7. AKEMI, SHERA e MAYA

Maya Forseti

Na sala de reuniões da nossa equipe Trever não me encara. Não conversamos depois do corredor.
Stive nos encara sem entender nada, não tive coragem pra contar pra ele.
Sou uma espiã desde a adolescência, segui os passos dos meus pais. Trabalhei por muito tempo em Nova York, há cinco anos fui transferida para Las Vegas, quando entrei na equipe de Stive e Trever já estava, ele e mais três, Hans, Julia e Tob.
Hans é um cara moreno, barbudo e muito, muito galinha. Eu disse já muito?
Tob é magro, cabelos cacheados e curtos, olhos grandes e bom de luta, já Júlia é musculosa, loira, baixa, rosto oval e olhos negros.
Desde então passei a ser parceira de missão com Trever, algum tempo nossa amizade acabou virando namoro, pensei até que íamos morar juntos, conheci a família dele, ele a minha. Mas agora nem sei o que restou desse relacionamento.
Estou muito chateada pra conversar com ele.
- Hum hum,-Stive chama nossa atenção- então como foi a missão?

É lógico que Stive já sabia, ele estava conversando com o Sr. Fenn agora pouco.

- Péssima- respondo.
- Boa- Trever responde ao mesmo tempo.

Não nos olhamos.
Stive me direciona um olhar interrogador.
Eu suspiro.
- Consegui uma lista.
Entrego para Stive o pendrive, ele conecta no notebook que está na mesa.
Os olhos dele passeiam rápidos pela tela.
- Esses caras são perigosos. O que você pretende fazer Maya?

Me inclino para frente na cadeira.
- Devemos investigar o envolvimento de cada um com a pedra.

Stive nos encara.
- É algo bastante perigoso.

- Não estou entendendo, Stive.- Trever admite.

- Gente, todos já sabem que estamos atrás da pedra, não nós exatamente, mas o serviço de inteligência. Com certeza agora eles estão bem mais preparados para reagir. Temo ser uma missão suicida.

- E o que vamos fazer chefe?- Hans pergunta.- desistir da missão?

- Acho que devemos dar um tempo por hora. Nós podemos ficar vigiando de longe.

- E enquanto isso vidas são sacrificadas.- Trever fala.

- Trever, por enquanto eles estão usando as armas contra eles mesmo, facções rivais. Não são vidas inocentes.

- Até quando? Não podemos parar, chefe.- digo incomodada.
Já me sinto estúpida por ter perdido aquela mala.

Então uma idéia bizarra surge na minha cabeça.

- E se a gente se aliar com  pessoas como eles?

Todos me encaram, inclusive Trever.
—Não exatamente o pessoal deles, mas ouvi um boato aqui que existem duas pessoas que estão na mira do S.I. e podemos usar isso a nosso favor.

—Não isso é loucura.–Stive me corta.– são criminosos, eles não vão aceitar, eu não aceito.

—Stive... Me escuta! Se oferecermos uma boa proposta a essas pessoas elas vão aceitar. E podemos nos passar por compradores com elas.

Todos encaram Stive.
Ele está analisando a situação.
—Nenhum agente vai aceitar trabalhar com um fora da lei.

—Eu topo.- Hans é o primeiro a dizer.

—Eu também.- Trever diz em seguida.
Os outros dois olha para o teto.
Sorrio. Não por Trever, mas por não ter a missão cancelada.
—Muito bem- os ombros de Stive caem em sinal de derrota- quem são essas pessoas, afinal?

Cruzo os braços.
- Uma ladra e uma assassina de aluguel.

Akemi Vartan

O Cansis é um bar no subúrbio de Las Vegas. O seu interior é decorado com inúmeras fotografias de lutas no ringue, centenas de luvas de boxe estão espalhadas pelo teto e paredes. Frases como "acaba com ele", "chuta no saco", "cospe no olho (?)" estão pinxadas no pouco espaço que resta na parede.
Outro ponto importante que você precisa saber é que o Cansis é frequentado por foras da lei, criminosos.
Como ainda é antes da cinco o bar está quase vazio, costuma encher lá pelas sete da noite e fecha só as seis da manhã.
Há uns três caras na mesa da frente jogando cartas, tem mais uns seis jogando  no bilhar em pares, uma garçonete ruiva perambula entre as mesas, tem um bigodudo solitário fitando a tv. Quando vou em direção ao balcão um cara branco como cera passa por mim encarando e segue para o banheiro.
- E aí Victor!?- comprimento o barmem gorducho.

- Oi Akemi. O que anda aprontando?- ele pergunta enquanto coloca minha bebida.

- Nada de mais. Ensaio pro coral, visita em asilos... há e agora faço parte de um clube que guarda fezes para fazer seu próprio adubo.

Victor me ergue a sobrancelha.
- Fezes você quer dizer bosta?

Reviro os olhos.
- É claro! O que você pensa quando escuta a palavra fezes? bolo de carne?

Victor da uma risadinha.
-Credo. Me lembre de não aceitar nabos oferecidos por você.

- Qual é? Minha bosta contém muitos nutrientes.

Desço minha bebida goela abaixo.

Alguém senta a minha direitas.
Abro um parênteses aqui pra te falar, se tem uma coisa que detesto é quando há um monte de assentos vazios e o infeliz acha de sentar bem do meu lado, isso me irrita pra caralho.

Viro de soslaio e percebo que é o cara de vela e ele continua me encarando.

Eu sou uma pessoa pacífica.
É sério. Não mexe comigo e não mexo contigo. Fica na sua e eu fico na minha.
É simples o bagulho.
Mas tem gente tão imbecil nesse mundo que não respeita a regra de sobrevivência mais sagrada.

Ele continua me encarando.

- Beleza. Se tiver interessado te dou o número do meu cabeleireiro.

Ele sorri. Não é uma coisa que você pode chamar de sorriso é tá mais pra olha minha cara enquanto eu penso em cortar sua garganta.

- O quê?

Ele entendeu, mas quer que eu repita.
- Você tá me encarando há um tempão. Só pode ter gostado do meu cabelo. Ele é lindo eu sei, mas tá vendo aquele cara ali-  aponto com o queixo pro cara que tá de jaqueta de couro com um taco na mão- ele tem uma jaqueta maneira, porque você não encara ele?

Só quando terminei de falar que percebi que o cara de jaqueta estava olhando na minha direção, na verdade metade dos caras ali estava me olhando disfarçadamente.

Será que eu menstruei e minha calça tá suja?
Disfarçadamente passo mão na bunda. Não, tá tudo limpo e seco.

- Você é bem engraçada sabia?

Ele não está sorrindo.

- É, na verdade eu sou o Jim Carrey disfarçado de mulher.

Retruco impaciente.
- Tenho um convite a fazer. Quero que você me acompanhe.

Agora isso soou engraçado.
Pisco.
- E se eu não quiser?

Ele olha para algo atrás de mim.
-Bom, então eu vou ter que obrigá-la a ir comigo.
Bufo.
- Homens, sempre nos obrigando quando dizemos não.

Me levanto.
- Desculpa, mas não vai rolar nenhum dos dois.
O cara se levanta também.
Quando eu me viro ele agarra meu braço, no mesmo instante dou um giro e  prendo o pescoço dele.
- Você não vai querer morrer , vai?- sussurro no ouvido dele.

Em resposta ele se inclina e me lança no chão.
Minhas costelas explodem de dor, mas eu estou acostumada.
Dou um pulo e chuto o rosto, costela e joelhos dele numa sequência rápida.
Pego minha arma e antes de apontar pro cara alguém me acerta na costas com um taco.
Cambaleio pra frente viro em direção do outro agressor e atiro.
Acertou o ombro. Outro cara tenta me dar um soco, mas esquivo e chuto a cara dele, atiro no joelho, ele urra de dor. De repente uns cinco caras me cercam e o cara de vela está no meio.
Não tenho tempo de pensar. Apenas luto. Chuto a virilha de um, atiro em outro, levo um soco no rosto, um chute na costela, atiro no braço de um.
Eles não querem me matar, então decido não matar ninguém também.
De repente os que sobraram, uns três, apontam as armas pra mim.
Levanto as mãos.
- Quer saber!?- eu olho pro cara de vela, ele está com a orelha sangrando- Decidir ir com você.

Ele sorri. Agora é um sorriso de verdade.

Shera Levon

Estou no Museum of Latin American Art, é um museu que exibe a arte e a história dos povos que formaram LA.
Caminho e paro diante de uma escultura, é uma espécie de ovo vazio gigante vermelho por fora e prateado em seu interior, a parte de cima do ovo está ao do lado.

Percebo uma mulher se aproximando, faço um movimento de me retirar, porém ela fala.
- Integrante não é?

Me viro em sua direção pra ter certeza que ela está falando comigo, ela é baixa e  musculosa, usa uma jaqueta e calça legging preta.

- Não acho. É apenas um ovo.
Digo estudando a mulher.

Ela continua encarando o ovo.
- Pra mim é uma casca. Todos nós temos uma, algumas são frágeis e outras são uma fortaleza.- ela me encara séria.

- Continua um ovo pra mim.- na verdade quero encerrar o assunto, algo nessa mulher não me agrada.

Dou a costas pra ela e começo a andar.

- Eu sei quem você é.

Paro.

- Você é Shera Levon.

Me viro e a encaro.

- Você é uma ladra sofisticada, adora dar golpes e sua principal arma é a beleza.

Ergo uma sobrancelha. Se ela acha que vai me abalar não deixo isso acontecer.
Qualquer um pode obter informação de outra pessoa.

- Errou- me aproximo- Me chamo Miranda Armstrong. Sou designer. Mas tem uma coisa que você acertou, a minha beleza é uma arma potente.

Ela me encara, apesar de ser mais baixa que eu, a mulher não se deixa intimidar.

- Eu tenho um convite pra você Shera. Gostaria muito que você me acompanhasse.

- Não costumo acompanhar estranhos.

- Bom, eu vim aqui pacificamente, porém, posso fazer do jeito mais difícil.
Ela olha pra algo atrás de mim, quando acompanho o seu olhar vejo dois homens enormes caminhando em nossa direção. Ele estão armados.

Eu sei atirar. Não de modo excelente mas consigo matar alguém, aprendi isso logo depois que secou todas as lágrimas possíveis do meu corpo por causa do Andersen. No entanto não luto. Não sou boa em combate físico.

Encaro a mulher.
- Tudo bem, posso abrir uma exceção.
E nós nos dirigimos para fora do museu.

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