9 Anos
— Tia Fernanda sempre foi daquelas que compra o tecido, tira as medidas e manda fazer as roupas. Quando pegaram minha guarda, ela que assumiu a responsabilidade de me educar. Então mudei para a casa dela, que ficava a uns vinte minutos de caminhada até a casa do vô Carlos.
— Vô Carlos?
— Depois de um tempo, involuntariamente comecei a chamar a tia Fernanda de mãe, tio Carlinhos de pai ou dindo, os pais deles de vô Carlos e mãe Giseli.
— Sua mãe, Jana, não ficou chateada por chamar outra mulher de mãe?
— Não sei dizer, na época perdi um pouco o contato com ela.
— Por que?
— Digamos que mãe Fernanda não queria ficar ligando para a outra, e quando ligava não me deixava falar muito e a outra reclamava, então o clima não era muito legal. E também porque eu nunca podia ficar sozinha com o celular, mãe Fernanda estava sempre à espreita.
— Na sua nova casa, tinha seu próprio quarto?
— Tinha sim! E no guarda-roupa sempre com vários vestidos que mãe Fernanda mandava fazer.
— Talvez seja por isso que hoje não goste de vestidos.
— Não duvido... Pelo fato dela trabalhar na prefeitura, ser uma pessoa importante, sempre estávamos bem arrumadas. Ela me ensinou a comer com garfo e faca cedo, até me deu um conjunto rosa.
— Sempre saiam?
— Sim, sempre tinha algum jantar para ir.
— Quando não estava na escola, com quem ficava o outro período enquanto ela trabalhava ?!
— Depois dessas pequenas mudanças, ela me trocou de escola, fui para o Parma Vida que era integral.
— Devia ser exaustivo ficar o dia todo na escola.
— Na verdade, não muito. Eu acordava cinco e meia da manhã, me arrumava, a mãe cozinhava um ovo para eu comer antes de sair. Como era escola municipal, tinha ônibus para levar e trazer as crianças de todos os bairros. O que eu pegava parava bem na porta de casa, morávamos no centro e na avenida então a localização era boa. Seis e vinte eu saia de casa, chegando na escola, todos tomavam café da manhã, iam para as aulas, depois era servido lanche, mais aulas e almoço. De tarde eram atividades recreativas: teatro, coral, dança, artesanato e esportes.
— Do que gostava de fazer nas atividades recreativas?
— De tudo, peguei o gosto pela música e o coral as vezes se apresentavam fora da escola. Na dança não fiquei muito tempo, era muito desengonçada. Fiz teatro até depois que sai do Parma. A mãe Giseli comprou os materiais para eu fazer costuras nos panos de pratos dela e eu sempre ficava de goleira nos jogos.
— E o que fazia depois que saia da escola?
— O motorista me deixava na frente de casa, já por volta de quatro e meia da tarde. Eu virava a esquina e ficava na casa de uma das vizinhas até a mãe sair do trabalho e ir me busca.
— E que horas ela saia do trabalho?
— Ás vezes as cinco, ou as sete, dependia do dia.
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