QUATRO
Depois de ler umas três cartas a mais, Emily ficou extasiada. Ela sentia até o desejo de chorar depois de ver quão romântico poderia ser um homem. Pelo céus! Por que não poderia ter aquilo na sua vida? E não um noivo que queria matá-la somente com o olhar? Ah! Se seus planos tivessem dado certo. Lamentou mais uma vez.
Ela enxugou as poucas lágrimas que caiu, percebendo que não importava o plano, o tenente Scott nunca a amaria. Deu-se conta disso no dia em que ele partiu com o regimento e o viu falando à distância para Angelina que a amava. Foi duro, mas convenceu-se.
Ela fechou a caixa, mas, sem dúvida, arranjaria um jeito de ler as outras que continham ali dentro. Evan, o dono das cartas de amor, era o romântico de seus sonhos. Como gostaria de ter um amor que lhe dissesse palavras tão belas. Suspirou!
— Emily, não terminou ainda? — Corina perguntou, entrando no espaço tão desarrumado quanto antes.
— Ah! Eu é... Eu...— Emily se levantou com a caixinha em mãos. — Estava limpando sim, mas essa caixa caiu e os papéis dentro dela se espalharam pela sala. Tive que pegar com cuidado para não rasgar. — Mentiu e colocou o objeto numa prateleira acima.
Corina estreitou os olhos e indagaria, mas sabia que não tinha muito tempo.
— Deixe tudo aí. Vamos! — Segurou o braço de Emily.
— Para onde?
— Não ouviu o sino? A patroa está voltando e precisamos nos alinhar para recebê-la. — Corina puxou a colega para fora da sala. — Se nos atrasarmos é provável a sra. Montclair nos cozinhar.
Emily riu. Meredith esperava as duas no final do corredor e logo o som do sino se tornou audível para Emily. Outrora estava tão absorta nas cartas que nem reparou naquele som agudo.
Já perto da cozinha, ela observou a correria dos funcionários. Não demorou para que todos estivessem enfileirados e a declaração da sra. Montclair começar:
— A sra. Wood retorna hoje a tarde. A casa tem que está impecável. Os lacaios a frente esperando e as meninas na cozinha preparando a alimentação.
Emily escutou a ordem autoritária da governanta e notou qu se uma agulha caísse naquele lugar poderia ser ouvida pelo silêncio sepulcral que estava. Todos criados apenas assentiram. A mulher disse algumas palavras a mais e se retirou.
Enquanto todos voltavam aos seus afazeres, Emily pensava sobre quem seria a sra. Wood. Seria ela uma mulher bem idosa cujo espírito velho a fazia sair de casa por muitos dias e apenas voltava para irritar seus funcionários? Oh, não! Lembrou como Corina havia dito que a patroa era boa. No fundo, quis ser como aquela senhora que podia viajar sem dar satisfação a ninguém. Era um sonho.
A moça começou a andar pela cozinha com aqueles pensamentos grandiosos, de como era ser uma Senhora dona de todos aquelas posses sem precisar de homem algum. Poderia ela fugir e se tornar alguém assim? Ponderava a situação quando esbarrou em alguém.
— Cuidado, mocinha. — Era um jovem alto de cabelos ondulados em tons dourados de leve.
— Ah, desculpe-me! — ela pediu e recebeu um sorriso cativante em volta.
O rapaz tinha uns peixes preso numa pequena vara, ele levou para a cozinheira, retornou e perguntou:
— Nunca a vi aqui — comentou, limpando a mão numa pano e jogado-o na mesa ao lado de Emily.
— Cheguei ontem. — Emily entrelaçou os dedos. — Também não o vi entre os outros criados.
— Eu e meu pai fomos ao outro vilarejo atrás dos peixes preferidos da sra. Wood. Chegamos a poucas horas. — Ele sorriu e a olhou com firmeza. — A nossa patroa é boa, mas tem uns gostos difíceis de satisfazer as vezes.
Emily deu um sorriso contido, afinal, sabia que fazia parte dos patrões que gostavam de coisas atípicas. Uma vez desejou um doce que foi quase impossível de achar, mas quando seu pai ainda estava ao seu lado moveu o mundo para encontrar. Tempos bons que não voltariam mais.
— Está tudo bem? — o jovem criado questionou.
— Sim, só tive um devaneio. — Ela passou a mão sobre o rosto.
— Agora preciso ir, mas, antes, diga-me seu nome? — Ele semicerrou os olhos.
— Sou a Emily Brown e você?
— Peter Morris à sua disposição, senhorita! — Ele tirou a boina e fez uma reverência meio desajeitada, mas que fez Emily rir.
Assim que se virou encontrou Meredith e Corina com os olhos semicerrados para ela e os lábios das duas levemente contorcidos para prender o riso.
— Vejam como Emily é rápida em atrair rapazes — Meredith brincou.
Emily sabia que aquilo era verdade. Mas quando mais necessitou que seu charme e beleza prendesse alguém que quis não foi possível. Agora nem se importava mais.
— Ele só foi gentil. — Deu de ombros.
— É claro que sim! — Corina riu com diversão. — Peter sempre é. Ah! — A moça levantou o dedo indicador. — Talvez você possa pensar em não se aproximar por achar que alguma de nós goste dele escondido, mas não gostamos. Então, sinta-se livre.
Emily estranhou aquilo. De fato, foram palavras muito objetivas para além da conveniência. Porém, poderou ser um hábito da criadagem já que não era presos a grandes formalidades.
— Corina gosta do Miller, o filho do padeiro — Meredith, de repente, entregou a amiga ruiva que ruborizou um tanto, mas não negou.
— E a Meredith é apaixonada pelo George — Corina declarou e levou um empurrãozinho da amiga morena. — Aii! Você me entregou primeiro.
— O guarda da sra. Montclair? — Emily não acreditou e abriu a boca. — Foi ele quem não me permitiu fugir quando fui comprada — disse com certo tom de raiva.
Meredith riu.
— Claro que não deixaria. Ele é alto, forte, viril, másculo...
— Amiga, pondera a língua ou ouvidos fofoqueiros podem nos escutar — Corina aconselhou, sabendo sobre certas meninas que gostavam de bajular a governanta entregando os outros funcionários.
— Céus! Seus corações estão devidamente ocupados. — Emily afirmou com um sorriso.
As duas meninas a olharam, como se tivessem a perscrutando, e indagaram:
— Agora não mais brincando acerca do Peter, você nunca teve um amor na sua vida, Emily? Uma paixão proibida ou um compromisso? — Corina tinha sincera curiosidade e Meredith esperava com ansiedade a resposta.
A saliva de Emily pareceu descer cortando sua garganta, tamanha dificuldade a situação em que havia se posto com aquela conversa. O que diria? Que estava fugindo do seu noivo? Que escândalo seria para aquela casa saber que detinha uma fugitiva.
— Larguem de conversa e vão cortar essas verduras! — a cozinheira, que falou com Emily no desjejum, cortou a conversa e colocou sobre a mesa uma cesta com diversas hortaliças.
As três jovens deixaram o assunto de lado e buscaram as tábuas e começaram a cortar. Emily agradeceu por aquilo. Com alguns minutos, percebeu como parecia uma tartaruga para cortar uma cenoura enquanto as outras duas já tinha partido em pedaços umas três. Ela era um desastre.
Passou algumas horas, quando um som de cavalaria ecoou pela casa. Todo os criados partiram para ver a carruagem entrar pelo portão daquele casarão as pressas. Emily, junto com os outros, avistou de longe toda a correria dos cavalos, mas não sabia o que motivava tamanha pressa. Ela e os outros retornaram para a cozinha a fim de continuar os afazeres, mas todos ali cochichavam. O que havia acontecido?
Depois de um tempo, uma das criadas que havia sido posta para receber a patroa, entrou na cozinha declarando para todos:
— A sra. Wood chegou e trouxe com ela um homem quase morto!
O som de espanto foi geral em toda a criadagem.
— Quem é esse homem? — Um homem perguntou alto.
— Não faço ideia. Contudo, por sua condição, se não for tratado por médico com avidez, temo que possa não viver muito mais tempo.
Emily ouviu a fala da mulher e sentiu o coração pesar no peito. Coitado do sujeito!
🍀
Olá, senhoritas, perdoe-me a demora pois estava me ajustando no tempo, mas agora as postagens ficarão para toda segunda-feira. Me comprometo a isso. E, se possível, nas sextas. Minha intenção é acabar com essa estória antes do final do ano. Espero que estejam gostando.
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