XXVII
01/12/2022
•pov rosa•
Acordei desnorteada, o que me deixou feliz. Fazia tempo que não dormia até tarde. Meu corpo estava relaxado. Fiz o café da manhã e o comi. Coloquei meu celular pra carregar e decidi limpar minha casa, afinal, fazia meses que não morava aqui. Por sorte, o imóvel é meu e não precisei pagar aluguel nesse tempo, se não estaria ferrada.
Assim que terminei de limpar, fui ao banheiro e tomei o melhor banho da minha vida. Estava com saudades da privacidade e água quente. Chequei meu celular, estava com a bateria cheia. O grupo da 99 estava animado com a minha volta, já planejavam sair comigo, eu aceitei, pois também estava com saudade. Chequei as outras mensagens, nada de muito importante até um número desconhecido chamar minha atenção.
Li mensagens acumuladas de meses. Na primeira já sabia quem era. Gina. Ela tratou nossa conversa como um diário, em que expôs seu arrependimento e sua saudade por mim. Meus olhos marejaram, também senti saudades, mas não podia deixá-la arriscar seu sonho. Gina nasceu pros holofotes, não para mim.
Meus dedos tremiam, eu não sabia o que responder, nem sabia se deveria responder. Passei a hora seguinte stalkeando suas redes sociais, havia várias publicações do seu documentário, filmes novos, séries e campanhas. Seu maior medo era ser esquecida, algo que ela nunca será, pelo menos não por mim.
Amy me avisou por mensagem para que eu ficasse longe do twitter. Nunca tive twitter, então resolvi instalar. Meu nome estava nos trending topics, a minha saída da prisão era notícia de vários portais, muitos comentários negativos e ameaças de morte. Mas não me importei. Fui para o perfil de Gina, ela não twittou nada, nem postou nada nos stories do insta, o que significa que ainda está dormindo, ou seja, ela ainda não sabe.
•pov gina•
Dei folga para Olivia, afinal é aniversário da mãe dela. Pedi comida assim que acordei e fui ao banheiro. Quando voltei, peguei meu celular e entrei no twitter.
"Bom dia G-Hive. Já tomaram seu café gelado?"
Meu celular quase travou com as respostas, milhares chegavam em segundos.
"Bom dia rainha, tomei e você?"
"Ainda não tive vontade de sair da cama."
"Você tá segura?"
"Cuidado Gina, pelo amor da deusa".
O quê? Do que essas pessoas estão falando? Entrei nos trending topics, o nome de Rosa no topo. Cliquei. Dessa vez, não havia comentários maliciosos, apenas notícias. Rosa saiu da prisão.
Meu mundo girou.
Tudo ficou preto e desmaiei.
Levantei minutos depois. Estava com falta de ar. Peguei meu celular para confirmar, era verdade, fontes confiáveis postaram sobre. Pulei que nem uma criança. Minha garganta começou a doer de tanto que ri. Rodopiei pelo quarto. Estava alegre, extasiada. A campainha tocou, meu corpo tremeu.
- Rosa?
Era o entregador, já havia esquecido que pedi comida. Agradeci e voltei a dançar. Peguei minhas chaves e fui até o carro. Estava destinada a vê-la. Dirigi tão rápido que fiquei com medo de sofrer um acidente. Desci do carro com a comida em mãos, toquei seu interfone. Ninguém respondeu, voltei a tocar e nada. Ela deve ter saído. Minha alegria se esvaiu. Sentei no banco do carro e comi.
Fiquei o dia de tocaia, esperando pela sua chegada. Acabei adormecendo no volante. Acordei com batidas na minha janela. Quase engasguei ao vê-la. Rosa me encarava, vestia sua jaqueta preta e usava um batom de cor forte. Ela havia saído.
- Oi.
- Volta pra casa.
- Eu esperei tanto pra te ver. - falei.
Desci do carro, Rosa tentou impedir, mas não dei ouvido.
- Oi. - repeti com um sorriso no rosto. Ela continuava a mesma, nem parecia que até ontem estava presa.
- É melhor você se afastar.
Eu a olhei.
- Rose...
- Eu pensei muito em nós e cheguei a conclusão que tudo não passou de um momento. Estávamos sozinhas, vulneráveis e trancafiadas em um quarto. Todos os elementos pra um desastre.
Momento.
Desastre.
Essas duas palavras ecoavam na minha cabeça.
- Isso não é verdade, foi real. Nós nos amamos.
Tentei pegar em sua mão, mas ela cruzou os braços.
- Supera Gina, é passado.
A bile subiu pela garganta.
- Você só está tentando me afastar, não acredita nessas coisas. Eu não me importo com o que os outros pensam, eu quero você.
- Como nosso relacionamento, o que você disse é uma mentira. Você é movida pela opinião alheia, Gina.
Lágrimas turvavam minha visão.
- Eu te amo - falei. - Não importa o que você fale, sei que também me ama. Vou esperar o dia que cair a ficha, você sabe onde eu moro.
Entrei no carro e dirigi para longe. Não havia um lugar para ir, só queria sumir.
•pov rosa•
Observei ela ir de novo. Espero que essa seja a última vez que nos despedimos. Espero que seja a última vez que nos vemos pessoalmente, porque seu rosto está estampado na internet, tv, revistas e no meu coração. Meu peito doeu, queria dirigir até a sua casa, dizer que me equivoquei.
Entrei em casa e me tranquei antes que eu fizesse algo impensado. Gina tem sua vida e eu tenho a minha. É claro que eu gostaria que ela ficasse, mas isso arruinaria a sua tão amada carreira. Não quero ser a responsável pela ruína dos seus sonhos. Peguei meu celular e me joguei na cama, abri o twitter e esperei ela desabafar lá.
Adormeci, o dia não fora fácil. Passei em várias agências de detetive particular e nenhuma me aceitou. Pelo visto terei que me rebaixar e ser investigadora profissional. Aproveitei para fazer o meu anúncio, postei nos melhores sites e voltei ao twitter de Gina, ela não postou nada. A preocupação me atingiu, faz duas horas.
Sem pensar, peguei a chave do meu carro, coloquei a jaqueta e sai de casa. Só tomei consciência quando estava na porta da sua casa. Gina estava sentada em um banco com o celular em mãos, encarando o nada, atônita. Queria dar meia-volta, mas ela percebeu que eu estava ali. Gina veio até meu carro, um sorriso lentamente se formando.
- Eu... - tentei falar, mas nada saiu.
- Você?
- Onde você estava?
- Fui até a praia e depois voltei.
- A praia onde você matou um cara?
- Essa mesma.
- Você matou outra pessoa? - meu tom era preocupado, não acusador.
- Não Rosa, não faço mais isso.
- Certo. Vou indo então.
Ela tocou no meu braço, sua mão fria me arrepiou.
- Seja sincera comigo, sei que não concorda com o que disse. Por que está terminando comigo?
- Foi só um momento, Gina.
- Não foi, você disse que me amava. Ninguém ama só por um momento.
- Você ficaria surpresa.
Ela cruzou os braços e me encarou. Eu suspirei.
- Não quero atrapalhar a sua vida. Você tem uma carreira, seu sonho. Não quero ser a responsável por destruí-lo.
- E por que pensa assim?
- Qual é Gina. Eu fui presa, tenho a minha reputação. Você saiu como a boazinha da história, ninguém te ataca mais, todos te amam.
- Você pode limpar a sua reputação, eu ajudo.
- Você vai perder muita coisa, não quero ser o motivo da sua ruína.
- Você está sendo, Rosa. Por outra razão, sem você eu sou um vazio com um sorriso falso no rosto. Sinto a sua falta, sinto falta de nós.
Um soco no estômago doeria menos.
- É melhor eu ir indo. Isso é um...
Gina me beijou antes que eu pudesse dizer "adeus". Não a afastei, eu precisava dos seus lábios nos meus, precisava desesperadamente do amor de Gina Linetti. E me deixei levar pela ilusão que ela também precisava do meu.
Autora: muito obrigada pelo 1k.
Bạn đang đọc truyện trên: AzTruyen.Top