10. MAYA FORSETI
- Meu irmão morreu a sete meses, num acidente de carro. Só então descobri a vida que ele levava.- Trever contou ainda encarando a arma na mão de Shera.
Eu estava no dia em que Trever recebeu a notícia da morte do irmão. Ainda namorávamos. Não é esquisito? É como se você tivesse cortado o cabelo bem curtinho e passa a mão inconscientemente e lembrasse que aquele cabelão não está mais ali. Essa é a sensação de não namorar mais Trever.
Fazíamos três anos e sete meses de namoro, iamos comemorar num restaurante caro, então um policial, amigo dele, telefonou. No mesmo instante corremos pro local do acidente. Agus tinha perdido o controle e caido em uma ribanceira, o carro estava todo destroçado, Agus, que não usava cinto de segurança foi lançado pra fora e caiu alguns metros longe do carro, a cabeça dele estava num ângulo muito estranho.
Trever chorou dias. Ele e o irmão eram muito apegados, mas Agus escondeu bem a vida de golpista. Só ficamos sabendo uma semana depois. Foi outro choque pra família.
Só troquei algumas palavras com Agus nas duas vezes que o vi com vida. Ele me parecia calmo e sério.
Observo Shera depois da notícia. Ela parece refletir se é verdade mesmo, não vejo tristeza em seu rosto.
Então num movimento inesperado ela atira.
Eu grito.
E esse é o único som na sala. Porque nenhuma bala é disparada.
Shera olha atônita pra arma.
- Mas o quê...?- ela se vira pra Akemi.- que assassina você é andando com uma arma descarregada?
Shera aperta o gatilho várias vezes.
Trever se se encosta na parede.
- Olha não vamos abusar da sorte, é melhor parar de tentar.
Akemi dá de ombros.
- Essa arma é uma intelligun.
Shera franze o cenho.
- O que isso quer dizer?
- Que ela só funciona com a digital do dono.-Hans esclarece.
- Certa resposta.- Akemi sorri pra Hans.
- Você ia me matar mesmo?- Trever pergunta.
Em resposta Shera avança em cima dele e lhe desfere um soco.
Acerta em cheio.
- Aiiii, quebrei minha mão, quebrei minha mão.- Shera geme segurando o punho.
Sangue desce do nariz de Trever.
Não sei se me preocupo. Se bem que ele merecia um murro na cara, mas dado por mim.
Hans ri.
- Devia aprender a dar um soco em alguém primeiro.
- Já que vocês já terminaram com a cena da Usurpadora, dá pra contar porque estamos aqui?- Akemi bufa com impaciência.
Stive, que até agora estava assistindo a tudo confuso, se levanta e liga o projetor.
Na tela aparece uma pedra oval preta e brilhante.
- Vocês sabem o que é isso?
- É uma Serendibite.- Shera ainda segura o punho- uma das pedras preciosas mais caras e raras do mundo.
- Beleza Wikipedia. Mas o que temos haver com isso?- Akemi corta.
- Certo. Acontece que existe uma outra coisa sobre essa pedra que poucos sabem, por enquanto.- Stive continua- há um ano atrás um geólogo achou uma boa quantidade de serendibite e vendeu há um cientista rico. Esse cientista descobriu que a pedra tem em seu componente substâncias desconhecidas e sobrenaturais. Ele construiu uma arma com fragmentos de serendibite e o resultado foi assustador. A arma derrete ou perfura qualquer tipo de material, sua velocidade é gigantesca, ou seja ela supera qualquer tipo de arma no mundo. Até as mais modernas.
- Então?- Shera ergue a sombrancelha.
- Bom, o cientista vendeu a arma para um magnata do contrabando, uma semana depois o ele foi torturado e morto, a pedra e o esquema da arma foram levados pelo contrabandista. -Stive suspira- acontece que não sabemos quem é o tal contrabandista. Tudo que sabemos até agora foi que ele usou um laranja pra nos confundir . Então é aí que vocês entram.
- Onde?- Shera pergunta.
- Depois de uma missão mal sucedida- meu coração aperta quando Stive fala assim- os criminosos ficaram sabendo que estão sob mira de investigação. Logo, mandar todos os nossos agentes pra dentro da matilha de lobos é suicídio. No entanto, se alguns dos meus agentes se juntarem com vocês, ninguém vai desconfiar.
Akemi cruzou os braços.
- Sem chance e acho que vocês estão bebendo mijo. Não vou me queimar de jeito nenhum.
- Sinto muito, mas não dá. Não vou me arriscar assim.- Shera complementa.
Stive me encara.
Sim, eu sei que ia ser osso. Mas tenho que tentar. Existem vidas inocentes que vão ser sacrificadas. Se os gangsters da cidade conseguirem esse armamento, o que vai ser da cidade? Do mundo?
Limpo a garganta e falo insegura.
- Olha eu sei que é pedir muito. Mas se a missão for um sucesso, vamos manter a descrição quanto a ajuda de vocês. Muitas vidas dependem dessa operação.
Akemi me examina.
- Admiro seu espírito heróico garota ruiva, mas eu não o tenho. Talvez seja por isso admiramos as coisas nos outros, porque não a reproduzimos com perfeição.- Akemi franze o cenho.- Caralho! Eu falei essa merda?
Hans ri.
- Olha, nós também não queremos trabalhar com vocês, acreditem, mas essa é a única solução. Acredito que ninguém aqui nessa sala gosta de gangster.
Ninguém desmentiu Hans.
- Eu concordo.- Trever diz- apesar de sermos de mundos diferentes, temos que nos unir agora.
Meu coração dá um pulinho de alegria. Apesar da raiva, eu ainda amo Trever. Sei que em algum momento vamos resolver a nossa situação.
- Belo discurso Batman. Mas minha resposta ainda é não.- Akemi parece decidida.
Deve ser difícil pra ela, aceitar nossa oferta seria como trair sua família, ou algo assim. Não sei muito da sua vida pessoal .
Olho pra Stive. Suplicando ajuda. Apesar de nosso relacionamento profissional, temos um certo carinho entre nós, tipo pai e filha, ele sempre procura um jeito de me defender quando os superiores me colocam pressão.
- Talvez vocês devessem pensar. Se a missão for bem sucedida, todos os crimes que cometeram serão perdoados.- Stive oferece.
Shera examina a proposta.
- Mas não confessamos nada. Vocês têm alguma prova?
Stive cruza os braços.
- Meninas, como acha que chegamos até vocês? Existe uma equipe investigando vocês há algum tempo. Não temos provas suficientes para acusá-las, mas logo teremos. Então temos um acordo?
Minha esperança está nessas duas mulheres a minha frente. Uma ladra vingativa e uma assassina sem noção.
Meu pai do céu.
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