Capitulo 3

| NOIVA |

Sem forças, fraca demais
Eu poderia usar alguma proteção

Any Gabrielly

— Black Wolf e Tigers, as duas maiores gangues da Califórnia. Todos dizem que os líderes não podem se encontrar, caso contrário, armam uma guerra ali mesmo. — escutei meu pai dizer enquanto estava amarrada em uma cadeira. — Sabe filhinha? Seus pais se meteram uma furada. — vi ele pegar um chicote e senti meu coração disparar.

Na minha boca havia um pano, minha cara já devia estar inchada de tanto chorar, mas não tinha o que fazer, não tinha como fugir.

— Já devi aos Black Wolf, mas quitei a dívida. — vi ele pegar uma garrafa com álcool. — Sua mãe pensou nos Tigers e eu pensei, por que não? — neguei entre o choro vendo ele vir na minha direção. — Agora estamos atolados com uma nova dívida e eu poderia facilitar tudo entregando você para eles. — fechei os olhos sentindo sua mão no meu rosto. — Mas aí eu perderia meu brinquedinho. — gritei com o pano na boca quando recebi o primeiro golpe com o chicote e senti minha perna queimar.

Eu ainda encarava o loiro na minha frente, sentia meu corpo trêmulo e meu coração estava tão disparado que poderia jurar que a qualquer momento iria cair dura no chão.

Não tenho que me preocupar com ele, mas não posso ficar aqui, se os dois já se odeiam, imagina quando o líder dos Tigers descobrir que estou com o líder dos Black Wolf? Não, isso vai causar uma tremenda de uma guerra e eu ficarei ainda mais ferrada.

— Any? — escutei alguém estalar os dedos na minha frente me tirando do pequeno transe.

Noah me olhava e eu balancei a cabeça rapidamente.

— Oi? — digo tentando parecer normal.

— Perguntei a sua história. — disse o loiro me chamando a atenção. — Acredito que morar na rua não tenha sido fácil. — disse apontando para o meu corpo.

Digamos que eu tenha alguns hematomas ainda roxo nos meus braços, rosto, costelas… Tudo de briga recente, mas já estou mais do que acostumada.

— Quase isso. — suspirei. — Olha não tem motivos para querer saber minha história, agradeço a ajuda, mas é melhor eu ir embora, não quero atrapalhar mais. — me virei indo em direção a porta, mas a sua voz me obrigou a parar.

— Você não vai a lugar nenhum. — engoli seco encarando aquela porta. — Vou precisar de você. — franzi o cenho confusa e voltei a olhar ele.

— O quê? — digo perdida. — Nem me conhece, como precisa de mim?

— Urrea. — ele deu a palavra ao moreno e se sentou no sofá.

— Ontem eu estava a procura de algo, na verdade alguém. — Noah iniciou parando na minha frente. — Eu precisava encontrar uma mulher, algum rosto desconhecido para poder acompanhar ele. — apontou para o loiro. — Em um lugar.

— E o que eu tenho a ver com isso? — cruzei os braços.

— Você é a nova acompanhante dele. — soltei uma risada forçada e tomei a cabeça levemente para trás.

— Surtados, isso que vocês são. — me virei e levei a mão na maçaneta.

— Você me deve um favor. — parei ao girar a maçaneta após escutar a voz do loiro.

— Não devo não. — me virei encarando ele que ainda estava sentado. — Quem me ajudou foi o Noah e a Heyoon, até mesmo a Sabina que me emprestou uma roupa. — se levantou caminhando na minha direção.

— E caso não tenha escutado, sou o chefe deles. — parou na minha frente. — Eles não teriam te ajudado, se eu não tivesse deixado. — encarei Noah que fez um leve aceno para confirmar o que o loiro disse. — Ninguém entra na minha casa, não sem a minha autorização.

Abaixei a cabeça assentindo e encarei meus pés.

Não posso ficar, não posso sequer saber de alguma coisa deles. Como que eu tiro essa ideia maluca da cabeça dele?

— Vai confiar em uma desconhecida? — levantei a cabeça novamente.

— Tecnicamente eu precisava de uma desconhecida exatamente para isso. — revirei os olhos.

— Não sei o que esse tipo de acompanhante significa, mas não irei deitar com você. — ele riu olhando para o lado.

— Não tem nada a ver com isso, Any. — disse Noah. — Você vai realmente só acompanhar ele.

— Escuta, eu tenho 21 anos, ok?

— Olha que legal, eu tenho 28 e não me importo com isso. — encarei o loiro que disse debochado me fazendo travar o maxilar.

— Não gostei de você. — digo séria e ele vira as costas caminhando até sua mesa. — E não irei ser sua acompanhante.

— Tudo bem Gabrielly. — disse o loiro sem me olhar. — Pode ir embora. — levantei as sobrancelhas surpresa. — Mas é melhor se esconder bem, porque quando eu te achar, irei te matar. — arregalei os olhos.

— Como? — me aproximei. — Só porque não quero te acompanhar?

— Você já sabe quem sou e onde moro, vai saber se vende essa informação. — neguei desacreditada.

— Burro foi você de contar. — digo no automático e ele se vira com uma sobrancelha arqueada. — E outra, quem me garante que não vai me matar depois de eu te acompanhar?

— Eu? — bufei sem paciência revirando os olhos.

— Nem te conheço.

— Olha que engraçado? Eu também não te conheço. — neguei cobrindo meu rosto e respirei fundo.

— Eu realmente detestei você. — digo séria encarando ele e o vejo cruzar os braços.

— Você não vai ser nem a primeira e nem a última a me dizer isso. — sorriu de canto.

Deus me livre, não vou ficar aqui.

Caminhei em direção a porta do escritor e dessa vez ele não me impediu.

Andei naquele corredor e quando novamente vi aquela escada travei. Que merda de trauma!

Respirei fundo e estava prestes a tocar no corrimão, mas uma voz me fez parar...

— Any? — virei meu rosto e vi Noah correr na minha direção. — É sério que vai embora? — suspirei vendo ele parar na minha frente. — Você ao menos tem onde ficar?

— Isso não é problema de vocês! — digo irritada. — Estou na rua desde os meus 18, um dia a mais ou um dia a menos não vai fazer diferença.

— Por que não quer aceitar ajuda? — fechei os olhos e alisei a testa rapidamente.

— Não conheço vocês. — digo simples. — Agradeço a ajuda, mas não quero ficar aqui.

— Tudo bem. — disse em suspiro.

Encarei aquelas escadas e a voz do loiro voltou na minha cabeça me fazendo morder o lábio inferior.

— Ele vai mesmo atrás de mim para me matar? — pergunto olhando as escadas.

— Ele às vezes parece um psicopata, não vou negar. — riu fraco. — Mas só por garantia, se esconda bem. — alisei minha nuca.

Já devia ter um na minha cola, ter dois é sacanagem.

Talvez Ryan nem esteja mais atrás de mim já que faz tanto tempo, mas será impossível eu identificar quem é quem se resolverem me caçar juntos. Além do mais, vai saber se Ryan é um psicopata que não vai descansar enquanto não me achar? Fazem três anos, mas tenho certeza de que ele ainda me quer só por questão de orgulho.

— O que é isso que tenho que acompanhar? — pergunto por fim encarando ele.

— É um baile de inauguração de um novo hotel, acontece que ele inventou uma coisa para se livrar de algo e acabou em um beco sem saída. — cruzei os braços.

— E ele não pode simplesmente não ir? — negou.

— Como eu te explico isso... — ele olhou para os lados pensando. — Ok, finja que você tem um legado de família, certo? — assenti. — Pense que para conseguir algo, você tem que estar em um cônjuge. — arqueio uma sobrancelha. — Casado ou noivo.

— Ah. — digo após realmente entender.

— Esse "império" que o Josh tem é de família, só que ele tem um primo da mesma idade que está noivo e segue esse mesmo rumo.

— Quem é Josh? — pergunto perdida.

— O que você acabou de falar. — apontou por cima dos ombros e eu assenti. — Enfim, ele nunca foi de se relacionar, Josh sempre focou demais nisso para manter o nome de sua família no topo.

— Dá para ir direto ao ponto? — digo já sem paciência.

— Há cinco meses atrás, Josh disse que estava noivo para o seu pai, tudo isso porque estava prestes a perder o nome já que seu primo chegou com a notícia de que havia ficado noivo. — suspirei alisando a nuca. — Tudo estava dando certo, até o pai dele chegar de viagem e querer conhecer a noiva dele. — soltei uma risada levando a mão na boca.

— Ele tomou no cu. — digo abaixando a cabeça. — Agora deixa eu ver se entendi. — limpei a garganta e voltei a olhar ele. — Eu seria a tal noiva dele? — assentiu. — E teria que fingir estar apaixonada por ele? — assentiu. — Impossível. — ele riu.

— Aquele lugar que achei era perfeito, era só uma mulher desconhecida, mas você cruzou meu caminho e estava machucada precisando de ajuda. — suspirei. — Isso vai durar dois dias no máximo, depois ele ainda te paga e você pode viver tranquilamente por um tempo.

— Não gostei daquele cara. — digo encarando a parede do lado. — Deve ser por isso que está sozinho. — ele riu novamente.

Isso parece coisa de maluco, a qualquer momento penso que vai aparecer uma câmera e revelarem que estou em uma pegadinha.

Não conheço ninguém, mas talvez ficar um tempo aqui seja bom, afinal de contas, quem suspeitaria que eu estaria na casa do inimigo?

— Tudo bem, eu entro nessa. — digo por fim encarando ele.

— Está falando sério? — assenti. — Ok, é… — ele olhou para os lados. — Tudo vai acontecer no fim de semana, então vocês vão precisar se conhecer bem até lá. — arqueio uma sobrancelha.

— Vou ter que falar com aquele cara de novo? — assentiu. — Que ótimo. — revirei os olhos.

Nada a declarar hoje...

Vejo vocês em breve. Votem e comentem 🤍

Xoxo - Sun

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