15. SHERA LEVON
Assim que entramos na festa Trever me puxa pra pista de dança.
- Temos coisas a fazer. Não podemos dançar.- reclamo impaciente.
- Só quero te mostrar uma coisa.- ele tinha algo do bolso interno do blazer.– Fui no apartamento do meu irmão hoje pra ver se encontrava algo sobre você. Encontrei isso guardado debaixo do travesseiro dele.
É uma aliança.
Meu coração dispara, pego o objeto um pouco trêmula.
Tem algo escrito na parte interna.
Shera. Feita pra mim.
Sinto minha respiração descontrolada.
- É a aliança que trocamos no casamento.- digo distante- ele que teve a idéia da frase. A minha tem a mesma frase, só que com o nome dele.
Mas eu joguei fora. Não iria ficar com aquele símbolo da minha estupidez.
De repente uma raiva tomou conta de mim. Aquela aliança parecia zombar de mim.
- Por quê me mostrou isso?- digo enraivecida.
- Você nunca imaginou que meu irmão pudesse ter gostado de você realmente?
Quase dou uma gargalhada.
- Não. É lógico que ele nunca gostou de mim.
- Então porque ele guardou isso esse tempo todo debaixo do travesseiro?
– Um troféu? Pra lembrar o quão bom ele foi?
Eu faço isso. Geralmente os ladrões mais vaidosos gostam de guardar uma lembrança de suas mais ousadas conquistas.
– Acredito que não é bem assim.
– Escuta, aonde quer chegar?
– Me sinto mal pelo que meu irmão fez. Acho que você sofreu muito.
– Você acha?- zombo- não se sinta mal, já te disse. Você devia se sentir mal pelo que fez com Maya.
Ele me olha sem jeito.
– Minha intenção não é magoar ela.
– Então devia conversar com ela, a coitada pensa que vocês vão voltar.
– Não eu não posso. Na verdade, meu único sentimento por ela é de irmão.
Faço uma careta.
– Ai que clichê!
Trever sorrir. Uma luz calorosa passou pelo meu coração nesse instante.
O que está acontecendo?
– Maya é uma ótima pessoa, sempre prestativa e coloca seu relacionamento com as pessoas acima de tudo. Acho que isso atrapalha o trabalho dela as vezes.
– Foi por isso que vocês terminaram?
Ele assenti .
Alguns segundos se passam Trever me encara.
Sinto um certo incômodo. Não, não é isso. Eu estou sem jeito.
Sério?
Ah não!
– Escuta– ele finalmente quebra o silêncio– e se eu devolver tudo que Agus te tirou?
– Nem pensar. Não, preciso disso.– meu orgulho fala alto.
– Mas é o dinheiro da sua família não é? Eu posso devolver. A furtuna de Agus está bloqueada, então...
De repente Trever para de falar assustado com algo atrás de mim, antes que eu possa virar pra ver o que é, ele agarra minha cabeça e me beija.
Sinto várias seções.
A primeira é confusão. Meu cérebro demora pra interpretar a ação.
Em seguida sinto prazer.
Arg!
É isso mesmo? É como se eu estivesse com muiita sede e então bebesse uma garrafa d'água bem gelada.
Parece que você vai derreter de prazer enquanto bebe.
Eu vou derreter.
Por isso a sensação seguinte é calor, entre as pernas mais precisamente.
E por último sinto raiva.
Então o solto abruptamente.
– Você enlouqueceu? Nunca mais faz isso!– esbravejo.
Ele fica vermelho.
– Desculpa, mas é que atrás de você eu vim um dos capangas de Leon. Ele foi a nossa última missão mal sucedida.
Alguém pega no meu ombro.
– Ei vamos dá um fora daqui!- Akemi diz apressada.
Nós a seguimos para fora da festa.
Lá fora estão os outros. Maya está com uma cara péssima.
-–Conseguiram alguma coisa?– Trever pergunta primeiro.
Hans mostra uma maleta.
– Só parte da pedra.
– Vamos aonde agora? Voltar pra van? – pergunto.
– Sim e depois comer uma pizza. Tô com muita fome.- Akemi diz.
Seguimos até van.
Me aproximo de Maya.
– Ei Maya, você está bem?– pergunto baixo.
– Não enche!– ela rebate furiosa.
Será que ela viu o beijo?
– Porque ela tá assim?
– Deve ser porque você beijou o boy dela.- Akemi conclui.
– Foi ele quem me beijou! Não tenho culpa!
– Então tente ser menos inrresistível, ladra.- Akemi passa por mim e embarca na van.
★
Estamos sentados em uma das mesmas de uma pizzaria. Aqui parece o fim do mundo. Mesas descascando, cadeiras sujas, a cor do piso que era branco agora é encardido, no tento dois ventiladores enormes rodam, meu medo é deles saírem voando e decapitar alguém. Akemi insistiu que nesse muquifo ninguém ia nos incomodar.
Júlia não está conosco por que foi levar a maleta pra Stive.
- Então Frederico não é o fornecedor?- pergunto.
– Não. Ele só comprou da mão de alguém. Só que não falou de quem.– Sebastian explica.
– Normal. O fornecedor deve ter pedido sigilo.– Hans cogita.
– Temos que nos passar por compradores.– Akemi sugere enquanto enfia uma fatia de pizza na boca. É a quarta fatia.
- Mas como vamos comprar? Não sabemos quem é o comprador.- reflito.
– Podemos falar com quem já comprou. Essa pessoa com certeza vai nos dá o contato.– Akemi dá a ideia.
– O nosso próximo alvo é um magnata do mercado negro. Ele falsifica obras de artes e vende as originais roubadas– Maya fala depois de muito tempo, ela está sentada no ponto mais afastado de mim.
– Eu me passarei por compradora. Sei de arte e sou muito boa em...
– Sedução?– Sebastian olha pra mim e Trever.
– Enganar?– Akemi provoca.
– Roubar algo dos outros?– Sebastian continua.
Maya fica vermelha e fecha a cara.
Beleza, acho que todos aqui já sabem do beijo.
–O que importa é que eu vou fazer um bom trabalho.– digo emburrada.
Akemi se levanta.
– Bom, acho que já encerramos por hoje. Então vou pra casa.
– Não,não vai.– Trever a impede– vocês são agentes agora, e quando estamos em uma missão não vamos pra casa. Ficamos em serviço 24horas.
– Isso não é trabalho escravo?– Akemi senta– Pra onde vamos então?
– Fiz três reserva no Sightseeing.– Maya informa.
– Mas somos seis! Ah não, aquele papo de casal de novo?
Definitivamente não quero dormir no mesmo quarto que Trever. Não mesmo. De jeito nenhum.
– Vamos fazer o seguinte: toda noite dorme um casal hetero diferente.– Akemi propõe.
– Serão os mesmo casais da missão de hoje.– Hans diz.
Hans pega três palitos de dentes e quebra o pedaço de um.
– Quem tirar o menor pedaço vai ser o casal hetero de hoje.
Ele fecha a mão em volta dos palitos, de modo que não dá pra perceber qual é o menor .
Trever tira um, normal.
Akemi tira um, pequeno.
– Seremos você e eu gata essa noite.– Hans brinca.
– Socorro.– Akemi revira os olhos.
Só então me dei conta de que vou dormir no mesmo quarto que Maya.
Existe uma pequena possibilidade de eu amanhecer morta.
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