Capítulo 2- Uma fonte anônima

Inevitalmente arregalo os meus olhos com a visão.

Três pequenas linhas que alternam entre a cor azul, roxa, vermelha e laranja giram de forma sequenciada ao redor das minhas íris, uma linha fina ao redor de minhas pupilas se ligam a outra que está a poucos milímetros de distância, ambas as linhas também se movem e alternam de cor de acordo com as linhas mais grossas envolta de minhas íris.

O que é isso?

Duas batidas na porta tiram-me de meu pequeno transe.

—Sol, você está bem?

—Sim. — afirmo olhando para a porta fechada que separa Max e eu — Já estou saindo.

Direciono meu olhar novamente para o espelho, encarando com incredulidade e espanto à imagem refletida. Engulo em seco e fecho os com força.

Hora de deixar as paranóias, Solênia.

Minhas pálpebras se afastam abruptamente. Entreabro a boca ao ver que os meus olhos estão em seu estado normal novamente, balanço a cabeça como se estive sacudindo-a e me viro já pegando na maçaneta, olho para trás para ver meu reflexo no espelho para reparar se meus olhos estão normais, como se eu tivesse a necessidade de mais uma comprovação antes de finalmente abrir a porta e me retirar do banheiro.

—É só uma leve dor de cabeça. — falo ao ver Max encostado na parede à minha espera.

—Tem certeza? — pergunta enquanto se desencosta da parede e se aproxima de mim com um olhar preocupado.

Apesar de não ser exatamente toda a verdade, confirmo com um fraco aceno de cabeça. Sinto seu braço direito descansar envolta do meu ombro, instigando-me a caminhar ao seu lado.

—Você vai para casa e vai direto para a cama. Está me ouvindo mocinha?

—Sim senhor.

—Que bom. — seu falso tom de autoridade me faz sorrir...
 
  
Fecho os olhos recebendo de minha mãe um beijo na testa.

—Boa noite mãe, boa noite pai.

Com um pequeno sorriso de lado fecho a porta do quarto e tecnicamente me jogo na cama. Suspiro pesadamente com os meus olhos fixos no teto enquanto me lembro do que aconteceu alguns minutos atrás.

Será se estou ficando doida?

Interrogo-me puxando o lençol para me cobrir enquanto fecho os olhos...

[...]

É ela, ela é a culpada por tudo o que está acontecendo.

Sentada no centro de uma grande sala rodeada por adultos aparentemente de cargos importantes, meu corpo continua tenso.

Ela é apenas uma criança.

Ao ouvir minha mãe se pronunciar, direciono meu olhar para ela que está sentada do meu lado direito. Volto minha atenção para a governadora Márcia Prado, que prossegue com sua acusação.

A cidade, ou melhor dizendo...o estado está um caos. Desde a publicação do jogo, a violência aumentou, principalmente entre os jovens.

Ah senhora governadora, a violência não é novidade no estado do Rio de Janeiro. digo por instinto.

Mas a prisão do senhor e da senhora Duarte será.

O quê?

A não ser... Márcia prossegue, mudando sua expressão de acusação para satisfação Que você concorde em trabalhar comigo.

Prestes a negar o suborno, minha visão se torna embaçada. A imagem da grande sala se desfaz gradativamente e uma luz se estende...
 
 
Pisco os olhos duas vezes e os abro lentamente para que se acostumem com o feixe de luz que atravessa a janela e olho ao redor para certificar-me de que estou no meu quarto.

—O jogo.

Ao pronunciar essas duas pequenas palavras, meu corpo imediatamente fica em estado de alerta como se eu estivesse acordada a horas. Em apenas um movimento saio da cama, pego meu notebook sob a escrivaninha e me sento no meio da cama enquanto o ligo. Rapidamente entro no site de notícias da cidade e logo vejo o tema "Lan Houses estão providenciando equipamentos para o novo jogo" em destaques. Desço a página e outro título chama minha atenção: "Quem é o misterioso usuário por trás do novo jogo?"

—Ai não. — suspiro, desviando meu olhar da tela — Ok Shaw, você está aí?

—Sim, estou sempre às ordens.

Meus lábios se curvam em um sorriso ao ouvir meu Google Assistente.

—Ainda bem que você não queimou.

—Obrigada pela preocupação.

—Como o jogo foi publicado?

—Quando houve o aumento de corrente elétrica às 23:41 horas do dia 21, meu sistema foi afetado e algo deve ter publicado o jogo.

—E por que está publicado por uma fonte anônima?

—Você me programou para obedecer apenas aos seus comandos, de forma que só você tem acesso a mim. Não se lembra? Talvez o curto circuito tenha afetado o seu sistema também.

—Ha ha, que engraçado. — reviro os olhos — Ainda posso apagar?

—Talvez, mas os dados do jogo já estão em todos os lugares.

Merda!

Volto meu olhar para a tela do notebook. Bem... Se apenas eu tenho acesso a Shaw, então as pessoas não podem localizar a rede e o local de publicação do jogo, mas vou adicionar algumas barreiras por precaução. Se alguém conseguir descobrir, será apenas um hacker melhor que eu...

 
—Que bom que apareceu e conseguiu assistir todas as aulas, isso significa que está melhor.

—Obrigada Max.

Termino de fechar a bolsa e a coloco sob os ombros, saímos da sala e começamos a atravessar o corredor em direção à porta de saída.

—O que achou da "recepção"? — pergunta Max dando ênfase à última palavra ao mesmo tempo que faz aspas com as mãos.

—Desnecessário, apesar de terem sido apenas palavras. Jamais tantas pessoas haviam me cumprimentado como hoje. Sem mencionar o fato da professora praticamente ter feito um discurso de 'Boas-Vindas'.

—Você é uma das melhores alunas da escola.

—Mesmo assim...eu não gosto de ser o centro das atenções. Sem mencionar que 98% das pessoas que disseram que eu fiz falta, só falam comigo quando querem pedir algo. — com a testa levemente franzida direciono meu olhar para ele.

—Não posso discordar.

—Se amanhã tiver essa frescura novamente, juro que eu bato em alguém.

—Parece que o incidente deixou-a estressada. — reviro os olhos com o seu comentário, seguido por uma pergunta — E a dor de cabeça? Passou?

—Sim, mas às vezes volta. É como... — paro de caminhar, lembrando-me de quando acordei do desmaio e do episódio no banheiro na noite anterior — É como se eu estivesse ouvindo zumbidos parecidos com ruídos de falhas técnicas. — direciono meu olhar para ele, que também havia parado de caminhar — É estranho. Talvez seja resultado do choque.

—Seus pais sabem?

—Não, é coisa desnecessária. Passa rapidamente. E eles já tem muitas coisas para se preocuparem. — afirmo voltando a caminhar.

—Você tem certeza? Eu não quero ser chato, mas estou preocupado com você.

Olho para ele. Seu olhar está sério. Curvo meus lábios em um pequeno sorriso de lado vendo sua preocupação, é uma das raras ocasiões em que ele fica fofinho. Passamos pelo portão da escola e paro no início do estacionamento, vendo o carro da senhora Andrade parar perto de nós.

—Eu estou bem, é sério. E sua mãe está lhe esperando.

—Quer carona?

—Não, ainda vou passar na loja de imóveis aqui perto para escolher um tv. Até.

Estendo a mão para fazermos 'nosso' toque. Aceno para a senhora Andrade enquanto Max caminha em direção ao carro e logo em seguida me viro para seguir meu caminho. Cantarolo baixinho Stronger, da Kelly Clarkson enquanto sigo reto pelas calçadas sempre olhando atentamente e discretamente para ambos os lados. Aproximadamente a uns 60 metros da porta da loja, olho para a direção contrário, ou seja, para o outro lado da rua. Ao longe vejo um casal quase no final do beco e desvio o olhar rapidamente. Mas inevitavelmente volto meu olhar para o cara prendendo a mulher entre a parede e os seus braços. Espera...a garota parece estar desesperada.

Paro imediatamente de caminhar, fecho os olhos com força e os semicerro para conseguir uma visualização melhor. A garota que aparenta ter uns 17 anos se debate, mas o homem que aparenta ter...sei lá, uns 28 anos, é mais forte e consegue segurá-la. Engulo em seco e dou alguns passos à frente para pelo menos sair do campo de visão de ambos, olho para um lado e para o outro mas nada. Ninguém.

É um pouco mais de 5 horas da tarde...cadê os alunos voltando da escola? Meu Deus...o que eu faço?

Coloco minha bolsa para frente e abro o zíper para procurar por meu celular, sentindo minha respiração ficar cada vez mais descompassada.

Droga. Droga. Droga. Esqueci essa merda.

Fecho o zíper e começo a caminhar em passos apressados para a loja mais perto, sem olhar para frente acabo tropeçando e quase caio.

Se acalma, Solênia.

Fecho meus olhos, respirando fundo para tentar controlar minha respiração ofegante.

Se acalma...

Os mesmos zumbidos começam a soar pela minha cabeça, mas dessa vez o barulho está bem mais alto. Mais audível.

Agora não. SAI.

Levanto minha mão e dou um tapinha em minha testa. Bem, deveria ter sido na testa, mas senti meus dedos baterem em algo mais duro. Arregalo meus olhos assim que abro os mesmos.

—O que raios é isso?
 
 
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Desculpem a demora, mas finalmente voltei. Quem gostou diga amém! (Tá ninguém vai dizer ksksks)

Vou tentar ser uma boa escritora e postar com mais frequência, me desculpem mesmo a demora e não desistam de mim. Beijos salgados psra quem prefere salgado, e beijos doces para quem prefere doce..

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