Cap 1 - Um presente de aniversário


A floricultura Handsome Ground nunca estivera tão lotada. A manhã do dia 22 de maio de 1982 tinha tanto potencial para acabar sendo um dia chato e criminalmente monótono como qualquer outro. Datas especiais e comemorativas tinham pouca tendência a tornar o dia realmente bonito.

Mesmo que fosse o aniversário de alguém.

Steven Morrissey caminhava pacificamente todas as manhãs a seu trabalho e aquela era a manhã de seu aniversário de 23 anos, que mais parecia ser qualquer uma. Parou de encontrar algo novo e apreciável enquanto fazia o trajeto, pois não havia. Nunca havia nada de realmente novo em Manchester. Era uma cidade sem cor, depressiva e pueril. Ele podia ter quase a firme certeza que se mantivesse os olhos apenas em um ponto fixo a frente, não estaria perdendo nada ao redor.

E foi por ter a ousadia de fazer isso, que ele reparou em uma surpresa bem diante de seus olhos: O estabelecimento que trabalha estava lotado e barulhento como nunca antes. Foi difícil entrar sem esbarrar no ombro de diferentes pessoas. Era estranho. Quase ninguém comprava lá.

"As pessoas daqui finalmente repararam que as flores são reais?"

Um pensamento irônico lhe surgiu. A loja costumava ser um verdadeiro deserto.

Assim que entrou, se deparou com mais amontoados de gente, como se lá fosse o único local do país a ter flores autênticas e não mais pudessem vê-las em qualquer outro lugar. Talvez precisasse consultar se havia algum problema com seus óculos.

— Steven! Steve, por que se atrasou tanto?

Uma voz aguda navegava no meio das outras. Logo, uma figura loira já aparecia ao encontro do jovem rapaz. Era sua chefe, Geovanne.

— Desculpe, eu não reparei que perdi a hora.

Ele sabia que não havia perdido.Todo dia fazia o mesmo caminho no mesmo tempo.
Ela, no entanto, não pareceu escutá-lo. Muito provavelmente porque não conseguiu escutar.

— Rápido, Steven. Não os deixe esperar mais! — Elevou o volume da voz novamente. Era a primeira vez que falava com ele nesse tom, ainda que não fosse por merecimento.

Conduziu-o segurando pelo ombro até uma bancada a poucos metros de distância do caixa. O trabalho de Morrissey consistia em escrever pequenas frases que transmitissem sentimento de acordo com a proposta da flor e o presente que ela seria.

Tendo passado por terríveis outras experiências em um trabalho antes, aquele era um genuíno privilégio que ele jamais encontraria na cidade. Pelo não menos importante fato de ele ter afeição por flores e adorar escrever.

Aquela função sempre existira antes de Morrissey ser contratado, mas foi aprimorada com sua chegada. Ninguém escrevia como ele. Geovanne reconheceu isso na noite em que leu alguns de seus escritos e o contratou. Na mesma noite, uma cordial conversa sobre livros e filmes foi rendida e os dois se deram muito bem, mesmo que toda e qualquer conversa em diante fosse respirada por uma atmosfera de total respeito e profissionalismo.

Vestiu seu avental enquanto percebia a chefe desaparecendo no meio da gente. Ele agora tinha uma fila de clientes à frente, esperando uma bela e inspiradora frase para ser enviada junto do presente floral.

— Qual a ocasião? — Ele fazia a pergunta.

— Pedido de desculpas. — Uma garota segurava um pequeno buquê de margaridas. Fortemente ligadas à amizade e pureza.

Levava cerca de 2 a 3 minutos para algo ser escrito no pequeno cartãozinho de 5 cm em branco. Mesmo com a movimentação atípica, sua inspiração não tardou e o escrito em poucas e sinceras palavras foi entregue.

"Errado ou certo, não suporto esse silêncio.Quero sua voz de volta - Aquela que eu não devia ter magoado."

— Obrigada!

Os clientes nunca foram exigentes quanto às mensagens. Mas se fosse preciso reescrever e repensar em uma de melhor encaixe, ele o faria.

Eram ocasiões simples e comuns como agradecimentos e presentes românticos. Obviamente algumas frases eram repetidas, pois já tinha algumas frases prontas para essas situações rotineiras. Seu caderninho de anotações era seu estúdio de criação e companheiro de trabalho. O consultava sempre que se fazia necessário.

Ele não sabia exatamente se estava sendo reconhecido, mas apreciava o que fazia.

Depois da fila sobrecarregada de gente ter aliviado, ele pôde reparar em como a loja estava linda. Não era um espaço muito grande, mas tinha uma linda decoração com paredes em cores quentes e vistosas prateleiras de vidro com diversas plantas à amostra. Agora estava cheia de pessoas por lá, como deveria ser. Ainda não sabia o que o jornal tinha noticiado para aquele fenômeno acontecer e quase esqueceu que era seu aniversário. Agradeceu por aparentemente suas colegas de trabalho terem esquecido. Aquela data não fazia seu dia ser exatamente melhor.

- 🌸 -

Chegado a hora do almoço, os funcionários se encontravam nos fundos, em uma pequena cozinha. Realmente pequena.

Não eram muitas pessoas. A gerente e dona do negócio, Geovanne, junto da faxineira Benett e das duas auxiliares de vendas, Cristine e Ally. Morrissey não sentia nenhum desconforto em conversar com elas, tampouco em ser o único homem lá. A conversa fluía muito bem e exceto por Geovanne, todas lá já tinham proximidade com ele.

Assim que exibiu a placa "hora do almoço" na vitrine, dirigiu-se à cozinha onde nos primeiros segundos que entrara, não entendeu bem o que estava acontecendo.

— Surpresa! — Exclamaram todas em uníssono.

Deu de cara com as moças de largos sorrisos e mais flores na cozinha que o normal. Reparando um humilde bolo confeitado no centro da mesa o fez claramente entender.

Isso não o ajudava a como reagir.

— Obriga —

— Feliz aniversário, querido amigo. Desejamos que alcance todos os seus sonhos. — Ally o entregava um enorme buquê com variados tipos de flores. Rosas à cravos, tulipas à girassóis, até flores menores.

Recebeu o buquê em seus braços. Ver tantas flores ali, adoráveis , o fez sorrir encantadoramente.

— Obrigado. — Olhou para as companheiras. Incerto no que mais poderia dizer.

— Tem...Uma coisinha bem aí — Benett apontou quase discretamente para o buquê. Dando mais uma olhada no embrulho, ele encontrou um cartão quase afundado lá.

O pegou e leu. Lá dizia: "Para o nosso querido escritor." Dentro ainda havia curtas mensagens de felicitações de cada uma delas.

— Vocês não sabem como me deixaram feliz. Mas não precisava de tudo isso...

— É claro que precisava sim. — Geovanne interveio sorridente. — Agora senta e confere se o bolo está bom mesmo. Nosso horário de almoço ainda é curto.

Ele guardou o buquê em um jarro próximo, ainda o segurando como se fosse um filho.

— Hey Moz, não esqueça seu broche de aniversário! — exclamou uma Ally alegre.

Quando se virou, já era tarde demais. Um pequeno adesivo de plástico em formato de flor escrito "Birthday boy" já estava lá. No lado direito de sua camisa. O entregando de algo que ele gostaria de esquecer.

Aquilo era como ouvir o nome Steven sempre saindo da boca de sua chefe, quando você só quer ser atendido pelo último nome.

Mesmo sentindo um ligeiro desconforto, ele preferiu ignorar aquilo. Apenas sorriu para a jovem e deixou o sentimento arquivado como mais uma de suas "esquisitices". Fatiou um pedaço de bolo enquanto sentava na redonda mesa onde todos se encontravam. Conversando sobre assuntos relacionados à coisas que sempre falavam. Todo dia. Mas especialmente naquele, o assunto inevitável de a loja estar tão movimentada.

- 🌸 -

Era quase fim do expediente. O final da tarde já apresentava poucas pessoas e um ritmo diminuído.

Agora, ele só queria voltar para sua casa onde seria reconhecido pelo mundo pessoal que há em seu quarto e jogar-se na cama, onde comemoraria mais um efêmero aniversário. Ele não conseguia nem encontrar a capacidade de sorrir quando lembrava que já estava com vinte e três bem completos anos. E apesar de se sentir bem trabalhando ao redor de puras flores e razoavelmente puras pessoas, ele tinha mais o que desejar para si mesmo. Ele simplesmente não evitava se enxergar mais.

Quase caindo no sono ali mesmo, foi despertado pelo toque do sino na porta e a entrada de mais um cliente. Havia somente mais duas pessoas na loja e sua colega Benett já encerava o chão do local. Mas aquele que acabara de entrar se destacava pela rápida definição escolhida de Morrissey como o tipo de sujeito que aparentemente, não se interessava por flores.

Era digno de atenção pelo modo que se vestia e como agia. Sua jaqueta de couro e topete bem penteado eram notáveis. Emanava uma confiança quase vista por seus olhos, se não estivessem escondidos nos óculos escuros espelhados.

A loja estava quase fechando, mas ele andava com toda a paciência do mundo. Como se soubesse que tudo estava a seu dispor. Caminhou e olhou rapidamente para as flores mais próximas, até não parecer satisfeito e seguir caminho para a bancada do escritor de recados.

Este por sua vez, entendia cada vez menos como aquele dia estava sendo incomum.

— Com licença — Disse o rapaz, apoiando uma das mãos sobre a bancada. — Eu gostaria de dar uma olhada nas rosas.

Morrissey estranhamente se sentiu intimidado. Não era muito comum um cliente masculino por lá, ainda mais um que parecia um rockstar. Tentou olhar discretamente ao redor, em busca de suas colegas vendedoras, para que se encarregassem da função melhor que ele. Mas sua vista não capturou nenhuma delas no ambiente. Era só ele ali.

— Claro.

E se arrependeu no mesmo segundo por isso.

O Jovem não tinha experiência em comunicação de vendas. Nem em somente comunicação. Mas levantou da cadeira mesmo assim.

— As rosas ficam por aqui.

O moreno permaneceu com a mão pousada na bancada, observando as coisas com toda a paciência do mundo. Ele olhou para Morrissey assim que levantado e depois apontou para o torso do mesmo.

— Feliz aniversário. — falou depois de reparar o adesivo-broche na camisa e deu um sorriso de canto.

O aniversariante quase não entendeu e então lembrou de seu adesivo no lado direito.

— Obrigado... — Deu um sorriso desajeitado, que sumiu quase antes de ser percebido.

Caminharam até o fundo da loja, onde se parecia com um pequeno jardim.

Morrissey apontou para um jarro grande onde se mantinha rosas brancas e vermelhas. O moço se inclinava para olhar melhor as plantas e assim retirou seus óculos escuros, revelando que seus olhos eram tão negros quanto o cabelo.

— Hm, infelizmente só temos essas duas aqui no momento. Brancas e vermelhas.

— Ótimo, sem problemas. Acho que vou levar as vermelhas. — Respondeu.

Morrissey consentiu e foi buscar o material para as colocar dentro.

Mesmo seu cliente não demonstrando impaciência, o aniversariante ainda não sabia como deixar sua insegurança fora de cena.

Voltou até a bancada com o rapaz seguido de si, que logo se distraiu olhando outros arranjos em uma jarra na prateleira próxima.

Morrissey aproveitou a distração e tratou de escrever alguma mensagem no cartão vazio. Sem antes perguntar a ocasião. Mas seria preciso só reparar um pouco e raciocinar: Sua namorada.

Era óbvio. Um cara descolado, com passos tais como o de um Keith Richards, só entraria ali com a intenção de comprar flores para uma garota.

E foi ciente disso que sua caneta prontamente acelerou mais um recado.

"Meu coração não cansa de pulsar por você. Ainda que tudo murche, inclusive este buquê, isso não vai mudar o que sinto. Eu espero que lembre disso."

— Aqui está. — avisou e o rapaz logo voltou até lá. — Espero... que ela goste. — Sorriu se esforçando para transmitir simpatia.

— Obrigado —Sorriu educado.

Pegou o buquê já pronto e com a outra mão apanhou o cartão e virou-se para ir pagar. Mas enquanto lia o cartão no caminho, algo o fazia retornar a bancada.

— Ei — Segurava um riso. — Não acha que isso está... romântico demais?

— Como assim? — murmurou confuso.

— Ah, é claro — Então o rapaz soltou de leve a risada que prendia — Eu esqueci de mencionar que as flores são para a minha mãe.

Nenhuma palavra conseguiu sair da boca de Moz. Apenas um sentimento de vergonha crescia em si e que agora era visível em seu rosto. Tinha se tornado vermelho tal como aquelas rosas.

A risada do cliente não conseguiu tranquilizá-lo.

— P-perdão...Eu não fazia ideia...

— Não, eu que esqueci de dizer. Mas você não teria outros cartões mais apropriados para isso?

— Claro... — E então em vez de escrever, procurou um cartão já pronto com uma mensagem que tinha um intuito mais "família."

— Sabe, eu acho isso muito interessante. — Começou.

"Rir da vergonha dos outros?" Pensou Morrissey em indagar.

— O que?

— Isso — apontou para as mãos do rapaz à frente. — Ter tanta habilidade com sentimentos e escrita ao ponto de escrever mensagens a desconhecidos. E eles gostarem.

Ele de uma forma parecia, parecia muito estar revestido de determinação para zombar de Morrissey. Mas por outro lado, isso não era mais evidente que o tom gentil que usou para proferir com sinceridade aquela frase.

— Não é nada demais, no entanto. — Respondeu indiferente.

— Sim, é isso que talentos dizem a si mesmos. — sorriu, entonando falso convencimento e devolvendo ao rosto os óculos escuros.

Moz se calou novamente. Só não percebeu que dessa vez, se calou com aquela frase lhe ecoando, pertinente.

"Talentos..." Foi como se aquilo grudasse em sua cabeça.

Mas quem era aquele cara?

Estranho? Tudo naquele dia estava sendo. Mas aquele foi um estranho que, inegavelmente, era quase que necessário naquela tão monótona loja. Seria bem recebido todos os dias.

— Bom, nesse caso, se importaria de me especificar mais sobre a ocasião do presente?

O cliente então, pareceu hesitante.

— É um pouco complicado... Mas em resumo, eu e meu pai nos entendemos cada dia menos. Ficou cansativo discutir tanto...E acho que minha mãe é a que mais sofre com isso, entende?

— Sim. — E ele entendia mesmo.

Morrissey e o pai já não tinham a melhor relação, e talvez, nunca tiveram. Fazia tempos que não o via desde o divórcio. Ele podia compreender cada palavra que ouviu do rapaz. E cada pausa que intervia também.

— Estou me mudando de casa e gostaria de agradá-la um pouco, por tudo que ela já fez.

— Entendo.

O Jovem cliente pareceu sentir o peso no ar depois de ter dito tudo aquilo e tentou recuperar a postura.

— Olha, não precisa se preocupar —Tranquilizou. — No fim, as flores são suficientes. Ela vai gostar.

— Tem certeza? Eu posso procurar...

— Não, não se incomode. Já ajudou o bastante. Preciso ir. — Acenou tranquilo com a cabeça — Obrigado.

E se afastava com passos um pouco mais apressados em direção ao caixa. Steven gostaria de ter soado mais compreensivo e ter retribuído a gentileza e sinceridade do rapaz.

O cliente que o deixara desconcertado foi o mesmo que chegou a se abrir, tornando possível que Morrissey se visse nele por aquelas palavras assim como se viu refletido naqueles óculos escuros.

Não o deixaria sair de lá sem libertar suas palavras sinceras também. Ainda que escritas em um pequeno cartão.

Parecia justo. Recolheu um cartão em branco e escreveu a toda velocidade, pelo impulso que aquele sentimento lhe trouxe. Era simples, mas sentia que era necessário.

Só restava uni-lo ao buquê do rapaz que já quase passava pela porta. O sino inclusive já tocou.

— Ei, ei! Espere!

Morrissey correu. A pressa quase o impediu de entender o que viria a seguir. O moreno que parecia um rockstar virou-se tão ligeiramente que escorregou e chocou-se com a funcionária que encerava o chão. Pelo choque, ela colidiu com a extensa prateleira de flores.

Todos lá só levaram a sério a fragilidade daquilo, quando ouviram o barulho do desastre e encontraram todos os jarros já despedaçados no chão e cacos de vidro espalhados.

Não, ninguém caiu ou se machucou. Mas Geovanne surgiu lá gritando como se o então tivesse ocorrido.

Steven, mal desentortou seus óculos. Ver o dano causado lhe causou leve tontura. Não conseguia olhar na cara dos outros.

— Mas que porra é essa? Quem fez isso?

Ela olhou para cada um no local, como se deduzisse um culpado a partir do batimento de algum coração acelerado. Mas era difícil saber quem estava mais apreensivo.

O estrago era tão inacreditável que todos só observavam os cacos, e veio certa demora até alguém realmente se pronunciar.

— Fui eu, senhora.

— Qual o seu nome?

— Johnny. Mil perdões por isso. — retirou os óculos. Novamente.

— O que você fez?

— Eu fui descuidado...Quanto devo?

— Me siga.

Ele obedeceu, como um funcionário obediente. Foram a caminho do escritório. Morrissey e Benett podiam se congelar quando cruzaram olhar.

— Limpe isso. — Ordenou a mulher antes de sair. Mais parecia ela, estar falando com qualquer um no local.

— Acho que a verdadeira culpada sou eu. — balbuciava a jovem, lamentando e varrendo.

E por outro lado, Morrissey não falava e não evitava se sentir culpado. Tudo aquilo foi na verdade por sua causa? Por causa de um simples recado?

Olhou para o cartão - pequenino, quase não alcançava uma mão inteira. Se perguntava se no fim, valia mesmo a pena, ou se foi demais querer entregá-lo na última hora e acabar causando aquele desastre e ter piorado a situação do...Johnny era o nome dele?

Lhe restou somente ler o recado que havia escrito.

"Sorria! O bom está sempre vindo..."




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Olá meus anjos! Tudo bem?

Galera, eu tive a ideia dessa fic no meio da madrugada ( período onde maioria das minhas ideias surgem mesmo) e foi lá por setembro mais ou menos...ainda no ano passado e eu já tinha começado a escrever ela, mas sabe como é a vida né? Houve imprevistos e coisas que eu tinha que consertar, bem como o tempo que revisei e revisei...

Mas aqui está o primeiro capítulo! Hshs. Pretendo que seja uma fanfic pequena mesmo, só pra trazer ao mundo esse enredo surgido na minha cabeça e espero que alguém possa aproveitar e se divertir também. E sofrer...COF COF... :")

Não sei dizer quando sai o próximo cap, mas ele virá.

Beijos da Kah. Fiquem com Deus e bebam água x x

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