CAPÍTULO EXTRA - MAX MAVERICK
New York, EUA
24 horas atrás...
A pilha de relatórios estava a ponto de transbordar em minha mesa. Suspirei, a impaciência me fazendo tamborilar os dedos sobre a mesa de vidro transparente.
Parada em frente a minha mesa estava a agente, sua expressão irredutível. Nesse exato momento eu odiava o TJ, o agente especial no comando da célula de Nova Iorque, ele tirou uma licença de alguns dias me deixando responsável por toda a merda.
— O relatório foi entregue e está impecável. - ela falou novamente. — Achei que por ser um caso...
— Vou repetir mais uma vez. - a interrompi. — Não.
— Maverick...
— Esse não é a porra do seu trabalho agente Summer. - falei, a voz dura com a impaciência. — Então faça o que foi escalada para fazer!
Sabia muito bem que ela era extremamente impulsiva, e tinha uma necessidade absurda de provar o seu valor, por mais dedicada que fosse esse era um trabalho importante demais para colocá-lo em suas mãos. Indiquei a porta para que ela saísse e quando ela já estava atravessando o cômodo falei.
— Chame a agente Lopez.
Ela saiu, depois de uma breve confirmação com a cabeça.
Comecei a verificar os relatórios deixados, algumas das transcrições das chamadas interceptadas, me afundei no trabalho para tirar da cabeça a preocupação com a missão em curso de Rebecca que já deveria ter nos relatado algo a essa altura.
O acordo com a Thomaz ainda não me parecia confiável, mas como Rebecca adorava me lembrar em algumas situações o risco valia à pena.
— Me chamou Maverick?
Ergui rapidamente o olhar para a mulher parada a porta. Acenei com a cabeça e esperei enquanto ela entrava fechando a porta de vidro atrás de si.
— Em que caso está trabalhando?
— Estou apoiando a operação MTF, mas nenhuma atividade em campo. - ela relatou.
Acenei novamente, já sabia disso mas queria ter a confirmação, TJ não teve tempo de me passar todas as informações sobre cada operação em andamento.
— Ótimo, vou realocar você. Uma missão de infiltração em Tóquio, você estará saindo hoje. - falei juntando os papéis necessários e colocando num pequeno envelope.
— Você precisaria de um aviso prévio para isso! - ela exclamou, podia ver claramente a surpresa estampada em seus traços.
— Agente Lopez, essa é uma missão de extremo sigilo, pouquíssimas pessoas do FBI tem conhecimento do desenrolar dele. Esse vai ser seu pote de ouro, pode alavancar sua carreira. - comecei falando lentamente, estendi o envelope para ela. — Rebecca Greco está infiltrada na instalação, tem uma equipe de apoio mas eles estão fora, você vai ser o backup dessa operação.
A pasta com as informações continuava estendida entre nós, podia entender sua hesitação, qualquer um em sã consciência questionaria.
— Sobre o que é isso?
— Investigação sobre o desenvolvimento de uma arma militar, com poder destrutivo em massa, estamos em acordo com muitos países mas é melhor averiguar ameaças do que confiar na própria sorte.
— Não seria melhor o caminho tradicional para isso?
— Não é o governo que está desenvolvendo.
— Entendo. - ela agarrou a pasta, já ficando de pé. — Mais alguma coisa, senhor?!
— Apenas isso. Seu voo sai em duas horas.
Ela acenou, já se preparando para partir.
— Ah, e agente... - chamei, ela me olhou. — Falhar, não é uma opção.
》《
As portas do elevador se abriram diretamente na cobertura, diferente do habitual o primeiro som que ouvi foi a risada de bebê. Eu não costumava passar muito tempo em casa, meu trabalho exigia minha atenção integral, e eu sempre fui feliz assumindo o work holic que existia em mim.
Como filho mais velho e herdeiro de Thomas Maverick, meu pai esperou que eu assumisse o cargo de CEO da empresa, não foi uma surpresa para mim a decepção dele quando preferi ao invés disso um cargo no FBI.
Cada um precisa viver seus próprios sonhos, certo?
Na sala de estar sentada perto de Lisa estava minha irmã, a bebê escolhia entre a variedades de brinquedos ao redor dela enquanto Mikaella a incentivava.
Prometi cuidar de Lisa enquanto Rebecca estivesse fora. Por qualquer que fosse o motivo, Becca não queria a filha com sua família, e nem mesmo sendo crucificada ela dizia quem era o pai da bebê, como amigo de longa data e tendo acompanhado a maior parte da gravidez dela eu me sentia responsável por Lisa também.
— Que surpresa encontrar você aqui, - falei deixando de lado minha pasta e abrindo rapidamente os primeiros botões da camisa social.
— O quê foi? Não tenho permissão de visitar meu irmão? - Mia provocou.
— Sabe muito bem que não é isso. O que aconteceu? Deve ter sido bem ruim para que você esteja aqui numa quarta-feira.
Mikaella assumiu o cargo de CEO na empresa da família, ela também foi uma agente mas apenas durante dois anos antes de começar a estudar administração e marketing, nunca soube se ela fez isso por mim ou por que realmente queria essa responsabilidade.
De qualquer forma não havia um único empresário nos Estados Unidos que não conhecesse o nome de Mikaella Maverick.
— Soube que Rebecca foi em uma nova missão. - o comentário foi simples, mas atingiu o alvo na precisão exata.
— Sim, já faz algumas semanas.
— Você lembra o que aconteceu da última vez. - Mia pegou Lisa em seu colo embalando a bebê que balançava em uma das mãos uma boneca de cabelos multicoloridos.
— Mikaella, operações federais, não são da sua conta.
— Espero que vocês dois saibam o que estão fazendo, isso pode trazer muitas coisas indesejáveis à tona. - ela continuou indiferente. — De novo.
— Não se preocupe com nada.
Foi nesse exato momento que Lisa decidiu não está satisfeita com os brinquedos dados a ela, seu rostinho se enrugou numa careta infantil e sua boca tremeu antes que ela começasse a chorar.
— Lisa meu amor, - Mia se ergueu balançando a bebê de um lado para o outro. — Eu sei que você não gosta de pessoas tediosas mas não pode chorar sempre que o tio Max está por perto.
— Muito engraçada. - gritei para que ela ouvisse enquanto ia em direção às escadas.
Eu estava precisando de um bom banho e de algumas horas de sono também, a preocupação com Rebecca se aliviou um pouco tendo a certeza que Raquel Lopez logo estaria checando ela.
Não que Becca precisasse de qualquer supervisão, e ela certamente arrancaria minhas bolas se sequer sonhasse que eu pensei alto assim, mas eu não podia afastar a preocupação mesmo sabendo que ela era dura na queda.
Fechei a porta do quarto e segui direto para o banheiro, tirando por completo as roupas sociais, enquanto entrava na ducha sentindo a água quente cair sobre mim relembrei da nossa estadia em Londres.
Por algum motivo não conseguia tirar da cabeça aquela garota, e também não podia deixar de me perguntar se a veria de novo.
Meu celular tocou me arrastando de volta ao presente, abri o box tateando para encontrar o aparelho.
— Maverick.
— Tenho novidades irritantes. - a voz sussurrada me surpreendeu, mesmo com a estática cortando a chamada eu sabia bem quem era.
— O quê aconteceu?
— A estava certa, foi bem mais difícil do que eu esperava, eles têm uma rede de comunicação bem forte, estão preparados.
Com as informações confirmadas precisaríamos de apenas alguns dias para agir, minha mente começou a trabalhar rapidamente, TJ passou rapidamente em meus pensamentos, eu precisaria ligar de imediato para ele.
Mas então o questionamento interrompeu a minha linha de raciocínio.
— Por que ligou diretamente?
— Essa é a novidade irritante. A garota de A está aqui. - ela resmungou mais alguma coisa que não ouvi.
— Achei que ela não fosse se envolver, - comentei.
— Acredito que ela não saiba. Por isso chamei você.
— Ok. Vou ver isso.
— Seja rápido, se as coisas explodirem vamos precisar começar tudo de novo. - ela desligou antes que eu desse qualquer resposta.
A garota de A. A mesma garota que recentemente vinha rondando meus pensamentos.
Quem é você de verdade?
Voltei ao quarto já procurando algo para vestir enquanto me conectava ao TJ e mais dois agentes ligados ao caso.
Todos atenderam rapidamente.
— Está fora do seu horário Maverick, - TJ falou assim que sua imagem brilhou na tela.
— A situação precisava de atenção imediata, senhor. - comentei. — O relatório de Lins. - pedi ao agente Jones que prontamente começou seu relato.
— Ele ainda deve está em Tóquio. - Agente Dallas falou.
— Eu tinha dúvidas sobre isso, mas tenho certeza agora. - falei. — Greco me contatou mais cedo, falando que a ligação de um de nossos contatos está no mesmo local que ela.
— Acha que pode ser uma agente dupla? - TJ questionou.
— Não, acho que aquele é o paradeiro de Lins. Nós só tivemos colaboração externa por ceder informações sobre o paradeiro dele em troca. Não tenho dúvida que farão o possível para resgata-lo.
— Mesmo que acabem sabotando nosso curso de ação no processo. - Jones falou e logo depois soltou um xingamento abafado.
— Recebi informações de Tóquio, mas... as informações batem. - Dallas começou. — Parece que um grupo que havia desaparecido a um tempo voltou. Acham que isso pode está ligado. Estou finalizando um relatório com tudo o que conseguimos sobre o grupo, todas as informações relevantes de sua origem parece não existir.
— Como anda a investigação nos países aliados? - TJ falou.
— Não muito melhor que a nossa própria. - falei com um suspiro. — Quando você volta?
— Só mais um dia, quero a atualização de todas as operações em andamento.
Acenei uma única vez em concordância.
— Vou falar com nosso contato, averiguar os motivos de sua ligação está no território dos Heiko.
— Certo, nos mantenha informados.
O chat foi desconectado, só para logo depois ser reconectado em uma chamada direta com Londres.
— O quê você quer? - a pergunta foi direta, o tom de voz irritado não foi disfarçado.
— O quê está fazendo? Nos temos um acordo bem claro. - falei, não foi difícil manter a expressão irritada quando eu realmente não gostava da loira.
— Lamento Maverick, mas minha bola de cristal está com defeito, vai precisar me esclarecer o que está falando.
— Rebecca me chamou e falou que sua garota está com os Heiko.
O rápido xingamento não foi mais que um sussurro, sua expressão de surpresa desapareceu tão rápido quanto surgiu. — Não há como isso ser verdade.
Passei a mão sobre os olhos, cansado demais para tanta merda num dia só.
— É verdade. Nós temos uma operação em curso, se ela fizer qualquer movimento errado pode colocar tudo a perder. - encarei seu olhar duro através da pequena tela. — É bom garantir que isso não aconteça América.
Com um revirar de olhos ela desligou a chamada.
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