Capitulo 19
| PREOCUPADO |
Any Gabrielly
Quinta-feira
— Já mandei você ficar quieta! — levei outro tapa que fez meu rosto arder e fechei os olhos chorando.
Minha camisa foi rasgada e novamente aquele pavor tomou conta de mim.
Me levantei de uma vez recuperando meu ar e me dei conta que estava em meu quarto. Senti meu coração disparado e cobri o rosto respirando fundo.
Não consigo mais pregar os olhos, já devia passar das 03h da manhã e eu simplesmente não conseguia dormir.
Tudo parece estar pior, quando penso que estou me livrando, a vida vem e me mostra o contrário. Não aguento mais isso.
Me levantei daquela cama e sai do quarto. Segui pela casa que estava completamente escura e fui para a porta de fora.
Aquele vento gelado me fez encolher um pouco e eu caminhei até a parte da piscina.
Me sentei naquela cadeira e abracei meu corpo ficando ali.
…
O dia já estava clareando e eu permaneci no mesmo lugar. Não tinha sono, e mesmo que tivesse não ia dormir com medo de ter pesadelos novamente.
Fiquei escutando aqueles passarinhos cantarolar pela manhã e me levantei indo para dentro de casa.
Entrei na cozinha e peguei algumas coisas para preparar um café. Deixei tudo sobre o balcão e coloquei a água para esquentar.
Enquanto montava aqueles sanduíches deixei minha mente preenchida com Josh, só de imaginar aqueles olhos próximos já me acalmava e me fazia esquecer do mundo ao redor.
…
Coloquei meu café na xícara e me sentei ali comendo sozinha.
Será que eu devia conversar com alguém? Desabafar sobre isso para receber alguma ajuda? Por que é tão difícil fazer isso?
Suspirei fechando os olhos.
— Sabe quando alguém vai se importar com você? — sua mão pressionava meu pescoço fazendo meu ar faltar cada vez mais. — Nunca! — gritou. — Porque você não passa de uma vadia.
Senti algo agarrar meu braço e me virei de uma vez acertando um soco.
Minha ficha caiu de que havia feito merda, quando vi todos ali e Alex no chão inconsciente.
— Ai meu Deus! — digo nervosa.
— Gabrielly o que deu em você? — Heyoon disse preocupada se agachando ao lado dele.
— E-eu… — travei vendo todos me olharem.
Meu coração estava disparado e senti meu corpo tremer novamente me dando a certeza de que estava próxima a uma crise…
— O que aconte… — meu olhar desviou para a porta quando vi Josh entrar. Seu olhar parou sobre o Alex e ele se aproximou. — Quem fez isso? — olhou em volta.
— Foi a Any. — disse Joalin fazendo o loiro me olhar.
— Gabrielly? — se aproximou me fazendo dar um passo para trás. — Por que fez isso? — neguei sentindo minha vista embaçada pelas lágrimas. — Any… — Josh tentou me tocar, mas eu bati em sua mão.
— Não encosta em mim. — digo entre o choro. — Por favor, só parem de tocar em mim. — sai correndo do local e me tranquei naquele quarto.
— Gabrielly? — levei a mão na boca. — Me deixa entrar.
— Josh vai embora. — minha voz saiu fraca.
— Gaby…
— Por favor. — pedi em meio ao choro. — Só… me deixa sozinha. — tranquei aquela porta e segui até o banheiro.
Tranquei aquela porta também e abri as gavetas. Achei aquela lâmina e me agachei no chão fechando ela sobre a palma da minha mão sem pressionar com tanta força.
…
Abri meus olhos com dificuldade e me dei conta que estava jogada no chão do banheiro.
Desmaiei?
Fui levar a mão até meu rosto, mas fiz uma careta ao sentir ela doer e logo a vi coberta de sangue já seco. Merda.
Me levantei daquele chão com dificuldade e abri a porta do banheiro saindo em seguida.
O dia lá fora já parecia escurecer novamente e me perguntei que horas eram.
Sai do quarto para ver se achava Heyoon e acabei encontrando ela subindo as escadas.
— Heyoon? — parou de subir se virando.
— Gabrielly! — desceu vindo na minha direção. — Como você está?
— Preciso de ajuda. — mostrei minha mão e ela arregalou os olhos.
— Ai meu Deus. — disse nervosa. — Vamos voltar para o seu quarto. — assenti e segui para lá.
Heyoon me levou de volta para o banheiro e me pediu para deixar a mão embaixo da água corrente, enquanto isso ela saiu para buscar seu kit de primeiros socorros.
Ouvi a porta do quarto abrir novamente e logo ela apareceu com uma toalha em mãos.
— Vem. — abriu a toalha e eu coloquei minha mão ali.
Seguimos até a cama e ela tirou alguns algodões deixando de lado.
— Vai arder um pouco, mas terei que esterilizar isso. — assenti estendendo minha mão esquerda. — Faz muito tempo que tem isso? — assenti.
— Mas nunca usei lâmina. — digo com a voz fraca. — Geralmente apertava meus braços e minhas pernas... — assentiu e eu fechei os olhos quando ela passou o algodão ali.
— Você acha que precisa conversar? — não consegui responder pela dor que sentia. — Não sei o que você pode ter passado, mas te faria bem isso.
— Sei disso. — vi ela pegar mais um algodão. — Mas não é tão fácil.
— Sei disso. — disse com um pequeno sorriso e molhou o algodão novamente. — Sofya, Nour e Shivani também sofreram com isso. — aquele álcool voltou a entrar em contato com a ferida e eu fechei os olhos contendo um grito. — Sabíamos das crises, ajudamos como podemos, mas no final é sempre você que tem que se abrir para querer acabar com isso.
Voltei a ficar em silêncio e ela aplicou uma pomada ali antes de enrolar uma faixa.
— O corte não foi profundo, e isso é só para não correr risco de inflamar, pode seguir sua vida normalmente. — assenti e ela se levantou.
— Heyoon. — me levantei cruzando os braços. — Como o Alex está? — pergunto preocupada.
— Está bem. — sorriu. — Josh queria muito falar com você, mas Sabina convenceu que era melhor te deixar sozinha. — mordi o lábio inferior. — Agora percebi que isso foi uma péssima ideia. — disse se referindo a minha mão. — Se quiser conversar estarei aqui, não só eu como as meninas, até mesmo o Josh. — assenti.
— Obrigada. — ela saiu e eu vi aquela porta se fechar.
Me sentei na cama e fiquei encarando minha mão enfaixada.
Como que eu crio coragem para falar sobre isso com alguém daqui? Gosto de todos, mas acho que não tenho intimidade para falar disso ainda...
Passei a mão no rosto e sai do quarto.
Segui até às escadas e antes de subir me perguntei o que iria dizer ao Josh sobre o soco, e também do porquê eu ter saído daquele jeito.
Respirei fundo subindo aquilo na maior calma e me virei indo até o escritório dele.
Parei na porta e contei até dez antes de fazer isso. Levantei minha mão para bater, mas parei ao escutar a voz de Noah lá dentro.
— Está falando sério Josh? — olhei para os lados e encostei minha cabeça ali curiosa.
— Sei lá Noah. — ele parecia irritado. — Ela não fez aquilo por querer, seu corpo estava trêmulo e eu notei. — engoli seco.
— Mas você acha certo investigar a vida dela assim? — prendi minha respiração. — Digo, não acha melhor tentar conversar com ela?
— Ela não vai falar Noah. — fechei os olhos. — Ela sempre se assusta quando alguém toca ela. Seu reflexo é bom quando alguém ameaça encostar nela e não acho que é só pelas lutas. — mordi o lábio inferior. — E você ouviu o que ela disse quando saiu? "Parem de tocar em mim". O que você quer que eu faça Urrea? Estou preocupado com ela.
Me afastei daquela porta e desci para o primeiro andar novamente.
Voltei a me trancar no quarto e fiquei andando de um lado para o outro.
Não tem a menor chance dele achar algo sobre a minha vida, só se ele for realmente bom, o que não duvido também.
Tenho que contar antes que ele resolva levar isso para frente… Só preciso pensar em uma forma fácil de falar sem ter uma crise no meio deixando os pensamentos me dominarem.
↝ Os próximos caps estão tão.... 🥺🤏🤧
Vejo vocês em breve. Votem e comentem 🤍
Xoxo - Sun
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