Capitulo 2

| O CHEFE |

Envolva os meus ossos
Quando o meu coração se sentir desprotegido

Any Gabrielly

Comi tudo aquilo com muita calma e saboreando tudo. Fazia tanto tempo que não comia assim que me senti perdida no que escolher.

Fiquei em silêncio apenas comendo, enquanto eles conversavam entre si sobre assuntos que nem fiz questão de escutar. Não sei o que eles iriam querer conversar comigo depois, mas irei evitar ao máximo falar da minha vida.

Assim que terminei meu café, Heyoon e Sabina me pediram para acompanhá-las.

Segui as duas até o segundo andar e novamente demorei a subir aquelas escadas tentando focar em qualquer outra coisa.

Uma porta foi aberta e elas me deram passagem. Era um novo quarto, mas esse era bem mais decorado do que eu acordei mais cedo.

— Você parece ter o mesmo corpo que eu, então separei essas roupas. — disse Sabina me entregando umas roupas. — Pode tomar um banho e ficar à vontade, vamos te esperar aqui. — assenti.

Entrei naquele banheiro e deixei as roupas sobre a pia.

Me olhei naquele espelho e meu estado estava péssimo. Além de estar coberta de sangue seco, meu rosto ainda estava inchado da última briga que me meti por um dinheiro que nem valeu a pena no final.

Soltei meu cabelo e agitei ele vendo tudo embaraçado. Olhei rapidamente aquele box e vi que tinha alguns produtos de cabelo… Bom, irei ficar à vontade né?

Tirei minhas roupas e as deixei separadas em um canto.

Liguei aquele chuveiro e assim que água esquentou me enfiei ali embaixo.

Deixei aquela água cair sobre o meu rosto e fechei os olhos para tentar aproveitar um pouco.

Terminei de pentear meu cabelo e espremi pela última vez antes de enrolar a toalha nele.

Me olhei no espelho pela última vez e até que a roupa ficou boa. Era apenas uma regata e uma calça moletom cinza, super confortável por sinal.

Peguei aquelas roupas sujas e deixei o banheiro.

Vi as meninas sentadas na cama e Heyoon tinha uma maleta de primeiros socorros ao lado.

— Pode me entregar essas roupas. — Sabina se aproximou e eu entreguei.

— Vamos ver esse ferimento? — disse Heyoon batendo na cama e eu assenti me sentando.

Heyoon pegou meu braço e com cuidado tirou aquela faixa.

Olhei aquilo de perto e fiz uma careta assim que ela tirou por completo. Havia alguns pontos ali e eu dei graças a Deus por ter apagado.

Heyoon começou a limpar o local e eu tapei minha boca para não gritar.

...

— Puta que pariu. — resmunguei fechando os olhos e escutei a risada de Sabina.

— Pronto, já acabou. — disse Heyoon enrolando uma nova faixa ali.

— Obrigada. — digo vendo ela arrumar as coisas. — Quem são vocês, aliás? — Sabina e Heyoon se olharam.

— Alguém que não quer o seu mal, acredite. — disse Sabina sorridente. — E se serve de consolo, também somos inimigos da polícia. — mordi o lábio inferior.

— E tem uma pessoa que quer falar com você. — disse Heyoon me chamando a atenção. — Ele é o nosso chefe e como a casa é dele, ele tem que saber sobre você. — levantei as sobrancelhas.

— Chefe? — pergunto surpresa. — Vocês são um grupo? — assentiram. — Quantas pessoas?

— 17, contando com o nosso chefe. — disseram juntas me fazendo arregalar os olhos.

Fiquei olhando as meninas e meu rosto devia estar estático. Meu Deus, onde foi que eu me meti?

— Any? — sou tirada dos pensamentos com Heyoon estalando o dedo da minha frente. — Você está bem? Ficou pálida do nada.

— Não, é que… — engoli seco passando a mão na testa. — Acho que não tem porque eu falar com chefe de ninguém, agradeço a ajuda, mas é melhor eu ir. — me levantei.

— Você tem onde ficar? — perguntou Sabina entrando na minha frente. — Porque você realmente precisa cuidar disso, caso contrário pode infeccionar e te trazer complicações. — apontou para o meu braço.

— Any ninguém aqui vai te fazer mal. — disse Heyoon aparecendo ao lado. — Ele só vai te fazer algumas perguntas, se não quiser responder tudo bem.

Estou com medo de quem esse cara possa ser, se são inimigos da polícia como dizem, certamente são foras da lei. Que crimes comentem? Não faço a mínima ideia, mas e se ele já tiver ouvido falar da minha família? Ou ainda pior, ser amigo do cara que deve estar atrás de mim ainda?

Não fugi por três anos para cair nas mãos erradas. As meninas parecem querer me ajudar, mas para me passar a perna é dois palitos também.

Me assustei quando a porta do quarto abriu e Noah apareceu ali.

— Ele chegou. — disse me olhando. — E quer te conhecer. — mordi o lábio inferior e encarei as meninas.

As meninas apenas me encorajam a fazer isso e embora eu estivesse com muito medo, sabia que se tentasse correr eles poderiam desconfiar que devo algo...

Tirei a toalha do meu cabelo entregando para Heyoon e ajeitei meu cabelo jogando levemente para trás.

Noah me deu passagem e logo veio ao meu lado. As meninas ficaram, pois Noah informou que o cara queria me ver sozinha.

Andamos um pouco no corredor e ele parou em uma porta segundos depois. Engoli seco e ele abriu me pedindo para entrar.

Dei um passo entrando e abracei meus cotovelos nervosa.

Ali havia um homem, estava em pé e com suas mãos dentro do bolso da calça ele encarava a janela.

O escritório era bonito, uma mesa ficava no centro e atrás havia uma obra de arte pendurada. Nos cantos haviam alguns sofás, e mais ao lado algumas prateleiras de livros. O ar do local parecia estar ligado e isso fez meu corpo arrepiar pelo frio.

— Chefe, aqui está ela. — Noah disse mais atrás me fazendo prender a respiração.

O homem que estava ali se virou me olhando. Pele clara, cabelos loiros e olhos azuis. Conseguia notar as tatuagens em seus braços e também se notava algumas no pescoço.

Seu olhar se encontrou com o meu e eu estremeci sentindo meu coração disparar.

— Você é a Any? — sua voz grave me atingiu e ele se aproximou ainda com as mãos no bolso da calça.

Estava sem coragem para abrir a boca, então apenas balancei a cabeça afirmando.

— Como foi que achou ela mesmo, Urrea? — perguntou olhando Noah.

— Estava fazendo o que me pediu, acabei trombando com ela e percebi que estava fugindo. — o loiro assentiu lentamente e voltou a me olhar.

— Quer sentar? — neguei e ele tirou as mãos do bolso para cruzar os braços. — O gato comeu a sua língua? — neguei novamente vendo ele estreitar os olhos.

— Any, pode falar. — disse Noah me fazendo olhar ele.

— Mas ele não perguntou nada. — digo por fim escutando os passos dele pelo local.

— Any Gabrielly. — o loiro pronunciou meu nome me fazendo olhar ele. — Por que estava fugindo? — encolhi os ombros.

— Isso importa? — vi ele arqueando uma sobrancelha.

Já me sinto mais aliviada, nunca vi o rosto desse cara e ele parece que também não me conhece. Acho que consigo fugir daqui o quanto antes.

— Até onde eu sei, está na minha casa. — disse sério.

— Hm. — resmunguei fazendo pouco caso. — Fui pega roubando uma loja. A polícia chegou, eu não me rendi, levei um tiro enquanto corria e trombei com ele. — apontei com a cabeça para Noah.

— E por que estava roubando uma loja? — suspirei encarando ele.

— Preciso sobreviver de alguma forma. — digo com um falso sorriso.

— Faz parte de algum grupo? — neguei. — Tem certeza? — caminhou na minha direção.

— Se eu fizesse, já teria fugido. — ele tentou me tocar, mas bati em sua mão interrompendo. — Não toque em mim. — digo séria.

— Quero ver se você tem alguma tatuagem na costela. — me afastei.

— Sua boca não vai cair se pedir. — levantei um pouco minha blusa e mostrei que não havia tatuagem em nenhum dos lados.

É assim que funcionam as gangues de rua da região. A tatuagem que representa sua gangue fica localizada na costela, enquanto a do seu chefe fica localizada em suas costas.

— Conhece os Black Wolf? — perguntou o loiro e eu assenti lentamente.

— Já ouvi falar por aí. — digo simples.

— Muito bem, está olhando para o líder deles. — levantei minhas sobrancelhas em um ato surpreso.

Ok, eu definitivamente me enfiei onde não devia!

Tava eu e o Jorginho apavorando na festa...

Vejo vocês em breve. Votem e comentem 🤍

Xoxo - Sun

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