VII

•pov gina•

13/04/2022 (3 am)

Enrolamos o corpo em um tapete e o colocamos no porta malas. Enrolei mais alguns tapetes para esconder o cadáver. Olivia estava encostada no carro, as mãos tremendo, os olhos focados no chão enquanto se abraçava.

- Ei - toquei em seu braço, ela me olhou, os olhos brilhando com lágrimas. Engoli a seco. - Você não precisa me ajudar, não quero te meter em encrenca.

- Eu quero.

- Olivia...

- Não - ela me interrompeu. - Você sempre me protege, agora me deixa fazer o mesmo.

Ela parecia tão pequena em seu moletom com capuz. Eu queria trancá-la em casa e nunca deixá-la se ferir. Mas a decisão não é minha para tomar.

- Ok - suspirei. - Mas se eu for pega, você não esteve na cena do crime.

- Você não vai ser pega. - disse confiante.

Sorri sem dentes. Entramos no carro, mantive a velocidade no limite permitido, não acelerei mais do que o necessário, não queria atrair atenção. Percebi que Olivia me encarava.

- Imagino que tenha muitas perguntas.

- Tenho.

Eu a olhei.

- Pode começar o interrogatório.

- Como se sente?

Essa pergunta me pegou de surpresa.

- Eu acabei de matar um homem e você me pergunta como eu estou?

- Sim. Como se sente? - repetiu.

- Eufórica. Uma mistura de surpresa, medo e alívio.

- Você gostou?

Mordi o lábio pensativa.

- Por enquanto sim, mas sei que o arrependimento virá.

Ela ficou em silêncio por uns minutos.

- Você já matou antes?

- Sim.

- Quantas vezes? - perguntou insatisfeita com a minha falta de detalhes.

- Esse foi o quarto.

- Quem foram os outros?

Suspirei.

- Precisamos disso?

Finalmente sai da cidade e cheguei na pista, só havia escuridão e ocasionalmente feixes de farol que me cegaram.

- Sim.

Bufei.

- Rick, o repórter, John e esse de hoje.

- Rick Riveira? O seu antigo agente?

Assenti.

- Eu sabia que o odiava, mas não achava que seria nesse nível.

Eu ri.

- Ele queria diminuir as minhas audições, isso causaria a minha perda de papéis importantes. Rick não se importava comigo ou com ninguém, somente com o dinheiro, que provinha de seus atores mais famosos e eu não era um deles.

- Ele era um babaca.

Eu sorri.

- Sim, era.

Estacionei o carro na estrada de terra de um rancho abandonado. Olivia ficou de vigia enquanto eu tirava os tapetes do porta-malas.

- Pronto. Agora me ajuda.

Ela pegou a cabeça e eu os pés.

- Onde?

- Ali está bom.

Apontei com a cabeça para a antiga plantação. Colocamos o peso morto no chão.

- O que fazemos?

- Nunca passei da parte de matar.

Ela me olhou assustada.

- E agora?

- Calma, nós vamos dar um jeito.

Sentamos no carro para pensar.

- Que tal jogá-lo em um lago?

- E se a polícia o encontrar?

Ela fez sua cara pensativa, um bico e um franzir de sobrancelhas.

- E se o deixarmos aqui?

- Com as nossas digitais em seu corpo? Sem chance.

Olivia se abraçava por causa do frio. O vento frio soprava nos seus cabelos, obrigando-a a se encolher. Se eu ao menos pudesse fazer uma fogueira...

- Já sei - estalei os dedos. - Vamos queimá-lo.

- Boa ideia!

Peguei a minha garrafa de gasolina e joguei o frasco inteiro em cima do tapete e do corpo. Olivia acendeu um fósforo e o tacou. O vento o apagou, ela tacou outro e mais outro, até a corrente de ar cessar e deixar o fogo acender. O cheiro de palha e carne queimadas inundou os meus sentidos. Virei o rosto, tentando respirar ar puro, vi o rosto meio iluminado de Olivia, as lágrimas ainda faziam o seu olho brilhar. Eu não queria tê-la envolvido nisso, eu poderia tê-lo matado em outra hora, mas agi impulsivamente.

- Você acha que vão descobrir?

- Se alguém se importar com ele, sim.

O fogo apagou aos poucos, só restou cinza e um cheiro forte.

- Vamos?

Ela assentiu e entrou no carro. Guardei os tapetes no porta-malas, quando me aproximei da porta da frente, recebi uma mensagem.

Detetive gata: onde você está?

Gina: me mandando mensagem a essa hora? Isso só pode significar uma coisa.

Detetive gata: *emoji revirando os olhos*

Detetive gata: preciso falar com você.

Gina: na delegacia?

Detetive gata: não... Na sua casa, quando puder.

Sorri.

Gina: amanhã às 15h?

Detetive gata: ok. Não precisa mandar o endereço, já sei onde mora.





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