Capitulo 43
| AVÓS |
Any Gabrielly
Um silêncio ficou naquele local, Josh e eu ficamos imóveis, assim como todos ali embaixo.
Não esperava ver eles aqui, embora saiba que Ron ajudou a me achar, não posso esquecer que nosso último encontro não acabou da melhor forma.
Úrsula me olhava boquiaberta e Ron encarava o filho. O pessoal atrás não tinha reação alguma, a não ser Krystian que estava se abanando parecendo estar com falta de ar.
— O que disse?
Então aquele silêncio se quebrou com Ron.
Sua voz saiu séria, mas não era algo que demonstrava raiva, acho que era mais um sentimento de pura confusão.
Josh me olhou, como se estivesse buscando uma ajuda do que falar. Tudo bem, é um filho, mas temos uma conversa pendente que não faço ideia de que rumo possa tomar.
— É… — Josh terminou de descer as escadas com calma e eu o acompanhei, já que sua mão ainda segurava a minha. — Vocês dois vão ser avós.
E com toda tranquilidade do mundo Josh fala de uma vez.
Úrsula ficou mais branca que um papel e sua mão foi na boca quando sua ficha caiu. As meninas atrás me olhavam com um sorriso e os meninos não esboçaram reação nenhuma, assim como Ron.
— Como assim avós? — Ron perguntou de forma pasma.
Acho que na cabeça dele tudo isso ainda era realmente uma mentira. Não sei o que o Josh conversou com ele, ou até que ponto chegou, mas acho que não foi o suficiente para ele acreditar que nosso relacionamento é realmente verdadeiro.
— Any, está mesmo grávida? — Úrsula por fim se pronunciou e se aproximou.
Minha boca abriu para responder, mas por algum motivo não saiu nada. Por que isso estava tão estranho?
— Acho que nós temos uma conversa pendente. — Ron disse me olhando e eu apertei a mão de Josh nervosa.
Ron passou por nós e Úrsula o acompanhou.
Vi o loiro entrar na minha frente e engoli seco.
— Não se preocupe, ok? Não vou deixar ele fazer nada. — alisou minha bochecha e eu assenti. — E vocês. — se virou olhando todos. — Nada de gritaria. — todos assentiram.
Josh se virou e me puxou indo em direção aos pais dele.
— Vamos ser tias! — Sabina disse alto e logo escutamos os gritos das meninas.
Josh se virou no mesmo instante e todas ficaram quietas se recompondo.
— Desculpa chefe. — Sabina disse sem graça e o loiro apenas revirou os olhos.
Soltei um riso baixo e seguimos pelo local.
Josh abriu uma porta me dando passagem e eu vi os dois ali. Era um pequeno escritório, atrás havia um vidro enorme e dava para ver a linda paisagem.
Escutei aquela porta fechar e vi Josh parando ao meu lado.
— Podem sentar. — Ron apontou para o sofá e eu caminhei lentamente até lá.
Me sentei encarando meus pés e notei ele caminhar na nossa frente com Úrsula.
— Gabrielly, meu filho me falou como te achou, me explicou do trato e que você realmente deveria ter ido embora depois da inauguração. — criei coragem e olhei ele. — Depois disso você ligou pedindo ajuda e ele foi te ajudar. Te encontrou toda machuca e explicou por cima que havia sido pega por um grupo. — assenti. — Antes que ele pudesse continuar, seu celular apitou e ele saiu correndo da nossa conversa. — encarei o loiro.
— Tem uma coisa que não te contei, porque tive medo de você não gostar. — senti meu coração disparar ao escutar isso. — Mas todas as vezes que saiamos, eu colocava um rastreador na sua roupa. — arregalei os olhos.
— Você o quê? — digo boquiaberta.
— Tinha medo de acontecer algo, e caso você fosse sequestrada eu te localizava mais rápido. — pisquei algumas vezes. — Esse dispositivo apitava no meu celular quando você ficava a uma certa distância de mim. Quando meu celular apitou, seu ponto estava em movimento e se distanciando cada vez mais, foi assim que descobri que você foi sequestrada.
Eu não sabia o que falar, não estava brava, mas sim confusa. Como nunca notei isso na minha roupa?
— Enfim Gabrielly. — voltei a olhar Ron. — Agora que você está bem e em segurança, pode nos contar tudo isso do início ao fim? Inclusive sobre Ryan. — olhei Josh.
Não sei se ia conseguir falar, não por medo, mas porque realmente estava lidando bem com a minha vida sem lembrar do passado.
— É. — respirei fundo. — Um resumo disso. Ryan vendia droga para os meus pais, eles criaram uma dívida enorme e não conseguiram pagar. Ele sabia de mim, e como pagamento para esquecer isso ele me queria. — Úrsula puxou o ar de uma vez levando a mão na boca. — Enfim, ele matou os meus pais e eu fugi. Tinha 18 anos na época.
— Se escondeu por 3 anos? — perguntou Ron surpreso e eu assenti.
— Passei por três cidades até chegar aqui. Tentei arrumar emprego, mas quando fui negada pela segunda vez devido a minha cor desisti. — segurei minha vontade de chorar.
— Você não me disse isso. — Josh segurou minha mão.
— Te avisei que não tinha opção a não ser morar na rua. — ri fraco olhando ele.
— Como sobreviveu por tanto tempo? — olhei Úrsula que perguntou com a mão no peito.
— Eu me metia em roda de briga, quando dava roubava alguma loja. — digo simples. — Quando fui encontrada, eu havia acabado de levar um tiro de raspão pela polícia. Esbarrei com Noah e foi ele que me ofereceu ajuda. Depois disso conheci o Josh.
Os dois ficaram em silêncio, Josh ainda segurava a minha mão e eu já me sentia mais calma.
— E depois disso, por que resolveu ficar? — encarei Ron. — Digo, ligou para o meu filho pedindo ajuda.
— Eu que pedi para ela ficar. — disse Josh. — Any me contou que era Ryan que queria ela e eu ofereci minha proteção.
— Ofereceu por que era Ryan que queria ela ou por que já se importava? — Ron perguntou de forma séria e eu senti Josh apertar minha mão.
— Isso é sério pai? — encarei Josh. — Não era você que vivia dizendo que gostava de cuidar e proteger a mamãe quando mais novo? Já que ela não se metia nesse meio no começo e tinha medo de algo acontecer com ela? — Ron não respondeu. — Não sabia a história dela toda, mas eu sabia que mesmo ela não querendo, precisava de mim. E não pai, não era só pelo Ryan. — sorri sentindo meu peito aquecer.
— Sr. Beauchamp. — me levantei. — Sei que não foi certo mentir, mas entenda que ele fez tudo isso para não decepcionar o senhor de certa forma. — Josh se levantou também. — Eu já passei por coisas horríveis. — senti minha voz vacilar e respirei fundo. — E conhecer o seu filho foi a melhor coisa que poderia me acontecer. — fechei os olhos segurando o choro. — Já pensei em desistir de tudo, porque eu simplesmente não aguentava mais viver. Tudo realmente virou um sufoco e eu só queria que isso parasse.
Um soluço escapou da minha boca e eu limpei meu rosto.
— Mas ele entrou na minha vida e me fez enxergar as coisas de modo diferente. Nunca tive alguém que se preocupasse comigo, alguém que cuidasse e principalmente me protegesse. — olhei ele com a vista embaçada. — Mas eu amo ele, e a prova disso também está aqui dentro. — levei a mão em meu ventre. — Vocês dois vão realmente ser avós. — sorri em meio ao choro e senti Josh me abraçar.
Sentia meu corpo leve, não só por ter desabafado, mas também por lembrar que Ryan estava morto. Aquele tormento acabou, aquele medo de ser pega finalmente sumiu e eu poderia viver tranquilamente agora… quer dizer, não tão tranquilamente porque o Josh é uma criminoso, mas sei que ele provavelmente vai querer me manter afastada de tudo, ainda mais agora que estou grávida.
— Vou ser avó. — escutei a voz de Úrsula animada e me separei do abraço. — Ai meu Deus, vou ser avó. — sua animação me fez rir fraco e ela me envolveu em um abraço. — Quantas semanas? — se separou e eu encolhi os ombros.
Expliquei para eles como descobri, inclusive como fui pega e que Andrew havia sido baleado. Ron me disse que o carro dele foi encontrado e seu corpo já sem vida também, aquilo não me deixou mal, mas também não me deixou bem…
Por fim, Úrsula me acompanhou até o quarto e Josh ficou conversando com o seu pai a sós.
— Descanse um pouco. — me deitei na cama ouvindo ela falar. — Está com fome?
— Não. — digo me cobrindo. — Só sono mesmo. — sorri. — Acha que o Josh tem chance de assumir ainda? — se sentou do meu lado.
— Ron nunca cogitou passar isso para outra pessoa, Gabrielly. — levantei as sobrancelhas surpresa. — Josh não teve a oportunidade de conhecer o seu avô, mas Ron deu o mesmo ensinamento que recebeu. — sorriu. — Ele não queria que o filho deixasse de se esforçar só porque já tinha o nome garantido, às vezes pegava pesado sim, mas era necessário. — suspirou. — Ele ama aquele menino, e embora não tenha demonstrado, sei que ficou feliz com a notícia de que vai ser avô. — sorri.
— A senhora vai me ajudar? — pergunto sem graça. — Ainda estou assustada. — dei risada.
— No começo é assim, mas quando ouvir o coraçãozinho dele bater vai se apaixonar ainda mais e contar os dias para ele nascer. — sorriu. — Vou te ajudar sim, no que precisar pode me chamar. — sorri.
Tive péssimos pais, mas vou fazer de tudo para ser uma boa mãe para essa criança.
↝ Alguém me abraça? Quero chorar...
Vejo vocês em breve. Votem e comentem 🤍
Xoxo - Sun
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