Capitulo 4
| CRIMINOSO E SARCÁSTICO |
E o seu amor, tão forte
Como uma pílula, eu o tomaria
Any Gabrielly
Heyoon e Sabina estavam me mostrando a casa, desde que conversei com Noah as duas estão comigo.
Isso ainda era estranho, mesmo sendo por um dia, terei que assinar um papel jurando lealdade a um cara que nem conheço… o lado bom é que não vou morrer, pelo menos não agora e nem por ele.
Mas voltando a minha tour, essa casa era enorme, tanto que já esqueci onde ficava a cozinha e o banheiro mais próximo, porém elas me disseram que uma hora eu me acostumava.
Nesse meio tempo eu conheci mais algumas pessoas, Savannah, Joalin, Melanie, Lamar, Alexy e Nour, todos me trataram super bem, mas prefiro manter uma certa distância. Conhecer pessoas novas se tornou um desafio e tanto pra mim.
Ainda não cheguei a falar com o loiro, mas me avisaram que assim que ele estiver livre vai me chamar. Enquanto isso não acontece, me distraio andando pelo lado de fora da mansão.
— E os seus pais? — perguntou Sabina.
— Morreram. — digo simples. — Há três anos atrás.
— Sinto muito. — disse Heyoon.
— Não sinta. — digo olhando para a frente.
Meus pais mereceram os tiros certeiros que levaram na cabeça.
— Todos os 17 moram aqui? — pergunto rodando aquele jardim.
— Sim. — disse Sabina. — Pode parecer uma loucura, mas é difícil ter todo mundo em casa. — assenti.
Levei as mãos no bolso da calça e demos a volta ali para entrar dentro de casa.
— Aí está você. — me assustei com uma voz adentrando o local e vi Josh. — Vamos. — disse seguindo em direção às escadas.
— A gente não pode conversar aqui embaixo? — ele parou no terceiro degrau e me olhou.
Seu olhar ficou em mim por alguns segundos e ele logo desceu novamente assentindo.
Segui ele pela casa e ele abriu uma porta me dando passagem. Me sentei na cadeira que havia ali e cruzei os braços encarando ele.
— Engraçado você ter mudado de ideia. — disse me olhando do outro lado.
— Me irrite que eu não pensarei duas vezes em sair dessa casa. — o loiro riu.
— Você tem uma personalidade forte. — levei o olhar ao céu e respirei fundo. — Noah me disse que já contou o seu papel, está ciente de tudo?
— De ter que te aturar para não levar um tiro na cabeça? — pergunto debochada ainda encarando o teto. — É, estou ciente.
— Muito bem, a viagem vai acontecer domingo. — arregalei os olhos saltando da cadeira.
— Viagem? — pergunto surpresa. — Avião?
— Não vai me dizer que tem medo? — neguei.
— É que eu não tenho documentos. — disfarço desviando o olhar.
— De todo mundo aqui é falso. — disse simples. — E não, não vamos andar de avião, vamos de carro, falo viagem porque ficar duas horas dentro de um carro pra mim já é considerado isso. — assenti.
— E o que eu tenho que fazer até lá? — ele puxou uma cadeira na minha frente.
— Me conhecer. — disse se sentando com um sorriso. — Tenho muito para falar sobre minha doce vida. — revirei os olhos me sentando novamente.
Criminoso e sarcástico. Que bola furada consegui me meter.
Fiquei batendo meus dedos na mesa enquanto escutava ele tagarelar sobre sua "doce" vida. Confesso que na terceira frase eu já estava querendo morrer, mas aguentei firme.
Seu nome é Joshua Kyle Beauchamp, tem 28 anos, realmente nunca namorou e odeia desordem. Olha que cara interessante? Só que não!
Ele também teve que me contar um pouco de quando começou nesse meio, citou seus pais, parte de sua família e principalmente, aquele tal primo dele. Josh me disse que não é normal falar disso com pessoas que não são desse meio criminoso, mas terá que fingir essa confiança para os seus pais, já que o mesmo fez questão de dizer aos pais que a namorada aceitava a vida que levava após ele confessar.
— E você? O que para me contar? — encarei ele que perguntou.
— Nada demais. — dei de ombros. — Meu nome completo é Any Gabrielly Rolim Soares, tenho 21 anos, não terminei a escola, nunca trabalhei, fugi de casa aos 18 porque não aguentava mais viver lá e desde então estou nas ruas de Los Angeles. — forcei um sorriso e logo voltei a ficar séria soltando um suspiro.
— Vamos ter que falar como nos conhecemos. — disse pensativo.
— Que tal pela internet? — jogo a proposta. — Sei lá, fala que me achou em um aplicativo de encontro porque estava cansado da vida de solteiro. — sorri de canto e ele revirou os olhos.
— Ou te encontrei em um bar caindo de bêbada e resolvi te ajudar. — arqueio uma sobrancelha encarando ele. — Já entendi, ficamos com o aplicativo. — me escorei na cadeira cruzando as pernas. — Você já pegou em uma arma?
— Não. — digo lentamente. — E para ser sincera nem tenho vontade. — assentiu. — Mas eu sei lutar. — levantou as sobrancelhas.
— Eu duvido. — disse provocativo.
— Está achando que esse rosto inchado é de quê? — sinalizei meu rosto com o dedo indicador. — Não dava para roubar todo dia, então sempre que dava me metia em roda de aposta.
— E você ganhava? — assenti.
— Levei espanco durante um mês, mas depois que peguei o jeito consegui até derrubar alguns caras. — ele arqueou uma sobrancelha. — Eu estou falando sério.
— É de se duvidar. — revirei os olhos. — Mas tudo bem, vamos voltar ao foco. — assenti. — Precisamos sair para comprar um anel de compromisso e você tem que comprar um vestido. — cobri meu rosto com uma mão. — E terá que ser manga longa por conta do tiro no braço. — olhei meu ferimento.
— Mais alguma coisa, querido noivo? — suspirei me levantando.
— Gostei do querido noivo. — disse sorridente e eu neguei lentamente. — Só mais uma coisa. — se levantou ficando na minha frente. — Tenho quase certeza de que há pessoas de olho em mim fora dessa casa, então quando sairmos juntos, mãos dadas e super apaixonados.
— Não me abraça de surpresa e não me irrite que consigo fingir bem. — sorri forçado. — E eu tenho uma dúvida. — cruzei os braços. — Seus pais nunca perguntaram da sua noiva? Tipo, são cinco meses.
— Todos os dias. — levou as mãos no bolso da calça. — Na verdade, minha mãe que vive perguntando. — assenti. — Mas eles vivem viajando e sabem o quanto odeio falar da minha vida, então não foi tão chocante eu chegar com uma notícia.
— E quando perguntavam? Digo, aparência, personalidade?
— Sempre falei que na hora certa iriam conhecer, mas deixei claro que era uma mulher bonita. — sorriu de canto e eu estreitei os olhos. — O quê? Era uma mentira, se eu inventasse um rosto ia me dar muito mais trabalho. — revirei os olhos.
— Você é doido demais. — passei ao seu lado indo até a porta. — Ah, só mais uma coisa. — me virei antes de sair. — Tem um quarto no andar de baixo?
— Só de empregado. — assenti.
— É lá mesmo que vou ficar. — finalizei deixando o local.
Sei que pode parecer loucura não gostar de subir escadas, mas tenho trauma disso. O porão que meu pai me levava havia uma enorme, e eu sabia que todas as vezes que eu descia aquilo seria para sofrer algo. Algumas vezes já fui empurrada e meu corpo rolava até o final, o que me deixava dolorida durante dias. Não sei como nunca quebrei uma parte do corpo nisso… na verdade não sei nem ao menos como estou viva.
Suspirei cruzando aquele local e parei na sala me jogando no sofá.
Só tenho que aguentar até o fim de semana, depois desapareço. Já que ele vai me pagar, consigo comprar uma passagem e sair finalmente do país. Onde irei? Não sei, mas qualquer lugar longe de Los Angeles já será lucro.
↝ Desaparecer... É uma boa ideia... Ou será que não?
Vejo vocês em breve. Votem e comentem 🤍
Xoxo - Sun
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