#4

Dia 26 de junho

Hoje não abri a cafeteria, então consequentemente não iria ver Killer... Na teoria, algumas semanas atrás peguei o número dele, mas nunca mandei mensagem pela vergonha de o incomodar.
Hoje durante a tarde recebi uma mensagem dele, quase derrubei o telefone no chão enquanto lia o nome do contato na tela de bloqueio.

"Tá afim de dar uma caminhada num parque? Acabei de sair do trabalho, Kamare não tá em casa, então tava pensando em ir dar uma volta.
Se quiser ir comigo, espera em frente de casa, vou passar aí as 17h"

Pulei do sofá como se tivesse tomado um choque, faltavam duas horas ainda mas isso me deu um pique de energia que me fez arrumar a casa toda e ir me trocar faltando 15 minutos. Killer era muito pontual, então não queria deixar ele esperando.

No momento exato em que abri a porta, ele havia estendido a mão para tocar a campainha.
Fiquei vermelho de vergonha, mas ele só piscou duas vezes seguidas, colocando a mão no bolso de volta.

-- ah- oi Killer. -- disse envergonhado.

-- oi CCino. -- ele deu espaço para mim sair e ir trancar a porta.

Derrubei as chaves no chão pelo nervosismo, antes que eu pudesse pensar em pegar, Killer a pegou no ar colocou no buraco da porta, girando a chave.

Fiquei envergonhado quando ele me entregou as chaves, as enfiei na bolsa e ele começou a andar, devagar para que eu o acompanhasse.

-- como foi seu dia até agora? -- Killer me perguntou, virando a cabeça levemente em minha direção.

Comecei a falar pra ele sobre as séries que eu tinha assistido durante a manhã, sobre os gatos e mencionei a faxina que havia feito na casa agora a tarde antes que ele chegasse.
Ele me ouviu atentamente, sem me dizer nada.
Dava pra sentir o cheiro fraco de ferro vindo dele e as pequenas manchas entre as dobras dos dedos, mas escolhi não mencionar isso, apenas tentei perguntar sobre o dia dele também, e ele me respondeu:

-- Foi calmo, de manhã eu e Kamare fomos ao mercado pegar legumes, peixe e carne de porco para fazer o almoço, comida chinesa sabe? Kamare só come isso. Ajudei ele a cozinhar, até pouco tempo estava no trabalho. -- ele falou tranquilamente.

-- nunca comi comida chinesa... Você gosta? -- perguntei, colocando as mãos atrás das costas.

-- é bom, é mais parecida com a culinária coreana do que a japonesa, mas é mais suave e adocicada em boa parte dos pratos, a culinária coreana é mais apimentada em sua maioria. -- ele respondeu, virando o rosto para mim. -- já experimentou alguma comida oriental?

Acenei em negação.

-- só alguns pratos japoneses como sushi e Yakisoba... Mas não gostei muito do peixe cru. -- murmurei.

-- frutos do mar cru são mais comuns na culinária japonesa mesmo, a chinesa é mais fritura e a coreana tem bastante pratos feitos em grelhas e ensopados. Os japoneses gostam de manter a pureza dos alimentos, então os temperos também são mais leves, enquanto na coreana tem temperos fortes, e a chinesa gosta de equilibrar os sabores. Da um contraste legal eu acho. -- ele colocou as mãos nos bolsos. -- um dia vou cozinhar um prato de cada uma pra você.

-- você sabe cozinhar pratos das 3? -- perguntei admirado.

-- a japonesa nem tanto, eu sou medíocre na culinária deles. Mas coreana é a minha, então eu sei, e aprendi a chinesa graças ao paladar seletivo do Kamare e da filha dele que só comia uma sopa vegetariana com tempero leve da culinária chinesa. Ela levou anos pra aprender a comer outra coisa. -- ele suspirou, tive a impressão da sombra dum sorriso aparecer em seus lábios. -- acho que vai chover.

Parei para olhar o céu, escuro e com nuvens carregadas, caiu minha ficha que não trouxe guarda chuva.

-- vamos voltar, vou te deixar em casa. -- Killer deu meia volta, esperando que eu o acompanhasse.

Tentamos chegar em casa antes da chuva, mas não tivemos tanta sorte, tomamos um banho no meio do caminho e chegamos encarchados na minha casa.
Killer havia me coberto com o casaco dele, mas foi obrigado a ficar um tempo perto da lareira acesa para se secar já que minhas roupas não serviam nele.

Ele me fez ir tomar um banho, insistiu que ficaria bem com um pouco de chuva fria mas não confiava no meu sistema imunológico.
Quando questionei ele disse:
"Você é frágil igual uma flor de baunilha, não acho que vá se sair bem caso fique com febre, vá tomar um banho."

Eu fui mas só porque estava tão vermelho que nem sabia aonde esconder minha cara.
Killer parecia adorar me comparar com coisinhas bobas como pequenos abajures, flores e sabores de sorvete, era engraçadinho.
Eu me perguntava se era porque ele não era alguém muito comunicativo e essas comparações lhe davam um bom norte de como dizer o que via nas pessoas, ou se era só o jeito dele mesmo, independente do que fosse, sempre fazia meu coração bater mais rápido! Era tão fofo da parte dele!

Mais tarde quando sai do banho ele tinha ido embora, deixando o casaco (que levei comigo para o banheiro) e um pequeno bilhete na mesa de centro dizendo:
"Desculpe, tive um imprevisto no trabalho e fui obrigado a sair, eu pego meu casaco na próxima vez que eu vir te ver."

Na próxima vez...
Isso significa que ele vai vir aqui em casa de novo mesmo>w<

Bạn đang đọc truyện trên: AzTruyen.Top