4. MAYA FORSETI
Beijo o cara na minha frente.
Estávamos flertando há alguns minutos. Ele até que é bonito, alto, moreno, ombros largos, cabeça raspada, olhos pretos e uma tatuagem de uma serpente no lado esquerdo do rosto.
-Que tal se a gente subir?- indico as escadas com um aceno de cabeça.
Ele sorri maliciosamente.
- - Não vai dar, gata. Tô de serviço.
Reviro os olhos.
- Fala sério. Ninguém vai perceber.
Eu indico em volta.
Estamos numa festa numa mansão no litoral. A casa está cheia, mas precisamente de garotas de programa, traficantes, contrabandista, mafiosos e seus capangas. Ninguém nos nota.
O cara parece pensar no assunto e aceita meu convite.
Ele me leva para um quarto no andar superior.
Deito na cama e ele me acompanha sem deixar de me beijar. Ele começa a tirar meu vestido.
- Não-sorrio- primeiro você.
Tiro o blazer dele, em seguida a calça, ouço um tilintar de chaves e, por último jogo a camisa longe.
Começo a beijá-lo, tiro meu vestido preto e fico só de lingerie também preta.
O cara passa a mão por minhas pernas subindo pelas coxas e para no interior delas.
- Espera! Preciso ir ao banheiro.
- Fala sério?
Me levanto e pego meu vestido e as chaves sem ele perceber.
- Vai ser rapidinho.
Corro pra fora e tranco a porta silenciosamente.
Não vai demorar muito pra ele perceber que o tranquei.
Me visto desajeitadamente e vou em direção a uma porta de madeira branca.
Pego a chave roubada e abro.
Entro num escritório moderno com vista para o mar. Num canto tem uma mesa com um notebook e uma mala preta.
Vou até a mala primeiro, quando abro meu coração dispara, no interior está uma pequena pedra preta e brilhante.
- Ebaa! Achei a pedra.- informo no meu ponto eletrônico.
- Beleza! Se vocês não saírem em dez minutos invadimos.- informa uma voz do outro lado da escuta.
Vou até o notebook. A tela acende.
Insira senha.
Sorrio. Esse pedido é um passatempo pra mim. Sou hacker profissional.
Digito alguns comandos.
Acesso liberado.
Rapidamente vou até os arquivos, tiro um pendrive do meu bojo e conecto ao aparelho. Após alguns segundos consigo uma lista de pessoas. Nela deve conter o fornecedor do Serendibite.
É ele quem estamos procurando. O dono da casa e chefe do capanga que eu tranquei no quarto é só um receptor da pedra. O fornecedor ainda é uma incógnita.
Depois de copiar a listagem para o meu pendrive. Pego a maleta e sigo pra fora.
- Trever? Está me ouvindo?
Pergunto na escuta.
- Pode falar.- uma voz grave reponde.
Estarei no estacionamento em trinta segundos.
Corro até lá sem interceptada por ninguém.
Fácil demais.
O estacionamento está vazio, exceto por carros de luxo.
Um cheiro salgado do mar invade minhas narinas.
Trever cade você?
Estou impaciente. Já era pra ele ter aparecido.
Olho no relógio. Droga.
Dou meia volta em direção a casa.
Se aconteceu alguma coisa com ele tenho que ajudá-lo.
Quando me viro por completo dou de cara com cinco homens armados.
Paro abruptamente.
Estou desarmada.
- Me dá mala.- diz um cara baixo do meio.
Olho em volta em busca de uma possível oportunidade de fuga.
- Lamento mas achei primeiro.
- Nem pense em fugir vadia. Estamos com seu amiguinho.
Atrás da muralha de homens surge Treve, tem uma arma apontada para a cabeça dele.
- Droga.
O rosto dele está indecifrável.
-Agora jogue a mala pra cá.
- E vocês vão liberar a gente?- tento.
O do meio rir.
- Você entrou aqui e tentou nos roubar e ainda quer sair viva daqui?
Os outros dão gargalhadas.
Continuo encarado Trever, a expressão dele não diz nada.
- Se tivesse que nos matar já teriam feito isso né?- insisto.
Cadê o reforço Rener...?
- Verdade, mas recebemos ordens de levar vocês vivos ao chefe e depois matá-los.
- Ah...isso é reconfortante.-tento sorrir.
- Passa a mala agora ou eu mato ele.
Olho nos olhos de Trever, não encontro resposta, então os lábios dele se movem quase imperceptíveis.
Foge.
Só eu percebo. Olho de relance para a saída. Se eu for rápida, talvez, conseguirei escapar com a mala. Sei que Trever me dará cobertura lutando com os capangas.
Só tenho segundos pra decidir.
Mas não consigo ir.
Trever vai morrer se eu dexá-lo.
Não posso.
- Tá bom.
Abaixo devagar e coloco a mala no chão encarando Trever. Ele me encara sem expressão.
Chuto a mala e tudo acontece muito rápido.
O cara que está segurando a arma para a cabeça de Trever é acertado com um tiro.
A princípio ninguém entende de onde vem então ouvimos um barulho de carro. E vários agentes entram armados.
Trever escapa e me puxa pelo braço.
- A mala...
Ele tenta voltar, porém um tiro passa perto de nós.
- Não dá! Vamos!
Sou eu quem o puxo dessa vez e entramos em uma mini van.
O motorista acelera e a casa aos poucos desaparece.
- Vocês estão me dizendo que não conseguiram o Serendibite?-o homem sentado atrás da mesa do escritório é Robert Fenn, chefe do departamento de inteligência e tráfico de armas do distrito Las Vegas, no qual faço parte.
Robert é um coroa que quando está com muita raiva fica vermelho e começa a suar pela testa. E neste momento ele parece um tomate debaixo de uma torneira.
Trever e eu estamos em pé na frete dele.
- Quase conseguimos senhor Fenn.- Trever encarava o chão.
Trever tem um pavio muito curto quando se trata de levar pressão. Então ele evita o máximo o contato visual nesses momentos.
- Agente Downey, vocês estão há seis meses investigando esse caso e tudo o que me dizem até agora é um quase.
- Chefe. Eu tive que entregar a mala, os capangas de Mett pegaram Tre... quer dizer o agente Downey e nos ameaçaram. Não tinha escapatória.
Fenn ergue uma sombrancelha.
- Tem certeza?
Olho para Trever. O chão deve estar muito interessante.
- Bem, chefe, se eu tivesse fugido o agente Downey não teria sobrevivido.
- Agente Forseti, você está me dizendo que teve a oportunidade de salvar centenas de vidas, no entanto, não o fez por causa do seu companheiro de equipe?
É impressão minha ou ele está ficando roxo?
Desviei o olhar.
- Como eu disse, chefe o agente Downey corria perigo...
- TODOS NÓS CORRERMOS PERIGO!- Fenn bufou- o agente Downey está ciente que em qualquer missão ele corre riscos, que em qualquer missão ele pode morrer, mas será para um bem maior. Estou errado agente Downey?
Trever levanta o rosto inexpressivo.
- Não senhor.
Como assim "não senhor"!? Ele queria ser morto?
Trever devia estar agradecido!
Sinto minha boca secar.
- Sinto muito chefe.- tiro o pendrive do bolso da jaqueta- conseguiu uma lista de nomes que pode nos ajudar a encontrar os compradores e quem sabe o possível fornecedor. Eu vi a pedra, era muito pequena, creio que irá potencializar duas armas apenas.
Fenn respira fundo.
- Vocês têm que correr contra o tempo.- ele me encara- E não hesitem em relação a quais vidas devem salvar. Exijo um relacionamento apenas profissional entre vocês.
- Sim, chefe.- Trever e eu sussurramos.
No corredor tento quebrar o clima tenso.
- Nossa! Que loucura.- Trever continua encarando o chão- ok. Agora é focar nessa lista. Vamos conversar com Stive sobre nossos próximos passos.
Stive é nosso chefe de equipe.
O silêncio de Trever me incomoda.
- O que foi amor?
Sim nós namoramos. Estamos juntos há três anos e sete meses, porém nos conhecemos há cinco anos. Trever e eu sempre mantivemos a descrição do nosso relacionamento, apenas nosso chefe Stive sabe disso, e só o chamei de amor agora por que a expressão dele me preocupou muito.
Ele parece despertar.
- O Sr. Fenn tem razão.
- No quê?
- Ele tem razão sobre nós corrermos riscos, sempre vai haver.
- Sim ele tem.- confirmo confusa, não sei onde ele quer chegar com isso
- Você deveria ter escapado com a mala...
- E ter deixado você morrer, é isso!?- interrompo.
Ele balança a cabeça.
- Não importa, Maya. A missão é mais importante.
Fico na frente dele.
- Não, você é mais importante.- baixo o volume da voz- eu te amo e jamais te deixaria...
- Esse é o problema!
- Que problema? Não estou entendendo!
- Se não tivéssemos tão envolvidos, isso não teria acontecido.
Nesse momento uma luzinha se acende no meu cérebro sinalizando que tem algo errado acontecendo.
Pela primeira vez Trever me encara e sua expressão diz tudo.
- Está me dizendo que o que sentimos um pelo outro atrapalhou nossa missão? Me atrapalhou?
- Maya...
- E se fosse ao contrário? E se você possuísse a mala e estivessem com uma arma apontada pra mim, você entregaria?
Algo passou em seus olhos.
Culpa?
- Não. Eu salvaria você. É por isso que estou terminando.
Sabe aquelas palavras que são ditas, porém seu cérebro demora pra decodificar? Tipo, quando alguém chega pra você e diz:' você perdeu um braço', ou, 'eu estou te traindo'.
São informações que seu cérebro não te programa para reagir rapidamente.
Eu pisco uma vez.
Pisco outra vez.
- O quê?
Trever parece obrigar seus olhos a me encararem.
- Sinto muito Maya, mas não dá. Não quero nos obrigar a tomar decisões que podem valer a vida de outras pessoas.
- V-você está terminando comigo?
Minha voz sai infantil.
- Sim, estou.
Ele começa a andar.
Puxo-o pelo braço.
- Não. Não. Estamos juntos há três anos, mais até. Você não pode terminar assim. Não isso é...
- Já disse que sinto muito. Mas a decisão está tomada.
Meu rosto começa a esquentar e minha visão embaça de leve.
Estou chorando.
Trever toca no meu rosto.
- Maya... Eu gosto de você, muito, mas não dá. Vidas dependem de nós.
Minha garganta fecha. Sei que se eu tentar falar agora vou chorar mais.
- Em outra oportunidade teríamos sido um bom casal. Mas não dá. Definitivamente não.
Como assim?
Eu gosto de você?
Teríamos sido um bom casal?
Raiva enche meu peito causando dor, antes que eu perca o controle saio correndo até a sala da nossa equipe.
-Maya!
Trever grita, mas não me segue.
Bạn đang đọc truyện trên: AzTruyen.Top