IV

•pov gina•

04/04/2022

Cheguei na delegacia. Parei ao lado da mesa da detetive.

- Cheguei.

Ela me olhou confusa.

- Essa é Amy. Eu sou a Rosa.

Me virei. Era a mulher de jaqueta de couro, confesso que fantasiei com ela antes de dormir.

- Me siga.

Eu a segui. Queria me aproximar e sentir seu cheiro, mas me contive, as mãos para trás do corpo presas por algemas invisíveis. Ela abriu a porta, eu entrei. Era uma sala de interrogação, eu reconhecia dos filmes de policial.

- Pode se sentar.

Eu sentei, ela me fuzilou com o olhar.

- Eu sento nessa.

- Agora vai sentar naquela.

Apontei para a outra cadeira. Rosa mordeu o lábio inferior, controlando-se. Essa mulher fica muito bonita brava. Ela sentou-se na minha frente, as mãos na mesa e os olhos me fuzilando.

- Vou direto ao ponto...

- Curta e grossa, eu gosto disso.

Ela me ignorou e continuou falando.

- Você está sendo alvo de ataques cibernéticos. Por isso nossa equipe gostaria de te oferecer segurança policial.

Por essa eu não esperava.

- Agradeço a oferta. Mas não estou preocupada, são apenas adolescentes desocupados.

- Você está recebendo ameaças de morte por algo que nem fez.

- Pelo o quê?

- A morte do repórter.

Encostei na cadeira, o barulho do metal ecoou pela sala.

- Como assim? Alguém realmente pensa isso de mim? - marejei meus olhos rapidamente.

Ela olhou nos meus olhos e congelou. De repente a detetive não possuía mais a língua afiada e o mau humor.

- Eu sou um ser humano horrível assim? - minha voz fraquejou, essa foi a melhor atuação da minha carreira.

- Não é - ela tocou na minha mão, me pegando de surpresa, mas eu não esbocei reação. - A internet é cruel.

Deixei algumas lágrimas caírem.

- Me desculpa, eu já devia estar acostumada.

Ela apertou a minha mão. Senti uma onda de eletricidade percorrer meu corpo. Naquele momento eu decidi que a queria pra mim.

- Se mudar de ideia quanto a segurança, é só me mandar mensagem.

- Quem iria me acompanhar?

Torci para ser ela.

- Um dos nossos policiais uniformizados.

- Ok, obrigada Rosa. Você é muito gentil.

Ela sorriu sem mostrar os dentes. Ainda me tocava, seu toque despertou coisas que jamais senti. Ela se afastou levando seu calor junto. Tentei voltar a chorar, mas não consegui.

- Te acompanho até o elevador.

Eu assenti. Andamos em silêncio até o elevador. Ela parou em frente.

- Qualquer coisa me liga.

- Pode deixar.

Entrei no elevador. Fiquei a olhando até as portas fecharem. Encostei a cabeça na parede fria de metal. Rosa Diaz você vai ser minha.

Mais tarde no mesmo dia, recebo mensagem da Chelsea, ela amou a minha reescrita do roteiro, só precisa passar pela produção. A ansiedade bateu, fiquei muito perto de ganhar um oscar (de novo) e não quero me tornar irrelevante.

Chelsea: boas notícias, os produtores querem falar com você.

Gina: isso foi rápido.

Chelsea: só três horinhas. O que eu não faço pela minha estrela?

Gina: quando?

Chelsea: hoje às 20h. Eu te busco, esteja pronta às 19h50.

E como combinado, Chels passou na minha casa às 19h50. Ela vestia um terno vinho e salto preto. Eu usava um vestido preto básico com um blazer branco por cima.

- Pelo visto é uma reunião só com pessoas mais próximas.

Contei 30 pessoas, não sei como alguém tem intimidade com tanta gente.

- Chelsea!

Um homem branco, aparentemente de 40 anos abraçou minha agente. Ele me olhou, ou melhor, me secou.

- Gina esse é o John. - Chelsea nos apresentou.

- Gina Linetti, é um prazer conhecê-la.

- O prazer é meu. - fingi cortesia e apertei sua mão.

- Vamos para o meu escritório.

Nós o seguimos. A casa era enorme, todos os cômodos possuíam lustres e espelhos.

- Li as suas alterações. Gostei de como pensa - eu sorri. - Infelizmente, não condiz com o público alvo. - o meu sorriso se desfez. - Eles querem ação, violência, sangue e um pouco de bunda. Você não está dando nada disso.

- Ela bate nos sequestradores.

- Mas ela é a mocinha, precisa ser salva. Não salvar os outros.

Sorri enquanto imaginava minhas mãos ao redor do seu pescoço, o enforcando.

- Obrigada por seu tempo. - disse Chelsea.

Ele assentiu.

- Por favor fiquem à vontade, comam e bebam o que quiserem.

Nós agradecemos e fomos para a sala confraternizar com os outros convidados.

- Mude a expressão, dá para ver que está estressada.

Eu bufei.

- Achei que não precisasse atuar longe das câmeras.

- Isso é o show biz, sempre há câmeras.

Um homem gordo e barbudo a chamou.

- Tente não entrar em confusão, eu já volto.

Chelsea abraçou o homem. Agarrei o meu celular.

- Muitas notificações?

John surgiu ao meu lado, como uma assombração.

- Sempre.

Guardei o celular fingindo educação.

- Sabe, eu adoraria que você estrelasse meu projeto futuro.

Não posso sumir da indústria agora, a minha carreira está no auge se eu sumir talvez nunca mais volte. Felizmente ou infelizmente os projetos desse nojento têm muita audiência.

- Adoraria.

- Já tenho alguns rascunhos, quer ver?

Não, minha voz interior gritou.

- Sim. - forcei para soar firme.

Olhei ao redor procurando por Chelsea, mas ela havia sumido. O meu corpo inteiro suava frio enquanto eu o seguia. Voltamos ao seu escritório, a atmosfera estava sombria, como se um assasinato fosse acontecer.

- Agora que estamos a sós...

Ele se aproximou, eu me afastei.

- John - Karl, um produtor rival invadiu a sala. Ele cambaleava, claramente bêbado. - Voc_cê vai pagar pelo o que fez.

- Puta que pariu, vá embora Karl.

Karl apontou para John e depois me olhou.

- Não trabalhe com esse homem, ele é traíra, um ladrão.

- Vamos Karl.

John tentou escortá-lo para fora, mas Karl se recusou a ir.

- Não encosta em mim.

Karl foi para cima de John, o mais novo caiu e bateu a cabeça no braço da cadeira. Ele não se moveu, ficou deitado.

- Ai meu deus.

John trancou a porta.

- Onde estávamos?

Ele me puxou pelos braços.

- Saí fora!

Ele me segurou mais forte.

- Para de resistir, nós sabemos que você quer.

Eu o chutei entre as pernas. John se retorceu.

- Sapatão desgraçada.

- O quê? Você me chamou do quê?

Não o deixei responder, tirei o meu cinto e o enforquei. John se debateu contra mim, estava ficando roxo. Eu o soltei quando ele se acalmou.

- O que você disse?

Ele obviamente não respondeu.

- Foi o que pensei.

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