DOZE

Uma semana passou.

Ian, com a ajuda de uma muleta, conseguiu ficar de pé. O médico estava contente com sua recuperação. Ele deu seus primeiros passos e uma alegria, que há tempos não sentia, invadiu seu coração. Enfim, estava mais perto de poder retomar sua vida e profissão.

— Sua melhora é excelente, sr. Turner! — o doutor declarou.

— Tenho me esforçado por isso. — Ian sorriu.

Enquanto continuava a prática de andar outra vez, Madeline entrou no quarto e ao vê-lo caminhar uma breve emoção tomou conta dela. Enxergar aquele homem em pé e com o rosto sem as marcas dos hematomas era como retornar ao passado, de quando andavam juntos pelas pradarias. Uma saudade imensa gritou dentro dela.

— Ian, que maravilha estar andando! — disse emocionada.

Ele sorriu satisfeito. Nada poderia estragar a sua alegria naquela manhã.

— Sinto-me homem novamente. — Ele fechou os olhos e declarou: — Oh, Deus, obrigado por essa graça!

Em passos lentos, seguiu até a sacada, deixando o médico e Madeline para trás. Queria poder observar a paisagem daquele dia, como há tempos não fazia . Ao chegar no local, sentiu a brisa lidar as boas-vindas. O céu estava cheio de nuvens e algumas acinzentadas, levando-o a lembrar da noite com Emily. Ele respirou fundo.

Ian não podia negar, que ver a noiva naquele estado de terror, brotou uma compaixão no peito. Por certo, enxergar a vulnerabilidade nela o fez vê-la por outro ângulo. Depois daquela noite, os dois conversaram poucas vezes, pois o serviço de Emily não a permitia ter tempo livre, mas ele descobriria o motivo do medo dela.

Ainda meditava quando ouviu um cachorro latindo e correndo na grama a distância, que buscou um galho e voltou. O jovem se aproximou mais da sacada para ver quem é que lançava para o animal . E para sua completa surpresa, espanto e aborrecimento, avistou o criado Peter Morris com Emily Brown ao lado. Os dois travavam uma caminhada, um tanto apressada, e  conversa paralela, enquanto o rapaz atirava o galho para o cão. Ian bufou e voltou depressa para o quarto.

— Quero descer agora! — O pedido inusitado fez Madeline e o médico se olharem.

— Ian, não acredito que deva forçar sua saúde — Madeline disse preocupada. — Pode piorar novamente.

— Isso não aconteceria, sra. Wood — Ian declarou com convicção.  — Na realidade, a partir de agora o melhor é ir exercitando o corpo para uma recuperação mais eficaz. Não estou certo, doutor?

Ele olhou para o médico mais velho que assentiu.

— De fato, ter contato outra vez com a natureza e ir tomando os afazeres comuns ajudam. — O médico apoiou a decisão de Ian.

— Mas, por que quer descer? — Madeline indagou, curiosa. 

A irritação de Ian foi as alturas. Ele não gostava de dar explicações para suas ações, simplesmente, esperava que elas fossem cumpridas.

— Desejo andar ao ar fresco, pois somente essa sacada não é o melhor — disse entre dentes. — Por Deus!

— São muitos os lances de escada, certamente, se cansaria antes mesmo de chegar lá. — Medeline contra-argumentou.

— Céus, mulher! Não estou perguntando sobre as dificuldades que encontrarei no caminho, apenas declarando que vou descer — ele expressou com a voz mais alterada, o que espantou de sobremodo Medeline.

Sem dúvida, o novo Ian Turner era diferente daquele de sua mocidade, ela ponderou com pesar. O nervosismo de Ian estava nítido aos dois presentes no quarto. Ele passou a mão entre os fios de cabelos fartos e respirou a fim de controlar seus ânimos.

Madeline, sem ousar expressar alguma outra palavra, tocou o sino chamando uma criada. Assim que uma das empregadas compareceram, ela indagou sobre um lacaio que pudesse ajudar o sr. Turner a descer.

— Eu quero que o Peter Morris me sirva de ajuda! — Ian se intrometeu em meio a fala de Madeline, que nem questionou. Ela apenas assentiu para criada fazer conforme solicitado por ele.

— Perdão, sra. Wood e sr. Turner, infelizmente o Peter não poderá servir. Ele foi designado a ir até a cidade vizinha.

A resposta da criada fez o coração de Ian acelerar mais rápido e uma vermelhidão tomou conta de seu rosto. Não podia ser!

— Como pode ter ido até a cidade se a pouco o vi brincando com um cachorro?

— Sim, ele estava se encaminhando para lá, junto com George, a srta. Emily e Corina. A carruagem saiu a poucos minutos.

Ian fechou os olhos e apertou com força aquela muleta, a qual se apoiava, até os nós dos seus dedos ficarem brancos. Aqueles minutos foi o tempo que perdeu dando explicações para Madeline. Que inferno!

— Oh, sim! — Madeline apenas disse.

— E quando voltam? — inquiriu sem muita paciência.

— É provável que dentro de dois dias. As estradas são esburacadas e o serviço de armazenamento é demorado — a criada explicou.

A aflição de Ian era tão abrangente que não conseguiu conter os ânimos.

— Por que as criadas foram? Esses serviços não são somente masculinos? — ele indagou com severidade.

Aquela poderia ter sido a oportunidade perfeita para Emily sumir outra vez, mas se tivesse feito isso certamente ao encontrá-la a arrastaria pelos cabelos.

— As duas criadas foram para ajudar com os alimentos e serviços de costura.

— Obrigada! Pode chamar outra lacaio para ajudar ao sr. Turner — Madeline falou após todo o acontecido.

— Não descerei mais! — Ian sentou-se na cama e apertou o punho. — Só quero ficar só.

As palavras soaram tão graves e rudes que ninguém ousou indagar mais nada e o deixaram sozinho. Ian respirou fundo e pediu a Deus que Emily retornasse o mais breve ou ele teria que fazer outra busca, mas, dessa vez, não seria tão complacente.

— Eu vou domar você, Emily. Nem que seja a última coisa que faça nessa vida!

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Vamos amarrar os cintos para o próximo capítulo!

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