Capítulo 1




A pele de Samara ardia devido ao sol quente da manhã, assim como os seus olhos cheio de lágrimas que não podiam cair, seu vestido verde favorito rasgado pelas mãos furiosas dos homens israelitas refletia sua ruína.

A verdade era apenas uma, ela havia traído seu marido e pecado contra Deus. É a pena para esse crime era sua morte, mesmo que naquele instante a morte parecesse a ela um tipo de alívio, pois perder sua família tinha sido a verdeira punição.

— Logo você terá o que merece — praticamente rosnou ao ouvido de Samara um dos escribas, ele segurava o braço dela de uma maneira que provavelmente deixaria marcas.

Ela não respondeu, seu longo cabelo preto que antes era motivo de orgulho, servia agora para cobrir sua vergonha e ela olhava por entre os fios a confusão que se estalava a sua volta no caminho para seu julgamento.

Sua morte de alguma forma significava o fim da vergonha, não apenas para ela, mas para seus filhos e para Natan, seu marido.

Como podia ter sido tão tola, ela havia acreditado em Kaan, seu amante, um estrangeiro sem qualquer fidelidade a Deus, alguém que afastava ela dos caminhos do Senhor.

A primeira vez que ela tinha visto Kaan ela visitava uma amiga, no começo era apenas algumas palavras e olhares, mas logo eles passaram a se encontrar no velho palácio perto da casa da Sammy, e então o que era uma brincadeira se tornou verdade.

E não havia mais volta.

Ela havia perdido toda a razão, esquecido por um momento que se fosse pega o resultado era ser apedrejada em público ou que seus filhos seriam prejudicados por causa do seu pecado, ela tinha sido egoísta é pensando em seu próprio desejo.

Kaan jurou ama-lá, prometeu o mundo, mostrou a ela as mais belas coisas do mundo, deu a ela jóias, uma sensação de poder, deu a ela tudo o que seu coração obscuro desejava, mas quando ambos foram pegos ele não pensou duas vezes antes de abandona-la.

Ela olhou para a multidão procurando o rosto de Natan, mas seu marido não estava ali para condena-la, ele era muito compassivo para isso e provavelmente estava naquele instante a caminho de Roma junto com as crianças, longe da humilhação.

Os escribas e fariseus ordenaram que ela parasse enfrente ao templo, a casa de Deus estava lotada e de repente um temor bateu no coração de Samara, a morte violenta já não lhe causava medo, mas sim o julgamento de Deus que estava por vim.

Um homem de aproximadamente trinta anos ensinava no pátio do templo, sem formosura ou beleza parecia prender a atenção de seus ouvintes. Ela o reconheceu como o profeta de Nazaré, ela tinha ouvido falar dele e de seus milagres, seu nome era Jesus e alguns diziam ser Ele o messias.

Jesus não olhou para Samara ou para multidão atrás dela, apesar de notar a presença de ambos continuou ensinando. Um dos escribas empurrou a morena para o meio do povo que escutava Jesus, mas mesmo assim ele não a olhou.

— Mestre, esta mulher foi apanhada, no próprio ato, adulterando, e na lei, nos mandou Moíses que as tais sejam apedrejadas, tu, pois, que dizes?— um dos fariseus disse em um tom que beirava a felicidade.

Ela esperou a resposta de Jesus, imaginou que ele a condenaria e aceitava esse fato, mas o mestre não respondeu ao contrário se abaixou e ficou quase ajoelhado e começou a escrever na terra.

A multidão começava a ficar agitada diante do silêncio de Jesus de Nazaré.

— Mestre, deverá essa mulher ser punida de acordo com a lei?— insistiu um dos anciões da lei, Jesus continuava a escrever.

— Aquele — Jesus começou a dizer, sua voz cheia de autoridade, mas ele não olhava para ninguém continuava a escrever na terra do Templo.— que dentre vós que está sem pecado seja o primeiro que atire a pedra contra ela.

Ela apertava os dedos com força com os olhos fechados esperando as pedras contra seu corpo, mas nada veio, esperou o sangue e a dor, mas a única coisa que sentia e ouvia era a batida furiosa de seu coração.

Ela olhou para a região onde os escribas e fariseus estavam, mas para sua surpresa um a um eles estavam indo embora. Samara não entendia o que estava acontecendo, por qual motivo ainda estava viva? Tudo o que sabia era que Deus tinha sido misericordioso com ela.

— Mulher, onde estão aqueles teus acusadores?— perguntou Jesus, olhando pela primeira vez para a morena, seus olhos castanhos eram profundos e parecia conhecer muito mais do que a visão humana permitia.— Ninguém te condenou?

— Ninguém Senhor — respondeu com a voz seca e com os olhos cheio de lágrimas.

— Nem eu também te condeno, vai-te e não peques mais.

Ela chorou pela primeira vez desde que havia sido pega, pela sua família, chorou arrependida, chorou pela bondade daquele homem. Ela assentiu, sem ter palavra para demonstrar sua gratidão, de uma forma involuntária seus pés a levaram para longe do templo.

Palavras: 851

Bạn đang đọc truyện trên: AzTruyen.Top