Capítulo XX

Aviso
Homofobia

Hyunjin tratou aqueles seus últimos dias em seu castelo como uma despedida. Para ele, era como se estivesse andando sozinho, com um futuro escuro, difícil de ser decifrado, ele estava se jogando no desconhecido. No passado, ele teria desistido, não largaria do seu conforto e de seu futuro já decidido, no entanto, agora ele sentia euforia misturada com a sua ansiedade. Ele queria se jogar no desconhecido, portanto que Jisung estivesse ao seu lado.

Durante aqueles últimos dias, os dois se prepararam com a desculpa de que estavam se preparando para sua viagem à Erya, para visitar seus amigos. O Han, de certa forma, também queria se reencontrar com a Cho, a qual não contatava desde o cancelamento de seu noivado, mas não teria essa oportunidade tão cedo. Naquele dia ela não pareceu tão surpresa, como se já esperava, como se já soubesse que aquilo aconteceria, porém, ainda assim ela ficou triste. A reputação de Miyeon poderia ficar ainda mais manchada entre o povo e seu pai com certeza ficaria furioso.

Jisung se sentia um pouco mal internamente por Miyeon, ela era uma ótima pessoa, qualquer pessoa que se casasse com ela seria extremamente sortuda, poderia não ser da vontade dela se casar, mas coisas como aquelas poderia sujar para sempre a reputação de uma jovem no meio da nobreza.

— Partirei hoje ao fim da tarde, meu pai. — Hyunjin comentou durante o café da manhã no enorme salão de refeições do castelo. — Já preparei uma carruagem e as nossas coisas já estão devidamente guardadas para a viagem.

— A viagem será longa, é melhor descansarem no meio do caminho.

— Não se preocupe, pararemos em alguma cidade para descansar por algumas horas, assim chegaremos em Erya logo após o café da manhã.

O Príncipe dizia olhando para a figura de seu pai atentamente, queria poder se despedir mais abertamente, mas não queria que sua fuga acabasse sendo revelada, aquilo estragaria todos os seus planos.

— Pretendem ficar em Erya por quanto tempo?

— Queríamos ficar hospedados em Erya por duas semanas, a temporada dos Dois Dragões está sendo finalizada na cidade. Queremos ver o fim da temporada, dizem que o festival deste ano foi magnífico. — Hyunjin respondeu, calmamente.

— Realmente foi magnífico, eu estava em Erya na época do festival. — Jisung deu continuidade.

— Por falar nisto, Marquês, você não estava noivo da senhorita Cho? — O Rei perguntou curioso.

— Resolvemos cancelar o noivado. As negociações não deram certo, não conseguimos entrar em um acordo mútuo.

— É uma pena, ouvi dizer que o Senhor e a Senhora Han haviam ficado satisfeitos com a união.

Jisung não respondeu verbalmente, sorrindo sem graça perante a citação de seus avós, sua avó deveria estar arrancando seus cabelos de raiva naquele momento e seu avô deveria estar triste com aquela chance de juntar a família Cho e Han desperdiçada. Mas ele não voltaria para receber a ira de sua avó e o desapontamento de seu avô.

O dia seguiu com os preparativos até que chegou a hora da viagem, o céu começava a adotar um tom alaranjado, escurecendo aos poucos conforme chegava a hora do sol se pôr. Hyunjin aproveitou aquele momento de partida para dizer adeus, fingindo que seria uma viagem de somente algumas poucas semanas, ele pensava se seu pai encontraria a carta que havia deixado dentro do seu livro favorito, ou se nunca faria questão de tocar nas coisas de seu filho deserdado. Ao fim de sua despedida, o Hwang entrou na carruagem com o Han, com os olhos presos à visão de sua casa, Hyunjin viu o castelo ficar cada vez mais distante enquanto o cocheiro seguia em direção a sua falsa viagem.

Jisung segurou a mão do mais velho, que fechou a cortina e a deixou obstruir sua visão do local em que cresceu. Resolveu unicamente sentir o conforto que a palma quente do mais novo lhe trazia, entrelaçando seus dedos.

Estava tudo bem, Hyunjin estava deixando sua antiga casa para encontrar um novo lar, onde Jisung estivesse, seria seu novo lar.

Algumas poucas horas haviam se passado, o horário do jantar ainda não havia chegado, mas foi neste exato momento que uma carta do Conde Cho chegou às mãos do Rei de Ziya.

“Meu caro amigo,

Já faz algum tempo em que não mantemos contato, tivemos alguns desentendimentos e imprevistos, mas nem mesmo nossas adversidades podem me calar perante tal infortúnio. Não será algo fácil de lhe dizer, acredito que seu choque será tremendo ao receber esta notícia, consigo entendê-lo, pois também não seria algo agradável para mim.

Como bem sabes, minha filha estava noiva de um jovem Marquês, imagine o tamanho orgulho que senti perante a ideia de dar a mão da minha filha a um garoto tão bem educado e gentil quanto o jovem Han. No entanto, o noivado foi repentinamente cancelado, sem grandes justificativas, visto que os preparativos para o casamento já haviam começado, até mesmo meu presente de casamento já estava pronto. Minha filha, no primeiro instante, recusou-se a dizer-me o motivo para o cancelamento de uma união tão promissora, mas, como pai, eu sentia que minha garota não estava alegre e nem mesmo conformada. Alguns dias se passaram até que Miyeon relatou a mim algo que havia visto no Festival dos Dois Dragões…”

Deveria passar das dez horas da noite quando chegaram em uma pequena cidade e pediram para o cocheiro parar naquele ponto. Eles encontraram uma pousada na cidade, a qual comeram alguma coisa e seguiram para seus quartos. Para que partissem definitivamente, primeiro precisavam deixar o cocheiro naquela pousada.

Após o fim de suas refeições, Jisung e Hyunjin resolveram descansar por um tempo antes de partir. Após algumas poucas horas, os dois saíram de seus quartos, se encontrando na escadaria da pousada e desceram, o cocheiro já deveria estar descansando também. Foram até a carruagem em que estavam, pegaram suas bolsas com o que precisavam e desatrelaram os cavalos da carruagem. Sem aquele pesado veículo de madeira, eles acreditavam que poderiam viajar com mais velocidade.

Dessa forma, sem a carruagem e somente com algumas poucas bolsas, os dois partiram em sua própria viagem. Para que fossem na direção do destino final dos dois, tiveram que dar meia-volta, a fim de seguir para o Sudeste, voltando para a estrada que o cocheiro havia percorrido.

— Em quanto tempo conseguimos chegar? — Jisung perguntou, se aproximando da saída da cidade.

— Vamos ficar em uma vila pequena e afastada, localizada nos limites do território do Reino de Vera. — Informou. — Felix viajou muitas vezes para Vera, me contou que tem uma construção sem dono nesta vila, ela é pequena e não recebe muitas informações de fora, digamos que ela é isolada. Acredito que por causa disso demorará dois ou três dias a cavalo, incluindo nosso tempo de descanso.

— Ouvir dizer que Vera é um Reino bonito, já ouvi muitos elogios. É um Reino rico e que vive de fartura. — Jisung ponderou

— Mas não iremos ficar na melhor das casas… como eu falei, está abandonada, mas Felix me garantiu que está em boas condições e que só precisa de uma limpeza geral, ela não é uma casa antiga.

— Nos preocupamos com a limpeza quando chegarmos. Se estivermos muito cansados quando chegarmos, podemos dormir em uma pousada antes de limpar, trouxemos ouro suficiente para situações assim.

A noite soprava uma ventania fria, que fazia suas peles arrepiarem, antes de saírem da pousada eles haviam se preparado para o frio da madrugada, vestindo-se com algumas capas que os ajudassem a permanecerem um pouco quentes. Ao saírem da cidade, apressaram o galope de ambos os cavalos, seguindo lado a lado pela estrada de terra. O vento gelado os castigou ainda mais com a velocidade, porém, quanto mais eles se afastassem naquele primeiro momento, melhor seria.

Mas pararam repentinamente ao ouvirem sons extras de cascos se aproximando, o cavalo de ambos soltou um relincho ao pararem e Hyunjin não demorou muito ao perceber que se tratavam de Guardas Reais de Ziya, eles sempre levavam consigo uma pequena bandeira vertical central com a insígnia do Reino quando saiam em missão.

— Vamos sair da estrada e tentar despistá-los.

Hyunjin mandou, já seguindo com seu cavalo para o meio da floresta, sendo seguido pelo Marquês velozmente. No entanto, sabiam que haviam sido avistados pelos Guardas, que mesmo que não tivessem os reconhecidos na escuridão, ainda achariam estranho aquela movimentação.

Ziguezaguearam entre as árvores, em galopes rápidos que fazia o vento os castigar ainda mais, se arranharam em galhos baixos estendidos em seus caminhos, que pareciam querer detê-los de propósito. O príncipe olhava para trás para se certificar de que o marquês estava o seguindo, percebendo também a iluminação das tochas que brilhavam intensamente naquele escuro completo.

Em um certo momento, o Hwang ouviu um alto ruído atrás de si, seguido de um grito e um relincho, se virou rapidamente, quase sendo derrubado do cavalo pela parada repentina, vendo que Jisung havia sido derrubado do cavalo, que havia corrido na direção oposta dos dois.

Ele não pensou duas vezes antes de retornar para onde o mais novo estava, descendo do cavalo, segurando suas rédeas e ajudando o marquês a se levantar, mas ao tocar seu braço para apoiá-lo, ele soltou um grito de dor sofrido, o que fez o Hwang soltar rapidamente, a fim de não fazê-lo sentir mais dor.

— Acho que… machuquei meu braço… quando caí… — Ele disse, entre suspiros profundos.

O príncipe olhou para a tropa que parecia mais visível entre as árvores, nervoso.

— Consegue subir no meu cavalo? Irei levá-lo! — Disse, seus lábios tremiam, fazendo suas palavras saírem de forma ansiosa.

— Eu não sei… mas vou tentar…! — Respondeu, já sendo ajudado a se levantar pelo príncipe, que dessa vez segurou o outro braço.

Hyunjin tentou apoiar Jisung primeiro a subir no cavalo, conseguiram com dificuldade e com o mais novo sentindo claramente muita dor por causa da palidez em seu rosto quando teve que usar seu braço direito para o ajudar a subir e segurar as rédeas. O mais velho montou logo depois, com mais velocidade e pegando as rédeas e fazendo o cavalo voltar a correr, agora com a tropa de guardas muito mais próximos do que anteriormente. A fraqueza que parecia ter abatido o Han com a queda parecia muito óbvia, Hyunjin apoiava as costas do mais novo em seu peito, se garantindo também que ele não caísse novamente.

O enorme grupo de Guardas Reais ficavam cada vez mais perto, a diferença de velocidade era óbvia entre os dois, os gritos de comando passaram a ser distinguíveis para os dois nobres. Os olhos dos dois ardiam, não sabiam dizer se era pelo desespero ou pela ventania que encaravam de frente naquela corrida desenfreada para a sua liberdade.

Ouviram mais um comando, mas não conseguiram entender exatamente o que era, porém, perceberam alguns guardas que se separaram do grupo e seguiram correndo para os lados, como se resolvessem cercá-los durante a corrida. Eles avançavam com muita rapidez e logo já estavam na frente do cavalo que levava o príncipe e o marquês. Com os guardas os prendendo em um círculo, Hyunjin foi obrigado a parar bruscamente, acabando por irritar o cavalo, mas permaneceram firmes na montaria.

O comandante daquela tropa se aproximou no círculo fechado, montado em um enorme cavalo albino.

— Posso saber o motivo para isto? — O Hwang perguntou, tentando disfarçar a fraqueza e o medo em sua voz.

— Ordens do Rei. Ele pediu para que os levassem de volta para Ziya imediatamente. — Respondeu, franco e ríspido. — Logo depois que partiram, aconteceu algo importante para a Família Real.

Inconscientemente, o Hwang segurou o corpo do mais novo mais firmemente em seu abraço, ainda segurando as rédeas com uma das mãos, o cavalo parecia inquieto. Aquele ato não passou despercebido do comandante, que assumiu uma postura mais rígida e autoritária.

— Siga-nos de volta para Ziya sem resistir.

O queixo de Hyunjin tremeu e uma de suas mãos apertou as rédeas, queria lutar contra e fugir mais uma vez, mas Jisung estava machucado e arquejava de dor e agonia, estavam rodeados e ele não queria testar qual seriam os resultados de outra tentativa de fuga, seu pai era capaz das ordens mais cruéis que poderia se imaginar.

— Ele está machucado, precisa de cuidados, não pode tratá-lo com hostilidade. Ele voltará comigo no meu cavalo. — Ordenou, tentando passar um pouco da sua pose autoritária também, mas ele parecia um mero filhotinho tentando enfrentar um lobo adulto.

O comandante olhou com algo semelhante à aversão em seus olhos para os dois.

— Ficará no meio do nosso círculo e para garantir que não irá fugir, irei prender as rédeas de seu cavalo comigo. — Disse por fim. — A viagem demorará somente algumas horas.

O círculo se fechou mais em torno do cavalo do príncipe e as rédeas foram tiradas de sua mão, sendo presas por um longa e grossa tira de couro.

Estavam com sono, mas nem mesmo o sono conseguia fazê-los descansar estando naquela situação. Chegaram ao castelo quando o céu dava os indícios do nascer do sol no horizonte. A figura imponente do Rei estava os esperando no pátio do castelo, havia ouvido os sons dos cascos se aproximando e havia ido ao local para vê-los chegar.

Quando pararam, obrigaram Jisung a descer primeiro, o puxando com brutalidade de cima do cavalo, ele reclamou de dor e não conseguiu impedir um grito dolorido por causa de seu braço. Hyunjin desceu logo depois, se abaixando na direção do Han, que havia sido obrigado a se ajoelhar perante o Rei.

— Meu pai, posso saber o motivo de tamanha barbaridade com o Marquês? — Perguntou, irritado mas assustado igualmente.

O Rei não respondeu de imediato, ele se aproximou e puxou o filho para si, cruelmente apertando seu pulso e puxando a gola de sua pesada capa. Hyunjin o encarou espantado.

— O que pensa que está fazendo? Manchando a imagem da família Hwang? Estragando nossa linhagem? Fazendo de meu único herdeiro, um pecador abominável? — Gritou, Hyunjin sem saber o que fazer, tentou soltar o aperto de seu pai. — Você acha certo esse… relacionamento que está tendo com este Marquês? Você não pensa em seu povo ou em seu pai?

— Eu penso! — Gritou de volta, a voz tremida parecia mais firme. — É claro que pensei no senhor e no meu povo, mas eu escolhi colocar minha própria felicidade como prioridade! Eu não quero sacrificar o que meu coração anseia para servir um Reino! Eu sei que é egoísta, mas não me importo.

— Eu criei você para ser um Rei! O Rei que o povo de Ziya necessita! Criei para ser forte, para honrar nossa família.

— Mas não é o que eu quero! Para você isso pode ser inútil. Eu estou sim sendo egoísta, estou fazendo algo que mostra que eu não seria um bom Rei, porém, não desejo o trono de qualquer maneira.

O Rei soltou o filho e se afastou, balançando a cabeça como se tentasse espantar sua raiva, continuando de uma forma mais controlada:

— Essa rebeldia só começou após esse garoto entrar em sua vida… — Disse. — Se ele for a causa que o transformou em um homem tão fraco, irei fazer o que devo, mesmo que isso faça ter o seu eterno ódio.

— Como assim…?

— O que vocês estão cometendo é uma grave heresia, irei dizer que você foi manipulado e influenciado, assim poderá sair ileso. Você está noivo e espero que pretenda honrar esse acordo a partir de agora. — Hyunjin empalideceu, suas mãos tremeram quando esperou que ele terminasse. — Han Jisung será condenado por seus pecados e executado. Prendam-no no calabouço.

Sem hesitar, Hyunjin jogou-se de joelhos na frente de seu pai, segurando uma de suas mãos. Ele pedia por piedade, pedia para que seu pai os perdoasse e deixasse o Marquês partir, mas aquilo não pareceu surtir o mínimo efeito na expressão dura do mais velho. Então, foi até os guardas que seguravam o Han, tentando fazê-los soltar seu aperto brutal.

— Meu pai, por favor, reconsidere! — Pediu mais uma vez. — Eu estava fora de mim, não ocorrerá novamente, deixe o Marquês voltar para sua terra. Por favor, eu imploro.

— Hyunjin, cometeram um pecado e ele tem de ser pago, você tem sorte de eu ter tido misericórdia em perdoar você, pois é meu filho.

— Se for mandá-lo para a morte desta maneira, não me importo com sua misericórdia, mande-me junto com ele então. — Disse, convicto.

— Hyunjin, chega… — Jisung murmurou. — Aceite esse ato de piedade e fique vivo.

— Não! Se for mandá-lo à execução, irei junto. Não irei virar um boneco controlado por meu pai novamente.

O Rei bufou alto, rindo em seguida com sarcasmo.

— Está bem! Se irá ignorar meu último ato de piedade e amor, que assim seja. Levem-no para o calabouço também.

Eu tava ansiosa pra isso, admito ☺️

Postei mais cedo essa semana porque sim, gostaram? Hehe

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