2 🚘 Oceano
✔️ 2.293 Palavras
FECHO A PORTA DO TÁXI e aceno para o motorista. Largo minhas malas no chão e antes de xingar em alto e bom tom qualquer inocente que aparecer na minha frente, John aparece na porta grande de casa.
ㅡ Nicholas, você chegou.
Me aproximo e forço um falso sorriso, mas seguro a língua. ㅡ Vi que conseguiu um táxi ㅡ ele aponta para o táxi afastado ㅡ Como foi a viagem? ㅡ ele me lança um sorriso estressante.
Por que ele é assim?
ㅡ Foi ótima, John. Tive ótimas companhias. Deixe-me lembrar ㅡ procuro as palavras e despejo com ironia ㅡ Duas vacas, algumas galinhas, seis cavalos, dois cachorros e tem mais algum…
John me interrompe já estressado.
ㅡ Me poupe de suas gracinhas ㅡ ele se aproxima de mim ㅡ Perguntei por educação, somente. Mas já que não leva nada a sério, vamos entrar. O jantar é daqui a pouco.
Eu levo as coisas a sério, John. Mas você nunca vai entender. Dou uma trégua e caminho até a porta. Entro dentro de casa e sinto como se fosse feliz de novo. Como é bom estar em casa de novo, como é bom estar em Barcelona de novo. Procuro minha mãe e não a encontro.
ㅡ Onde ela está?
Jhonn continua a caminhar.
ㅡ Está se arrumando. Você pode fazer o mesmo.
Caminho até a escada e antes de subir, me viro e sorrio para John. Esse suposto ódio que meu pai sente por mim é apenas encenação, eu sei. Ele não gosta dos meus amigos, a não ser Aidam, não gosta das minhas corridas e nem das festas. Mas também não gosto de muitas coisas nele e tudo bem. Ele é meu pai do mesmo jeito.
ㅡ Também senti sua falta, pai ㅡ falo com sinceridade. Sem brincadeira ou falsidade. Mas apenas sinceridade.
Ele sorri e levo isso como um "eu sei filho". E isso basta para mim.
Subo os degraus e vou até meu quarto. Largo as malas de qualquer jeito no chão e abro a sacada. Deixando um pouco do ar e resquícios da luz do sol entrar. Tiro a camisa social que me incomodava um pouco e pego um cigarro na bolsa. Eu preciso para com esse negócio. Caminho até a sacada e fico ali com meu cigarro.
Observo atentamente ao redor e me deparo com uma menina do outro lado, na casa vizinha. Ela me olha atentamente e retribuo o olhar. Lançando um sorrisinho sedutor que sei que provoca as garotas. Quando ela ri é porque sei que funcionou. Fico um tempinho ali e logo fecho as portas da sacada. Ainda com a presença de seus olhos em mim. Provavelmente é a filha dos amigos dos meus pais. Acho que seu nome é Taylor. Não tenho certeza.
Caminho até minha mala e tiro de lá alguma roupa decente, às visto rapidamente e desço. Passo pelo corredor que suporta um espelho grande na parede e me vejo nele. Bonito e sedutor como sempre. Levo a mão aos cabelos pretos e os ajeito. Deixando do jeito que gosto. Nem muito arrumado, nem muito bagunçado. Descendo, então, as escadas, vejo meu pai e minha mãe saindo. Sigo eles e aceno para o mordomo antes de sair também. Eles se encontram com seus novos vizinhos/ amigos antigos do lado de fora e conversam sobre alguma coisa de trabalho ou de Barcelona.
Ajeito meu blazer e olho para o céu estrelado que revela uma lua cheia e brilhante. O sol já foi embora, mas abriu espaço para a noite. Minha parte favorita. A noite guarda diversão e adrenalina. A noite guarda muitas coisas. Desvio meu olhar do céu e procuro ao redor, sentindo falta de uma pessoa. Taylor.
ㅡ Me procurando? ㅡ ela diz e me viro. Me deparando com sua presença curiosa. A olho com seu vestido rosa e percebo sua beleza. Mas nada mais. Ela tem olhos bonitos, um cabelo bonito… só. Ela é minha vizinha.
ㅡ Não. Só observando o céu.
Ela ri e se aproxima. Me olhando de cima a baixo.
ㅡ A vista tá boa daí? ㅡ digo para ela, dando um dos meus sorrisos sedutores.
Ela bufa e olha para meus olhos. Mas sei que sua mente ainda está em outros lugares. Esse jeitinho dela não me engana.
ㅡ Você é sempre assim? ㅡ ela dispara.
A olho confuso.
ㅡ Assim como? ㅡ paro e penso ㅡ Já sei, bonito e gostoso?
Ela ri descaradamente.
ㅡ Convencido?
Solto um Ah e enfio as mãos no bolso. Despreocupado. ㅡ Só de vez em quando.
Ela se aproxima e toca meu blazer.
ㅡ Metido, como imaginei.
Ela passa a mão pelo blazer e sinto calafrios com seu toque sobre mim. Mas não afasto sua mão. Em vez disso, tiro a mão do bolso e coloco na sua bochecha quente e macia. Acaricio seu rosto, retirando um fio de cabelo perdido dele que releva seus olhos claros que não tinha visto.
ㅡ E você, oceano? É sempre assim, intrometida? ㅡ tiro minhas mãos e ela automaticamente tira as delas. Ela se abala pelo momento do mesmo jeito que eu. Digo para mim mesmo que não foi nada demais. Só toque físico. Ela ri e se vira, caminhado em direção ao seus pais que já estão indo para o carro. Pego a pelo braço e me aproximo sussurrando em seu ouvido calmamente: ㅡ Espero que esteja gostando da vizinhança, oceano.
Ela arranca seu braço da minha mão e me lança um olhar desafiador. Logo, entra no carro. Mas deixa para trás sua presença intrigante. Que por algum motivo, me fascina. Faço o mesmo e vou até o carro dos meus pais. Entro nele e meu pai dá partida. Enquanto o carro se movimenta suavemente, minha mãe solta diversas perguntas para mim: ㅡ Vi que estava conversando com Taylor, o que achou dela? Prevejo que se tornem grandes amigos ㅡ ela vira o rosto e sorri para mim.
Reviro os olhos com a pergunta, mas respondo educadamente.
ㅡ Ela parece ser legal ㅡ engato outra pergunta, tentando desviar do assunto intitulado Taylor. ㅡ Quando posso pegar meu carro? ㅡ lanço a pergunta para meu pai.
Ele me olha pelo espelho do carro.
ㅡ Amanhã.
Sussuro baixinho um graças a Deus. Não vejo a hora de correr novamente. Que saudade. Vou pegar o carro no dia da primeira corrida. Pego no meu celular e vejo uma mensagem de Aidam, falei com ele durante o tempo que passei longe. Ele foi o único que me manteve sã naquele lugar e por dentro de todas as novidades das corridas. Perdi algumas competições. Porra. Isso foi o que mais me estressou. Odeio perder. Abro a mensagem e vejo que é um vídeo de Mário. Aquele filho da puta do Mário não aceita que eu ganhe dele em todas as competições. Um baita idiota. No vídeo ele caçoa da minha volta e diz passivo para a câmera que está ansioso para a primeira corrida amanhã. Rio com a ousadia do cara e ainda mais com a derrota dele, que já prevejo. Todo ano é a mesma coisa. Ele não perde por esperar. Respondo a mensagem de Aidam com um emoji de risada e, logo depois, mando para ele: Vou pegar o carro amanhã. Estou na pista novamente, Aidam. Desligo o celular antes de receber a resposta. Aidam me ajuda há muito tempo com isso. Ele é meu parceiro de longa data. Ele não corre, mas faz questão de ir e torcer por mim sempre. Confio nele.
Cerca de 10 minutos depois, vejo que chegamos no restaurante mais chique de Barcelona. Costumava ir a esse restaurante antes de viajar. Desço do carro, então, avisto Taylor vindo logo atrás. Ela me olha séria, mas logo desvia o olhar e entra no restaurante. Seguida de seus pais e meus pais. Vou por último e me sento do seu lado na mesa reservada. O garçom chega a nossa mesa e começa a falar. Esqueço sua presença e foco em Taylor, que parece desconfortável.
ㅡ Tudo bem? ㅡ digo com sinceridade.
Ela me lança um olhar fulminante.
ㅡ Te importa?
Ok então. Não está mais aqui quem perguntou.
ㅡ Você é muito estressadinha, oceano ㅡ sorrio para ela.
Ela me olha com mais raiva ainda.
ㅡ Para de me chamar assim.
ㅡ Você não gosta? Prefere que te chame de quê? Revoltadinha, intrometida… não sei ㅡ zombo.
ㅡ Prefiro que me deixe em paz ㅡ ela diz e desvia o olhar.
Rio da hipocrisia.
ㅡ Mas é você quem está sentada do meu lado, oceano.
Ela me olha novamente. E por um momento, eu e ela esquecemos dos nossos pais e do mundo ao redor. É bom estressar ela, é bom ter a atenção dela para mim. É bom ficar perto dela.
ㅡ Devo lembrar que você sentou depois de mim?
ㅡ Tudo bem. Pode me atirar farpas, oceano. Deixo você fazer o que quiser comigo ㅡ lanço as palavras com um sorriso sedutor e abro os braços enquanto vejo ela engolindo em seco. Consegui o queria.
ㅡ Para com isso ㅡ ela está constrangida. É nítido.
ㅡ Parar com o que? ㅡ não tiro o sorriso da cara.
ㅡ De flertar comigo ㅡ ela sussurra baixinho.
Antes que eu consiga responder, meu pai interrompe nossa conversa agradável.
ㅡ Está gostando de Barcelona, Taylor? ㅡ ele diz do outro lado da mesa. Os outros à mesa param para escutar.
ㅡ Sim. A cidade é magnífica.
Meu pai sorri satisfeito com a resposta.
ㅡ Já tem planos? Pretende arranjar um trabalho?
Antes que ela responda, interrompo. Percebendo que ela está constrangida com o interrogatório que mal começou.
ㅡ Deixa ela em paz, John.
Minha mãe chama a minha atenção. Como se eu fosse uma criancinha e não um adulto de 19 anos. Finjo não reparar seu olhar e me levanto assim que o garçom chega com a comida. Cansei desse jantarzinho.
ㅡ Desculpe minha inconveniência, mas já estou de saída. Desejo a todos um bom jantar ㅡ falo para ninguém em particular. Começo a sair do local antes de ouvir a resposta dos meus pais e aceno para um táxi que passa. Antes de entrar, escuto alguém gritando meu nome. Viro e vejo que é Taylor. Ela de novo. Me aproximo dela.
ㅡ O que foi agora? Não queria que eu te deixasse em paz? ㅡ ponho as mãos no bolso.
ㅡ Ainda quero, mas prefiro ir com você do que ficar aqui.
Sorrio vitorioso.
ㅡ Tem certeza?
Ela começa a caminhar em direção ao carro. Oceano sorrir para mim e abre a porta.
ㅡ Você não vem? ㅡ ela entra e vou logo em seguida. Rindo dessa garota maluca que mexe com a minha cabeça mesmo nem conhecendo ela direito. No que me meti? Entro no carro e me aconchego no banco perto dela. Digo o endereço ao motorista e ele acelera o automóvel. Taylor me olha um pouco desconfiada.
ㅡ Onde vamos?
Encaro ela com um sorriso travesso.
ㅡ A uma festa.
Ela se assusta.
ㅡ Pensei que você iria para casa.
ㅡ Por que? Está desistindo? ㅡ me remexo no banco e me aproximo mais dela ㅡ Tudo bem, você quem sabe. Pode voltar para o jantar. Se preferir, claro. ㅡ aponto para a janela.
Ela bufa perto de mim e consigo sentir seu calor.
ㅡ Está bem. Mas não quero me encrencar por causa disso.
Aceno discretamente.
ㅡ Não se preocupe. Cuido disso.
Ela me encara, ainda preocupada. Consigo vê no seu olhar.
ㅡ O que vai ter nessa festa?
Olho para frente. Para a estrada.
ㅡ O que tem em uma festa? ㅡ Rio e percebo que chegamos. A festa era mais perto do que imaginava. ㅡ Vamos. Você vai se divertir ㅡ pago o taxista e puxo Taylor pelo braço e caminho com ela até o portão de garagem aberto. Entro no mesmo e encontro um pessoal.
Largo a mão de Taylor e vou até eles. Ela me questiona.
ㅡ Tá fazendo o que? Você não vai me deixar sozinha aqui, vai?
Sorrio para ela e pego Taylor no colo, coloco a mesma no meu ombro e corro com ela. A jogo na piscina e vou logo em seguida. A encosto na borda.
ㅡ Você por acaso tem medo de ficar sozinha, oceano?
Ela ri. Mas não se afasta.
ㅡ Eu não tenho nada disso. E para de fazer isso ㅡ ela aponta para nós ㅡ De flertar comigo. De novo.
Bufo na cara dela.
ㅡ O mesmo papo. Sério, oceano?
Ela me encara com aqueles olhos claros. Que me deixa maluco.
ㅡ Não estou flertando com você.
Ela ri indiscretamente.
ㅡ Jura, Nick? Não é o que parece.
Me aproximo do seu ouvido: ㅡ Não estou flertando com você. Mas não se preocupe, eu vou.
Ela empurra meu ombro.
ㅡ Você não se toca, né? O que te faz entender que eu estou confortável com isso? Você não me conhece.
Desvio o olhar dela.
ㅡ Você não me afastou
Ela percebe e me joga para trás. Me fazendo afundar rapidamente na piscina. Cuspo a água que entrou dentro da minha boca e olho para ela.
ㅡ É só diversão, tá bom? Não leva a sério. Nada aqui é sério ㅡ ao acabar de falar, vejo uma garota me chamando. Nem lembro seu nome, mas sei que a conheço. Ela se aproxima de mim animada na borda e me beija. Retribuo e olho para trás da menina. É quando vejo Taylor sair da piscina. Sem olhar para trás, ela some de vista. Porra. Acho que ela levou a sério o papo anterior. Mas não menti, menti? Foco na garota e nos seus lábios entreabertos para mim. Foco só nisso agora.
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