15 Anos

— Nessa idade mudei de escola de novo, a anterior era somente ensino fundamental e estava indo para o ensino médio.

— Como era essa nova escola?

— Primeiro que era particular, não tinha muitas opções de escolas de ensino médio na cidade, ou eram particulares ou as duas estaduais, porém no ensino público a falta de professores estava grande, eu mesma não tive professores de matemática e ciências, então essas foram as matérias que mais apresentei dificuldades.

— Fernanda teve condições de pagar?

— Não! Com toda as últimas reviravoltas, vô Carlos doente, tio Carlinhos demitido, mãe Giseli também passou por alguns probleminhas, a situação financia estava um caos. Tentamos concorrer a bolsa de estudo nas escolas particulares, uma dessas escolas foi fundada por freiras e pelo fato da Fernanda viver dentro da igreja, sua amizade facilitou muito.

— E quanto as novas amizades?

— Não muito difícil, muitas das meninas já conhecia do período que fiz catequese, dois ou três garotos já haviam estudado comigo em outra escola, porém as mais próximas mesmo eram Melissa e Julia.

— O famoso trio e imagino que não foi a oitava maravilha do mundo.

— Nada é perfeito mesmo, então não. Elas tinham condições financeiras melhores que a minha, mas esse não era o problema. Como estava em uma fase de muita rigidez em relação amizades, horário exato para sair, mesmo que fosse para fazer trabalhos escolares, se me atrasasse cinco minutos, Fernanda ligava várias vezes ou ia atrás e ficava o resto do dia reclamando.

— Estressante?

— Muito! Só que eu acabei aperfeiçoando a habilidade de ficar no mundo da lua, ela falava e eu fingia que estava escutando enquanto na minha mente, criava uma fanfic ou listava o que escrever no diário naquele dia. No entanto, o pior era que as meninas não entendiam quando não podia sair, achavam que quando eu dizia que não podia, era desculpa para não ir, principalmente a Julia.

— E se levasse o pessoal para sua casa?

— Como metade dela foi usava para fazer o escritório, não tinha como deixá-los no meu quarto, mesmo que eu conversasse de boa com muitos da sala, quando o assunto era gosto musical me criticavam muito, só pelo olhar já percebia o desprezo e como no meu quarto tinha vários pôsteres na parede, era melhor ficar no escritório.

— Ou seja, não tinha com quem compartilhar sobre seus gostos e diversão.

— Não, eu interagia o máximo no assunto deles, as vezes era espontânea demais já que era um momento de euforia do qual precisava para rir e até nisso o olhar de reprovação era nítido. E ficando no escritório, a secretaria não nos dava privacidade, contava tudo que ouvia para a mãe depois.

— Em algum momento tentou conversar com sua mãe sobre essa rigidez?

— Sim, porém o argumento dela era que "filha minha não fica na rua ou na casa dos outros", se eu tentasse argumentar, aumentava o tom de voz, as coisas que ela dizia, dava a entender que pelo fato de estar me criando, deveria ser praticamente submissa.

— Quando adquiriu o hábito de mentir?

— Nessa época mesmo, as vezes dizia que iria fazer um trabalho, porém ia na sorveteria. Ou na semana de provas que éramos liberados mais cedo, ia para casa da Melissa, só precisava tomar cuidado para não me ver andando na rua.

— Ela não desconfiava?

— Se desconfiava, não falava nada. Nessa escola também, três dias na semana havia aulas de tarde, dois dias treinos esportivos e um dia educação física.

­— Mais exaustivo que o Parma Vida

— Muito pior, ficava mais na escola, as vezes ia para casa do vô Carlos e no fim, mais longe da mãe.

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