12 Anos
— O que temos agora?
— Passei a frequentar o orfanato da cidade.
— Por que?
— Mãe Fernanda precisou assumir temporariamente a diretoria do orfanato. A anterior precisou cuidar mais da saúde, como minha mãe conhecia bem o pessoal que trabalhava lá e nessa época trabalhava com assistência social, foi a escolhida para cuidar do cargo.
— E foi algo bom para você?
— Sinceramente sim. Conheci outras crianças de realidades diferentes da minha, algumas abandonadas pelos pais quando ainda pequenos ou recém-nascidos e até situações que o conselho tutelar tirou da família.
— Isso serviu de aprendizado?
— Ah com certeza, nunca sabemos o quanto a vida da pessoa próxima pode estar pior que nossa.
— Fez amigos?
— Muitos! As vezes a mãe levava algumas das crianças para passar o fim de semana conosco em casa, inclusive dormi algumas vezes no orfanato.
— Acredito que seja uma das melhores lembranças que tem.
— E é, foi nesse momento também que tive minha primeira paixonite.
— Uau, qual era o nome dele?
— Gean, tinha uma irmã mais velha e dois mais novos. Nessa fase eu era molecona então sempre tive facilidade de me relacionar com meninos e quando percebi, eu e ele demos um selinho.
— Sua mãe descobriu?
— Se descobriu, nunca falou nada. Eu passava muito tempo com eles, a prefeitura proporcionava atividades recreativas como dança e esportes, eles podiam participar e eu também. Até que a antiga diretora voltou e minha rotina retornou ao que era antes.
— Perdeu o contato com eles?
— Sim, só voltava lá quando tinha algum evento que minha mãe precisasse estar. Com algum dos vestidos sob medida de bolinhas coloridas.
— Sinto cheiro de ironia.
— E muita ironia! Não aguentava mais usar vestidos.
— E como seguiu depois dessa fase e de se afastar do primeiro romance?
— Mudei de escola.
— Ou seja, a terceira desde que foi morar com eles?
— Isso, só que essa era duas quadras perto de casa, eu ia e volta a pé.
— Gostou de lá?
— Tirando o bullying que passei logo no início até conseguir me adaptar...Sim.
— Qual seria o motivo do bullying?
— Para minha infelicidade de cacheada, peguei piolho e como mãe Fernanda mais trabalhava do que outra coisa, achou mais fácil corta meu cabelo no estilo social, mesmo o corte não combinando nada com meu cabelo. Então começaram com as piadinhas de que eu tinha cabelo de homem e me parecia com homem, mesmo com meu corpo evoluindo mais e eu começando a usar sutiã.
— Deve ter sido horrível.
— Como eu andava com meninos nessa fase, eu também era um pouco encrenqueira. Porém depois de um tempo deixei quieto, eu não sabia mesmo cuidar do meu cabelo, crescia muito rápido e sempre tive muito cabelo, e a matriarca não tinha paciência para cuidar dele por mim, então simplesmente cortava e não adiantava eu reclamar.
Bạn đang đọc truyện trên: AzTruyen.Top