CARTA | Christopher & Mary Love

Carta de Mary a Christopher antes que ele fosse executado por causa da pregação do evangelho (1651).

Antes de eu escrever qualquer outra palavra, peço que tu não penses que é tua esposa, e sim uma amiga que lhe escreve. Espero que já tenha livremente rendido esposa e filhos ao Deus que disse em Jeremias 49.11: "Deixa os teus órfãos, e eu os guardarei em vida; e as tuas viúvas confiem em mim".

O teu Criador será meu esposo, e um Pai para teus filhos. Oh, que o Senhor o guarde de ter um só pensamento atribulado por tua família. Eu desejo renunciar-te às mãos de teu Pai, e não ver só como coroa de glória você morrer por Cristo, mas como honra para mim, por ter um esposo para ser deixado por Cristo.

Não ouso lhe falar, nem ter um só pensamento dentro de meu coração sobre minha perda indizível, mas sim conservar meus olhos fixos no ganho inexprimível e inconcebível. Tu só deixas uma esposa pecadora, mortal, para seres casado eternamente com o Senhor da glória. Tu deixas apenas filhos, irmãos e irmãs, para ires ao Senhor Jesus, teu Irmão mais velho. Tu deixas amigos na terra para ir desfrutar o prazer de santos e anjos, e os espíritos de homens justos já tornados perfeitos na glória. Tu só deixas a terra pelo céu e trocas uma prisão por um palácio. E se afetos naturais começarem a surgir, espero que o espírito da graça que está em ti os abafe, sabendo que todas as coisas aqui em baixo são apenas esterco e escória em comparação com aquelas coisas que há lá em cima.

Sei que tu conservas os olhos fixos na esperança da glória, o que faz teus pés esmagarem as perdas da terra.
Querido, eu sei que Deus não só preparou glória para ti, e tu te preparaste para ela, mas estou persuadida de que Ele adoçará o caminho para que chegues ao seu gozo. Quando estiver se vestindo naquela manhã, oh, pense: “Estou agora colocando minhas vestes nupciais para ir me casar eternamente com o meu Redentor…”

Meu querido, com o que escrevo para ti, eu não procuro por esse meio ensinar-te; porque essas consolações eu recebi do Senhor por teu intermédio. Não vou escrever mais, nem incomodar-te mais, mas entrega-te aos braços de Deus com quem, dentro em pouco, estaremos tu e eu.

Adeus, querido. Nunca mais verei a tua face até que ambos contemplem o rosto do Senhor Jesus naquele grande dia.

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Extraído da Revista Os Puritanos, 2006 Ed 1a, p.23.

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