Capitulo 36

| JANTAR |

Any Gabrielly

Terminei de colocar meu salto e me levantei para me olhar no espelho. Josh apareceu segundos depois do lado arrumando sua gravata e eu ajeitei as mangas do vestido.

— Só por curiosidade, seu pai chegou a falar com você? — pergunto olhando ele pelo espelho.

— Me ligou, mas não atendi. — me virei entrando na sua frente.

— Você falou aquilo da boca pra fora ou foi realmente sério? — me olhou.

— Só estava irritado. — mordi o lábio inferior. — Óbvio que não quero entregar isso, mas não vou ficar me matando para mostrar algo e ele simplesmente fechar os olhos não querendo ver.

— Sua mãe me disse que ia conversar com ele. — me abraçou pela cintura. — Só me promete que não vai cair na pira de ninguém hoje? Andrew está fazendo sua cova aos poucos. — assentiu.

— Só não saia do meu lado. — sorri e dei um selinho nele. — Vamos? — assenti.

Saímos do quarto e caminhamos até as escadas.

Estava nervosa com esse jantar, já está claro que Elisa não vai com a minha cara e nos convida para essa palhaçada? Zero paciência.

Só quero chegar, ouvir eles jogarem conversa fora enquanto comem e ir embora.

Entrei no carro e Josh ia dirigindo. Coloquei o cinto vendo ele ligar o carro e escutamos um toque de celular.

Josh tirou do seu bolso e suspirou antes de atender.

— Alô. — disse seco. — Estou saindo de casa agora. — reconheci a voz do seu pai do outro lado. — Não pode ser quando o jantar acabar? — mordi o lábio inferior. — Porque não estou afim de passar o jantar irritado. — suspirei vendo ele apertar o volante com força. — Tá bom senhor Beauchamp. — Josh desligou a ligação e jogou o celular no banco de trás.

— Está tudo bem? — pergunto olhando ele.

— Sim. — disse sério me fazendo revirar os olhos.

Odeio essa mania dele. Não está bem e nunca admite. Homenzinho complicado.

Tirei meu cinto me virando no banco e levantei minhas pernas apoiando meus pés no colo dele.

— O que está fazendo? — perguntou me olhando rapidamente.

— Te acalmando ué. — sorri de canto.

Sua mão direita saiu do volante e ele agarrou minha coxa apertando. Mordi o lábio inferior e suspirei fechando os olhos.

— Só vai com calma. — digo com a voz fraca e escuto ele rir.

— Agora você aguente. — apertou de novo.

Ele não estava apertando com tanta força, mas aquilo mexia com o meu psicológico de uma forma…

— Juro que estou quase encostando esse carro. — encarei ele e sua mão subiu mais.

— Não inventa, já estamos atrasados porque você inventou de invadir meu banho de novo. — ele riu.

Josh seguiu com a sua mão ali e apenas dirigiu concentrado.

Paramos o carro em frente a casa e eu me ajeitei no banco vendo Josh descer.

Abri a porta e desci olhando em volta. Mais uma mansão, nada nessa vida me impressiona mais.

Peguei sua mão e seguimos até a porta principal. Josh tocou a campainha e segundos depois a porta foi aberta por um empregado.

Seguimos ele até a sala e todos já estavam nos esperando sentados.

— Boa noite. — disse Josh chamando a atenção deles.

Ali estavam os pais de Josh, os pais de Andrew e o pai de Elisa, do que fiquei sabendo, sua mãe morreu há dois anos atrás.

— Oi filho. — Úrsula veio na nossa direção e nos abraçou. — Demoraram. — olhou o filho.

— Tomamos banho juntos, aí a senhora já sabe. — Josh sussurrou e eu dei um tapa em seu braço.

— Joshua! — digo morta de vergonha. — Desculpa Úrsula, seu filho é realmente maluco. — ela riu.

— Nada que eu já não saiba. — ela piscou me fazendo rir baixo.

— Bom, acho que podemos. — Elisa disse sorridente e logo se levantou.

Seguimos até a mesa de jantar e nos sentamos ali.

O assunto da mesa antes de chegar a entrada foi trabalhos e casamento. Os pais de Andrew pareciam animados com a data marcada, já Josh e eu conversávamos entre si rindo de assuntos aleatórios e ignorando o assunto deles.

— Você é muito idiota. — sussurro rindo.

— E você ama esse idiota. — sussurrou pincelando meu nariz com o dedo indicador e eu ri mais.

— O assunto de vocês parece estar bom. — nossa atenção é desviada quando Elisa fala mais alto.

— Está ótimo. — Josh e eu dissemos juntos e eu me segurei para não ter uma crise de risos.

Nossa entrada chegou e eram canapés. Não sou muito fã disso, então só tomei um pouco de vinho e fiquei tranquila.

— Abre a boca. — encarei Josh que segurava um canapé na mão.

— Não. — digo contraindo os lábios.

— Por favor, está gostoso. — neguei. — Abre. — neguei querendo rir. — Te faço um bolo de chocolate com morango. — sorriu de canto.

— Chantagem. — ele riu e eu abri a boca.

— Linda. — me deu um selinho e eu ri levando a mão na boca.

Acho bom ele fazer mesmo, porque agora me deu vontade.

Nossa entrada foi retirada e eu dei mais um gole no vinho.

Nessa pequena pausa para o prato principal, Ron chamou Josh e os dois saíram para conversar.

Fiquei ali conversando com Úrsula e ela me perguntou um pouco de como Josh estava. Contei para ela o que fiz e a mesma me chamou de maluca, mas depois me agradeceu, ela também notou Josh melhor.

Úrsula também me perguntou sobre nosso casamento, eu apenas disse que a gente não estava com tanta pressa.

A verdade é que devido a essa mentira Josh e eu nunca tocamos em assunto de noivado, tecnicamente ainda estamos namorando e ele não me pediu oficialmente em casamento. Mas não me importo tanto com isso no momento, estamos tão bem que na minha cabeça já somos casados há anos.

— E sobre filhos? Se é que me permite perguntar. — sorri sem mostrar os dentes.

— Josh já me disse que quer ser pai, mas não estamos tentando isso ainda. — assentiu.

— No seu tempo. — sorri.

Alguns minutos depois, Josh e seu pai voltaram para mesa e eu encarei o loiro. Seu rosto estava normal, o que me fez deduzir que a conversa não deve ter sido tão ruim.

O prato principal chegou e eu encarei aquela sopa. Sopa não deveria ser considerada um prato de entrada? Ou é os dois? Não lembro mais.

Agradeci com um sorriso e peguei a colher. Levei aquele caldo até a boca e gosto de frango estava forte. Geralmente não sou muito fã de sopa, mas essa estava muito boa.

Enquanto eles voltaram a conversar eu foquei no meu prato, não sabia que minha fome estava tão grande.

Também estou curiosa para saber o que Josh conversou, mas acho que só vou conseguir fazer isso quando o jantar acabar e estivermos a caminho de casa.

Tossi um pouco sentindo minha garganta arranhar e levei o guardanapo até a boca. Peguei aquela taça dando um gole no vinho e senti ela arranhar novamente.

Encarei aquela sopa e mexi ali confusa.

— O que foi? — Josh sussurrou e eu levei a mão na garganta tossindo mais um pouco.

Vi um rapaz colocar mais vinho na minha taça e olhei ele.

— Desculpa, essa sopa é de quê? — me olhou.

— É uma sopa Tinola, receita de Filipinas. — tossi novamente.

— Tem camarão aqui?

— Um pouco de caldo. — arregalei os olhos e no mesmo instante Josh se levantou derrubando sua cadeira.

— O que aconteceu? — escutei a voz de Úrsula.

Levei a mão na minha garganta sentindo meu coração disparar.

— Gabrielly! — Josh pegou minha mão me colocando de pé.

— M-me leva p-para o hospital, r-rápido. — digo com dificuldade e sinto seus braços me pegarem no colo.

Josh saiu correndo da casa e me levou até o carro. Sentia minha pele coçar, mas nada era pior do que aquela falta de ar que começou a aumentar.

— Gabrielly tenta respirar devagar. — Josh ligou o carro e saiu de uma vez.

Não conseguia respirar nem devagar e nem rápido, sabia que em questão de segundos minha garganta iria fechar por completo e foi exatamente isso que aconteceu. Tudo escureceu lentamente e a última coisa que escutei foi Josh pisando fundo no acelerador.

Parece que alguém perdeu a noção total...

Vejo vocês em breve. Votem e comentem 🤍

Xoxo - Sun

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