#6

Dia 04 de julho

"Minha cor favorita já foi azul céu"

Foi a primeira frase que Killer me disse hoje, ele entrou na cafeteria como de costume
Como o dia estava mais quente, ele não usava o casaco, apenas o colar de lua roxa e a blusa de manga comprida.

(Eu queria MUITO entender porque, mesmo ele não sendo funcionário do Kamare, acabava sempre tendo uma lua roxa na roupa independente da situação! Será que ele e Kamare tem algum laço estranho que obriga Killer a deixar óbvio que eles são relacionados? Ou...
Bem, prefiro que seja isso do que seja apenas Killer gostando de manter uma referência a um possível interesse, ou até mesmo parceiro, mas roupas...)

enfim...
Eu estava tagarelando sobre coisas aleatórias a quase 20 minutos, a cafeteria estava quase vazia, tinha apenas uma Toriel próxima a janela tomando café e lendo um livro.
Killer estava sentado no balcão, tomando café e me olhando atentamente enquanto eu falava, passando as mãos nos gatos com cuidado quando passavam.

-- Eu gosto muito da cor dourada, mas já deu pra perceber que minha cor favorita é creme.... Meio simples, mas eu gosto, me lembra café e chantilly! -- falei alegremente, secando alguns copos e guardando eles embaixo do balcão.

Killer ficou alguns minutos quieto, mexendo seu café gelado com o canudo.
Até que ele falou, com a voz rouca e profunda que eu poderia passar horas ouvindo.

-- minha cor favorita um dia foi azul.

Parei por alguns segundos para raciocinar, era a primeira vez que ele falava alguma curiosidade de gosto dele.

-- "já foi"? -- perguntei cautelosamente.

-- é, quando eu era, você sabe, normal. -- ele murmurou.

-- e você é anormal? -- me apoiei no balcão, olhando ele.

-- se você me disser que me acha normal, devo dizer que você tem problemas. -- Killer levantou os olhos do copo de café, me olhando.

-- você não gosta mais de azul?

-- não sei se ainda gosto de alguma coisa. Não sei nem se existe algo vivo em mim. -- ele respondeu friamente.

-- você não gosta do meu café? -- fiz biquinho, a intenção era só brincar com a fala dele, mas ele arregalou de leve os olhos, pensativo.

Ele ficou em silêncio, e me senti culpado.

-- ah- me desculpe Killer. Eu não devi- -- ele me interrompeu, encostando a mão de leve no meu rosto.

Era a primeira vez que ele me tocava, como eu havia fantasiado a semanas, suas mãos eram ásperas e arranhadas, mas leves como penas.
Ele encostou os dedos compridos em cima dos meus lábios, numa maneira silenciosa de me mandar ficar quieto, tive que me segurar para não enfiar o rosto em sua palma.

Fiquei em silêncio por longos minutos, quando Killer abaixou a mão, senti a ausência de seu calor, e foi esquisito.
Ele parou por mais alguns segundos.

-- nunca parei pra pensar no café na verdade, era um hábito apenas vir aqui pegar o café para Undyne, Dust e Kamare. Mas não estou aqui pra isso a algum tempo, não é? -- ele parecia mais falar sozinho do que comigo. -- não... Tem razão, não estou aqui por eles.

Ele conversava consigo mesmo, imagino que falava com Chara.

-- Claro que é pelo Café. Pelo que mais seria? .... Não ele... Ele não. -- ele cortou o assunto.

Mais silêncio.

-- é... Acho que eu gosto do seu café. -- ele murmurou, bebendo o último gole do café gelado. -- e talvez... Da sua companhia... Me sinto um pouco mais preso à realidade aqui. Kamare sempre me falou que ele podia me dar um ar da visão nublada que criei do mundo após virar assassino, mas não seria permanente.... Eu vejo você claramente, como vejo ele também. Acho que vocês dois me fazem bem. -- ele falou, se levantando.

Killer foi embora naquele momento, deixando a gorjeta gorda que sempre deixava.
Fiquei atordoado por um tempo com o que ele falou, o que havia feito.

_

Dia 5 de julho

Eu não dormi nada pensando no Killer.
Inferno.

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