Capítulo V

Na manhã seguinte, o movimento no Reino de Ziana estava agitado, algumas das famílias saíram do território de Ziana em suas carruagens pouco tempo depois da finalização do baile, outras famílias descansavam ou resolviam conhecer melhor aquele lugar tão popular na primavera. Os monarcas anfitriões mantinham-se acordados para manter seus convidados mais à vontade e para seguir com a etiqueta básica. Seungmin ainda dormia profundamente, cansado da noite anterior, assim como Jeongin também descansava em um dos aposentos de hóspedes.

Todos se sentiam extremamente cansados e mesmo com o dia tão belo, ninguém estava com disposição alguma para encarar o mundo fora de seus quartos. Os minutos pareciam arrastar-se com tédio, obrigando-os a saírem de sua comodidade e fazer algo fora para que as coisas ficassem um pouco melhores.

Desde a noite anterior, Seungmin ficou vergonhoso por causa do seu incidente com Jeongin, se fosse em qualquer outro tipo de ocasião, sem ser um evento tão importante para seus pais e que reuniu tantos nobres, aquilo poderia não ter sido encarado daquela forma tão desastrosa. Mas o Kim sabia bem como agia aquela patente alta na nobreza, qualquer mínimo deslize fazia alguém ficar mal-falado por algum tempo.

A propriedade do castelo era enorme, mas ainda que fosse tão extensa, desde pequeno Seungmin gostava de ultrapassar os limites do castelo, o que fazia com muita frequência quando desejava fugir de algumas aulas. Uma dessas aulas foi o seu primeiro dia com um tutor de piano.

Quando tinha aproximadamente onze anos de idade, sua mãe havia ficado muito interessada após ouvir de Soon que seu filho mais novo era, em suas próprias palavras, um prodígio no piano, que seu talento era possível de ser percebido até pelos mais leigos em música. Então, sem que Kim fosse avisado com antecedência, um tutor velho, um tanto corcunda e com os rosto e dedos enrugados pela idade, apareceu no castelo com o objetivo de dar aulas para Seungmin. Ele nunca foi um garoto interessado pela música, suas verdadeira paixão estavam nas páginas de um romance, pelo verde natural da floresta e nas flores do seus jardins. Por isso, assim que foi avisado que aquele tutor estava lhe esperando no salão de música, Seungmin correu para fora da propriedade do castelo, chegando em um dos lugares em que mais gostava de ficar no meio da floresta e escondeu-se lá.

Seungmin lembrava claramente do que fez, pois para o seu eu de onze anos, subir em uma árvore para caçar pequenas frutas avermelhadas e um tanto azedas era muito mais interessante do que ficar sentado tocando as teclas daquele instrumento.

Pensando em tudo isso, Seungmin não conseguia pensar em uma boa solução para si, havia pedido aulas de piano para Jeongin e ele claramente perceberia o seu total desinteresse pelo instrumento em sua primeira aula.

Em passos pequenos e quase preguiçosos, Seungmin chegou a uma fonte natural fora da propriedade do castelo, lugar que descobriu em várias de suas escapadas durante a infância junto com Jisung. Muitas coisas haviam acontecido naquele lugar, uma dessas coisas o fez ficar com raiva do Han por dias, pois ele havia jogado seu livro favorito na época dentro da água durante um desentendimento. Seungmin sabia que, assim como havia perdoado Jisung naquele dia, também iria perdoar ele pela noite anterior.

O Yang provava um pequeno pedaço do seu bolo, deliciando-se com o sabor. As iguarias do reino eram boas e agradavam o paladar de Jeongin, que a cada hora a mais que passava no Reino, mais se encantava pelo lugar, talvez a única coisa que lhe fazia sentir saudades de Eura era o fato de o povo de Ziana parecer um tanto grosseiros com pessoas de fora.

— Que tal levarmos um pedaço para nossos pais? — Yunbin perguntou, também gostando do que estava provando

Jeongin riu, observando a pequena montanha – talvez não tão pequena assim – que estava em cima da mesa, tudo que Yunbin havia decidido levar para os pais dos dois.

— O papai e a mamãe vão ter que comer por três dias sem parar se continuarmos acumulando tudo isso, Yunbin. — Zombou do mais velho.

— Oras, nem tudo aqui é comida, Jeongin! Olhe só isto! — procurou entre todos aqueles pacotes até puxar algo. — É um pingente com formato de flor, é feito com ouro, é muito delicado, tenho certeza que nossa mãe irá se maravilhar.

— É por isto que eles sempre pedem para que eu o acompanhe quando sair, se eu não fosse sempre com você, iria trazer até cavalos por achá-los bonitos!

Yunbin revirou os olhos, guardando o pingente mais uma vez.

— Somente gosto de aproveitar muito minha estadia em outros reinos. Você precisa conhecer Vera, já fiquei uma estadia no castelo do Rei Bang e lhe garanto que foi um dos castelos mais bonitos e bem arrumados que eu já tive o prazer de conhecer.

— Está bem, vamos voltar para o castelo, sim? Logo será a hora do almoço, vai ser descortês se chegarmos atrasados.

Jeongin ajudou seu irmão a guardar algumas das coisas daquela pilha, que logo foram levadas por alguns dos serviçais do castelo de Eura que haviam ido acompanhá-los. Na saída, uma voz um tanto familiar para o Yang mais novo o chamou, fazendo-o procurar pela pessoa que o chamou até perceber a filha do Barão de Dojun, Lee Chaeryeong.

— Ah, senhorita Lee, é um prazer encontrá-la! — o Yang cumprimentou. — Estás conhecendo o reino?

— Sim, príncipe, estou conhecendo Ziana antes de partir.

— Partirá ainda hoje para as terras de Dojun?

— Infelizmente sim, queria permanecer aqui por mais tempo, mas teremos de partir hoje ao pôr-do-sol. — Ela suspirou. — A família Yang partirá hoje também?

— Ah não, iremos permanecer aqui por uma breve temporada, somente meu pai e Yunbin voltarão para Eura amanhã.

— Bom, o deixarei continuar seu caminho. — Chaeryeong sorriu. — Como disse, irei partir hoje ao pôr-do-sol, minha carruagem está no castelo, então poderemos nos despedir.

Jeongin acenou com a cabeça em concordância, dando um sorriso gentil para a baronetesa.

— Até mais, senhorita Lee.

— Até mais, príncipe Yang.

Chaeryeong continuou seu caminho, entrando em um dos vários estabelecimentos da cidade. Yunbin se aproximou do irmão, dizendo:

— Estás cortejando a baronetesa de Dojun? — Jeongin nada respondeu, fazendo seu irmão continuar. — Apesar de só ser uma baronetesa, não é ruim para você irmão.

Jeongin negou, colocando sua mão esquerda no ombro do mais velho e o guiando na direção do castelo.

— Não penso nisso agora, Yunbin, você é quem deveria cortejar alguém e encontrar uma noiva.

— Isto irá me deixar maluca! — A baronetesa reclamou baixinho, sua dama de companhia ouvia a Lee.

— Então por que chamou o Príncipe para vê-la partir hoje?

Chaeryeong direcionou seu olhar para a Shin, claramente perdida, as mãos nervosas tocavam os tecidos macios da loja para que tentasse acalmar-se um pouco.

— Papai quer que eu me case logo, me trouxe para este baile para que eu conseguisse algum pretendente. Ele encantou-se pelo príncipe Jeongin, não sou maluca ao ponto de ir contra ele. Ainda mais agora.

— Mas você não quer isso, quer?

— Ryujin, você acha que minha vontade valerá alguma coisa para meu pai? Às vezes eu penso se não deveria fazer o mesmo que Chaeyeon.

Ryujin tentou pensar em algo para ajudar a sua senhorita, mas nada lhe parecia ser bom o suficiente para a situação em que a Lee se encontrava.

— Se dessa vez eu não conseguir nenhuma proposta de noivado novamente, temo que meu pai possa ficar com raiva mais uma vez.

Desde que sua irmã mais velha, Chaeyeon, havia fugido de casa ao conseguir um casamento arranjado por seu pai com um Visconde, seu pai havia ficado ainda mais desesperado por conseguir juntar sua filha caçula com um bom partido. Pelo que sabiam, Chaeyeon havia fugido com o cocheiro da família durante a noite, pela carta deixada para sua irmã mais nova ela deixava bem claro que havia fugido para ser livre do seu pai e poder ter a vida que ela escolheu. O Barão temia que sua filha mais nova seguisse o mesmo exemplo e tentava o mais rápido possível conseguir um noivado, antes que ela tivesse o mesmo ataque de epifania de Chaeyeon.

Naquela altura, a única coisa que Chaeryeong esperava era receber alguma notícia nova de sua irmã, fosse vê-la novamente ou uma carta, a Lee imaginava que só ter algo que remetesse a mais velha perto de si a faria ter mais coragem do que jamais teve. Sem Chaeyeon, ela acreditava nunca conseguir impor-se contra as decisões de seu pai, até porque ela não podia fazer isso em hipótese alguma.

As mulheres da família Lee não tiveram um bom final na sua grande maioria, a mãe dela, a baronesa, foi expulsa de casa pelo marido e teve o casamento anulado pela acusação injusta de adultério que sofreu do próprio barão. Chaeyeon fugiu para não ser obrigada a se casar e agora Chaeryeong era a única aposta do Barão Lee de conseguir crescer seus status na nobreza, fazendo-a se casar com um nobre de patente alta, o que não era fácil por ser somente uma baronetesa.

— Senhorita Lee, vamos escolher logo algum tecido, sim? Vamos ocupar sua mente com algo mais animador.

Chaeryeong sorriu para a mais velha, assentindo e voltando a prestar atenção nos tecidos de diversas cores que aquele estabelecimento vendia.

As famílias se reuniam no salão de refeições do castelo, alguns estavam aparentemente cansados, mas esforçavam-se para passar outro tipo de impressão. Jeongin mostrou-se um pouco acanhado ao perceber a presença de Seungmin, já sentado em uma das cadeiras da enorme mesa. Yang se sentou na frente do Kim, roubando sua atenção com um sorriso singelo.

— Olá, Príncipe Seungmin.

— Olá, Príncipe Jeongin.

Sorriram um para o outro, fazendo o coração do Kim se aliviar um pouco, pois aquilo mostrava que o mais novo não estava com raiva ou chateado pelo pequeno incidente anterior.

Todos finalmente se sentaram também, começando o almoço. Comparado com as outras vezes que os Yang e os Kim sentaram juntos ao redor da mesma mesa, agora as conversas animadas entre os monarcas eram quase nulas, todos sentiam os pesos de passar uma noite e uma madrugada inteira acordados. Dessa vez, Jisung não estava lá, havia saído para a cidade assim que acordou e não havia voltado ainda, deixando avisado para a governanta que não voltaria para o almoço naquele dia.

— Procurei por você mais cedo antes de partir para a cidade. — Jeongin começou, falando alto o suficiente para que somente Seungmin o ouvisse. — Queria combinar um bom horário para nossas aulas.

— Ah, eu estava fora do castelo mais cedo, sinto muito por fazê-lo me procurar. Eu estou livre esta tarde após minha aula de pintura.

— Ótimo! Então eu o esperarei no salão de música após sua aula de pintura.

Essa semana foi muito corrida mesmo, tanto que nem consegui fazer att o suficiente para essa semana como o meu prometido.

Mas espero que tenham gostado do capítulo, não esqueçam de deixar um votinho.

Bạn đang đọc truyện trên: AzTruyen.Top