XXV

PARTE 4: Midnight Rain

15/10/2022

•pov gina•

A gravação do documentário da netflix demorou mais do que o previsto. Foi o tempo necessário para retirarem todas as minhas queixas. Pensei que fossem desistir, felizmente, a plataforma insistiu em ouvir a minha história. Sugeri iniciarmos quando eu ainda era criança.

- Gina, suas ideias são excelentes. Mas, pensamos em focar mais nos eventos recentes.

Engoli a seco.

- Pensei que fosse sobre a minha carreira inteira.

- Nós sabemos que é fenomenal, mas estamos mais interessados nas acusações, nos crimes. Como foi viver com uma assasina?

Pergunte à Rosa.

- Preciso repensar o contrato.

O diretor pareceu frustado.

- Claro, tome o seu tempo.

Assenti. Sai do escritório transtornada. Me tranquei no banheiro e chorei. Eu soluçava, coloquei a mão no coração, doía muito. Não se passou um dia que não chorei por Rosa, pelo nosso amor.

No começo a minha volta à mídia foi conturbada. Mas, aos poucos, a grande maioria me defendeu, eles juram que Rosa é a culpada e eu fui sequestrada. Eu nunca disse isso, porém nunca neguei. Minha fama cresceu da noite pro dia, pousava para revistas, comerciais e já assinei contratos para os próximos cinco anos. A minha carreira nunca esteve tão bem.

Eu não posso dizer o mesmo do meu coração. Eu pensei que fosse passar, ficamos tão pouco tempo juntas. Mas o seu cheiro está impregnado em mim, eu demoro para dormir sem ser calor e acordo por sentir falta do seu corpo. No começo fui atrás de libertá-la, mas meu gerente e Olivia logo tiraram a ideia da minha cabeça quando perceberam a repercussão que gerou.

Rosa não aceitou me receber, mesmo eu a visitando todos os dias ao longo de duas semanas. O policial me entregou o mesmo bilhete todos os dias, dizia:

"Você era o meu sol, agora estou aprendendo a viver em outra galáxia."

Não me sinto o sol de ninguém, me sinto uma chuva da meia-noite. Me sinto uma confusão, uma neblina em um dia ensolarado, um tsunami em copo de água. Estou perdida sem ela e não sei me achar.

•pov rosa•

Não é a minha primeira vez na prisão. Eu e Jake já fomos presos porque fomos enganados por uma piranha. Por isso sei o quanto odeiam polícias, mesmo eu sendo corrupta. Tentei me juntar a várias gangues, mas nenhuma me aceitou. Então, fundei a minha própria. Reuni mulheres inteligentes e duronas. Elas são uma boa companhia, mas não chegam aos pés de Gina.

Com o celular que recebi de forma ilegal, acompanho o twitter, o nome de Gina sempre na minha tela. As gravações do documentário começarão essa semana. Sei que ela falará sobre nós e temo que ela não negue o sequestro. Gina é uma mulher esperta, fará tudo pela fama, como um dia eu achei que faria por mim.

Fui atingida por uma avalanche de notificações, todas da 99. Não sei como, mas eles conseguiram meu número no dia seguinte que consegui esse celular. Eu salvei os contatos, mas nunca tive a coragem de mandar uma mensagem, mesmo eles mandando todos os dias. Respirei fundo e decidi que era hora de parar de ignorá-los e aceitar a minha setença.

Rosa: oi... Nem sei por onde começar, acho que deveria ser em um "eu sinto muito".

Boyola: ROSA. Nem acredito que você está falando conosco! Está tudo bem, não estamos ressentidos :)

Sherlock: fale por você! Estamos tristes sim, e, sim, eu sei o que "ressentido" significa, nem precisei perguntar pra Ames.

Ames: Claro que perguntou.
Ames: Mas Jake está certo. Estamos tristes. Você matou um cara e fugiu com uma assassina. Nem tentou entrar em contato esse tempo todo. Achei que éramos uma família.

Meu coração apertou.

Rosa: eu estava com vergonha, com medo até. Achei que fossem me julgar ou me prender na mesma hora.

Sherlock: julgar sim, mas prender? Nunca.

Ames: Nós te amamos Rosa, acharíamos uma solução plausível pra você.

Rosa: só pra mim?

Ames: Sei que está apaixonada, mas temo dizer, não confiamos nela.

Dadptain: Ela está certa, detetive Diaz. Não seria esperto nos arriscarmos por uma suspeita de homicídio.

Rosa: e vocês se arriscariam por mim? Eu confessei que matei o operador de câmera.

Cara do iogurte: nós confiamos em você, sabemos que você tem uma explicação. E mesmo se não tiver, vamos te defender até o fim.

Meus olhos marejaram.

- Rosa, o celular! - Kelly, minha companheira de cela entrou correndo.

Rosa: preciso ir, amo vocês.

Desliguei o aparelho e escondi dentro do bolso secreto da minha fronha. A policial entrou, com o mau humor de sempre fez a inspeção.

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