DIÁRIO | Thomas & Katharine Boston
Thomas Boston estava saindo do país quando viu Katharine Brown pela primeira vez. Segundo ele, depois disso, algo "o prendeu".
- A primeira vez que vi minha esposa foi em 3 de março de 1697, o mesmo dia em que deixei aquele país. Quando eu a vi, um pensamento atingiu meu coração sobre ela sendo a minha futura esposa; e, naquele tempo, tanto ela quanto eu estávamos em grande dificuldade. Não tivemos qualquer conversa sobre alguma coisa, apenas perguntei a ela como a sua irmã estava; e isso foi tudo.
Ele já havia ouvido falar muito bem sobre ela em outro lugar. Alguns dias depois, ele teve a oportunidade de conversar com o irmão da moça.
- Em 23 de maio de 1698, ela teve oportunidade de ir a um lugar onde eu estava. Quando ouvi que ela havia chegado, tive um grande desejo de vê-la, o qual eu contive por um momento, e posteriormente fui até ela; e essa foi a segunda vez. Naquele momento nos tornamos amigos.
Boston tinha uma saúde muito frágil, estava sujeito a vários desmaios. Katharine esteve presente em uma dessas ocasiões. Por ter sido o seu falecido pai um médico, Katharine tinha certos conhecimentos medicinais. Ela aconselhou que Boston usasse absinto fervido, aplicando-o em sua barriga com bolsas de linho, o que muito aliviou os seus desmaios. Para ajudar em sua falta de ar, ela lhe recomendou que usasse o Bálsamo de Lucatelo.
Segundo Boston, o que mais lhe interessou em Katharine foi: "a sua piedade, talentos, beleza, alegre disposição - adequeda para temperar a minha -, e eu ter reconhecido que ela está muito apta a zelar pela minha saúde".
- No dia 24 de agosto daquele ano, depois de estabelecer a questão diante do Senhor, e depois de considerá-la algumas vezes, eu a propus em casamento. A piedade dela foi discernida por mim e atestada por outros, seus talentos, humor, etc. me envolveram àquela moça. Após tal proposta; refletindo, me encontrei tão sólido e composto, minha mente tão calma e serena! Eu estava em paz, vi isso como um bom sinal.
"No dia seguinte, deixei claro a ela os problemas que eu poderia enfrentar como pregador do evangelho, bem como considerei o que ela pensava sobre isso, se quisesse consentir com minha proposta. A partir de então, conversando com ela, fui mais e mais confirmado quanto ao que pensava sobre sua piedade.
"No dia 9 de janeiro de 1699, enquanto estava orando sobre o assunto do meu casamento, esta palavra veio a mim: 'Deleita-te no Senhor, e Ele satisfará os desejos do teu coração' (Sl 37.3).
"No dia 30 de janeiro, estando a escrever para ela, fui a Deus, e Ele me deu ânimo e certa confiança para suplicar por Sua direção quanto ao casamento e quanto à carta em particular. Quando me levantei, lembrando-me de como certas esposas têm se provado como cruzes a alguns ministros, isso me levou a Deus novamente.
"No primeiro dia de fevereiro, observei que quando estou com o meu coração mais focado nas coisas celestiais, meu amor por ela fica menos abalado, e fico o mais satisfeito em minha escolha. Quando me encontro mais carnal e mundano, é o contrário.
"No dia 8, em profunda seriedade, propus esta questão a mim mesmo: Ousas desistir desse casamento? Pensei sobre isso e sobre esta palavra: "O favor é enganoso, e a beleza é vã; mas uma mulher que teme ao Senhor, esta será louvada" (Pv 31.30). Fui ao Senhor com isso, sinceramente desejando uma luz dEle; e esta palavra veio a mim em oração, e eu a tornei uma oração: "Buscai primeiro o reino de Deus, e a Sua justiça, e todas as outras coisas vos serão acrescentadas" (Mt 6.33). O Senhor me fez ver claramente que eu primeiro busquei o reino do céu; pois, se eu não tivesse discernido lampejos de graça nela, se não visse nela certa familiaridade com o cristianismo, eu não me atreveria a propor tal coisa a ela. Então conclui que não me atreveria, mas seguiria a realizar esse casamento como o meu dever, esperando que outras coisas pudessem ser acrescentadas.
"Em 16 de abril, nesta manhã, especialmente em oração, antes que eu fosse à igreja, fui tentado a pensar que havia sido precipitado em minha escolha; tentação da qual me livrei, sabendo ser ela um engano de Satanás para me tirar o foco do que estava prestes a fazer.
"26 de abril. Eu estava prestes a deixar aquele país e, tendo passeado num jardim com ela e a levado para casa logo depois, voltei para o mesmo lugar; era em Barhill, um pomar; e ali eu tive um doce momento de conversa com Deus em oração, havia em mim um doce desejo por Deus. Minha alma estava muito satisfeita no Senhor; e naquele lugar eu me encontrei com Deus, e ali Ele falou comigo.
"Estivemos juntos por três ou quatro dias naquele tempo; e o desfecho de tudo foi que eu muitas vezes bendisse a Deus por um dia tê-la conhecido. Entendi diversas coisas neste e em outros momentos: ela sempre havia agido como cristã e sob a influência da luz vinda do Senhor.
"5 de junho. Depois de ter escrito para ela; esta palavra: 'O Senhor aperfeiçoará aquilo que se refere a mim' (Sl 138.ult) veio com tanto poder que dispersou aquelas dúvidas; e fui ajudado a crer que Deus ordenaria as coisas para o meu bem naquela questão.
"Nunca esteve em meus pensamentos me casar antes que eu fosse estabelecido [em uma igreja], mas julguei tanto um quanto outro requisito por minha saúde. Embora eu tenha feito a escolha da mais digna das mulheres, fui posteriormente obrigado a confessar, diante de Deus, o meu pecado de não ter buscado saber qual era a Sua opinião sobre o assunto antes que eu tivesse feito a proposta [de casamento].
"No entanto, frequentemente naquele verão coloquei essa questão diante do Senhor e a considerei. Mesmo assim, nunca posso me perdoar - embora eu espere que o meu Deus tenha me perdoado - por não ter separado certo momento, ou momentos, para jejuar e orar para esse fim antes de ter feito o pedido de casamento. Deus castigou minha precipitação, em parte porque esse processo foi muito embaraçoso para mim em minhas circunstâncias, e em parte porque sofri escrúpulos desconcertantes em minha mente sobre isso.
"Essa experiência me mostrou que minha dificuldade não era em ter amor por ela, mas antes em dar limites a esse amor".
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Extraído e resumido.
Memoirs of the Life of Thomas Boston.
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