DEZESSETE
Ian andava para o seu quarto com os pensamentos em turbilhões. As lágrimas de Emily, de uma hora atrás, não saíram de mente. A proposta dela de fazê-lo livre não era nenhum pouco conveniente e, de certo modo, não desejava a tal liberdade oferecida a ele.
Suas memórias o recordaram novamente o convite de Peter. Quem aquele criado achava que era? Fechou o punho e sentiu os músculos contrairem. Isso era um dos motivos que o faziam não querer se afastar. A insana Emily Brown confiava em qualquer um e quem a livraria de suas próprias loucuras?
Ele parou ao lado de uma janela cujo vitral permitia ver um parte do céu azul. Ele mirou para o firmamento pensando na noite em que ela se encolheu perto dele por medo dos sons de trovões.
"Quem estaria com ela quando uma tempestade chegasse outra vez? Como ela reagiria sozinha?" Um aperto no coração dele se fez presente.
Ele respirou fundo.
"Por que você está se importando com essa menina?" indagou a si próprio.
Em meio às suas divagações, a imagem dela brotou nos pensamentos e ele se lembrava como algo palpável, os olhos brilhantes dela, a pele morena, o sorriso que carregava uma inocência e o cheiro de lavanda que exalava dela. Sua mente o levou mais longe a ponto de se lembrar do beijo que deram. Ali ele balançou a cabeça.
"Ian, o que está acontecendo com você?"
Ele apertou os olhos e resolveu seguir em frente, contudo não deu mais que três passos quando uma porta do lado abriu e Madeline apareceu, que ao vê-lo sorriu com alegria.
— Ian, ainda bem que você está aqui. Preciso de uma ajuda. — Madeline estendeu a mão para ele a fim de levá-lo até a sala de onde saiu.
— Para o que seria? — ele perguntou e semicerrou os olhos.
— Preciso buscar algo que está no alto, mas tenho medo da pequena escada deslizar. Você a seguraria para mim? Não vai demorar muito. — Madeline tinha uma feição gentil por demasiado, que Ian se sentiu mal ao querer negar.
Não havia nele nenhum sentimento por ela, isso era tão certo quanto a luz do dia. Não era inocente ao saber que ela talvez ainda suprisse alguma perspectiva sobre eles, contudo um sentimento de gratidão pelo cuidado na doença e a ajuda com os serviços médicos existiam. Não podia comunicar tamanha grosseria após tanta demonstração de amizade. A relação deles era denominada nesses termos por ele.
— Agora que não precisa mais da bengala e está totalmente recuperado, você poderia executar isso, não? — O tom empolgado dela o convenceram.
— Está certo!
Eles dois entraram na sala que tinha uma decoração singela. As paredes eram claras e os arabescos no meio eram dourados. Tinha um belo piano preto de cauda, sofá, umas estantes e máquina de costura com alguns manequins e utensílios. Ian lembrou como Madeline gostava de costurar, ela tinha o sonho de ser uma modista. Certamente, tal anseio ficara no mundo das ideias.
— Meus moldes estão em cima do armário. — Ela apontou para um alto móvel de madeira. — Segure para mim, por favor.
— Não é melhor eu subir? — ele perguntou ao avistar o armário.
— Ah, não! — Ela abanou a mão no ar. — Só eu sei os moldes que preciso.
Ela foi na frente e subiu nos degraus da pequena escada cujos pés ficavam em falso por causa de uma leve inclinação do piso. Ian colocou um pé no primeiro degrau para dar firmeza a fim de Madeline buscar seus moldes.
Enquanto segurava, olhou para a janela vendo a paisagem natural e voltou a sua memória o Sr. Joseph, pai de Emily, o homem não estava com os nervos bem nas últimas semana e depois do desaparecimento da filha, certamente, sem nenhum aviso deveria ter piorado o quadro. Eles precisam retornar o mais rápido possível. Depois desse evento de natal, ele e Emily partiriam dali. O escândalo seria impossível de evitar.
— Oh, esses moldes estão pesados! — Madeline disse tirando Ian de suas indagações. — Acho que não vou conseguir descer.
Ele viu como ela estava com as mãos cheias e ficou com os pés vacilantes ao se virar para descer adequadamente, então, como no piscar de olhos, tudo caiu e Madeline pisou em falso, caindo diante de Ian, que acabou a segurando. Ela colocou as mãos no peito dele e o olhou com intensidade.
— Ian...
— Sra. Wood. — A porta se abriu e a voz de Emily ecoou no ambiente. Ela ao mesmo tempo que chamou, entrou na sala e os viu naquela posição.
Emily piscou algumas vezes para verificar se estavam vendo realmente Madeline aparada por Ian que, de imediato, apoiou a mulher no chão e se afastou. Ela sentiu o olhar dele sobre si, mas não o encarou. Um aperto no peito tomou conta da jovem como nunca sentiu antes. Um nó se formou em sua garganta e o ar pareceu faltar nos pulmões tamanho baque que experimentou ao presenciar a cena.
— O que deseja, srta. Brown? — Madeline deu uns passos a frente a encarando com repreensão.
A jovem notou como a patroa a estaria odiando por interrompé-la naquele momento. Madeline ainda carregava o desejo de conquistar Ian, o sentimento e a expectativa por ele era forte. Ela havia prometido ajudá-la, mas, sem dúvida, falhou miseravelmente na missão. Vendo-o parado diante dela ponderou se ele realmente ainda amava aquela mulher. Era provável que sim. Queria somente sumir dali.
— A sra. Montclair mandou informar que suas encomendas chegaram e a esperam para uma verificação na biblioteca — falou com a voz emocionada, mas procurou controlar.
— Oh, é uma dádiva! — Madeline sorriu. — Mas diga a ela que irei daqui a pouco. Você pode ir agora! — Fez um gesto com a mão para que ela se retirasse.
Ela engoliu em seco e era isso o que faria. Antes de partir, olhou para Ian que permanecia sério, mas com o olhar fixo nela. Ele era um enigma para sua mente juvenil. Porém, estava mais do que claro o quanto aquele arranjo entre os dois não poderia continuar. Eles nunca se amariam. E constatar isso doeu mais do que gostaria.
— Com licença, sra. Wood e sr. Turner! — Ela os reverenciou e saiu apressada da sala.
Madeline virou-se para o jovem assim que a criada partiu. Ela tinha um sorriso no rosto, porém, logo se desfez quando Ian começou a caminhar para fora da sala a passos largos.
— Ian, para onde está indo? — indagou sem compreender nada.
Não obteve resposta, pois a porta se fechou antes mesmo de concluir a pergunta. Ela ficou chocada com aquela reação sem precedentes.
Ian se praguejava por ter caído em situação tão comprometedora. Pelos céus! Por que ele sempre tinha que ser pego em ciladas? Ele viu a expressão de Emily e imaginou o quanto sua mente poderia tê-la feito entender tudo errado. Ele estava a um passo para resolver a situação diante de Madeline, mas não podia permitir uma humilhação maior para sua noiva.
Para piorar sua aflição, Emily sumiu rapidamente. Ele desceu as escadas com pressa e saiu para fora do casarão, enxergando-a caminhar para longe, atravessando o campo verde e entrando no meio das árvores. Para onde ela iria? Ele a seguiu com presa e, após um tempo, a encontrou em pé a beira de um pequeno lago que ficava logo depois das árvores. O lugar trazia certo conforto.
— Emily! — ele a chamou e recebeu um olhar duro em sua direção.
Eram tantas situações nada favoráveis em que os dois vivênciavam e o pior de tudo era que precisavam fingir. Ele estava ficando farto disso.
— O que quer? — A voz dela denunciava seu aborrecimento. — Será que nem aqui posso me livrar de você?
— Preciso explicar o que viu — ele respondeu, notando os olhos úmidos dela e ignorando o aborrecimento.
— Vi uma mulher em cima de você que provavelmente está sendo vítima de uma forte paixão. Isso é tudo! — ela expressou mais do que gostaria. Odiou-se por isso!
— O quê? — Ele franziu o cenho. — Não é nada disso! — Ele respirou fundo para tentar falar com calma. — Não há forte paixão.
— Talvez sua teimosia o torne cego para algumas coisas, Ian Turner! — ela declarou com a voz mais elevada que o normal. Emily se indagava que sentimentos eram aqueles que a tiravam do eixo.
— Emily, o que você está sugerindo? — ele se aproximou um pouco mais.
A jovem respirou fundo e voltou a reparar o lago, pois certamente aquele homem a levaria para a loucura. Como poderia ser tão ingênuo acerca das inclinações de Madeline? Isso era inaceitável para um ser tão inteligente!
— Não se faça de tolo! — Ela sentia a rispidez fluir naturalmente enquanto era dominada por aquela sensação que parecia devorá-la em meio a um fogo flamejante de ira. — Não é possível que não perceba as inclinações românticas da Sra. Wood para você! — Nesse momento, ela desejou amarrar uma pedra no pescoço e se lançar no lago para afundar.
Com avidez, Ian sentiu uma confusão nos próprios sentidos. Ele refletiu entre o ciúmes e a ira demonstrado por sua noiva. Nunca a viu nesses modos.
— Não deve se preocupar com isso! — Ele tentou assegurá-la. — Por certo, não a correspondência nenhuma de minha parte.
Emily se abraçou e fechou os olhos. Não desejava ouvir nada e os sentimentos eram tão violentos dentro do peito que parecia queimá-la viva. Que raios de dor era aquela?
— Você não precisa negar seu amor por causa de mim! — Ela lançou para fora aquilo que mais doía. Não conseguiu barrar. — Eu sei que não sou...
— Que amor? Emily Brown, não há amor nenhum! — Ian estava ficando alterado.
Todas as palavras nas cartas que leu do "Evan" vieram a sua memória. Tais declarações não poderiam serem escritas de maneira leviana. O coração era sincero no expressar do puro romance. Eram as palavras dele e não eram para ela. Nunca seriam.
Outra vez rompeu a dor de sua inutilidade perante a vida. Ela era somente uma menina mimada que não podia ser considerada uma boa esposa. Era tão insensata que não percebeu o quanto era detestada pelos homens dignos. Sua mente fora ávida em trazer o tenente Scott e como ele a rejeitou sem piedade, escolhendo uma mulher útil como Angelina.
Aquelas constatações viam como uma onda furiosa sobre ela, levando-a no poço das lamentações. Ela era uma criada agora e não poderia imaginar o quanto executar as funções de uma serviçal humilharia sua própria existência, reconhecendo que nada sabia sobre a vida.
Sua dor foi profunda, mas do que imaginava. Ver Ian com Madeline rompeu dentro dela maiores sofrimentos, pois constatava sua própria insignificância. Ela era não nada. Não tinha crescido em nada durante toda a sua vida. Como se sentia esmagada. Por isso, chorou amargamente.
— Emily? — Ian a tocou no ombro, mas ela se afastou. Seu coração estava dilacerado.
— Deveria se casar com ela — tal palavreado foram proclamados com dor e espantaram Ian.
— O que disse? — Ele achou não ter escutado bem.
Mais lágrimas caíram dos olhos dela. Aquela conclusão lhe esmagava a alma.
— Madeline seria uma boa esposa para você. Ela é uma patroa que sabe governar uma casa e o ajudaria com sua profissão. Ela é uma mulher útil para você. — Emily apertou os lábios e não o encarou.
— Emily, você não está bem! — Ian não compreendia as motivações para uma sugestão tão estúpida. — Eu nunca poderia me casar com a Madeline.
— Ela ama você! — dizer isso rasgou Emily por dentro.
Ian sentiu os nervos se alvoraçarem dentro dele. Não podia demonstrar uma ingenuidade sobre isso, mas ficou incrédulo ao saber o quanto estava evidente o sentimento de Madeline para os demais. As coisas não poderiam ficar assim.
— Isso não importa. — Ele a olhou com intensidade. — Madeline não importa!
— Deveria importar, pois ela o serviria com mais sabedoria e prudência. Ela é a mulher ideal para você! — Emily disparou com o coração sangrando.
Ele passou as mãos entre os cabelos e cravou os olhos para sua noiva cujas lágrimas pareciam consumi-la por inteiro. Aquela era a Emily, sempre tomada pelas emoções, desde os primeiros momentos que conviveram. Naquela época, isso o aborrecia ao extremo, mas nesse momento ele só gostaria de acomodá-la em seus braços e fazer passar todo sofrer.
— Não farei isso. — Foi somente o que ele disse.
— Por que você dificulta tudo, Ian? Por que não aceita minha sugestão e se torna livre de mim? — Ela praticamente gritou as palavras e percebeu como estava tremendo.
— Por que isso não é sensato, Emily! — exclamou com firmeza.
Na distância em que estavam, os dois se olharam e Emily desejava desperadamente correr para os braços dele e se acolher, mas não podia fazer isso. Ian a fitava segurando os próprios impulsos de querer tocá-la porque era provável não largá-la nunca mais. Ele se questionou dos desejos tão fortes que estava sentindo por ela. Que anseios eram aqueles?
— Você estava certo, Ian, não somos o que o outro quer e nunca nos amaremos! — Emily declarou tentando se convencer daquilo, e Ian experimentou um dor profunda no coração.
Ela saiu correndo para longe, sem saber que havia deixado um coração esmagado para trás. Ian suspirou!
🍁
Olá, senhoritas! Permita-me se desculpar por não está conseguindo postar nas segundas, como prometido, as circunstâncias ficaram complicadas. Mas foi previstos às sextas-feiras também e pretendo postar nesse dia agora. Hoje eu estou postando como uma forma de desculpa por essas inconveniências.
Admito que este capítulo me fez ter dó da Emily. Minha juvenil desmiolada favorita!
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