CAPÍTULO UM - CASAL INCOMUM
você é meu ponto fraco e você
não sabe o quão aterrorizante e excitante isso é.
Já era dia e o sol passava pela persiana do quarto, batendo levemente no rosto de Tyler, fazendo ele abrir seus olhos lentamente até se acostumar com a claridade. Com seus cabelos cacheados bagunçados e seu corpo dolorido, levantou-se meio sonolento da cama. Ele se lembrou da noite anterior, das doses exageradas de Vodka e do incrível sexo com seu namorado e um garoto que encontraram em um bar próximo dali, ele foi ainda melhor do que o anterior, se arriscava a dizer. Olhou ao redor e não havia ninguém no quarto, apenas roupas e algumas garrafas de cerveja espalhadas pelo chão.
Olhou as horas, não era tão cedo, mas faltavam 2 horas para o Bobby’s abrir, teria tempo de ficar pronto até o horário e não chegaria atrasado no seu trabalho. De novo.
Tyler procurou algo para vestir e encontrou um moletom próximo no chão, em meio a várias outras peças de roupa, próximo ao guarda-roupas, ele pôde notar que o cheiro não estava lá muito agradável. Após se vestir, caminhou até a sala, onde seu namorado, Jared, estava seminu no pequeno e surrado sofá, lendo Orgulho e Preconceito, que Tyler ganhara de sua mãe anos atrás, quando ela ainda acreditava que ele era hétero. Sinceramente ele nem lembrava da existência dele e não fazia ideia de como ele nunca notou ele em suas coisas durante todos esses tempos. Como lembraria? Tudo relacionado a sua mãe ele fazia questão de esquecer, mesmo que, na maioria das vezes, não conseguisse.
— Jane Austen? Uau. A noite passada fez bem pra você — disparou sarcástico, indo até ele e depositando um beijo em sua boca, Jared mordeu levemente seu lábio inferior.
— Eu era um leitor ávido antes, para sua informação. Só troquei a leitura por coisas mais prazerosas, se é que me entende — rebateu Jared, agarrando Tyler pelo pescoço, fazendo ele cair por cima dele.
— Só queria lembrar como é pegar em um livro. Foi sua mãe que te deu, não foi?
— Foi — confessou, saindo de cima de Jared. — Ela achou que Jane Austen fosse me curar ou algo assim. Bom, pelo visto não funcionou já que aqui estamos nós.
— Não sei que tipo de mãe acha que Jane Austen vai curar um filho gay. Mas, quando vai voltar a falar com ela? Sabe, já faz alguns meses, devia parar de ser orgulhoso só por um momento. — aconselhou Jared, acariciando a bochecha de Tyler.
— Querer evitar minha mãe explicitamente homofóbica não é orgulho, é querer manter o resto de dignidade que me resta. E você é de longe a pior pessoa pra me dar conselhos sobre isso.
Tyler levantou, olhando ao redor e vendo a grande bagunça que estava não só naquela sala, mas na casa toda. Quando ele ficou tão porco?
— Agora deixa essa porcaria de livro aí e vamos arrumar essa casa porque isso aqui — Tyler fez um gesto abrangente
— Tá parecendo uma república de dez cara nos héteros.
— Talvez eu seja hétero mesmo. Vai saber, não é? — ele se levantou, puxando Tyler para próximo de si, colocando seu corpo no dele. — Vai fazer o que a respeito? — mordeu levemente seu pescoço.
— Vou te obrigar a entrar um acampamento para jovens héteros para que você busque a cura e o poder de Deus em sua vida. — ele pegou nos braços nus de Jared e os apertou, sentindo sua pele se enrijecer.
— Aguenta mais uma antes de ir para o trabalho? — com sua voz baixa e propositalmente sedutora, Jared se aproximou do seu pescoço e deu uma leve mordida.
— Não tem essa de mais uma, tá bom? Temos exatamente 2 horas pra limparmos esse lugar antes do bar abrir. Ou vão ser dois desempregados nessa casa. — Tyler disse, dando um beijo nele. — Agora vai se vestir.
Jared e Tyler era um casal incomum, viviam de farra e de sexo na maioria do tempo. Eles se conhecem e estão juntos há quase 2 anos, se viram pela primeira vez na faculdade. Tyler não teve reação quando o viu naquela manhã nublada e fria, até porque ele estava numa jaqueta de couro e já tinha um sorriso perfeito, confiante e malicioso desde o início. Algo que ele com certeza sonhara em ter em toda sua vida. Não demorou muito para que ele chamasse Tyler no final do dia para tomar um café numa lanchonete próxima a faculdade, talvez pela maneira como ele o encarava e o fazia sentir desejado o tenha levado a aceitar o pedido daquele estranho.
Depois de 3 longos anos, eles finalmente decidiram morar juntos em um bairro chamado Far Rockaway, um bairro no extremo sul de Queens. Acostumados com a vida agitada deles, junto com a rotina caótica do bairro, eles até que se deram bem ali, longe de toda aquela gente mesquinha e rica. Longe da sua mãe. Então, agora os únicos problemas que eles teriam que lidar era os constantes assaltos na rua e os apagões que de vez em quando rolam por ali, e claro, a constante falta de dinheiro mesmo Tyler trabalhando que nem um condenado em um bar há 3 quarteirões de sua casa.
Jared fora demitido do seu antigo emprego, estava fumando maconha na dispensa junto com outro colega, agora, quem vivia sustentando a casa era Tyler, e mesmo que isso o incomodasse um pouco, ele preferia dá algum tempo pra ele. Até porque amar alguém é isso, não é? Você ser compreensível na maioria das vezes.
Quase 1 hora depois, o apartamento estava quase que completamente limpo, ainda restava o banheiro. Mas, o bar abriria em exatos 40 minutos, e se Tyler, que simplesmente ignorou o tempo e focou na limpeza, não se apressasse, ele se atrasaria pela terceira vez na semana e seu chefe já estava por fio com ele. Na realidade, ele já sabia que seria demitido em alguns dias, ou até mesmo naquele mesmo dia, e não sabia se isso o desesperava ou se o tranquilizava, uma vez que o local era insalubre, o salário uma merda e todos os dias ele tinha que limpar vômito dos velhos bêbados junto com Isaac, o que fica bem pior quando chegava acompanhado de uma briga logo pela manhã.
— Porra! Já é tarde assim?
Tyler viu as horas e rapidamente correu para seu quarto, onde pegou sua jaqueta favorita com a estampa de um cigarro nas costas e sequer lembrou tomar banho, não daria tempo e teria que passar por esse sacrifício.
— Por que não me avisou das horas, Jared?
— Como eu iria te avisar se eu também perdi a noção do tempo? Mas calma, amor, o Bobby’s é logo ali e você caminha rápido.
Jared foi até ele e segurou seu rosto com as duas mãos, acariciando levemente suas bochechas.
— Bom trabalho pra você. Eu te amo.
— Eu também te amo.
Tyler deu um beijo nele.
Quando chegou ao Bobby’s, exatamente 5 minutos atrasado, seu melhor — e único — amigo, estava limpando algumas mesas, com um balde ao seu lado e um esfregão encostado em uma mesa já limpa. O bar era grande, o maior do bairro, e sempre lotava às sextas, era quando os bêbados recebiam seus salários suados e iam gastar com cerveja e álcool barato, alguns até tinham filhos, e isso era o caso do Johnny Kaiser, que já se encontrava encostado no balcão com um copo enorme de cerveja. Tyler acenou para ele e em seguida voltou a sua atenção ao meu melhor amigo que ainda limpava as mesas, cabisbaixo.
— O bom filho a casa torna — brincou, tentando amenizar a situação.
Assim Isaac que o viu, o menor revirou os olhos e segurou a vontade de bater em Tyler por ter que ficar mais um dia cobrindo os serviços dele, mas ainda assim continuou limpando a mesa que já estava limpa.
— Amigo, desculpa. — Tyler disse assim que viu a cara amarrada de Isaac, indo até ele e abraçando-o. — Acabei tendo que limpar meu apartamento que sinceramente estava uma porqueira, perdi a noção do tempo. Desculpa mesmo, de verdade.
Isaac tirou sua atenção da mesa que pela centésima vez passava o pano molhado por ela e encarou Tyler.
— Não é a primeira vez que tenho que te cobrir e fazer suas coisas até você chegar porque sei lá você estava ocupado demais em uma festa no dia anterior. É a terceira vez só essa semana. Eu te amo de verdade, amigo, mas porra, você age como se morasse sozinho e não tivesse tempo pra nada, quando na realidade você tem um namorado vagabundo que só vive de farras e pelo visto não faz nada em casa também.
Se fosse outra pessoa falando aquelas coisas, Tyler provavelmente ficaria ofendido e diria poucas e boas, mas era Isaac e ele já estava acostumado. Ele respirou fundo e assentiu, apenas concordando com tudo.
— Eu sei, me desculpa. Juro que não vai se repetir.
Ele o olhou com um olhar de quem não acreditava em uma palavra dele.
— Sei como você se redimir — ele apontou para o esfregão — você vai limpar sozinho todo o salão e se quebra ainda vai ficar no caixa até tarde hoje.
Era justo, para falar a verdade.
— Não precisa mais — Tyler levou um susto ao ver seu chefe surgindo atrás dele igual a um fantasma. — Chegando atrasado de novo, Tyler?
Sua expressão era séria, não séria do tipo que passaria no mesmo dia e ele voltaria a ser o chefe bonzinho de sempre, mas séria mesmo. Do tipo, você está demitido.
Se você chegou até o fim, saiba que esta história não está revisada. Ela ainda está sendo desenvolvida e pretendo publicar esse livro em físico ainda esse ano, quis postar aqui pra ver o que vão achar da história.
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