XII

TW: assédio

10/01/2022

•pov gina•

Meu agente me chamou para uma reunião importante. Larguei tudo o que estava fazendo e corri para o seu escritório. Subi até o 13° andar, eu estava nervosa. Esse tipo de reunião só ocorre por dois motivos:

a) ele encontrou um filme que vai alavancar a minha carreira.

b) ele achou outra estrela e vai me demitir.

Minha mão tocou na maçaneta fria de metal, mas não consegui rodá-la, meu coração estava acelerado e a minha respiração estava irregular. O pânico me consumiu, eu só não sai correndo, porque as minhas pernas estavam coladas ao chão. A porta se abriu, Ricky sorriu ao me ver.

- Gina, entre.

Fiz o meu melhor para andar até a sua mesa e sentar na poltrona. Tentei avaliar sua expressão, ele estava muito sorridente, talvez seja um bom sinal.

- Encontrei um filme pra você.

- Sobre? - tentei manter a compostura.

- Não se sabe ao certo, apenas sei que é de uma grande diretora.

Sorri, nem precisei ouvir o nome da diretora. Eu preciso de uma oportunidade, sentia que estava estagnada na minha carreira.

- Ótimo!

- Mas, tem um inconveniente.

- Qual?

- Você vai ter que fazer cenas completamente nua.

- Eu topo.

Ele riu.

- Sem hesitar?

- Eu gosto do meu corpo, não tenho vergonha.

Ele riu novamente.

- Está certo, mas antes, preciso que tire a roupa.

Eu ri, achando que era piada. Ele estava sério.

- É sério?

Ele assentiu.

- Preciso avaliar o produto.


20/05/2022

Não me lembro direito do que aconteceu a seguir. Apenas flashes vem a minha mente. Ele me agarrando, eu gritando e tentando me desvincilhar. Não sei como, mas consegui empurrá-lo do 13°. Corri desesperada para fora, cai aos prantos com a secretária dele, ela prometeu nunca contar e para minha sorte, morreu uma semana depois, em um acidente de carro.

Certas circunstâncias mudam alguém, agora, já não sei mais quem sou. O que eu me tornei? Uma assasina que mata por puro prazer? Eu não gosto de matar, ou será que gosto? Não sinto felicidade, só sinto alívio, uma parte da minha dor se vai quando provoco dor em alguém. Acho que sou sádica.


É, com certeza sou sádica.

Só quero amenizar a minha dor, estou cansada de tudo. Quero Rosa ao meu lado, eu necessito da sua presença, do seu cheiro, do seu beijo. Preciso que ela me lembre como é estar viva.

24/05/2022

•pov rosa•

O namorado de Marcelo pagou a fiança, eu o assisti ser liberado. Ele parou na minha mesa.

- Eu deveria ter confessado antes. Não, eu nem deveria tê-la roubado.

Eu apenas assenti.

- Espero que resolva o assasinato.

Ele estremeceu com a palavra.

- Obrigada.

Ele assentiu e se afastou com o namorado, esse estranhamente se parecia com Joaquin, o repórter morto. Peguei o celular para me distrair e me deparei com uma notificação.

***: oi.

A saudação foi seguida por um emoji piscando. Abri um sorriso.

Rosa: oi.

***: você anda pensando em mim?

Revirei os olhos.

Rosa: não.

***: como sabe quem sou?

Quis me bater, foi muita burrice minha assumir que conheço a pessoa, burrice maior por ficar feliz.

Rosa: não sei.

***: então, por que sorriu?

Olhei ao redor, quase senti seu perfume me pertubando.

***: você não vai me achar.

Rosa: o que quer?

***: eu quero você.

Bloqueei a tela do celular, o aparelho ainda vibrava com novas mensagens. Olhei ao redor novamente, procurei por cabelos ruivos e um sorriso confiante, porém não a encontrei. Resolvi voltar ao trabalho, começar um caso novo e deixar Gina no passado. Eu li, reli e reli novamente o caso, não conseguia prestar atenção. Peguei o celular novamente.

***: não adianta fingir, eu sei que me quer também.

Revirei os olhos.

***: vamos brincar de esconde-esconde? Eu escondo e você procura. A recompensa é um beijo.

Rosa: vai se fuder Gina.

***: eu nunca disse quem sou. Pelo jeito não saio da sua cabeça.

Só mais uma vez e coloco um ponto final. Preciso voltar a dormir sem pensar nela, na verdade, preciso voltar a viver sem pensar nela.

Rosa: vou te procurar.

Ela visualizou. Levantei da mesa e rondei a delegacia. Gina não estava em lugar algum. Olhei o relógio, estava quase na hora de ir embora, decidi trapacear e fui até a sala de câmeras. Gina sorriu ao me ver.

- Parece que tivemos a mesma ideia.

O operador das câmeras estava desmaiado.

- O que você fez?

- Sonífero - explicou. - Sentiu saudades?

- Vá direto ao ponto, Gina.

Ela pareceu ofendida, mas seguiu o roteiro.

- Posso me entregar - eu a olhei surpresa. - Mas... - aí está. - Eu quero algo em troca.

- O que quer?

- Um final de semana com você. Antes que eu me entregue. Te dou todas as provas antes, mas você só vai poder enviá-las depois.

Eu revirei os olhos.

- Eu duvido que faça isso.

Toquei na maçaneta, a fim de abrí-la. A mão de Gina tocou na minha, estava suada e fria, provavelmente por causa do nervosismo.

- Eu cansei - disse. - Só quero paz.

Eu a encarei, ela parecia estar dizendo a verdade. Não sei se posso confiar nela. Ela segurou as minhas mãos, as dela tremiam.

- Por favor, eu estou cansada.

Seus olhos estavam sem vida, com olheiras enormes, como se não dormisse a dias. Não precisei responder, o Operador de Monitoramento levantou. Gina não percebeu, ela ainda me encarava. Ele sinalizou para eu ficar em silêncio e levantou com um extintor de incêndio na mão. Onde ele pegou isso? Não tive tempo de perguntar, joguei Gina para o lado e imobilizei o sujeito.

Gina me olhava surpresa.

- Nós vamos sair, não avise a ninguém, se não está ferrado.

Ele assentiu, eu sai de cima dele e me levantei. Gina apontou para trás de mim, imediatamente peguei minha arma e atirei nele. O extintor caiu no chão, em um baque surdo, devido a tapeçaria.

- Vamos.

Peguei na mão dela e a levei para o elevador.


Autora: oi gente, espero que estejam tendo um ótimo final de ano. Eu decidi tirar essa do hiatus, porque tô cheia de ideia.

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