que será que Tony falava sobre ele para Happy?

-Sim, ultimamente andamos juntos até mais do que eu gostaria. -Peter falou dando uma risadinha.

"Sei. -Happy riu sem muita graça. -Sabe Peter, fico feliz que você e o Tony estejam se dando bem e está claro que você é uma ótima influência para o garoto. Você não faz ideia do que já passei com ele. Depois que ele perdeu os pais, a cabeça dele nunca mais foi a mesma, eu presenciei momentos de auto destruição daquele garoto. -Peter pôde ouvir o suspiro do homem do outro lado da linha. -É só que... Peço que tenha cuidado, okay? Tony é uma pessoa volátil. Ele está bem agora, mas temo que ele possa ter uma outra crise. Tome cuidado para não se machucar, okay?"

Peter não sabia o que pensar ou como interpretar aquilo que Happy dizia, ele só sentia vontade de defender Tony.

-Tá bom Happy. -começou ele. -Vou lembrar do que falou. Mas, Tony tem um bom coração. Eu não sei o que ele fez, e nem sinto a necessidade de saber, mas sei que ele mudou. Eu gosto do Tony e irei apoiar em qualquer dificuldade que ele tiver. É para isso que servem os amigos, não é?

O castanho percebeu que tinha se irritado com o modo como Happy falara, como se Tony fosse perigoso ou algo assim. Ele sabia que não. Mas, também não queria ser rude com Happy, pois o homem sempre foi muito gentil com ele. Peter não sabia de onde vinha aquela irritação. Seriam os hormônios da puberdade?

Ele ouviu Happy suspirar do outro lado e até mesmo...rir?

"-Acho que estou entendo o que tá acontecendo, garoto. -disse Happy calmamente. -Eu já vivi o bastante para reconhecer o tom de voz que você fala e a forma como fala dele. É mais que admiração..."

Peter não estava entendendo onde Happy queria chegar.

-Como assim? -ele se ajeitou na cama.

"-Acho que seus sentimentos são maiores que amizade, Peter. Acho que está apaixonado... -falou Happy calmamente."

Peter sentiu seu rosto esquentar e tentou dizer algo contra aquilo, mas nada muito eficiente vinha em sua cabeça.

-Não é nada disso... Eu... eu e Tony somos amigos! Eu gosto muito dele, mas não...não dessa forma.

"-Tudo bem, Peter. Não precisa se preocupar. Não há nada de errado nisso. Mas tenha em mente o que te falei: tome cuidado, não vá se machucar."

Peter suspirou.

-Olha Happy. Acho que tá tarde -Não era tão tarde assim. Eram oito da noite. -E eu vou acordar cedo amanhã, então é melhor eu desligar...

"-Okay, garoto. Sem problemas, outro dia ligo mais cedo. Boa noite e boa aula amanhã."

-Obrigado Happy, boa noite pra você também. -disse Peter rapidamente querendo acelerar o fim daquelas conversa.

"Obrigado. Tchau." -se despediu Happy.

Peter uniu o telefone com a outra parte formando um hambúrguer novamente e o devolveu sobre a cabeceira. Ele abraçou o quadrinho e encarou o nada.

Como Happy podia dizer aquilo? Tony era seu melhor amigo!

Peter sabia que a amizade deles era algo diferente devido suas experiências parecidas, mas era isso que a tornava incrível. Eles se conheciam e se entendiam.

Tony muitas vezes era um idiota, mas ele o fazia rir e lhe apoiava em decisões. O rapaz era uma das amizades mais improváveis que Peter tinha feito na escola, mas ela estava ali, se sustentando firmemente. Ned e MJ podiam não gostar de Tony fosse qual fosse o motivo deles, mas Peter dava um jeito de conciliar seu tempo com entre os três, porque ele não queria abrir mão do outro.

Ele nunca havia conhecido alguém como Tony, alguém com tanta profundidade. Ele podia contar com o rapaz e vice versa.

O dia no cemitério foi o ápice. Peter sentiu que precisava estar ali com Tony, ele precisava guiar o rapaz para ajudar por fim na dor dele, ou ao menos amenizar.

Peter abraçou Tony e foi tão bom. Ele abraçou de verdade, o apertando. Queria que o moreno soubesse que ele estava ali com ele, que ele soubesse que não estava sozinho.

Ele amava Tony, mas como amigo. Não que algum dia fosse dizer isso a ele. A não ser em caso de extrema necessidade, mas não haveria, então ele nunca diria.

Como ele poderia estar apaixonado?

Aliás, como ele poderia saber que estava apaixonado se nunca havia sentido isso?

Mas independente do que dissessem ou quisessem acreditar, ele nunca se apaixonaria por Tony Stark. Isso era loucura!... Não era?

*~*

No dia seguinte, na última aula, Peter odiava vestir aquele uniforme idiota de educação física para realizar exatamente nenhum exercício físico.

Ele nem mesmo suava! Ficar sentado olhando o movimento da quadra e escutando o professor Fury usar o apito e ralhar com os alunos com certeza não lhe dariam bíceps ou coxas iguais as de Thor. Então porque se incomodava mesmo? Ah é, eram as regras.

-Você vai no primeiro jogo da temporada, não é? -indagou Tony que estava sentado ao lado dele no banco do vestiário enquanto Peter calçava os tênis.

Tony usava a mesma roupa que ele, só que não ficava ridículo como Peter acreditava que o uniforme ficava em seu corpo.

Tony tinha pernas grossas que também eram valorizadas pelos shorts, devia ser por causa do futebol, (mas ainda sim não eram como as coxas de Thor), a regata ficava bem nele também, Tony tinha um peitoral e abdômen definidos na medida certa, era visíveis, mas nada demais (e não era como Thor), os bíceps tinham volume também, eram marcados... (Não iguais aos de Thor...).

Aliás, porque estava reparando em Tony mesmo?

-Alô? Terra para Peter! -Tony chacoalhou as mãos em frente ao rosto de Peter para chamar atenção do mesmo.

O castanho piscou os olhos para se encontrar em seus pensamentos.

-Hã? O que foi? -ele indagou olhando para o moreno.

-O primeiro jogo do ano, Peter. Acorda! Você vai?

-Ah, não sei -respondeu Peter ajeitando as meias altas e batendo os pés no chão. -O que eu faria lá?

Tony suspirou.

-Você iria me ver jogar, oras. Não iria perder o jogo do seu melhor amigo, né? Você nunca me viu em ação de verdade.

Peter revirou os olhos.

-Quantas vezes você tem que dizer a palavra melhor amigo por dia? Tem uma cota ou algo assim? -Peter zombou enquanto eles se levantavam e caminhavam para o interior da quadra interna. -Além do mais, eu já vi vários treinos seus. Você é bom em correr com a bola.

-Eu não só corro com a bola. -respondeu Tony com tom de obviedade. -Eu sou um dos responsáveis pelo chute que faz o gol acontecer. Eu já mudei de posição várias vezes, Kicker* é a que eu me saí melhor, o treinador só falta beijar meus pés de tão bom que eu sou.

-Como sempre, você é bem modesto, Tony. -Peter empurrou o rapaz que riu.

-Eu sou um gênio! -falou Tony abrindo os braços como se quisesse ser apreciado.

-Aham. Tá bom. -disse Peter de modo sarcástico.

Peter sentiu um empurrão forte em seu ombro e logo Flash Thompson passou por ele rindo.

-Olha por onde anda, Pinto Parker.

Peter não respondeu.

-Porque você soca a cara desse otário? -falou Tony irritado olhando Flash se afastar pela quadra.

-Eu não posso me envolver em brigas. -Peter apontou para sua cabeça em um lembrete. -Eu sou uma bomba relógio, tá lembrado?

Tony cruzou os braços o avaliando.

-E qual o problema? Você vai explodir se socar alguém?

Peter crispou os lábios olhando o rapaz de volta.

-O problema não é socar alguém, o problema é que quando se soca alguém, essa pessoa geralmente devolve, e não posso correr esse risco. Aposto que o Flash iria amar um motivo para poder me espancar, e eu não vou dar esse gosto a ele.

Tony balançou a cabeça inconformado. Ambos se separaram e Peter foi para seu lugar de costume na arquibancada.

Ele como sempre observou as pessoas se alongando ou correndo em volta da quadra a pedido do professor Fury. Aquele seria o dia da queimada, então todos participariam.

Cada time tinha vinte pessoas.

Pepper fez questão de ficar no time de Tony, e a moça arrastou Wanda com ela.

MJ e Ned estavam no time de Flash, que apesar da queimada não ter um líder, o rapaz gritava com os outros e dava ordens, acreditando ser o tal.

Peter sentiu pena de Scott Lang quando Flash fizera um gancho com a bola e arremessou com toda a força, fazendo o outro garoto voar longe, e claro, ser retirado da partida.

MJ ficou parada de braços cruzados propositalmente para ser retirada logo no começo. Wanda a acertou sem muito esforço. Flash não ficou feliz com isso e ralhou com ela, mas ela lhe mostrou o dedo do meio e seguiu para a arquibancada para fazer o uso de seu Walkman.

Tony era rápido e ágil, ele e Thor trabalhavam juntos, parecia ser como o que faziam em campo. Jogavam a bola um para o outro e ameaçam jogar, quando um oponente menos esperava, bum, eles acertavam e removia mais alguém do time adversário.

Para a infelicidade de Peter, Flash também era ágil e sabia jogar. Fazia sentido, afinal ele também era do time de futebol americano.

Peter sorria quando Tony fazia graças olhando para ele, só para mostrar que era bom no jogo. Ele fazia dancinhas ridículas, mandava tchauzinhos ou beijinhos soprados, arrancando gargalhadas de Peter e uma leve onda de desconcertos.

Aos poucos os times iam se dispersando e a batalha dentro da quadra ia se afunilando. Peter ficou decepcionado quando Thor foi acertado no braço e teve que sair. Mas também, com um braço daquele e aquele tamanho, apesar da agilidade, Thor era um alvo fácil e era perceptível que Flash tinha ele como objetivo.

Do lado esquerdo da quadra só havia sobrado Flash, do lado direito, a penúltima jogadora do time tinha acabado de ser acertada pela bola, fazendo com que o último sobrevivente fosse Tony.

Nesse momento, Peter até se levantou de onde estava para prestar atenção no jogo, todos ali pareciam estar interessados na partida. Era óbvio que ele torcia para Tony. Peter queria sentir o prazer de ver Flash ser derrotado.

A partida se iniciou depois da saída da garota e os últimos oponentes começaram a correr. A bola batia e voltava, ambos se esquivavam com maestria. Agora Tony não brincava. Ele também queria o gostinho de derrotar Flash Thompson.

Corre para e para cá. Tony tropeça em uma investida no canto limite da área e Flash acerta suas costas.

Peter soltou a respiração que estava segurando e o amargor da decepção lhe atingia a boca. Era uma pena. Ele ficou mais irritado ainda quando Flash comemorou dançando em volta da quadra. Ele era um péssimo ganhador.

O sinal tocou e todos seguiram para seus respectivos vestiários. Meninos para um lado, meninas para o outro.

Peter estava no vestiário mexendo em seu armário, o ambiente estava tomado por vapor que exalava dos chuveiros quentes. Ele só trocava de roupa mesmo. Não corria e nem pulava, logo não suava, então não havia porquê tomar banho na escola. A ideia de ficar nu em frente aos colegas lhe parecia inconcebível e ele agradecia por poder evitar.

Aparentemente esse não era um problema para os colegas, que andavam de toalha para lá e para cá, e alguns andavam exatamente como vieram ao mundo. Peter tentava não reparar, mas ás vezes era impossível.

Peter já havia trocado de roupa quando Flash se aproximou com alguns amigos e parou em frente ao armário dele. Ele estava de costas para o grupinhos, e os garotos estavam sentados no banco que ficava no meio do corredor de armários.

O castanho pôde ouvir a conversa e para variar o mesmo contava vantagem.

-Cara, eu sou muito rápido. Ninguém consegue pegar o papai aqui. -ele apontou para si mesmo como se houvesse algo para ser visto ali. -Não precisam dizer nada, eu sei que sou demais. Vou ser o melhor jogador do time esse ano.

Peter abafou um riso enquanto mexia na mochila. Era ridícula a forma como Flash agia. Ele se perguntava como os pais do garoto o aguentava.

-Hey Pinto Parker! -Peter se virou para olhá-lo. -Tem alguma graça no que eu disse?

Ele havia rido muito alto? Talvez sim. Ah não.

-Eu não disse nada. -Peter se defendeu.

Flash começou a caminhar até ele com os punhos fechados. Ah não.

-Você tá me achando com cara de palhaço, Pinto Parker? -indagou Flash diminuindo o espaço entre eles.

-Eu já falei que não disse nada! -cuspiu Peter já com o sangue quente.

Flash o pegou pelo colarinho da camisa do uniforme e o empurrou com violência contra o armário de ferro, fazendo um barulho alto ecoar pelo local. Peter sentiu uma pontada na parte de trás da cabeça, que havia batido no armário.

Todos haviam parado para assistir.

-Você deve me achar muito engraçado. -O sorriso de Flash tinha um brilho cruel.

Peter tentou empurrar ele, mas Flash pouco se mexeu ainda o prendendo.

-Quer saber? -vociferou Peter. Ele já estava farto daquilo, Sua visão estava turva de raiva. -Você é uma palhaço sim. Na verdade você é um merda, Flash.

O rapaz estreitou os olhos para ele e sorriu amarelo.

-É, Parker, acho que tá na hora da sua lição.

Flash soltou uma dos lados de seu colarinho e ergueu o punho, pausando por um momento como se estivesse medindo a força que iria usar ou estivesse mirando em qualquer lugar do rosto de Peter que ele iria acertar. Seria nariz, olho, boca? Ele travou o maxilar. Ah não.

Peter fechou os olhos.

Tão logo ele sentiu o impacto, mas fora bem diferente do que ele imaginava.

Ele abriu os olhos e Flash havia sido arrancado da frente dele.

E tudo que ele pôde ver era Tony Stark com uma toalha amarrada em volta da cintura e cima de Flash que estava abaixo do rapaz, jogado no chão. O moreno estava ajoelhado sobre os braços do rapaz, o prendendo.

Tony acertava o rosto de Flash repetidamente.

Ah não.

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