EPÍLOGO
Três meses depois.
Um vento suave passeava pelos corredores da casa Brown, demonstrando a calmaria daquela tarde de verão. Os criados trabalhavam em seus afazeres; o sr. Joseph, na sua sala particular, lia o seu livro de contabilidade; e, num dos quartos, uma jovem corria para a vasilha a fim de lançar todo o almoço do dia para fora.
Passos rápidos foram ouvidos pelos corredores, descendo as escadas e correndo para o lado de fora até encontrar o alvo do seu interesse. Ian voltava de um atendimento quando ouviu:
— Sr. Turner, venha rápido, pois a sra. Turner não está nada bem! — Era Else falando às pressas.
— O que aconteceu? — Ian começou a acelerar os passos.
— Vômitos constantes e muita tontura.
Ian parou e virou-se para a Else, os dois pareciam pensar a mesma coisa. Após um tempo, eles voltaram a caminhar rapidamente para o quarto do casal e assim que entrou, Ian encontrou a esposa caída no canto do quarto.
— Meu Deus! Eu não aguento mais isso! — Emily murmurava, limpando o canto da boca.
— Minha querida, o que faz jogada no chão? — Ian foi até ela e a pegou nos braços, colocando-a sobre a cama. — Else limpe essa vasilha com vômito e traga outra com água e pano limpo, por favor.
Emily se revirou nada cama e fez uma careta de dor.
— Eu acho que vou morrer — ela disse baixo. — Ian, você ficará viúvo cedo.
O marido deu uma risada.
— Precisará mais do que tonturas e vômitos para você partir, minha querida — ele falou. — Nessa sua condição isso é normal.
— Que condição? Não diga as coisas em códigos, seja claro. — Ela fez uma careta de dor e apertou o estômago. — Em breve partirei, sim. Eu estou pronta, Senhor!
Else voltou, trazendo consigo todas as coisas pedidas pelo médico e os deixou a sós. Ian mergulhou o pano na água e colocou sobre a testa da jovem.
— Você ficará bem, Emily — ele a assegurou. — Isso é perfeitamente normal.
— Normal para quem, homem?
— Para quem está grávida, meu amor!
De repente, o ar de Emily pareceu voltar. Ela arregalou os olhos e achou que não tinha escutado bem. Uma tosse desencadeou e quase o engasgo a fez desmaiar de vez.
— Misericórdia! Acalme-se! — Ian segurou o corpo da esposa.
— O que? Grávida? Como isso aconteceu? — Ela colocou a mão na testa.
Ian semicerrou os olhos para ela e disse:
— Recuso-me a responder essa pergunta. — E voltou a colocar a compressa na cabeça dela.
— Não, não!
— Na verdade é: sim, sim! Não pode negar os fatos. Eu já desconfiava — ele falou naturalmente
Ela o encarou com incredulidade e tocou na mão dele, fazendo-o tirar o pano de sua testa e se concentrar nela.
— Como você pode saber disso antes de mim?
— Eu sou médico, minha querida. Não percebeu como você ficou maior essas últimas semanas?
Emily lembrou de como alguns vestidos estavam ficando apertados de fato. Nunca pensou que o marido tivesse prestado atenção a esses detalhes. Ela franziu o cenho para o marido.
— É seu corpo se preparando. Os enjôos chegaram e em breve sua barriga começará a crescer. É o ciclo das mulheres que passarão a ser mães.
Emily começou a lagrimejar.
— Oh, Jesus! Vamos ser pais, Ian! — A luz do discernimento se acendeu sobre a jovem e o sentimento de espanto deu lugar ao de alegria.
O marido depositou uma beijo na testa dela.
— Pela graça do bom Deus, sim! São riquezas que nem mereciamos, mas certamente são melhores do que imaginávamos — ele pronunciou.
Os dois seguraram as mãos.
— Há uma deleite grande para os que esperam no Senhor e confiam na sua sabedoria. — Ela apertou mais forte a mão do marido. — Nunca imaginei que ficaria tão feliz por viver isso com você, sr. Selvagem.
Ian soltou uma gargalhada e, antes que pudesse responder alguma coisa, a porta do quarto do casal se abriu. Era o sr. Joseph.
— Minha filha, está tudo bem? Else me informou que sua saúde estava mal.
— Entre mais, papai. — Emily o chamou com a mão.— Queremos lhe dizer uma coisa.
O velho senhor se aproximou do casal, segurou as mãos estendidas das filhas e foi surpreendido pela notícia que dentro de nove meses seria avô. Emily se surpreendeu ao ver o pai derramar algumas lágrimas. Ele se achegou mais, tomando espaço entre a jovem e o esposo.
— Sua mãe ficaria tão feliz por saber a mulher que se tornou, minha filha. — Ele beijou o dorso da mão dela. — Você deixou as coisas de meninas para assumir de verdade essa dádiva de ser mulher e gerar vidas. Algo tão profundo que o Criador compartilhou somente com vocês, mulheres.
As lágrimas começaram a rolar sobre a face de Emily. Após um tempo, ela teve ciência de quanto seu papel feminino fazia parte do seu propósito aqui na terra. Cumprir isso era viver a vida que Deus queria para ela.
— Você se tornou uma mulher graciosa ao assumir de bom grado todas as dádivas e deveres concedidas por Ele.
Ian escutava com atenção e se alegrava por saber que era uma realidade. No passado, ele achava que poderia moldar a jovem conforme seu bem querer, mas compreendeu que somente a graça de Deus educava os seres humanos a fim de serem realmente melhores. Ele e Emily tinham sido alvos dessa transformação.
— Papai, o senhor vai me fazer chorar mais desse jeito. — Ela limpou as lágrimas que caiam.
— É somente muito bom ver o quanto você desabrochou. Essa graça realmente devo ao Senhor, porque eu mesmo falhei muito. — Ele beijou a filha. — Agora teremos um bebê nesta casa — o senhor os olhos perguntou: — Pensaram em algum nome?
Emily e Ian se olharam.
— Realmente precisamos escolher o nome — Emily declarou, deixando de lado um pouco do melancolismo que estava com o pai. Ela fez uma cara pensativa. — Se for menino poderíamos colocar George, e menina Antonieta. Eu gosto.
O marido uniu a sobrancelha e balançou a cabeça em negativo.
— Mas eu não gosto, acredito que teremos que ver outro nome — Ian declarou sem rodeios.
— Não gosta? — Emily arregalou os olhos. — Mas foram os nomes que eu sonhei a vida toda para os meus filhos. — Ela fez uma cara de inocência.
— No entanto, os filhos não serão só seus. São meus também. — Ian deu um sorriso sarcástico. — E Antonieta? Que nome é esse? De alguma mulher cujos pais eram prisioneiros? — Ian fez uma careta.
Emily abriu a boca, fazendo-a de indignada. O olhar do sr. Joseph passeava entre e outro em meio a discussão que começava a aflorar.
— E o que você pensa então? Pelo visto, sua mente deve ter muitos nomes.
— Para menina eu pensei em Mia e para menino...
— Não terei uma filha que o nome aparenta ser o "miu" de um gato. Seu desejo não será concretizado, sr. Turner!
Os dois se olharam com o característico ar de desafio. Certamente, estavam determinados a não se deixarem ser vencidos em seus ideais.
— Por Deus! Por que eu fui falar disso? — Sr. Joseph se levantou. — Agora teremos novamente discussões que podem durar por longo nove meses. Depois pelo resto da vida com cada decisão para a vida da criança. Pelos céus!
O casal se calou ao ouvir aquilo. Sr. Joseph passou entre os dois e assim que chegou na porta, ambos voltaram a discutir sobre o nome dos filhos. Sr. Joseph fechou a porta do quarto e, do lado de fora, olhando para o céu além da janela, declarou :
— Tu criaste algumas coisas para nunca mudarem. Esses dois são uma prova viva disso. Dai-me graça para não enlouquecer!
FIM
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