Artemísias (Porque somos feitos de flores e estrelas)


✨🌙 ✨


O mundo dança ao som do coração dele, eu me desfaço ao som de sua voz.



Setembro de um ano secreto.

— Feche os olhos, Jeon.

É a primeira coisa que sussurro com os lábios colados contra seu ouvido quando cruzamos os corredores até a porta do seu estúdio, mas não há resposta, ele apenas segue o comando, sem resistência, fechando os olhos e entrelaçando os dedos aos meus quase automaticamente. A empresa está praticamente vazia, há duas ou três pessoas aqui e ali numa sala com portas de vidro que consigo ver por cima do ombro de Jeon, mas ninguém está prestando atenção em nós, e é quase como se fossemos invisíveis àquela altura.

A iluminação do corredor permite ver rapidamente sua silhueta coberta pelo casaco grosso de moletom e os cabelos úmidos escapando do capuz, antes que eu feche a porta atrás de nós, e minhas mãos não demorem para encontrá-lo com a facilidade de sempre.

Seus pés seguem os trilhos imaginários por onde piso, apesar do Golden Closet não ser tão espaçoso e Jeon conhecê-lo como a palma de sua própria mão, ele me acompanha como um lugar completamente desconhecido.

— O que estamos fazendo?

— Só confie em mim, ok?!

Coloco uma música boa para tocar, uma das que sei que Jeon adora, e quando o som familiar ecoa pelo lugar, ele sorri.

— Pode olhar agora — sussurro.

Jungkook abre os olhos quase em câmera lenta, admirando o lugar como se fosse novo. Há estrelas fluorescentes de todos os tamanhos coladas no teto, pequenos planetas, a lua e constelações. O universo inteiro só para ele.

— Noonin... — Sua expressão é tão bonita que me permito memorizar outra vez cada detalhe dele. — É tudo pra mim?

— Você sempre me diz que não consegue ver bem as estrelas aqui em Seul como costumava ver em Busan, então, eu as trouxe pra você — quase não consigo olhá-lo diretamente por mais que alguns segundos — Espero que se sinta em casa outra vez.

É quase mágico. Os olhos tem tanta luz que me pergunto se Jeon não foi feito de pura matéria estelar, o velho clichê da poeira das estrelas não faria jus ao brilho dele, era um universo inteiro, luzes infinitas no Céu de alguém, e era puro egoísmo de minha parte desejar que o amor de Jeon acendesse só para mim, afinal, constelações não vivem do brilho de uma estrela só.

— Noona, eu- eu- aish! — Ele me puxa para perto, afunda o rosto em meu ombro e sinto o seu sorriso contra a pele, seu cheirinho doce tão perto de minhas narinas, uma mistura de perfume, shampoo e roupas limpas. Éramos uma mistura interessante de sentimentos, um mosaico de histórias, luzes e amores. Jeon era a melodia, e eu sempre fui as palavras. Sua maneira de dizer que estava ali era através de um abraço, o quanto sentia falta através do seu toque, e cantava sobre o seu amor para dizer o quanto aquilo significava para ele. Já eu, o amava através da escrita, tecia as palavras bonitas emaranhadas nas linhas invisíveis que encontravam rima no seu nome. Não lembrava exatamente o momento em que me apaixonei por Jeon, mas sabia que por causa dele, minhas palavras tinham virado amor.

— Não precisa dizer nada, só dança comigo. — cochicho, trazendo-o ainda mais para perto.

Deslizamos pelo piso naquela dança sem sentido, que ainda se encaixa com a gente. Meus pés nos seus pés, suas mãos em minhas costas, meu rosto apoiado em seu ombro. É como se não existisse mais nada lá fora, como se a agenda cheia, os compromissos, a distância e os oceanos que nos separariam em breve não pudessem nos assustar. Ali sua melodia se encaixava com minhas palavras, e juntos somos música.

As estrelas brilhando no teto refletiam na pele dele, na minha, nos inserindo naquele cenário quase intergaláctico, Jeon me atrai para perto, como se estivéssemos sendo ligados pela nossa própria gravidade particular. O nariz desliza pela minha bochecha, e seus lábios quase tocam os meus enquanto giramos — completamente fora do ritmo — dentro do estúdio, dois pares de olhos castanhos que se encaram, e sensações que incendeiam em nós sem o mínimo de esforço.

— Eu te amo. — Ele sussurra sobre minha boca. Palavras tão bonitas na sinfonia dele, que são capazes de desabrochar flores em minha pele. Havia lido aquele poema pelo menos uma centena de vezes, sobre amores que nos levam à ruína, imaginava que se tratava dos amores não-correspondidos, acabados, separados pela guerra ou pelas chagas, mas Schianberg estava errado, amores como o dele também despedaçam a alma, tão intensos em seu silêncio que nos consomem como chamas. Beijo seus lábios e o assisto fechar os olhos lentamente ao meu toque, é a minha vez de ser melodia para ele. É tanto amor que transborda entre nós, que por uma fração de segundos, me sinto completa. Embriagada no amor dele.

— Feliz aniversário, Je.

É tudo que me limito a dizer quando ele me ergue em seu colo, dançando comigo ao som de uma música qualquer que o aleatório escolheu, e naquela noite, nós somos infinitos.

— Feche os olhos, Jeon, vou te levar às estrelas.

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