Diagnóstico

— O que percebia de diferente em você até o momento que recebeu o diagnóstico de Transtorno Bipolar?

— Minha mente estava uma loucura: desde pensamentos negativos, de incapacidade, de ser inútil ou acreditar que posso fazer várias coisas ao mesmo tempo e no fim, não conseguir de fato nem realizar a metade.

— Além da mudança de humor?

— Sim! O humor é o que os outros percebem. O problema maior é interno, o vazio que ocupa um espaço imenso, você não conseguir ficar animada e quando consegue, de repente uma enxurrada de sentimentos ruins te invade. Uma tristeza e a falta de vontade para fazer qualquer coisa. Ou quando você fica tão eufórica, cheia de energia e planeja várias coisas e até começa a realiza-las, mas aí você simplesmente para um pouco, senta, deita e não consegue mais levantar. Sua mente está trabalhando, não para e você não consegue desfrutar daquilo.

— Procurou um especialista?

— Depois de entender que em um momento você está fazendo piadas para outras pessoas sorrirem e no outro, não sentir um pingo de emoção, ficar irritado ao ponto de não conseguir desmanchar a feição de brava, até mesmo se segurar para não chorar do nada... Sim, fui atrás.

— Psicólogo?

— E psiquiatra.

— Por que?

— Não estava conseguindo acompanhar meus pensamentos. Era como se houvesse cem linhas de pensamentos ao mesmo tempo e não sabia em qual focar. Meu rendimento no trabalho caiu, até ouvi bronca do chefe. As noites de sono eram conturbadas, havia sempre uma sensação de que estava caindo ou me afogando. A falta de concentração e memória fraca, mesmo que anotasse algo, esquecia que tinha anotado e isso com frequência. Além dos constantes pensamentos de suicídio.

— Qual foi a sensação de ir nesses profissionais?

— Torturante.

— Por que?

— Ali, na frente deles, tive que criar coragem para expor todas as minhas dores. Até detalhes que nunca contei a ninguém. Cavar lá no fundo, foi doloroso.

— Quais outros sintomas, poderia dizer?

— Falar muito rápido sobre vários assuntos ao mesmo tempo, agitação, irritabilidade, fazer coisas arriscadas, como por exemplo quando gastava demais e isso acarretou em oniomania. Alteração no apetite, apatia, insegurança, raciocínio lento, isolamento e impulsividade. Queda de cabelo, ficar cutucando o canto das unhas.

— E os sintomas físicos?

— Azia, flatulência, tensão na nuca e nos ombros. Dores de cabeça, pressão no peito, tremedeira e outras coisas.

— Autoestima?

— Zero. O que mais me incomodava era meu peso, em um momento estava bem, depois engordei doze quilos, emagreci dez, engordei vinte. Eu comia sem nem estar com fome e as vezes ficava quase o dia todo sem comer.

— Ou seja, uma mistura de sintomas depressivos, de ansiedade e outras características?

— Isso! Nos momentos depressivos, tudo negativo, sem energia, vazio, insônia. No maníaco, euforia, agitação, sensível. Isso quando esses períodos não se misturavam. A vontade de colocar uma corda no pescoço chegava ao limite.

— Aparentemente, você é uma pessoa que está sempre de cabeça erguida e inatingível, qual foi o gatilho para toda essa situação sair do controle?

— Essas memórias estavam todas trancafiadas, mas vieram à tona, quando aqueles que são titulados da família, estavam agindo com a caçula da mesma forma que fizeram comigo.

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